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Ciro diz que disputou com Bolsonaro e Lula: 'Querem distrair a população' no Ceará

Escrito por Redação / DIARIONORDESTE

 

O candidato ao Governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) afirmou que já disputou eleições contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) e acusou adversários de tentarem associá-lo ao bolsonarismo para desviar o debate eleitoral no Estado. A declaração foi dada pelo tucano na noite desta terça-feira (18) durante a inauguração do comitê do deputado federal Danilo Forte (PP).

"A mentira tem perna curta e eles viraram tão poderosos e tão ladravazes que eles esquecem que o povo inteiro do Brasil, não foi só do Ceará, assistiu eu ser candidato a presidente da República numa eleição que foi disputada com o Bolsonaro e com o Lula. E não foi só uma vez, não. Foram duas vezes”, disse.

Ciro disputou as eleições presidenciais de 2018 e 2022, quando Lula e Bolsonaro estiveram entre seus adversários. Em 2018, o petista foi impedido de concorrer e acabou substituído por Fernando Haddad (PT).

 

Críticas ao grupo petista

O tucano defendeu a necessidade de uma mudança de “rumo” no Estado, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde e economia. O candidato voltou a citar a atuação de facções criminosas e afirmou que o Ceará vive um cenário de "perseguição".

 

"Essa candidatura nasceu com eu e ele (o ex-senador Tasso Jereissati) resmungando, nós dois. Os dois velhinhos lá meio zangados com as coisas e tal, e acabamos tomando uma decisão: vamos juntar a turma nova", afirmou.

 

Ciro citou, entre os nomes envolvidos nessa aproximação, o ex-prefeito Roberto Cláudio (União) e os deputados federais Capitão Wagner (União) e André Fernandes (PL), que estiveram em campos distintos em eleições anteriores.

"É possível a gente deixar as diferenças de lado na questão da política nacional e fazer um grande e generoso movimento de unir o Ceará para mudar. E conseguimos", concluiu.

Elmano começa campanha no Pirambu, em primeiro ato com Cid e Luizianne, e ressalta gestão da saúde

Escrito por Letícia do ValeeMarcos Moreira / DIARIONORDESTE

 

Candidato à reeleição pelo PT, o governador Elmano de Freitas estreou a campanha eleitoral na manhã deste domingo (16), durante caminhada no bairro Pirambu, em Fortaleza. Na agenda, o político ressaltou o trabalho à frente do Executivo estadual e endereçou críticas ao grupo de oposição. 

Ao lado da candidata à vice-governadora, Gabriella Aguiar (PSD), o governador realizou o primeiro ato público com os postulantes ao Senado da sua chapa: o senador Cid Gomes (PSB) e a deputada federal Luizianne Lins (Rede), que foi confirmada na composição no dia 5 de agosto. 

 

Elmano foi acompanhado por apoiadores e candidatos durante a caminhada no Pirambu. Em entrevista coletiva, o governador defendeu os avanços no Ceará durante o mandato, como a geração de emprego e a interiorização da saúde.

 

Campanha nas ruas

Em seguida, os candidatos discursaram em cima de um carro de som em via pública no Pirambu. Nesse momento, Elmano de Freitas falou sobre o acirramento da disputa contra o grupo liderado por Ciro Gomes (PSDB), candidato ao Governo pela oposição. 

“Se eles achavam que a eleição se resolve de prévia, não é assim não, eleição se resolve na rua e na urna, é lá que nós vamos ver. Não tenho nenhuma dúvida, hoje é só o começo”, salientou Elmano. 

 

Disputa pelo Senado

Durante discurso na caminhada, o senador Cid Gomes também enfatizou a importância do início da campanha eleitoral. “Vamos separar os meninos dos adultos, agora o time está entrando em campo, é um time para ganhar, é um time para fazer bem ao Brasil e ao Ceará”.

Por sua vez, Luizianne Lins ressaltou a aposta no eleitorado feminino para dar continuidade ao projeto liderado por Elmano de Freitas.

 

“Quero convocar e conclamar todas as mulheres, a gente que gera todo dia dentro da gente o futuro, para que a gente não deixe esse projeto ser interrompido, nem que a maldade e o bolsonarismo voltem para nossas casas e para a sociedade brasileira”, defendeu a candidata da federação Psol/Rede Sustentabilidade. 

Primeiro dia de campanha de Elmano

Após a caminhada no Pirambu, Elmano seguiu para a Basílica Santuário de São Francisco das Chagas, em Canindé. O governador também fará visitas no Cariri: Horto do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte (14h); estátua de Santo Antônio, em Barbalha (15h); e estátua de Nossa Senhora de Fátima, no Crato (16h).

 

A agenda da noite prevê a gravação de um programa eleitoral em Sobral, mas sem horário informado. Às 19h, a previsão é de um evento na Praça Pedra Cheirosa, em Itarema.

TSE proíbe adesivos de propaganda eleitoral em carros de transporte por aplicativos

Escrito por Milenna Murta* /diarionordeste

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) classificou como infração o uso de adesivos contendo propaganda eleitoral em veículos destinados ao transporte de passageiros por aplicativo. A conclusão veio após o julgamento do recurso de um caso ocorrido em Caruaru, no interior de Pernambuco, nas eleições municipais de 2024.

Na situação, um veículo utilizado para realizar corridas por aplicativo tinha o nome de um candidato a vereador, bem como seu número nas urnas. Encerrada a sessão, e com maioria dos votos, ele foi multado em R$ 2.000 mil pela conduta. O acórdão foi publicado no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) do TSE nesta segunda-feira (3) .

Conforme o órgão, apesar de se tratar de um veículo privado, a partir do momento em que seu uso é feito pelo público geral, aplicam-se as normas relacionadas à propaganda eleitoral.

O artigo 37 da Lei das Eleições, de 1997, proíbe a veiculação desse tipo de publicidade "nos bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do poder público, ou que a ele pertençam, e nos bens de uso comum". Os carros de aplicativo estão inseridos nesse último tipo de patrimônio.

 

O ministro Floriano de Azevedo Marques é o relator do recurso e detentor do voto vencedor. Além dele, decidiram pela multa os ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e a ministra Estela Aranha.

Para esse tipo de infração eleitoral, a penalidade fixada na Lei das Eleições é de multa, podendo variar entre R$ 2.000 mil e R$ 8.000 mil. O período de propaganda eleitoral para o pleito de 2026 será iniciado dia 16 de agosto, conforme consta no calendário divulgado pelo TSE.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Jéssica Welma.

 

capa da noticia

Legenda: A norma consta na Lei das Eleições, de 1997.

 

 

O limite desigual das doações eleitorais

Lara Mesquita

Professora na Escola de Economia de São Paulo (FGV-EESP) e pesquisadora do Cepesp. Doutora em ciência política pelo IESP-UERJ

FOLHA DE SP

 

Passadas as convenções e definidas as candidaturas, as atenções se voltam para o financiamento das campanhas eleitorais. Os fundos públicos respondem hoje pela maior parte do financiamento eleitoral —67,7% dos recursos em 2018 e 81,4% em 2022—, mas ainda há espaço para doações privadas.

Rodrigo Tamussino Roll defendeu recentemente dissertação de mestrado dedicada à análise das estratégias dos doadores de campanhas eleitorais no Brasil, no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ.

A pesquisa identifica quatro tipologias de doadores, a partir da dispersão das doações entre cargos e estados e entre campos ideológicos. Nos extremos estão os pragmático-dispersos, que financiam candidaturas de diferentes ideologias, cargos e estados, e os ideológico-concentrados, que restringem as contribuições a um mesmo campo ideológico e a poucos alvos eleitorais.

Até a proibição das doações empresariais, em 2015, as empresas respondiam por quase 91% dos recursos do grupo pragmático-disperso. Já os ideológico-concentrados são majoritariamente pessoas físicas.

Os dois perfis são muito diferentes também financeiramente. Embora os pragmáticos representem cerca de 1% dos doadores, respondem por aproximadamente 34% do valor privado doado.

O grupo ideológico, por sua vez, representa cerca de 96% dos doadores e suas doações concentram-se em valores baixos. Esses doadores têm maior preferência por candidaturas de direita e a cargos do Legislativo. Dados do TSE consultados mostram que a doação mediana desse grupo foi de R$ 1.394 em 2018 e caiu para praticamente R$ 2,21 em 2022. Mas essa é apenas uma face da moeda.

Entre as pessoas físicas, porém, há superdoadores capazes de movimentar milhões de reais e distribuir recursos entre diferentes candidaturas ao Executivo e ao Legislativo.

Por exemplo, Rubens Ometto (Cosan) doou R$ 8 milhões em 2018; os irmãos Pedro e Alexandre Grendene destinaram, juntos, mais de R$ 11,5 milhões a candidatos em 2022; Salim Mattar (Localiza) doou R$ 4,1 milhões em 2018. São exemplos da escala que doações individuais podem alcançar.

Há um abismo entre as doações dos "cidadãos-comuns" e dos "superdoadores". Enquanto os primeiros contribuem majoritariamente com valores simbólicos, a elite usa a doação pessoal como ferramenta de acesso e influência, ocupando o papel que as empresas exerciam até serem proibidas de doar em 2015.

A proibição das doações empresariais, em 2015, retirou as empresas da disputa, mas não eliminou a possibilidade de grandes concentrações privadas. Pessoas físicas continuam podendo doar até 10% dos rendimentos brutos declarados no ano anterior à eleição.

Na prática, esse limite autoriza tetos muito diferentes. Para quem recebeu R$ 100 mil em 2025, o máximo é R$ 10 mil; para quem recebeu R$ 100 milhões, são R$ 10 milhões. Na prática, esse teto apenas acentua as desigualdades de uma sociedade tão desigual quanto a brasileira.

Apenas um teto nominal, fixo e igual para todos, preservaria a doação cidadã e reduziria a capacidade de uma pequena elite de exercer influência financeira desproporcional sobre as campanhas. Essa mudança poderia até reabrir a discussão sobre doações de empresas, mas esse já é assunto para outra coluna.

Decisão do TRE-CE sobre federação tem implicações imediatas para base e oposição

Escrito por Inácio Aguiar / diarionordeste
 
 

O TRE-CE encerrou, nesta terça-feira (4), a disputa que se arrastava desde o início do ano dentro da União Progressista. Ao rejeitar a ação que pedia a anulação da convenção da federação, a Corte confirmou a tese mais óbvia e, ainda assim, contestada: quem tem a palavra final sobre alianças majoritárias é a federação, não os partidos que a compõem. 

Essa decisão, entretanto, traz efeitos imediatos tanto para a oposição como para a base governista neste último dia de prazo para as convenções partidárias. 

Quem ganhou o cabo de guerra 

Capitão Wagner (União Brasil) e o grupo alinhado a Ciro Gomes venceram a queda de braço interna com a ala governista da federação. A vitória é simbólica, mas chega acompanhada de peso político para a chapa. 

Após o entendimento da Corte Eleitoral, Ciro Gomes tem a confirmação de sua coligação com PSDB-Cidadania, PL e União Brasil. Estas últimas siglas, duas das maiores legendas do País, agregam ao nome opositor tempo significativo de propaganda rádio e TV, capilaridade e mais recursos do fundo eleitoral disponível.

O outro lado da conta 

A decisão resolve o problema da oposição, mas abre espaço para a resolução de um impasse do governo. 

A chapa governista aguardava essa definição para fechar o próprio desenho. Até aqui, três nomes já foram confirmados: Elmano de Freitas (PT) ao governo, Gabriella Aguiar (PSD) à vice e Cid Gomes (PSB) ao Senado. Falta o segundo nome à disputa pelo Senado, e o tempo está acabando. 

Com o resultado no TRE-CE, Moses Rodrigues (União Brasil) fica de fora da equação. Restam na disputa Chagas Vieira (PDT) e Luizianne Lins (Rede). 

As opções 

O governo entra no último dia do prazo com duas alternativas de perfis bastante distintos. Chagas, filiado ao PDT, é braço direito do senador Camilo Santana e foi chefe da Casa Civil de Elmano. Ainda não foi testado nas urnas, mas assumiu um papel de protagonismo nos últimos anos dentro do grupo.  

Luizianne tem identificação histórica com o PT, embora tenha se desfiliado do partido. Já testada nas urnas, ela concentra apoios no campo de esquerda.  

As decisões ficaram mesmo para o último dia do prazo.

Legenda: Dirigentes da federação protagonizaram uma divergência que foi parar na Justiça Eleitoral
Foto: Divulgação/Federação União Progressista

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