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O apelo de aliados de Flávio Bolsonaro para Michelle se engajar na campanha

Por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura — Brasília / O GLOBO

 

A resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a se engajar na campanha à presidência da República de Flávio Bolsonaro tem irritado e preocupado aliados do senador e integrantes do PL diretamente envolvidos nas articulações pela sua candidatura ao Palácio do Planalto.

 

Desde que Flávio se lançou candidato, Michelle tem se recusado a participar de eventos públicos com o entea

do ou mesmo a divulgar os atos de campanha. Interlocutores da ex-primeira-dama alegam que ela está priorizando os cuidados médicos do marido, mas na equipe da candidatura a ausência dela tem sido vista como uma lacuna a ser sanada.

 

Para os interlocutores de Flávio, o engajamento de Michelle poderia ajudar a candidatura a ganhar tração entre mulheres e evangélicos, segmentos do eleitorado que devem ser decisivos e também estão na mira do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com quem Flávio vai disputar os votos no campo da direita.

 

Por isso, vários aliados do senador têm procurado Michelle para tentar convencê-la a se envolver mais. Mas ela até agora não cedeu, pelo contrário. Nas conversas com os mais próximos, sobram queixas sobre o comportamento dos enteados. Com isso, passou a crescer também o receio de que o distanciamento da primeira-dama chame a atenção para as fraturas familiares do ex-clã presidencial numa eleição que tende a ser muito polarizada entre lulistas e bolsonaristas e decidida por uma margem pequena de vantagem.

 

Na opinião de uma influente liderança evangélica que pediu para não ser identificada, Michelle tem “mágoa por não ter sido escolhida vice” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), numa dobradinha de chapa presidencial que chegou a ser ventilada nos bastidores para disputar as próximas eleições. Tarcísio vai disputar a reeleição no Palácio dos Bandeirantes, e a ex-primeira-dama pretende concorrer a uma vaga no Senado Federal pelo Distrito Federal. “A relação de Michelle com os filhos sempre foi difícil. Eles se odeiam. É a disputa pelo espólio político de alguém que ainda não morreu”, resumiu um integrante da tropa de choque bolsonarista no Congresso.

 

Atritos em série

 

Uma série de episódios recentes escancararam os atritos entre Michelle e os filhos de Bolsonaro. No início deste mês, Michelle repostou no Instagram um vídeo do senador Esperidião Amin (PP-SC) em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o que foi interpretado nos bastidores como uma alfinetada ao ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), adversário de Amin na corrida pelo Senado Federal.

 

Também não ajudou a acalmar os ânimos o fato de um assessor de Michelle, André Costa, repostar em seu perfil no Instagram, em dezembro do ano passado, o post de uma matéria do Metrópoles com o resultado de uma pesquisa Quaest que trazia a informação de que 62% dos entrevistados diziam não votar em Flávio. Costa já havia publicado anteriormente um vídeo do pastor Silas Malafaia defendendo a candidatura de Tarcísio ao Palácio do Planalto.

 

“Alguém que faz tantas menções a Deus e tem tantas pautas religiosas deveria abraçar a todos, mas não é o que Michelle faz. Ela não abraça a candidatura do Flávio, não congrega, em pleno momento de fragilidade do marido”, alfinetou um integrante do PL ouvido em caráter reservado.

 

A tensão entre os dois lados já resultou num tiroteio verbal, tendo como pano de fundo a aproximação entre o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) e o diretório do PL no Ceará. Tradicional reduto petista, o Estado é um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste, com 6,9 milhões de eleitores aptos a votar.

 

Em novembro do ano passado, Michelle criticou publicamente a aliança de correligionários com Ciro Gomes, costurada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE). Ao participar do lançamento da pré-candidatura ao governo do Ceará do senador Eduardo Girão (Novo), ela chamou de precipitada a aliança em torno da candidatura de Gomes. “Adoro o André, passei em todos os estados falando dele, do [deputado estadual] Carmelo Neto e da esposa dele, que foi eleita. Tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá. Nós vamos nos levantar e trabalhar para eleger o Girão”, discursou Michelle na ocasião. “Essa aliança vocês se precipitaram em fazer.”.

 

Michelle tem mágoa de Ciro Gomes, porque o ex-governador, na época em que estava filiado ao PDT, apoiou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que levou Bolsonaro a ser condenado e declarado inelegível por oito anos. A ação girava em torno de uma reunião do então presidente com embaixadores, marcada por críticas às urnas eletrônicas.

Após o mal-estar provocado pela declaração de Michelle, Flávio Bolsonaro disse que a madrasta foi “autoritária”, escancarando o desconforto na sigla com a postura da ex-primeira-dama. “A Michelle atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará. E a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora”, disse Flávio. Flávio se desculpou depois com Michelle, mas ela ainda guarda mágoas com o episódio – e não abre mão de um pedido público de desculpas. Apesar das críticas da ex-primeira-dama, o PL decidiu apoiar a candidatura de Ciro Gomes, como forma de garantir um forte palanque para Flávio Bolsonaro no Ceará.

 

Cuidados médicos

Em meio ao fogo cruzado entre a madrasta e os filhos do presidente, interlocutores da primeira-dama tentam colocar panos quentes.

 

Afirmam que o foco de Michelle neste momento é cuidar da saúde de Bolsonaro, que foi para a prisão domiciliar no mês passado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STFAlexandre de Moraes, após uma intensa articulação nos bastidores que reuniu Tarcísio, Michelle e integrantes do próprio STF. Com o quadro de saúde debilitado, Bolsonaro necessita de supervisão por 24 horas. Michelle tem assumido essa responsabilidade e aprendeu inclusive a fazer uma manobra no corpo do ex-presidente para ajudá-lo a superar as frequentes crises de soluço. “Ela prometeu ao Moraes que cuidaria do Bolsonaro. Ela não vai fazer nada para o Flávio nessa pré-campanha”, disse ao blog uma amiga da primeira-dama.

 

 

 

MICHELLE EM MANIFESTAÇÃO EM BELÉM


Candidaturas ligadas à segurança revelam como eleitor valoriza o tema

Por  Editorial / O GLOBO

 

 

Ao menos 15 ex-secretários de Segurança ou chefes de polícia Militar ou Civil anunciaram intenção de se candidatar em outubro para uma vaga nas Assembleias Legislativas ou no Congresso, como revelou reportagem do GLOBO. A ausência de candidatos de esquerda ou centro-esquerda é sinal de como a pauta da segurança — preocupação essencial dos eleitores — tem sido dominada pelo campo conservador. Todos os 15 nomes são ligados a legendas de centro ou de direita. A dificuldade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em formular um discurso minimamente convincente sobre o tema ficou evidente na reunião ministerial da semana passada no Palácio do Planalto. Na lista dos destaques divulgada pelo Planalto, nenhuma menção à área da segurança.

 

Motivo para falar no assunto não falta. O medo do crime é a maior inquietação da população. O último Datafolha mostrou segurança empatada com saúde como maior problema do país. Pesquisa Quaest apontou que 27% dos brasileiros afirmam que a violência é sua maior preocupação, 7 pontos acima da corrupção. O Ipsos revelou que, para 48%, crime e violência são os temas que mais preocupam.

 

À primeira vista, os indicadores de violência não parecem amparar a percepção. As mortes violentas caíram 5,4% em 2024 (último dado disponível), para 20,8 por 100 mil habitantes. Na comparação com 2012, a queda foi de 25%. Roubo a residências e furto de veículos também caíram. A chave para entender a preocupação da população está no aumento dos estelionatos digitais (17%) e dos roubos e furtos de celulares (acima de 850 mil por ano). Criminosos costumam provocar perdas grandes às vítimas com desvio das economias ou empréstimos fraudulentos. Quem está on-line ou tem celular se sente vulnerável.

 

Houve avanços da pauta da segurança no Legislativo, com a aprovação do Projeto de Lei Antifacção. Mas a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança anda devagar no Congresso. Além de promover maior integração entre os entes federativos, o texto aumenta a participação do governo federal no combate à criminalidade ao dar segurança jurídica ao combate às organizações criminosas. “O governo atrasou em 2025 o envio da PEC ao Congresso e deixou o debate ser contaminado pela corrida eleitoral. Agora ninguém sabe quando será destravada”, diz Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

Boa parte dos candidatos com passagens em secretarias de Segurança e nas polícias Militar ou Civil costuma aderir ao discurso de mão pesada contra os criminosos. Isso pode render votos, mas não resolve o problema. O essencial são políticas com base em evidências científicas, gestão eficaz dos recursos públicos e mais inteligência para perseguir as fontes de financiamento e desarticular as organizações criminosas. Não são temas que costumam atrair a atenção. Mas tratar deles com afinco será fundamental para aliviar as angústias e aflições da população.

PSDB filiará até 6 deputados estaduais e deve esvaziar bancadas do PDT e do União na Alece

Escrito por Marcos Moreira / DIARIONORDESTE
 
 

Um grupo de até seis deputados estaduais oposicionistas oficializará a filiação ao PSDB nesta semana, concretizando a estratégia de reforçar os quadros do partido, sob o comando de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A migração foi confirmada pelos parlamentares no “Café da Oposição” desta terça-feira (31), na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). 

 

A ala oposicionista projeta um evento para oficializar a movimentação ao PSDB. Contudo, o momento pode ocorrer até mesmo depois do prazo final da janela partidária — período liberado para trocas de legendas até 3 de abril —, pois o ato deve ser simbólico, já que todos devem entregar a carta de filiação até o final da semana.

 

A partir do encontro, a ala oposicionista apontou que os seguintes parlamentares são os novos tucanos: 

  • Antônio Henrique (PDT)
  • Cláudio Pinho (PDT)
  • Felipe Mota (União)
  • Heitor Férrer (União)
  • Queiroz Filho (PDT)

O grupo também espera a filiação de Sargento Reginauro (União) ao PSDB. O parlamentar está afastado do mandato de deputado, após tirar uma licença de saúde para o tratamento contra um câncer do tipo linfoma, por 120 dias. 

Por sua vez, o deputado Lucinildo Frota (PDT) será o único a migrar para o Partido Liberal (PL). O parlamentar vai buscar um mandato na Câmara dos Deputados, compondo a chapa de federais do grupo. 

 

Antônio Henrique chegou a ser anunciado no PL pelo deputado federal André Fernandes (PL), presidente do partido no Ceará, durante um encontro da oposição no ano passado. Entretanto, a chegada de Ciro no PSDB mexeu com as negociações internas da oposição.

“Todos no PSDB. Deputado Felipe Mota, deputado Sargento Reginauro está indo hoje, porque ele está no hospital. O deputado Heitor Férrer também já entregou a ficha (de filiação). Deputado Cláudio Pinho, deputado Queiroz, deputado Antônio Henrique já entregaram a ficha. Então, nós já somos a terceira maior bancada da Assembleia Legislativa a partir de segunda-feira, será o PSDB com sete deputados, porque tem a deputada Emília (Pessoa) que já tá aí no plenário”
Felipe Mota
Deputado estadual pelo PSDB

BANCADAS ESVAZIADAS

A migração dos deputados para a sigla tucana consolida o esvaziamento do Partido Democrático Trabalhista (PDT) na Assembleia. Os últimos quatro deputados estaduais da sigla aguardavam apenas a janela partidária para confirmar a saída. 

Além disso, a movimentação deve esvaziar a bancada do União na Casa, com as saídas de Felipe Mota, Heitor Férrer e Sargento Reginauro. O outro deputado do partido é Firmo Camurça, que anunciou a ida para PSD na semana passada. 

Como mostrou o PontoPoder, a estratégia da oposição mira dois objetivos principais: o fortalecimento do PSDB para o pleito eleitoral e a formação de uma bancada aliada para um possível mandato de Ciro Gomes (PSDB) no Governo do Estado.

Por outro lado, nomes com maior potencial eleitoral para a Câmara dos Deputados devem disputar pelo União. “Tenho quase certeza de que a União Progressista fará cinco deputados federais e o PSDB fará entre sete e oito deputados estaduais”, projetou Felipe Mota.

Dança das cadeiras

Por  Merval Pereira / O GLOBO

 

O encerramento da janela partidária provocou uma reorganização do sistema político brasileiro, mantendo, porém, a predominância de partidos da direita. Houve crescimento do PL — que está com a maior bancada, próxima dos cem deputados federais —, diminuição significativa do União Brasil e crescimento, em número de parlamentares e em influência nacional, do PSD. Este cresceu no Rio Grande do Sul, no Nordeste e em estados-chave como Minas e São Paulo. Cerca de 120 parlamentares aproveitaram a janela para trocar de partido, confirmando a tendência direitista do Congresso e dos governos estaduais e consolidando a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro.

 

O PT manteve-se como o principal partido de esquerda, sem perdas. Mas a esquerda perdeu parlamentares que eram do PDT. O PSB cresceu nesse espectro partidário. Além de confirmar a tendência já registrada de apoio ao candidato do PL, as trocas partidárias reafirmaram a força das siglas mais estruturadas, que têm acesso aos recursos partidários e melhores condições de enfrentar as cláusulas de barreira. O crescimento de partidos como PL e PSD tornou o Centrão menos influente, embora continue sendo um importante eixo do sistema partidário brasileiro.

A atração exercida pelo PL se explica por diversos fatores, como força eleitoral óbvia na próxima campanha presidencial e acesso a recursos dos fundos eleitoral e partidário. O partido busca ser o agregador de forças conservadoras e liberais, papel disputado com o PSD, que não por acaso tem também um candidato à Presidência de direita, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. É um quadro de hoje, mostrando que Flávio tem uma candidatura sólida. Isso fez com que muita gente quisesse estar no partido vencedor. Mas é sinal também de que Caiado representa parte da direita e de que o PSD pode fechar acordo com Flávio para o segundo turno, se é que ele será mesmo o representante da direita — pode ser que perca força durante a campanha, quando começar a ser atacado.

A candidatura de Caiado trabalha com a possibilidade de vir a substituir Flávio durante a corrida presidencial, caso ele não resista aos ataques que certamente sofrerá, e não apenas do PT. Não foi por acaso que, ao ser anunciado candidato do PSD, Caiado fez seu primeiro pronunciamento afirmando que dará anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a todos os condenados do 8 de Janeiro. Com isso, quis se colocar diante do eleitor de direita e extrema direita como alternativa viável, caso Flávio não confirme sua liderança.

 

Ao mesmo tempo, embrulhou a promessa numa pretensa “união nacional”, dando ao ato que o afasta do eleitor de centro um caráter menos ideológico. Um retrato do PSD de Gilberto Kassab, que tem uma perna na canoa da direita e outra na da esquerda, mantendo ministérios no governo Lula. A ponto de alguns terem defendido que fosse o vice-presidente na chapa de Lula.

O PL já era o partido mais forte desde Bolsonaro e está se reforçando porque Flávio surpreendeu e está sólido na campanha, embora complique a situação junto aos moderados de direita quando abre a boca. Assim como disputa com o presidente Lula quem é o mais rejeitado, também disputa quem produz mais gafes. Na semana passada, Flávio deixou de jogar parado para defender posições absurdas numa reunião de conservadores e direitistas nos Estados Unidos. Voltou a levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas, afirmando que só perderá a eleição se houver fraude, e ofereceu as terras-raras, objeto de desejo de Donald Trump, em troca do apoio do governo americano à sua candidatura.

À medida que a campanha eleitoral exigir que se posicione, Flávio terá dificuldades para confirmar seu caráter moderado. A escolha do vice será um bom teste. A ex-ministra Tereza Cristina seria indicação de moderação e significaria uma inserção na comunidade do agro que abalaria Caiado. Mas o ex-governador de Minas Romeu Zema tem mais consistência política, embora tenha postura mais radicalizada.

 

Alckmin de novo: Lula e Dilma já tentaram trocar vice, mas desistiram de mudar chapa

Malu Gaspar /Análises e informações exclusivas sobre política e economia / O ESTADÃO DE SP / Por 
Johanns Eller
Antes de confirmar que vai manter Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa para a reeleição na última terça-feira (31), Lula passou meses tentando oferecer a vaga ao MDB para ampliar a aliança que deve apoiá-lo em outubro. Como o partido não topou, o presidente se viu obrigado a repetir o vice, algo que ele mesmo e Dilma Rousseff já fizeram antes, quando concorreram a um segundo mandato.

As dificuldades enfrentadas por eles naquelas ocasiões, em 2006 e 2014, se repetiram agora. De um lado, as legendas cortejadas para compor a chapa resistiram a aderir. De outro, os próprios vices sinalizaram não ter interesse em concorrer a outro cargo que não a vice-presidência, o que acabou fazendo os titulares cederem.

 

Desta vez, a troca só não ocorreu por causa da oposição de diretórios emedebistas mais ligados à direita e porque Lula consolidou seu palanque em São Paulo com Fernando Haddad (PT) à frente da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

 

No início de fevereiro, Lula tornou público em uma entrevista ao UOL o que até então era discutido há mais de um ano em conversas fechadas no Palácio do Planalto: queria que Alckmin fosse candidato em São Paulo – a governador, cargo que já ocupou por quatro mandatos, ou ao Senado.

A declaração foi vista como uma sinalização ao MDB de que o presidente estava de fato disposto a oferecer a sua vice para outro partido e trabalhar para atrair para seu campo diretórios mais à direita, como o de São Paulo e os dos estados do Sul.

 

“Temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo”, declarou o petista na ocasião.

Mais de um mês depois, em 19 de março, Lula voltou a pressionar o vice no evento que lançou a pré-candidatura de Haddad ao governo paulista.

 

O presidente declarou que a vaga em sua chapa estava aberta para o aliado, mas ponderou que, se Alckmin se candidatasse em São Paulo, poderia “ajudar mais”, já que, em sua opinião, o grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Jair Bolsonaro, “não tem senador para disputar” com a esquerda.

 

“Eu ficarei imensamente feliz em ter o Alckmin vice outra vez. É um companheiro que eu aprendi a gostar, [uma pessoa] de muita lealdade, com muita competência de trabalho, um executivo extraordinário, ele só me ajuda. Mas você tem que conversar com o Haddad para saber onde colheremos mais frutos dele. Se ser candidato ao Senado, sabe, ajuda mais”, declarou o petista.

 

Apesar de todos esses recados, Lula não conseguiu atrair o MDB, e vai repetir a dobradinha com Alckmin, que se desincompatibilizará nos próximos dias do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

 

Mesmo roteiro em 2006 e 2014

Em 2006, na eleição em que disputou o Planalto contra o então tucano Alckmin, Lula também tentou substituir o vice-presidente José Alencar, que era filiado ao PRB (atual Republicanos). Alencar foi eleito em 2002 pelo PL, mas decidiu mudar de legenda em 2005. O petista, que há tempos tentava consolidar uma aliança formal com o MDB (à época PMDB), tentou convencê-lo a se filiar ao partido, mas o mineiro não lhe deu ouvidos e escolheu a sigla alinhada à Igreja Universal.

 

Lula então buscou atrair um peemedebista “raiz” para a chapa, mas as conversas não foram adiante. A partir dali, decidiu trabalhar por uma coligação com o mesmo PSB que 20 anos depois esteve sob a ameaça de ser desalojado do Palácio do Jaburu.

 

O partido era estratégico no cálculo eleitoral. Quatro anos antes, o PSB tinha lançado para a presidência o governador do Rio, Anthony Garotinho, que quase foi para o segundo turno e colou no segundo colocado, o candidato da situação José Serra (PSDB). Garotinho já não estava mais no PSB em 2006, mas dois ministros de Lula filiados ao partido eram vistos como potenciais vices: Eduardo Campos e Ciro Gomes.

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