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Atlas/Estadão: Tarcísio tem 49,1% e Haddad tem 42,6% na disputa em São Paulo

POR RICARDO CORREA / O ESTADAÕ DE SP

 

 

Pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta segunda-feira, 30, mostra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 49,1% das intenções de voto no primeiro turno, na disputa contra Fernando Haddad (PT) no Estado. O ex-ministro da Fazenda somaria 42,6%. No cenário testado, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) aparece com 5%, enquanto o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) registra 1,2%.

 

De acordo com o levantamento realizado entre os dias 24 e 27 de março, os paulistas que apontam a intenção de votar em branco ou nulo são 1,5%. Já os que não souberam responder são 0,6%. A pesquisa ouviu 2.254 eleitores de São Paulo por recrutamento digital aleatório e tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01079/2026.

 

O cenário entre Tarcísio e Haddad é o mais provável, após o ex-ministro ser confirmado como pré-candidato do PT ao pleito e o governador ter anunciado a permanência no cargo para disputar a reeleição.

 

Haddad resistia à ideia de disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes, sobretudo em razão do favoritismo de Tarcísio, mas acabou cedendo à pressão de Lula, que precisa de um candidato competitivo em São Paulo para não perder terreno na disputa presidencial. Para os aliados do Palácio do Planalto, Haddad teria mais condições de levar a eleição ao segundo turno do que outros nomes do campo.

 

Já Tarcísio, preferido por partidos de centro e setores da direita como candidato à Presidência, acabou mantido na disputa à reeleição após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) escolher o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como nome à Presidência da República. Para disputar o Planalto, Tarcísio precisaria deixar o cargo de governador até o próximo sábado, 4.

Outros cenários testados

Além da disputa entre Tarcísio e Haddad, o instituto AtlasIntel também mediu como ficaria uma disputa com a ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), no lugar de Haddad. Neste caso, Tarcísio teria 48,8%, Tebet somaria 41,8%, Kim Kataguiri registraria 5% e Paulo Serra teria 1,5%. Os votos em branco e nulos somariam 2,5% e os que não souberam responder, 0,5%.

 

Tebet, até então no MDB, filiou-se ao PSB na última sexta-feira, 27, após anunciar que pretende concorrer ao Senado por São Paulo. A decisão de mudar de domicílio eleitoral se dá em razão das dificuldades para o campo da esquerda no Mato Grosso do Sul, Estado de origem da ministra. Já a ida ao PSB ocorreu pelo fato de o MDB apoiar o projeto eleitoral de Tarcísio em São Paulo. Ela deve deixar o comando da pasta nesta semana.

 

Em um terceiro cenário testado pelo instituto para a disputa ao governo paulista, o candidato do campo de Lula é Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Neste caso, a distância hoje seria maior. Tarcísio de Freitas somaria 49,4% contra o ex-governador, que teria 32,2%. Kim Kataguiri registraria 5,3% e Paulo Serra ficaria com 2,1%. Votos em branco e nulos seriam 9% e os que não souberam responder, 2%.

 

Até aqui, França tem mostrado intenção de disputar uma vaga ao Senado após a confirmação de Haddad como pré-candidato do PT. Contudo, como Simone Tebet e Marina Silva, de saída da Rede, são cotadas à empreitada no Parlamento, o destino do ministro está em aberto. Ele poderia tanto continuar no governo federal, abrindo mão de candidatura, ou eventualmente ser alocado como vice de Haddad, por exemplo.

 

O Atlas também mediu um quarto cenário em que Haddad seria substituído pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Neste caso, Tarcísio teria 48,4% e Alckmin ficaria com 41,4%. Kim somaria 5,3% e Paulo Serra teria 1,5%. Brancos e nulos seriam 2,2% e os que não souberam são 1,2%.

 

Hoje, a tendência maior é que Alckmin, que deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio nesta semana, se mantenha na chapa de Lula, novamente como candidato a vice-presidente. O próprio petista afirmou publicamente que a vaga está aberta para o ex-governador de São Paulo. Contudo, Lula disse que Alckmin decidirá após discutir com Haddad.

 

Haveria uma possibilidade hoje menor de o vice-presidente ser candidato ao Senado, abrindo espaço na chapa de Lula para outra composição.

 

Eleição acirrada faz Lula e Flávio apostarem em propaganda na TV e abre guerra por apoio do centrão

Raphael Di Cunto / FOLHA DE SP
Brasília

Na contramão do senso comum de que a publicidade na TV e rádio se tornou pouco relevante nas eleições, as campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apostam na propaganda oficial nesses veículos como um dos pontos centrais da disputa. Por isso, atuam para fortalecer suas coligações —o apoio de partidos grandes aumenta o tempo de televisão do candidato— para ganhar vantagem sobre o adversário nesses canais.

Integrantes das duas campanhas avaliam que a propaganda nessas emissoras ainda terá papel importante por causa do público atingido pela TV aberta, com renda de até dois salários mínimos. É o eleitorado em que Lula é mais forte (52% a 37% no segundo turno contra Flávio, de acordo com o Datafolha divulgado em 6 de março*). Já o rádio também pode ajudar ao atingir os rincões do país.

Numa disputa que se desenha apertadíssima, a estratégia é não apostar tudo nas redes sociais e obter um número maior de inserções na TV e rádio tanto para fortalecer sentimentos positivos em relação ao candidato e apresentar suas propostas como para desconstruir a imagem do adversário e aumentar a rejeição junto a segmentos-chave do eleitorado.

É com base nessa estratégia que Flávio tem procurado os partidos do centrão para firmar uma aliança, em especial a federação entre União Brasil e PP e também o Republicanos. Já Lula sabe que essas siglas não vão aderir à sua coligação, mas atua para conquistar apoio em determinados estados, rachá-las e evitar que ingressem formalmente na chapa de seu principal adversário.

Se ficar isolado, com apoio apenas do PL, Flávio terá menos tempo de propaganda do que Lula no primeiro turno: 49% ficará com o petista e 35% com ele. Além das inserções ao longo da programação, também proporcionais ao tamanho da coligação, o presidente teria direito a 5 minutos e 44 segundos do programa diário e Flávio ficaria com 4min35s. O candidato do PSDseja Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, teria 2 minutos e 11 segundos.

Se conseguir o apoio de União Brasil, PP e Republicanos, no entanto, Flávio terá quase o dobro de publicidade e inserções diárias do que Lula, com 57% da propaganda contra 32% do petista. Seria uma coligação maior do que a de quando seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), disputou a reeleição, e lhe daria uma estrutura robusta na TV e rádio.

A aliança com o centrão daria ao presidenciável do PL 7 minutos e 5 segundos do programa eleitoral diário para disseminar suas ideias e desconstruir a gestão do adversário. Já o presidente teria 3 minutos e 51 segundos para apresentar suas propostas, rebater as críticas e contra-atacar. O candidato do PSD ficaria com apenas 1 minuto e 34 segundos.

Essa conta considera o cenário mais provável hoje, em que só três partidos que superaram a cláusula de desempenho —regra que exige que um partido alcance um mínimo de votos ou cadeiras para ter acesso a recursos como fundo partidário e tempo de TV— vão concorrer à Presidência.

Outros pré-candidatos, como o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o ex-deputado Aldo Rebelo (DC) e o ativista político Renan Santos (Missão), não terão direito a propaganda, já que suas legendas não elegeram deputados federais suficientes na eleição passada.

Lula também tenta ampliar seu arco de alianças e tempo de propaganda eleitoral ao buscar o MDB para sua coligação com a oferta da vaga de vice-presidente. Mais da metade dos diretórios estaduais do MDB, porém, assinou manifesto a favor da neutralidade na eleição, para barrar o movimento do grupo do Norte e Nordeste a favor do petista.

As estimativas foram feitas pela Folha com base no cálculo do cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio (ligada ao Solidariedade), sobre o tempo de propaganda de cada partido: 90% é dividido de acordo com o número de deputados federais eleitos em 2022 e outros 10% igualmente entre os candidatos.

O cálculo vale apenas para o primeiro turno da eleição, quando a divisão da propaganda considera o tamanho dos apoios de cada candidato. Na segunda etapa, os dois candidatos que passarem dividem o tempo de forma igualitária, com 50% para cada candidatura, independentemente da quantidade de partidos em suas coligações.

A publicidade oficial na televisão e rádio começará em 28 de agosto e irá até 1º de outubro. Além do programa eleitoral, de 12min30s diários e exibidos às terças e quintas-feiras e aos sábados no caso da eleição presidencial, há inserções publicitárias ao longo da programação normal, que podem ser divididas em pílulas de 30 ou 60 segundos.

Em relação à eleição de 2022, Lula deve ganhar o apoio do PDT (que na época concorreu com Ciro Gomes) e perder do Solidariedade e Pros. Flávio Bolsonaro atua para conquistar a adesão do União Brasil (que lançou a senadora Soraya Thronicke contra seu pai em 2022 e agora está numa federação com o PP) e repetir a aliança com o Republicanos.

Ainda é incerto o papel dos partidos nanicos. Há quatro anos, Lula teve apoio de Agir, Avante, Pros e Solidariedade na eleição. O Pros foi incorporado ao Solidariedade, que rompeu com Lula por falta de espaço no governo. A sigla hoje está numa federação com o PRD e deve ficar neutra na disputa, com foco na eleição de deputados federais.

Já o Avante não decidiu seu posicionamento sobre a eleição de 2026. A sigla renderá pelo menos 11 segundos a mais na TV para o candidato que apoiar, a depender do posicionamento das demais legendas. Outros partidos que podem alterar o quadro são a federação PSDB/Cidadania e o Podemos, que não pretendem lançar nome próprio e hoje não estão alinhados a nenhuma candidatura.

*O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de 3 a 5 de março. Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.

 

Lula cobra em reunião pressa para reagir a Flávio Bolsonaro

Catia SeabraCaio Spechoto / FOLHA DE SP

 

 

O presidente Lula (PT) cobrou de aliados pressa na estruturação da pré-campanha presidencial durante reunião no Palácio da Alvorada, na segunda-feira (23). A instrução do petista vem no momento em que seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ganha terreno nas pesquisas de intenção de voto.

Ainda segundo relatos, o presidente deu sinais de frustração com os resultados dos levantamentos eleitorais e com a dificuldade de conversão das ações do governo em votos. Ele reclama da falta de energia para reagir à ofensiva bolsonarista.

Nos dias seguintes ao encontro, a cúpula petista instruiu deputados do partido a acirrar o embate político com a oposição, focando especialmente no caso Banco Master. A orientação é para aumentar a repercussão das declarações de Lula sobre o tema e colar o escândalo de fraude financeira no bolsonarismo.

Lula tem recebido regularmente o núcleo de sua pré-campanha para debate de conjuntura e definição de estratégia política-eleitoral.

Na segunda-feira, quando o petista cobrou seus aliados em tom de preocupação, estavam presentes alguns dos principais nomes da coordenação, como o presidente do PT, Edinho Silva, que será o coordenador geral, o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, que coordenará a elaboração do programa de governo, e o ex-prefeito de Diadema (SP) José de Filippi Jr., que será o tesoureiro.

Entre auxiliares do presidente, a avaliação é a de que o campo adversário avançou na montagem dessa estrutura da pré-campanha. No dia seguinte à reunião no Alvorada, Edinho Silva transmitiu a recomendação do presidente a deputados petistas.

Durante almoço com a executiva bancada do PT na Câmara, o presidente do PT informou que o PL já havia constituído um robusto corpo jurídico e uma assessoria de comunicação. Enfatizando a importância da próxima eleição, defendeu também a necessidade de adesão a jantares de arrecadação, como um programado para abril.

Ele lembrou ainda que, diferentemente do PT, o PL não repassa recursos do fundo partidário para seus diretórios, o que permite maior reserva de recursos para a campanha.

No encontro, instruiu que os deputados reproduzissem mais o discurso de Lula e buscassem maior alinhamento à comunicação do governo. Foi mencionado como exemplo a associação do caso Master à gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL).

Em discurso na semana passada, o presidente da República se referiu ao caso Master como "ovo da serpente" deixado pela gestão Bolsonaro. A cúpula do governo julga não ter nada a ver com o escândalo, mas avalia que a fraude tem causado desgaste à imagem da atual gestão.

Outra recomendação é para vinculação do aumento de combustíveis à guerra iniciada pelos EUA. A estratégia é lembrar que o presidente americano, Donald Trump, é apoiado pelos bolsonaristas, enquanto Lula prega a paz.

Além disso, a ideia é questionar por que governadores apoiados por Bolsonaro não aderiram à proposta do governo federal para que abram mão da receita do ICMS sobre combustíveis, permitindo a redução do preço ao consumidor.

Ainda segundo relatos dos participantes, os deputados sugeriram que o governo também faça sua parte, adotando medidas de estímulo à economia popular e liberação de recursos para programas de interesse social.

Ao comentar a falta de estruturação da pré-campanha petista descrita por Edinho, deputados chegaram a lembrar que hoje detêm a máquina governista e seria alarmante supor que o adversário estaria mais bem organizado.

Flávio Bolsonaro foi escolhido por seu pai, preso por tentativa de golpe, para representar o campo bolsonarista na eleição presidencial. Desde o anúncio, no fim do ano passado, Flávio ganhou terreno e agora aparece empatado com Lula nas pesquisas de intenção de voto.

Uma aceleração da pré-campanha, por parte de Lula, é um movimento limitado no momento. A campanha oficial só começa oficialmente em agosto. Até lá os postulantes são proibidos, por exemplo, de pedir voto.

Nervoso com pesquisas, Lula 3 descobre só agora problemas velhos, alguns que ele mesmo criou

Vinicius Torres Freire

Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA) / FOLHA DE SP

 

Quando a pimenta das pesquisas entra no olho, governos saem por um instante do estado de embevecimento consigo mesmo. É aquele encantamento com a própria esperteza, a convicção de que seus planos são infalíveis e populares e até de que a realidade se dobra a mágicas e milagres. Lula 3 é até mais encantado consigo mesmo do que Lula 1 e 2.

 

Aconteceu de novo. O governo descobriu, entre outras coisas, que juros altos causam problemas —ah, vá. Começou então o barata-voa. Há reuniões frenéticas. Vazam para jornais ideias de providências inócuas, tolas ou malucas até se considerado o próprio interesse do governo. No pico recente da inflação de alimentos, faz um ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que caçaria quem encarecia o ovo (não achou) e baixou o imposto de importação da lata de sardinha. Hum.

 

Pesquisas de voto e de opinião provocaram o choque de realidade virtual no governo. Virtual, por assim dizer, pois se trata de reação à opinião recolhida pelas pesquisas, não a fatos que possam ter motivado maus humores do eleitorado.

Alguns desses motivos por vezes são propaganda podre, como a campanha da direita sobre o pix de janeiro de 2025 ou a que tenta jogar no colo do governo a bandalha inteira do Master. Outros são reais e sabidos: inflação alta, de alimentos em especial, é impopular. Taxas de juros altas causam problemas também no varejo, bidu, como encarecimento de bens, achatamento relativo da renda, inadimplência.

 

O pessoal do governo ainda parece achar que é possível conter inflações sem que taxas de juros subam. Quer que as pessoas façam mais empréstimos, mesmo nessa situação. Não faz lé com cré. No curto prazo, não há solução para juros altos a não ser tranco fiscal —e olhe lá. Há agora no governo quem pense em tabelar certas taxas de juros e, na prática, até preço de combustível. Vai dar besteira e não vai ajudar nem o governo.

 

As taxas de juros subiram também por causa do aumento de gasto público, que contribuiu para o aquecimento excessivo da atividade econômica e para o descrédito do governo e da moeda (juros mais altos no mercado e desvalorização do real). Subiu ainda por causa de momentos de alta mundial do dólar e do preço dos alimentos. A coisa piorou com mudanças e descrédito do arcabouço fiscal já em 2024. Por isso tudo, o custo do crédito bancário "livre" (não direcionado por governos) sobe desde outubro de 2024. O crédito pessoal (excluído o rotativo) encarece desde agosto de 2024. A Selic voltou a aumentar desde setembro de 2024.

 

O gasto com serviço da dívida (juros e amortização) foi "recorde" em dezembro de 2025, dado mais recente. Mas estava então quase no mesmo nível de setembro de 2025 —de resto, esse cálculo do Banco Central não é lá preciso bastante, no curto prazo, para interpretar certos problemas, como o mau humor popular. Sim, a inadimplência da pessoa física estava alta em janeiro de 2026, a maior com exceção de 2012 (há dados desde 2011). Mas subia de modo notável desde o fim de 2024.

 

Claro que daria problema. Gasto além da conta dá problema. Sem ação do BC e com mais inflação, Lula 3 seria triturado nas pesquisas. O problema, no fundo, é mais antigo. Lula não aprendeu a conversar com o novo eleitorado e tratou mal aquela minoria de "centro" que fez a balança pender para o lado dele na eleição de 2022. De resto, o lulismo-petismo continua a acreditar em maluquice macroeconômica. Daria problema.

 

 

Saída de Ratinho Jr. é o fim da terceira via

Merval Pereira / Uma análise multimídia dos fatos mais importantes do dia / o globo
A saída de Ratinho Jr. da corrida para a candidatura à presidência da República foi uma surpresa para todos, até para Gilberto Kassab, que estava preparado para anunciar esta semana o nome do governador do Paraná como candidato do PSD à presidência. Acredito em dois motivos para a decisão: ele viu que não teria condições de, estando fora do governo, apoiar alguém com competitividade para brigar com o senador Sergio Moro pelo governo do estado, e ter que brigar com Flavio Bolsonaro sendo um candidato alternativo da direita o deixaria em más condições em caso de derrota. Além de tudo, o pai dele, Carlos Massa, não queria sua candidatura. Tudo indica agora que o candidato do PSD será o governador Ronaldo Caiado, mas a saída de Ratinho Jr. demonstra que a ideia da terceira via não está tendo repercussão. Ele próprio não tinha apoio de várias sessões do partido e sabia que não teria condições de disputar com alguma chance a presidência. E acredito que Caiado tenha menos ainda. A renúncia dele define o quadro. Terceira via não tem espaço na disputa polarizada.

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