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Ivo rompe com Elmano, defende Ciro Gomes e relembra crise na família por apoio ao petista

Escrito por Luana Barros / DIARIONORDESTE
 
 

O ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes (PSB) disse não ter mais "nenhum compromisso" com o governador Elmano de Freitas (PT) para as eleições de 2026. O rompimento ocorre após o petista se aproximar do atual prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues (União), e do filho dele, o deputado federal Moses Rodrigues (União) — adversários dos Ferreira Gomes em Sobral. 

As declarações do ex-prefeito foram feitas durante entrevista, nesta terça-feira (6), na emissora de rádio Coqueiros FM de Sobral.

"Por que eu vou estar com uma pessoa que não tem por mim a menor consideração? Que se alia a pessoas que só querem o meu mal?", indagou Ivo. "Essa decisão (de se aproximar dos Rodrigues) representa um descompromisso meu com essa candidatura (de Elmano de Freitas). Para mim, hoje, eu não tenho mais compromisso com ela", afirmou Ivo. 

Ele, inclusive, disse que não descarta votar em Elmano, mas que irá "avaliar os cenários" para tomar a decisão. Indagado sobre o apoio a uma eventual candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará, Ivo desconversou e apontou que, até o momento, apenas a pré-candidatura de Elmano foi confirmada. 

PontoPoder acionou a assessoria de imprensa do governador Elmano de Freitas para saber o posicionamento dele quanto as falas de Ivo Gomes. O espaço continua aberto. 

Em entrevista a Live PontoPoder, no último dia 15 de dezembro, Elmano de Freitas disse que a aliança com Moses Rodrigues teve o aval do senador Cid Gomes (PSB), irmão de Ivo. “Jamais daria um passo, com a importância que isso tem, sem antes conversar com o senador Cid”, disse.

Durante a entrevista desta terça, Ivo Gomes disse estar conversando "pouquíssimo" com Cid Gomes. "Temos conversado pouquíssimo para não ter problemas", disse, sem dar maiores detalhes sobre eventuais divergências.

Rompimento entre os irmãos Ferreira Gomes 

O ex-prefeito relembrou ainda o rompimento entre os irmãos Ferreira Gomes na eleição de 2022, quando Elmano de Freitas foi eleito governador. "O apoio, dado por mim, causou uma confusão imensa na minha família, que repercute até hoje", reforçou. 

Junto a Ivo, o senador Cid Gomes (PSB) e a deputada estadual Lia Gomes (PSB) também defenderam a candidatura petista para o Palácio da Abolição. Por outro lado, Ciro Gomes apoiou o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União). Na época, o ex-ministro chegou a falar de "traição" e que uma "faca" teria sido colocada nas suas costas. 

A "confusão" na família foi relembrada por Ivo ao falar sobre a articulação para a desaprovação das contas de seu mandato na Câmara Municipal de Sobral. 

"Na hora que uma pessoa para quem eu trabalhei, cujo apoio, dado por mim, causou uma confusão imensa na minha família, que repercute até hoje, na hora que eu mais fui atingido por essas pessoas, que passaram um ano mentindo diariamente e tentando destruir a minha reputação... Tentaram inclusive desaprovar as minhas contas", disse. 

"No dia da votação, na Câmara dos Vereadores, das minhas contas, que o Oscar queria desaprovar, porque achava, na cabeça dele, que desaprovando as minhas contas ia me tornar inelegível, neste dia, estava o secretário da Casa Civil do Governo (Chagas Vieira) tirando selfie com o deputado Moses que foi o grande articulador, a mando do pai, da tentativa de desaprovação das minhas contas", completou.

PontoPoder pediu posicionamento a Chagas Vieira sobre as declarações feitas por Ivo Gomes, mas ele disse que prefere não comentar.

'Eu não me misturo'

Ivo Gomes ainda chamou Oscar Rodrigues de "fascista" e relembrou o apoio do atual prefeito de Sobral ao ex-presidente Jair Bolsonaro. " Era tudo antipetista, agora são tudo petista", disse em referência tanto a Oscar como a Moses Rodrigues.

"O Ciro não pode se aliar ou receber o apoio de pessoas que apoiam o Bolsonaro, mas o Elmano pode receber apoio? É conversa fiada", alfinetou Ivo. Desde 2025, Ciro tem articulado uma frente ampla de oposição a Elmano de Freitas, inclusive com a presença de antigos adversários políticos, como o deputado federal André Fernandes (PL). 

A negociação da aliança está suspensa, após embate entre Fernandes e a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro (PL) em dezembro. Antes disso, no entanto, a aproximação de Ciro com bolsonaristas foi criticada por diversos integrantes da base do Governo. 

"O prefeito (Oscar Rodrigues) disse que não era só eleitor, era fã do Bolsonaro. (...) São essas pessoas que agora são os companheiros do Elmano. E depois não querem que o eleitor ache que político é tudo picareta", disse. "Eu me sinto, a partir de então, completamente desobrigado. Não estou dizendo que não vou votar nele, mas compromisso com ele, eu não tenho mais nenhum".

PontoPoder acionou o prefeito Oscar Rodrigues e o deputado federal Moses Rodrigues a respeito das declarações de Ivo Gomes, mas não houve retorno.  

Em vídeo publicado no Instagram, Oscar Rodrigues disse que não ouviu a entrevista de Ivo Gomes. "Mesmo porque eu não tenho meu tempo a perder com quem saiu de Sobral com o desgaste de ter perdido as eleições", disse. O prefeito afirmou que Ivo resolveu "destilar ódio porque perdeu as eleições" e acrescentou que o ex-prefeito "tinha que cuidar mais da vida dele". 

"Ele saiu de Sobral faz um ano, volta em Sobral agora para passar dois ou três dias e fica falando nas rádios. Ele não está nem acompanhando a administração de Sobral. Esse tipo de gente, eu não vou perder para dar atenção", completou.

IVO

 

Bolsonaro confirma em carta indicação de Flávio como pré-candidato e cita 'continuidade'

FOLHA DE SP

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou, em uma carta divulgada no hospital em que está internado para uma cirurgia, a indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência da República em 2026.

No texto, o ex-presidente fala em "continuidade" e cita batalhas que estaria enfrentando. Ele está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado.

"Diante desse cenário de injustiça, e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, tomo a decisão de indicar o Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026", diz Bolsonaro na carta.

A carta foi lida por Flávio na porta do hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado para passar por uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral nesta quinta-feira (25), dia do Natal.

O senador afirmou que a divulgação do texto tem o objetivo de encerrar dúvidas sobre a decisão de Bolsonaro de indicá-lo para disputar a Presidência em 2026. O anúncio anterior havia sido feito por Flávio no dia 5 de dezembro e confirmado pelo PL, provocando resistências em grupos políticos próximos do ex-presidente e até em sua família.

Nas últimas semanas, Flávio vinha trabalhando pela divulgação de uma declaração de viva voz de Jair Bolsonaro em relação à pré-candidatura. Nos cálculos do senador, esse gesto seria feito em uma entrevista ao portal Metrópoles, no dia 23 de dezembro, que foi cancelada horas antes de ocorrer.

A desmarcaçãoi da entrevista foi influenciada por uma resistência dentro do próprio entorno do ex-presidente, segundo informou a colunista Mônica Bergamo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e advogados de Bolsonaro se posicionaram contra a iniciativa, por avaliarem riscos jurídicos e políticos no momento atual.

A carta é vista por aliados de Flávio como uma alternativa para levar a público a palavra de Bolsonaro e desestimular movimentos políticos para evitar a consolidação de seu nome como pré-candidato.

Partidos do centrão, empresários e integrantes do mercado financeiro ainda trabalham pela construção de uma candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Esses grupos preferem seu nome ao de Flávio e temem que índices de rejeição ao seador possam levar a direita a uma derrota em 2026.

Flávio, por sua vez, diz avaliar que o sobrenome Bolsonaro representa uma vantagem nas urnas, e tenta divulgar seu próprio nome como uma versão moderada do pai. O apoio declarado do ex-presidente seria uma maneira de deixar claro ao eleitorado bolsonarista que não há alternativas em construção.

Bolsonaro está pronto para ser submetido à cirurgia. A equipe médica avaliou que o político está apto para ser submetido ao procedimento, que tinha previsão de início às 9h e duração de cerca de quatro horas. A estimativa inicial é que ele fique internado de cinco a sete dias para acompanhamento após a cirurgia.

Bolsonaro saiu pelos fundos da unidade da PF na quarta-feira (24) e, por volta das 9h30, foi escoltado por um comboio até o hospital, em um trajeto que durou cerca de cinco minutos. O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a realização da cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral.

Hérnia inguinal é uma condição em que um tecido do abdômen incha e faz aparecer uma protuberância na região da virilha. Além da cirurgia de correção da hérnia, os médicos avaliam submeter Bolsonaro a um procedimento anestésico, com bloqueio do nervo frênico, para controlar as crises de soluço, no começo da próxima semana.

"Depois dessa cirurgia de hérnia a gente vai reavaliar essa situação e ver se convém fazer esse bloqueio anestésico, que é um procedimento relativamente seguro, mas que não é o padrão para o tratamento de soluço. Precisa ver realmente se isso justifica o benefício, o risco", disse o cirurgião Claudio Birolini.

Segundo ele, a cirurgia de hérnia tem algum grau de complexidade, mas baixo índice de morbidade. Ela deve durar de 3 a 4 horas, e a previsão é que Bolsonaro fique internado entre cinco e sete dias, a depender da evolução do quadro.

BOLSONARTO INDO PRA HOSPITAL ESCOLTADO

Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro reedita guerra de rejeição da eleição de 2022

Ana Luiza Albuquerque / FOLHA DE SP

 

Se o senador Flávio Bolsonaro (PL) mantiver sua candidatura ao Planalto em 2026, irá reeditar com o presidente Lula (PT) a guerra de rejeições da corrida eleitoral de 2022, avaliam políticos e estrategistas de campanha.

Na última eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PL) saiu derrotado. Flávio já tenta mudar o roteiro se apresentando como uma versão moderada do pai.

Publicada na semana passada, a mais recente pesquisa Genial/Quaest animou bolsonaristas por mostrar Flávio logo atrás de Lula em intenções de voto no primeiro turno. No cenário com Tarcísio de Freitas (Republicanos), presidenciável preferido do centrão, o governador de São Paulo sai com 10%, enquanto Flávio aparece com 23%, e Lula, com 41%.

O levantamento, porém, mostra um dado crucial que pesa contra o filho de Bolsonaro: 60% dos entrevistados dizem que não votariam em Flávio. É a maior rejeição entre todos os cotados —Lula tem 54%, Tarcísio, 47%, Ratinho Júnior (PSD), 39%, Ronaldo Caiado (União Brasil), 40%, e Romeu Zema (Novo), 35%.

Integrantes do PL admitem à reportagem que, se confirmada a rejeição na faixa de 60% nas próximas pesquisas, será muito difícil o senador se tornar viável.

Pesquisa Datafolha realizada de 2 a 4 de dezembro, anterior ao anúncio de Flávio, mostrava Lula com uma rejeição de 44%, superior à do senador, que tinha 38%, e à de Tarcísio, com 20%.

O potencial de rejeição ao sobrenome Bolsonaro é um empecilho para partidos do centrão abraçarem Flávio ao Planalto. Líderes do grupo indicavam preferir uma opção mais palatável, que unisse o centro e a direita.

Para uma pessoa com experiência em campanhas eleitorais, que falou com a reportagem sob reserva, uma opção para Flávio ter viabilidade é conseguir aumentar a rejeição de Lula.

Professor de comunicação política na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Beto Vasques afirma esperar uma eleição de rejeições, decidida por diferença de poucos pontos percentuais.

"Por ser o Flávio, talvez possa até abrir mais espaço para o Lula. Ele tem a parte ruim do Bolsonaro e não tem a parte boa, o apelo popular de líder de massas", diz Vasques, que acumula algumas campanhas eleitorais em sua trajetória.

Para ele, o desafio de Flávio é muito grande porque, para aumentar a rejeição de Lula, seria preciso atacá-lo. Fazendo isso, porém, o filho de Jair poderia ser mais rejeitado. Terceirizar os ataques, diz o professor, não teria o mesmo efeito sobre a popularidade do petista.

"A rejeição será um problema para os dois, mas Lula está 10 pontos à frente no segundo turno, e Flávio tem 6 pontos a mais de rejeição", diz. "E Lula tem um supertrunfo que é a campanha como incumbente, que sempre tende a melhorar a aprovação e diminuir a rejeição."

Vasques afirma que a oposição não-bolsonarista tem um problema —sem o apoio do sobrenome Bolsonaro, um candidato não consegue chegar ao segundo turno, mas, com o apoio, não consegue ganhar a eleição. Ele avalia que outros nomes tenderiam a se sair melhor do que Flávio, por partirem de rejeição menor. "Tarcísio unifica o centrão, tem tempo de TV. Michelle traz as mulheres e os evangélicos. Seria uma chapa muito forte."

Para o professor, a eleição terá um perfil plebiscitário e girará em torno da pergunta: "Lula deve ou não continuar?". Há, porém, um contraponto: se o candidato da direita tem rejeição maior que a do presidente, mesmo quem não avalia o governo positivamente pode votar em Lula.

"O eleitor oscilante, que deve decidir esta eleição, quer estabilidade, não gosta de confusão. Pode até não gostar do Lula, mas viu que nos últimos quatro anos o país não acabou. Agora, [ele vai pensar:] Flávio tem maturidade? Vai fazer ‘loucurada’ que nem o pai? Tem autonomia? O eleitor vai fazer esta conta."

Partidos de centro e estratégia de moderação

Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira diz à Folha não haver dúvidas de que 2026 terá uma eleição de rejeição. "Bolsonaro perdeu a eleição porque foi mais rejeitado do que Lula. Não atraiu o centro. Mas Flávio tem mais potencial do que o próprio Bolsonaro."

Questionado sobre a porcentagem máxima de rejeição para garantir a viabilidade do senador, Ciro Nogueira afirma que ela deve ser inferior à de Lula. Se a rejeição de Flávio não cair, diz, dificilmente os partidos de centro irão se aglutinar em torno da candidatura.

Jair Bolsonaro também precisou enfrentar o desafio da rejeição, especialmente entre as mulheres. Para tentar reverter o problema, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi acionada pelo PL e passou a adotar uma postura mais política, defendendo a campanha do marido em uma série de eventos em 2022.

Michelle poderia ser um trunfo para a campanha de Flávio, mas políticos do partido avaliam que ela ficou chateada com a escolha do filho por Jair Bolsonaro —ainda mais porque o anúncio também pareceu um recado para ela, que na semana anterior havia agido em desacordo com o PL ao criticar o deputado federal André Fernandes no Ceará.

A estratégia de moderação de Flávio já ficou clara em entrevista à Folha. Ele afirmou que pensa diferente do pai em alguns assuntos e exemplificou dizendo ter tomado duas doses da vacina contra a Covid-19. Em uma publicação no Instagram, disse que já foi a favor da pena de morte, mas não é mais. "Todo mundo tem que ter a oportunidade de se redimir."

Entusiasta da candidatura do senador, o deputado estadual Lucas Bove (PL) esteve em almoço de Flávio com empresários em São Paulo e defende que Lula terá ainda mais dificuldade de contornar a rejeição.

"Será um desafio para ambos. Mas, na nossa visão, Lula tem um teto de votos e não tem um teto de rejeição. Depende muito do que ele fizer, e ele está numa situação muito delicada do ponto de vista econômico. A rejeição do Flávio é muito em relação ao que foi falsamente atrelado ao nome da família."

Para Bove, os eleitores de Ratinho Júnior, Zema e Caiado que dizem não votar em Flávio rejeitam Lula ainda mais, o que ajudaria o senador no segundo turno.

A tentativa de Flávio de se vender como moderado, porém, deve ser confrontada pela campanha de Lula com falas do senador em tom radical, inclusive recentes.

Em outubro, em resposta a uma publicação do secretário de Defesa dos Estados Unidos nas redes sociais, o filho de Jair Bolsonaro sugeriu que o país atacasse supostos barcos com drogas na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. "Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?", perguntou Flávio a Pete Hegseth.

Datafolha: 35% se identificam com direita e 22%, com esquerda

Pesquisa Datafolha mostra que 35% dos brasileiros se classificam como estando à direita e 22%, à esquerda. Com isso, são 57% aqueles que se identificam com as posições mais próximas aos polos do espectro político na população como um todo.

No levantamento realizado de 2 a 4 de dezembro, outros 7% se declararam de centro-esquerda, 17% de centro, 11% de centro-direita e 8% não souberam dizer.

Foram ouvidas 2.002 pessoas, com 16 anos ou mais, em 113 municípios do Brasil. A margem de erro dos dados gerais da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Em relação à posição política, foi solicitado aos entrevistados que eles se posicionassem numa escala de 1 a 7 —em que 1 correspondia à posição máxima à esquerda e 7, a máxima à direita.

Esta mesma pesquisa mostrou, por outro lado, predomínio de petistas sobre bolsonaristas, ainda que com pequena diferença.

Diante da pergunta para que os entrevistados se posicionassem numa escala de 1 a 5, onde 1 era bolsonarista e 5 petista, foram 34% os que se encaixaram como simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 40% se classificaram como petista.

Outros 18% se posicionaram na faixa de neutros, 6% disseram não apoiar nenhum deles e 1% não soube responder.

Desde dezembro de 2022, o Datafolha vem alimentando a série histórica de posicionamento de petistas e bolsonaristas. Quem responde 1 ou 2 é classificado como bolsonarista, e quem aponta 4 ou 5 entra no rol do petismo. Aqueles que mencionam 3 são tratados como neutros. Os apoiadores de Lula foram maioria em 9 dos 11 levantamentos feitos até então.

Dentre os que têm menos escolaridade, são 41% os que se dizem de direita, enquanto 26% se dizem de esquerda e 8% de centro. Já entre os que concluíram o ensino médio, são 21% os que dizem de centro, quase o mesmo percentual entre os que têm ensino superior, de 20%.

Nos mais jovens, que têm de 16 a 24 anos, são 30% os que se posicionam ao centro, enquanto 26% se dizem de direita e 16% de esquerda. Já os que têm 60 anos ou mais, o cenário é bastante distinto: 9% se posicionam como sendo de centro, outros 42% se colocaram à direita e 25%, à esquerda.

No recorte por religião, 24% dos católicos se posicionam à esquerda, enquanto 16% dos evangélicos fazem o mesmo. Já os que se classificam à direita são, respectivamente, 36% e 42% para cada grupo.

A pesquisa mais recente foi realizada após a prisão e condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Nos meses anteriores, o ex-presidente foi para a prisão domiciliar por descumprir medidas cautelares e, antes mesmo de ser sentenciado para cumprir pena, foi preso preventivamente na PF em Brasília após tentar abrir a sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.

Lula, por sua vez, lidera as pesquisas de intenções de votos para as eleições de 2026 tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Entre os que se disseram de esquerda, 9% afirmaram ter votado em Bolsonaro na eleição de 2022. No grupo identificado com a direita, 22% declararam voto em Lula.MANIFESTANTES NA PAULISTA

Já entre os bolsonaristas que afirmaram ter votado em Lula, o índice foi mais baixo, de 5%, assim como os petistas que declararam voto no ex-presidente, que foram 7%.

 

folha de sp

 

Lula diz que vai dar 'surra' nas eleições em quem acha que extrema direita volta em 2026

Bruno Ribeiro / FOLHA DE SP

 

 

O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (19) que vai dar uma "surra em quem se meter a achar que a extrema direita vai voltar a governar esse país".

"Que venham! Que venham! Porque nós vamos desafiar, não é com palavras, não é com xingatório. Eu quero comparar o que eles fizeram nesse país com o que nós fizemos. Eu quero comparar quem tem mais na saúde, quem tem mais na educação, quem tem mais no transporte, quem tem mais na política de inclusão social. Eu quero saber."

O petista participa de celebração de Natal de catadores na ExpoCatadores 2025, no pavilhão de exposições do Anhembi, em São Paulo. O evento reúne catadores, cooperativas, especialistas, organizações internacionais e representantes dos governos federal, estaduais e municipais.

Em referência ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula disse que o país não pode permitir que a "extrema direita fascista, negacionista, responsável pela morte de mais de 700 mil pessoas", volte a governar o país, com "mentira pela internet".

"Pela primeira vez na história desse país, nós temos um presidente preso por tentativa de golpe. Pela primeira vez nesse país, nós temos quatro generais de quatro estrelas presos nesse país pela tentativa de golpe. Pela tentativa de fazer um plano para matar o Lula, para matar o Alckmin e para matar o Alexandre Moraes."

Ele também voltou a dizer que deve vetar o projeto de lei que reduz penas de condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) nos casos do 8 de Janeiro e da trama golpista. "Com todo respeito aos deputados e senadores que votaram a lei da redução da pena, eu quero dizer para vocês: eu vou vetar essa lei. E se eles quiserem que derrubem o meu veto."

Além de Lula, estavam presentes a primeira-dama, Rosângela da Silva, e autoridades como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos; o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; e a ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck.

Cotado para disputar o Governo de São Paulo em 2026 e sob gritos de governador, Haddad alfinetou as gestões do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.

O ministro disse ser difícil trabalhar de Brasília sem "um prefeito comprometido, um prefeito com um olhar específico, um governador com sensibilidade, que não bota a polícia para bater no povo, que dá atenção para as pessoas, que cria um ambiente de trabalho digno".

 

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