Elmano começa campanha no Pirambu, em primeiro ato com Cid e Luizianne, e ressalta gestão da saúde
Escrito por Letícia do ValeeMarcos Moreira / DIARIONORDESTE
Candidato à reeleição pelo PT, o governador Elmano de Freitas estreou a campanha eleitoral na manhã deste domingo (16), durante caminhada no bairro Pirambu, em Fortaleza. Na agenda, o político ressaltou o trabalho à frente do Executivo estadual e endereçou críticas ao grupo de oposição.
Ao lado da candidata à vice-governadora, Gabriella Aguiar (PSD), o governador realizou o primeiro ato público com os postulantes ao Senado da sua chapa: o senador Cid Gomes (PSB) e a deputada federal Luizianne Lins (Rede), que foi confirmada na composição no dia 5 de agosto.
Elmano foi acompanhado por apoiadores e candidatos durante a caminhada no Pirambu. Em entrevista coletiva, o governador defendeu os avanços no Ceará durante o mandato, como a geração de emprego e a interiorização da saúde.
Campanha nas ruas
Em seguida, os candidatos discursaram em cima de um carro de som em via pública no Pirambu. Nesse momento, Elmano de Freitas falou sobre o acirramento da disputa contra o grupo liderado por Ciro Gomes (PSDB), candidato ao Governo pela oposição.
“Se eles achavam que a eleição se resolve de prévia, não é assim não, eleição se resolve na rua e na urna, é lá que nós vamos ver. Não tenho nenhuma dúvida, hoje é só o começo”, salientou Elmano.
Disputa pelo Senado
Durante discurso na caminhada, o senador Cid Gomes também enfatizou a importância do início da campanha eleitoral. “Vamos separar os meninos dos adultos, agora o time está entrando em campo, é um time para ganhar, é um time para fazer bem ao Brasil e ao Ceará”.
Por sua vez, Luizianne Lins ressaltou a aposta no eleitorado feminino para dar continuidade ao projeto liderado por Elmano de Freitas.
“Quero convocar e conclamar todas as mulheres, a gente que gera todo dia dentro da gente o futuro, para que a gente não deixe esse projeto ser interrompido, nem que a maldade e o bolsonarismo voltem para nossas casas e para a sociedade brasileira”, defendeu a candidata da federação Psol/Rede Sustentabilidade.
Primeiro dia de campanha de Elmano
Após a caminhada no Pirambu, Elmano seguiu para a Basílica Santuário de São Francisco das Chagas, em Canindé. O governador também fará visitas no Cariri: Horto do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte (14h); estátua de Santo Antônio, em Barbalha (15h); e estátua de Nossa Senhora de Fátima, no Crato (16h).
A agenda da noite prevê a gravação de um programa eleitoral em Sobral, mas sem horário informado. Às 19h, a previsão é de um evento na Praça Pedra Cheirosa, em Itarema.
O limite desigual das doações eleitorais
Lara Mesquita
Professora na Escola de Economia de São Paulo (FGV-EESP) e pesquisadora do Cepesp. Doutora em ciência política pelo IESP-UERJ
FOLHA DE SP
Passadas as convenções e definidas as candidaturas, as atenções se voltam para o financiamento das campanhas eleitorais. Os fundos públicos respondem hoje pela maior parte do financiamento eleitoral —67,7% dos recursos em 2018 e 81,4% em 2022—, mas ainda há espaço para doações privadas.
Rodrigo Tamussino Roll defendeu recentemente dissertação de mestrado dedicada à análise das estratégias dos doadores de campanhas eleitorais no Brasil, no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ.
A pesquisa identifica quatro tipologias de doadores, a partir da dispersão das doações entre cargos e estados e entre campos ideológicos. Nos extremos estão os pragmático-dispersos, que financiam candidaturas de diferentes ideologias, cargos e estados, e os ideológico-concentrados, que restringem as contribuições a um mesmo campo ideológico e a poucos alvos eleitorais.
Até a proibição das doações empresariais, em 2015, as empresas respondiam por quase 91% dos recursos do grupo pragmático-disperso. Já os ideológico-concentrados são majoritariamente pessoas físicas.
Os dois perfis são muito diferentes também financeiramente. Embora os pragmáticos representem cerca de 1% dos doadores, respondem por aproximadamente 34% do valor privado doado.
O grupo ideológico, por sua vez, representa cerca de 96% dos doadores e suas doações concentram-se em valores baixos. Esses doadores têm maior preferência por candidaturas de direita e a cargos do Legislativo. Dados do TSE consultados mostram que a doação mediana desse grupo foi de R$ 1.394 em 2018 e caiu para praticamente R$ 2,21 em 2022. Mas essa é apenas uma face da moeda.
Entre as pessoas físicas, porém, há superdoadores capazes de movimentar milhões de reais e distribuir recursos entre diferentes candidaturas ao Executivo e ao Legislativo.
Por exemplo, Rubens Ometto (Cosan) doou R$ 8 milhões em 2018; os irmãos Pedro e Alexandre Grendene destinaram, juntos, mais de R$ 11,5 milhões a candidatos em 2022; Salim Mattar (Localiza) doou R$ 4,1 milhões em 2018. São exemplos da escala que doações individuais podem alcançar.
Há um abismo entre as doações dos "cidadãos-comuns" e dos "superdoadores". Enquanto os primeiros contribuem majoritariamente com valores simbólicos, a elite usa a doação pessoal como ferramenta de acesso e influência, ocupando o papel que as empresas exerciam até serem proibidas de doar em 2015.
A proibição das doações empresariais, em 2015, retirou as empresas da disputa, mas não eliminou a possibilidade de grandes concentrações privadas. Pessoas físicas continuam podendo doar até 10% dos rendimentos brutos declarados no ano anterior à eleição.
Na prática, esse limite autoriza tetos muito diferentes. Para quem recebeu R$ 100 mil em 2025, o máximo é R$ 10 mil; para quem recebeu R$ 100 milhões, são R$ 10 milhões. Na prática, esse teto apenas acentua as desigualdades de uma sociedade tão desigual quanto a brasileira.
Apenas um teto nominal, fixo e igual para todos, preservaria a doação cidadã e reduziria a capacidade de uma pequena elite de exercer influência financeira desproporcional sobre as campanhas. Essa mudança poderia até reabrir a discussão sobre doações de empresas, mas esse já é assunto para outra coluna.
Decisão do TRE-CE sobre federação tem implicações imediatas para base e oposição
O TRE-CE encerrou, nesta terça-feira (4), a disputa que se arrastava desde o início do ano dentro da União Progressista. Ao rejeitar a ação que pedia a anulação da convenção da federação, a Corte confirmou a tese mais óbvia e, ainda assim, contestada: quem tem a palavra final sobre alianças majoritárias é a federação, não os partidos que a compõem.
Essa decisão, entretanto, traz efeitos imediatos tanto para a oposição como para a base governista neste último dia de prazo para as convenções partidárias.
Quem ganhou o cabo de guerra
Capitão Wagner (União Brasil) e o grupo alinhado a Ciro Gomes venceram a queda de braço interna com a ala governista da federação. A vitória é simbólica, mas chega acompanhada de peso político para a chapa.
Após o entendimento da Corte Eleitoral, Ciro Gomes tem a confirmação de sua coligação com PSDB-Cidadania, PL e União Brasil. Estas últimas siglas, duas das maiores legendas do País, agregam ao nome opositor tempo significativo de propaganda rádio e TV, capilaridade e mais recursos do fundo eleitoral disponível.
O outro lado da conta
A decisão resolve o problema da oposição, mas abre espaço para a resolução de um impasse do governo.
A chapa governista aguardava essa definição para fechar o próprio desenho. Até aqui, três nomes já foram confirmados: Elmano de Freitas (PT) ao governo, Gabriella Aguiar (PSD) à vice e Cid Gomes (PSB) ao Senado. Falta o segundo nome à disputa pelo Senado, e o tempo está acabando.
Com o resultado no TRE-CE, Moses Rodrigues (União Brasil) fica de fora da equação. Restam na disputa Chagas Vieira (PDT) e Luizianne Lins (Rede).
As opções
O governo entra no último dia do prazo com duas alternativas de perfis bastante distintos. Chagas, filiado ao PDT, é braço direito do senador Camilo Santana e foi chefe da Casa Civil de Elmano. Ainda não foi testado nas urnas, mas assumiu um papel de protagonismo nos últimos anos dentro do grupo.
Luizianne tem identificação histórica com o PT, embora tenha se desfiliado do partido. Já testada nas urnas, ela concentra apoios no campo de esquerda.
As decisões ficaram mesmo para o último dia do prazo.

TSE proíbe adesivos de propaganda eleitoral em carros de transporte por aplicativos
Escrito por Milenna Murta* /diarionordeste
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) classificou como infração o uso de adesivos contendo propaganda eleitoral em veículos destinados ao transporte de passageiros por aplicativo. A conclusão veio após o julgamento do recurso de um caso ocorrido em Caruaru, no interior de Pernambuco, nas eleições municipais de 2024.
Na situação, um veículo utilizado para realizar corridas por aplicativo tinha o nome de um candidato a vereador, bem como seu número nas urnas. Encerrada a sessão, e com maioria dos votos, ele foi multado em R$ 2.000 mil pela conduta. O acórdão foi publicado no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) do TSE nesta segunda-feira (3) .
Conforme o órgão, apesar de se tratar de um veículo privado, a partir do momento em que seu uso é feito pelo público geral, aplicam-se as normas relacionadas à propaganda eleitoral.
O artigo 37 da Lei das Eleições, de 1997, proíbe a veiculação desse tipo de publicidade "nos bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do poder público, ou que a ele pertençam, e nos bens de uso comum". Os carros de aplicativo estão inseridos nesse último tipo de patrimônio.
O ministro Floriano de Azevedo Marques é o relator do recurso e detentor do voto vencedor. Além dele, decidiram pela multa os ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e a ministra Estela Aranha.
Para esse tipo de infração eleitoral, a penalidade fixada na Lei das Eleições é de multa, podendo variar entre R$ 2.000 mil e R$ 8.000 mil. O período de propaganda eleitoral para o pleito de 2026 será iniciado dia 16 de agosto, conforme consta no calendário divulgado pelo TSE.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Jéssica Welma.

Por que Elmano quer potencializar e Ciro quer evitar a nacionalização do debate
Os elementos da polarização nacional podem se apresentar de formas distintas na disputa pelo Governo do Ceará. Em maior ou menor grau, a eleição presidencial respinga nas corridas estaduais. Ainda mais num cenário como o cearense, que opõe um candidato apoiado pelo presidente Lula, Elmano de Freitas, a Ciro Gomes, um aliado local do PL, partido que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O terceiro colocado na disputa até aqui, Eduardo Girão (Novo), tem 3%. O quadro, portanto, é sugestivo de uma disputa entre os dois primeiros.
As estratégias já estão em campo
Elmano tem o desafio de se firmar como o candidato de Lula e, ao mesmo tempo, colar em Ciro o rótulo de aliado do bolsonarismo. Já começou a fazer isso.
A primeira parte da estratégia avançou. De acordo com a última pesquisa Quaest, 51% dos eleitores apontam Elmano como o nome apoiado por Lula. Em abril, eram 30%.
A segunda parte, entretanto, ainda não. Sobre quem seria o candidato de Bolsonaro no Ceará, 73% não sabem responder. Ciro é citado por 20% — em abril, eram 11%. Três em cada quatro eleitores ainda não fizeram essa ligação.
A aposta do tucano
Ciro, por sua vez, já se movimenta para se apresentar como independente. Os números explicam a escolha: entre os eleitores que se declaram independentes, ele tem 44% contra 24% de Elmano. Em cenário de segundo turno, a vantagem cresce para 55% a 25%.
O tucano, entretanto, não vai abrir mão de um dos elementos da polarização nacional: o antipetismo. Entre bolsonaristas, Ciro marca 72%. Entre eleitores de direita não bolsonarista, 62%.
É o arranjo mais confortável possível: recebe o voto da direita sem carregar o rótulo.
O desejo do eleitor
A pesquisa mostra por que o carimbo pesa tanto. Um aliado de Lula é a preferência de 45% dos cearenses. Um aliado de Bolsonaro, de apenas 16%. E 34% preferem alguém independente.
Detalhe: metade do eleitorado já associa Elmano a Lula, 45% dizem querer um aliado do presidente, e o governador tem 33% das intenções de voto. Alguma coisa se perde no caminho.
O que pode definir a eleição
Os independentes são o maior grupo do eleitorado cearense, com 30%. Lulistas somam 27%. Bolsonaristas, 10%.
Elmano precisa que a eleição seja nacional. Ciro precisa que ela seja estadual. A campanha eleitoral, com sua complexidade, dirá quem consegue impor o próprio jogo.



