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'Cidades-pêndulo': com 9,2 milhões de eleitores, 495 municípios que trocaram de lado são decisivos para Flávio e Lula

Por Caio Sartori,  Bruno Alfano , Dimitrius Dantas e Kaio Magalhães* O GLOBO

 

 

O primeiro turno da eleição deste ano consolidou 495 municípios do país como pendulares, abertos a mudar de voto a cada quatro anos. Neles, a maioria optou por Jair Bolsonaro em 2018, migrou para Luiz Inácio Lula da Silva na disputa seguinte e agora foi de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Numa eleição tão apertada, as variações em locais como esses podem ser decisivas. As cidades somam 9,2 milhões de eleitores no total.

 

O município enquadrado no levantamento com maior eleitorado é Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo. Com 583 mil pessoas aptas a votar, a cidade deu boas votações ao PT no passado, mas o cenário começou a mudar a partir de 2014.

Na disputa de 2018, Bolsonaro despontou por lá com ampla margem — mais que o dobro de Fernando Haddad no primeiro turno. Quando Lula venceu em 2022, a diferença foi pequena, de quatro pontos. Flávio conseguiu, na atual, ser majoritário por diferença ainda menor, com dois a mais que o presidente.

 

Capilaridade mineira

Embora Goiás seja o estado com o maior percentual de seus municípios considerados pendulares por essa ótica, com um em cada cinco, Minas Gerais, notório “estado-espelho” das eleições presidenciais, aparece em segundo com 19% e se destaca pelo montante de cidades com a característica. São 162. No primeiro turno, aliás, a distância de Flávio para Lula em solo mineiro — cerca de 600 mil votos — acabou sendo decisiva para o resultado nacional.

 

Entre os municípios pendulares mineiros, há exemplos de diferentes regiões. Os maiores são Betim, na Região Metropolitana, e Montes Claros, no Norte do estado. Também do entorno metropolitano de Belo Horizonte, aparecem na sequência Ribeirão das Neves e Santa Luzia. Analistas costumam apontar esse cinturão em volta da capital mineira como uma das áreas mais decisivas do país para a eleição presidencial.

 

Professor da Fundação Dom Cabral e diretor do Instituto Ver, o cientista político Malco Camargos pondera, porém, que as maiores perdas de voto de Lula de uma eleição para a outra no estado se deram em municípios pequenos, aos quais “a comunicação não chegou” no primeiro turno.

 

— O resultado em Minas já vinha apontando a possibilidade de Flávio acabar na frente. Como o que acontece em Minas acontece no Brasil, recuperar Minas é fundamental para Lula — diz. — Movimentos estão acontecendo, ele gravou vídeos para cada uma das regiões no segundo turno, e os atos presenciais dele têm dado muita gente. Mais uma vez, Minas é o estado que pode definir a eleição.

 

Desde 2002

O cientista político e jornalista Fábio Vasconcellos, professor da Uerj e da PUC-Rio, fez recentemente um recorte detalhado de cidades pendulares desde 2002, ano da primeira vitória de Lula, com foco nos segundos turnos. Classificou assim os municípios que trocaram de lado mais de duas vezes desde então. Ele identificou 1.091 cidades no total, quase uma em cada cinco do país.

 

— Essas cidades têm um PIB per capita relativamente maior que a média do Brasil, o que mostra que não são necessariamente pobres. Têm também, no Ideb, uma média relativamente maior que as demais cidades. E são cidades onde a mediana da faixa etária é acima da média nacional, com contingente de idosos um pouco maior — elenca.

 

A maior parte dos municípios listados por Vasconcellos, 75%, é de pequeno porte, com até 20 mil habitantes. O principal, no entanto, é saber onde se encontra o estoque mais robusto de votos: 68% estão em 65 dessas cidades, geralmente localizadas em grandes regiões metropolitanas.

 

— Por isso, quando fazem alguma movimentação, elas atraem uma movimentação de votos muito pesada. Numa eleição apertada, é uma transferência grande — pontua.

 

Na quarta-feira, na pesquisa Quaest, dobrou o número de eleitores que se dizem indecisos na modalidade espontânea, aquela em que o entrevistado não é apresentado aos candidatos disponíveis. Agora, 14% se dizem em dúvida.

(*Estagiário sob supervisão de Marlen Couto)

Kassio e Mendonça enxergam TSE como arma de censura

Menos mau que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, tenha descartado a ideia de bloquear canais políticos de WhatsApp às vésperas do segundo turno. O recuo, porém, não eliminou o espanto com a desfaçatez de mais essa iniciativa censória e partidária da corte.

Como revelou a Folha, Kassio e seu colega André Mendonça circularam no tribunal uma minuta de resolução para suspender, nas 48 horas anteriores à votação, todos os canais de conteúdo político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores. A regra entraria em vigor tão logo fosse publicada.

Em tese de caráter geral, a norma tinha um alvo bem definido: o assim chamado "Exército do Lula", criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para apoiar o petista, que já recrutou mais de 7 milhões de usuários.

A correspondente "Tropa do Flávio" também seria afetada, mas o grupo do candidato do PL é consideravelmente menor —cerca de 2 milhões de inscritos— e demonstra menos engajamento. Salta aos olhos a desproporção da medida, encabeçada por dois ministros nomeados pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Após a divulgação do plano, Kassio declarou-se contrário a mudanças de última hora nas regras do pleito e atribuiu a autoria do texto a Mendonça. Este, por sua vez, negou que tenha sido iniciativa individual e afirmou que a proposta dependia de deliberação colegiada. Acrescentaram pusilanimidade ao despautério.

Conforme nota técnica enviada ao TSE por um grupo de mais de cem juristas, pesquisadores e líderes da sociedade civil, o bloqueio dos canais de WhatsApp configuraria restrição à liberdade política e alteraria significativamente as condições da disputa.

De forma mais direta, especialistas ouvidos pela Folha classificaram a medida como inconstitucional, por ferir a liberdade de expressão e de reunião no ambiente digital. E tudo com base na pressuposição de que as pessoas cometeriam algum ilícito eleitoral. Ou seja, o que se buscava era a nunca defensável censura prévia.

Eventuais ilegalidades —e isso deveria ser óbvio para ministros de uma corte superior— devem ser demonstradas e combatidas a posteriori, com reações proporcionais. Suprimir preventivamente um canal de comunicação não só pune manifestações lícitas mas também priva cidadãos de informações antes de irem às urnas.

Para piorar, Kassio nem é neófito nesse mister. Neste mesmo mês, ele se dispôs a derrubar o canal de Janones sem que houvesse respaldo suficiente para as irregularidades alegadas. Sua decisão foi revertida pelo relator do caso, mas o dano estava feito, sobretudo para a imagem do TSE.

A Justiça Eleitoral precisa zelar por sua equidistância do pleito, sem permitir que suas iniciativas favoreçam quem quer que seja. E precisa, mais do que nunca, abandonar sua pretensão de tutelar a opinião pública, de modo que os eleitores possam exercer plenamente o direito ao voto livre.

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Em busca dos alienados

A mais imprevisível das eleições presidenciais depois da redemocratização chega a seu final com uma estranha perspectiva: o vencedor precisa convencer os que não foram no primeiro turno a votar agora, mas sobretudo a votar nele, e não no adversário. Tarefa mais árdua para Lula, que precisa não apenas empatar com Flávio Bolsonaro, mas ultrapassá-lo na reta final. A penúltima pesquisa Quaest, divulgada ontem, foi boa para Lula. Ele não apenas reduziu a diferença para o adversário, como conseguiu melhorar a percepção dos eleitores sobre seu governo. Na nossa História recente, ninguém que fechou o primeiro turno atrás na corrida presidencial conseguiu reverter o resultado.

 

O motivo é o que o sociólogo Felipe Nunes, da Quaest, chama de “alienação eleitoral” — a soma do número de abstenções e dos nulos e brancos. Ela precisa ser reduzida para que o candidato supere o concorrente, principalmente quando os votos consolidados estão acima de 90% para os dois lados. Quem ficou mais perto de sofrer uma reversão de quadro no segundo turno foi a então presidente Dilma Rousseff, na luta pela reeleição em 2014. Ela venceu Aécio Neves no primeiro turno, mas apareceu em segundo lugar nas pesquisas do segundo. A alienação eleitoral naquela eleição caiu mais de 1 ponto, permitindo a virada da Dilma.

 

Neste primeiro turno, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas, e quase 6 milhões não escolheram nenhum dos candidatos disponíveis. São quase 40 milhões de eleitores “alienados”, que provavelmente ficaram ainda mais “alienados” depois do debate da Band. A Quaest constatou aumento no número de indecisos, demonstrando que nenhum dos dois candidatos agradou ao eleitorado. Mas a semana foi melhor para Lula num ponto específico: Bolsa Família. Além de o dinheiro ter sido antecipado e pago antes da eleição, houve uma frase malfeita da assessora econômica de Flávio, dando a entender que poderia haver interrupção do programa depois de dois anos — ela já existe, não é novidade.

 

É comum na política que uma palavra mal colocada dê margem a muita manipulação dos adversários. Exemplo famoso são os “marmiteiros”, expressão que derrotou o brigadeiro Eduardo Gomes. Ele dissera num discurso que não precisava dos votos “da malta” que apoiava Dutra, seu adversário. O empresário Hugo Borghi foi ao dicionário e descobriu que um dos significados de “malta” eram os operários que levavam marmita ao trabalho. Daí a “malta” do brigadeiro, que significava grupo, passou a significar os pobres que comiam de marmita.

 

Também nesta última semana, a capacidade de disputa de Lula melhorou, com uma campanha mais agressiva e ativa. A vantagem de Flávio diminuiu para apenas 1 ponto percentual. A transferência de votos dos outros candidatos derrotados no primeiro turno foi mais equilibrada do que se supunha, contribuindo para melhorar a situação de Lula. Os dois precisam aproveitar o debate da Globo de amanhã para recuperar votos ou consolidar a vantagem, no caso de Flávio. Para isso, Flávio terá de calibrar a mira, porque em alguns momentos no debate da Band passou um pouco do limite, e o público notou.

 

Ninguém queria dizer que o presidente é um idoso, mas, depois das ironias de Flávio, a diferença de idade, a favor dele, pode virar contra, se exagerar e abusar dessa possível vantagem para tentar menosprezar Lula. O presidente não é um candidato desprezível, embora os resultados de seu governo sejam medíocres, como demonstram as pesquisas, na percepção dos eleitores. Lula, em contrapartida, não se impôs diante de Flávio, impedindo-o, pela senioridade, de praticar ações de menosprezo num debate dessa importância. A cafajestagem de Donald Trump não é bem-vista no Brasil.

 

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). — Foto: Charles Vieira / Campanha Flávio Bolsonaro - Ricardo Stuckert

Em Fortaleza, Flávio acena ao público LGBT e diz que vai devolver poder de compra aos brasileiros

Escrito por Ingrid CamposeLuana Barros / DIARIONORDESTE

 

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) esteve em Fortaleza nesta quarta-feira (21), ocasião em que acenou ao público LGBT e prometeu recuperar o poder de compra dos brasileiros. O senador participou do evento “Bloquinho do 22” acompanhado do deputado federal reeleito André Fernandes (PL) e de outros políticos com mandato, em campanha para o segundo turno das eleições de 2026.

Durante o discurso, Flávio afirmou que pessoas homossexuais e LGBT serão bem-vindas caso seja eleito. “Ninguém tem o direito de se meter na forma como você quer ser feliz, e comigo vocês, homossexuais, LGBTs, vão prosperar como todo cidadão brasileiro”, disse.

O aceno ocorreu como resposta a informações falsas, segundo ele, a seu respeito. Nessa perspectiva, o candidato deu o exemplo das acusações petistas de que acabaria com o Bolsa Família ou prejudicaria aposentados em um eventual mandato no Planalto. “O DNA do PT, além da corrupção, é a mentira”, afirmou.

 

Na área econômica, o senador prometeu devolver o poder de compra à população, mas não apresentou, no trecho do discurso, medidas específicas para alcançar esse objetivo. “Vai ter dinheiro no bolso de vocês, porque vocês vão prosperar e vão dar dignidade para as suas famílias”, disse. Ele também defendeu a ampliação do acesso à educação de qualidade e a formação de uma geração capaz de conquistar autonomia financeira.

Combate a facções

A segurança pública foi outro eixo do pronunciamento. Flávio prometeu combater facções criminosas e afirmou que integrantes desses grupos seriam presos ou “neutralizados” pelas forças policiais. Também defendeu a redução da maioridade penal, a castração química para agressores de mulheres e abusadores de crianças e o direito de pessoas a partir dos 16 anos dirigirem carros e motocicletas.

 

O candidato ainda criticou o presidente Lula (PT), seu adversário na disputa, e convocou os apoiadores a se mobilizarem para o domingo de votação, dia 25 de outubro. Flávio também exaltou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e atribuiu ao bolsonarismo a eleição de um Congresso Nacional que classificou como o mais à direita da história brasileira.

 

A passagem por Fortaleza, última cidade nordestina a receber Flávio em campanha, segundo André Fernandes, integra a mobilização do PL na reta final da disputa presidencial. Nessa terça-feira (20), o vice na chapa do Bolsonaro, Alfredo Gaspar (PL), também esteve no Ceará, ocasião na qual ele afirmou que a disputa pela Presidência da República representa uma “luta espiritual”. 

capa da noticia

Legenda: Flávio Bolsonaro participou do evento "Bloquinho do 22", em Fortaleza.

 

Congresso resiste a usar verba de emendas para financiar promessa de Lula de garantir transporte de graça no fim de semana

Por Victoria Azevedo — Brasília / o globo

 

 

Lideranças do Congresso Nacional afirmam que haverá resistência para aprovar a redução dos valores das emendas parlamentares para financiar o transporte público gratuito aos finais de semana, proposta pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do segundo turno. Senadores e deputados afirmam, sob reserva, que qualquer proposta que resulte na diminuição do montante das emendas parlamentares não deve prosperar, ainda mais às vésperas de uma eleição presidencial. 

 

Esses parlamentares dizem enxergar no movimento de Lula gestos aos eleitores tanto pelo alcance e a popularidade da medida, quanto pelo ataque ao valor expressivo das emendas, que é criticada por parcela da população. Por outro lado, essas lideranças dizem tratar o tema em compasso de espera, já que o avanço ou não da medida será impactado pelo resultado das urnas no domingo. Em caso de vitória de Lula, dizem, a medida ganha força e pode ser aprovada por meio do diálogo e da busca de um meio-termo. Caso Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja eleito, esses parlamentares afirmam que dificilmente a proposta deve avançar.

 

O Palácio do Planalto propôs destinar parte dos recursos das emendas parlamentares impositivas para custear a gratuidade nos serviços. Pelo texto da PEC, que foi assinada nesta quarta-feira pelo presidente, ao menos 26,8% do montante global das emendas individuais e de bancada seriam direcionadas para essa finalidade. O projeto de lei orçamentária anual de 2027 prevê R$ 44,8 bilhões em emendas parlamentares de execução obrigatória. Com esses valores, o governo estima que cerca de R$ 11,2 bilhões seriam usados para financiar a iniciativa.

 

As emendas são usadas como moeda de troca nas negociações entre Planalto e Congresso e a principal forma de parlamentares capitalizarem politicamente em seus redutos eleitorais. Nos últimos anos, foi motivo de tensionamento entre os três Poderes, com o Supremo Tribunal Federal (STF) impondo uma série de regras para dar transparência à destinação desses recursos. 

 

Apesar desse cenário considerado adverso, aliados de Lula dizem apostar na mobilização popular para pressionar os parlamentares a discutir o tema, a exemplo de como foi a discussão da PEC que acabou com a jornada de trabalho 6x1. O Planalto também conta com a relação próxima estabelecida com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para buscar avançar com o tema. De acordo com relatos, Motta sinalizou ser favorável ao andamento da medida, mas se queixou da decisão do governo em usar as emendas para custear a proposta. 

 

Os presidentes da Câmara e do Senado usam a distribuição desses recursos também para construir uma base de sustentação no Legislativo. Um interlocutor do presidente da Câmara, no entanto, afirma que, assim como demais medidas, haverá diálogo entre os líderes e o governo federal para buscar uma solução. O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) diz que pediu a Motta para ser relator da PEC. Ele é coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero. 

 

 

Ao GLOBO o deputado diz que é possível buscar “outras fontes de financiamento” à medida, caso haja muita resistência às emendas. 

— O mais importante é que o governo está incidindo sobre o financiamento do transporte público nos municípios. Vamos buscar alternativas, pode ser por meio das emendas ou outras fontes de recurso. Envio emendas para custear a saúde. Por que não posso fazer isso com o transporte? 

Dois senadores aliados de Lula reconhecem dificuldades em aprovar medidas que tratem das emendas parlamentares. Um deles diz, no entanto, que o Orçamento hoje não apresenta muitas alternativas e defende que o governo faça esse enfrentamento no Congresso —aproveitando a mobilização social das últimas semanas em torno da aprovação do fim da escala 6x1. Ele afirma ainda que a PEC dá início a uma discussão e é um ponto de partida, mas que não impede que o texto não possa sofrer alterações no Legislativo. 

O senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado de Lula, afirma que não vê problemas em direcionar parte dessas emendas para garantir o transporte público gratuito. Ele afirmou que hoje as emendas de bancada são enviadas para obras em diferentes áreas como infraestrutura e saúde e que é “perfeitamente viável” direcioná-las para o transporte.  

Um parlamentar do chamado Centrão afirma que dificilmente a PEC será aprovada se for mantida a previsão de direcionar recursos de emendas para garantir a gratuidade dos serviços. Ele prevê que a matéria não terá votos necessários na Câmara e sequer chegará para análise dos senadores. Esse político diz que a configuração do Parlamento eleito neste ano, com maior destaque ao bolsonarismo, dificultará ainda mais o avanço da proposta. 

A medida foi criticada por adversários políticos de Lula, que voltaram a se queixar do pacote apresentado pelo governo federal às vésperas das eleições. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que é uma medida eleitoreira e que o presidente teve quatro anos para avançar com o tema e não o fez:

 

—Qualquer discussão no Congresso agora só vai acontecer depois do segundo turno, nada será analisado agora. Não vi o texto, mas na próxima semana devemos sentar, fazer reunião de líderes e entender o que pode ser feito. Agora, por que o presidente não tinha pensado nisso antes e faz agora dias antes das eleições?— diz o deputado. 

Durante evento nesta quarta que marcou o envio da PEC ao Congresso, o presidente falou que até mesmo deputados e senadores da oposição deveriam apoiar a medida. Ele disse que os opositores haverão de concordar que “é melhor pegar uma parte da emenda e fazer com que o povo tenha um pouco de respeito e dignidade do que ficar gastando o dinheiro da forma que ele bem entende, sem muitas vezes prestar contas”.

O presidente também defendeu que a PEC seja aprovada ainda neste ano —é necessário voto de 308 (dos 513) deputados e 49 (dos 81) senadores, em dois turnos de votação.

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