Ciro promete nomear um policial civil do Ceará para ser secretário de segurança
Escrito por Ingrid Campos / DIARIONORDESTE
Candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB, Ciro Gomes prometeu nomear um policial civil para o comando da Secretaria de Segurança Pública do Ceará (SSPDS), caso seja eleito em outubro. A projeção foi feita por ele, na tarde desta segunda-feira (31), após reunião com representantes da Associação dos Delegados da Polícia Civil do Ceará (Adepol-CE), em Fortaleza.
Ao defender a escolha de um integrante da própria Polícia Civil para a pasta, Ciro afirmou que a medida faz parte de uma proposta de valorização e reorganização das forças de segurança do Estado. A ideia, segundo o candidato, é colocar à frente da SSPDS um profissional que conheça a estrutura policial e a realidade enfrentada pelos agentes no Ceará.
"A base de uma estrutura policial de mérito é a condição daquele que rende bem, que é decente, que trabalha com exação para cumprir seu dever duro, difícil e arriscado de proteger a população. Ele tem que ser reconhecido pelos seus méritos e não pelo favorecimento dos poderosos do dia. Portanto, um dos meus compromissos é restaurar isso, e vou te adiantar aqui em primeira mão: eu vou – como fui o único governador no passado a fazer isso – nomear um policial civil do Ceará para ser o secretário de Segurança. Não vou trazer mais gente de fora, é basicamente esse erro que tem sido cometido aqui no Estado", afirmou o candidato.
O tucano voltou a citar a marca de 10 mil homicídios ao longo da gestão do seu principal adversário, o governador Elmano de Freitas (PT), que concorre à reeleição. "Nós conversamos sobre o medo da população, sobre o que pode ser feito para superar esse medo, a indicação de como trazer a polícia mais qualificada, mais motivada, mais interessada e mais eficaz na superação dos gargalos que estão aí. Nós temos, afinal de contas, no Ceará, uma das piores taxas do Brasil de esclarecimento de homicídios: só 27 de cada 100 assassinados", complementou.
Além da reunião com a Adepol-CE, Ciro tem outro compromisso previsto para esta segunda-feira: uma transmissão ao vivo pelos canais oficiais da campanha, marcada para as 21h.

No Vila Velha, Elmano promete 'controle do Estado nos territórios'
Escrito por Igor Cavalcantei / DIARIONORDESTE

O governador e candidato à reeleição Elmano de Freitas (PT) afirmou, nesta segunda-feira (31), que pretende ampliar a presença das forças de segurança e garantir o “controle do Estado nos territórios” do Ceará. A declaração foi feita pelo petista pouco antes de uma carreata de campanha no bairro Vila Velha, em Fortaleza.
O governador disse que em um eventual segundo governo pretende ampliar a contratação de policiais. Ele também citou investimentos em tecnologia e a expansão do Batalhão Raio para todo o Estado como medidas para enfrentar a criminalidade.
“Nós vamos colocar mais policiais na rua e não permitir que as ameaças permaneçam para fazer o controle absoluto para dar paz de tranquilidade ao povo cearense”, afirmou.
Elmano também disse que pretende implantar o projeto Nosso Quadrante Seguro. Segundo o candidato, o objetivo é reforçar a presença do Estado e combater ameaças feitas por organizações criminosas a moradores e comerciantes.
"Vamos implantar o projeto do Nosso Quadrante Seguro, que é estabelecer áreas que vamos fazer o controle absoluto dessa área e vamos sair expandindo isso na Capital, na Metropolitana e nos municípios, para que a gente possa, assim, deixar de maneira muito definitiva, o controle do Estado nos territórios onde está a população, enfrentar com muita força ameaças que as facções têm buscado fazer a cidadão de bem, a comerciante"
A conta do atraso chegou
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Apesar das tentativas de negociação do governo brasileiro e da esperança de poucos, a conta do atraso chegou. A União Europeia deve suspender nos próximos dias as importações de proteínas animais do Brasil. O País teve tempo para se preparar, mas deixou para a última hora e agora tenta conseguir pela diplomacia o prazo que desperdiçou em casa.
A decisão decorre de regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, estabelecidas em 2023. O Brasil foi retirado da lista de fornecedores autorizados por não ter apresentado garantias suficientes. Só em julho deste ano o governo adotou novos procedimentos de controle e pediu uma transição que mantivesse as vendas durante as auditorias. O pedido foi negado.
Não faltou aviso. Como este jornal mostrou em julho, outros países, como Argentina, Uruguai e Paraguai, conheceram as mesmas normas e se movimentaram para adequar suas cadeias produtivas. Continuam habilitados a vender aos europeus. Aqui, gastou-se um tempo precioso discutindo se as exigências eram razoáveis ou protecionistas. A adequação, que deveria ter avançado enquanto essa discussão ocorria, ficou para depois.
Para frango e mel, a suspensão pode terminar em novembro. Com os bovinos, não há solução rápida. Um boi leva de 24 a 36 meses para completar seu ciclo, e o protocolo europeu precisa ser observado desde o nascimento. Cerca de 200 fazendas solicitaram adesão às novas regras, homologadas pelo Ministério da Agricultura apenas em julho, mas ainda estão na fase documental. Os primeiros animais com todo o ciclo submetido aos novos controles só estarão disponíveis em 2028.
O setor pode deixar de exportar US$ 1,8 bilhão por ano em carne bovina para a União Europeia. Dois meses sem vender frango ao bloco representariam outros US$ 243 milhões. Os europeus pagam pela carne bovina brasileira cerca de US$ 3 mil por tonelada acima da média do mercado internacional.
O governo ainda negocia e Lula chegou a escrever à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pedindo a reinclusão do Brasil. Ainda que de forma tardia, negociar é papel do governo. A retomada das exportações de carne bovina dependerá agora do cumprimento de um protocolo que acompanha o animal desde o nascimento e exige anos, não meses. Produtores e exportadores pagarão por essa demora.
Há outros prazos correndo. Em dezembro, começam a valer novas exigências europeias contra o desmatamento, com regras de rastreabilidade para produtos importantes da pauta brasileira, entre eles carne bovina, soja e café. A União Europeia também já anunciou mudanças nos limites máximos de resíduos de agrotóxicos permitidos nos alimentos, tema que interessa diretamente ao agronegócio brasileiro.
O Brasil ainda tem tempo para participar dessas discussões e preparar sua produção para as novas exigências. Se vai fazê-lo, é outra história. No caso dos antimicrobianos, foram anos entre a publicação das regras europeias e a correria de última hora.
Dispensar aposentado de biometria aumenta o risco do consignado
Por Editorial / O GLOBO
Foi temerária a decisão do INSS de dispensar o uso de biometria facial para contratação de empréstimos consignados por aposentados e pensionistas. A exigência havia sido implantada em maio, na esteira das fraudes que lesaram milhões de idosos por meio de descontos não autorizados. Uma instrução normativa recente, porém, relaxou a norma, passando a permitir que a operação seja feita pelo aplicativo Meu INSS apenas com dados da conta bancária e autorização do titular. Trata-se de um retrocesso, uma vez que a escalada de crimes digitais recomenda mais camadas de proteção, e não menos.
O INSS alega que a medida tem o objetivo de atender milhões de beneficiários que não conseguem passar pela biometria devido à suspensão do serviço durante o período eleitoral (uma das bases de consulta é do Tribunal Superior Eleitoral) ou porque encontram dificuldades. A intenção, diz o instituto, é ampliar o acesso ao crédito consignado. É louvável querer facilitar a vida de quem tem pouca intimidade com meios digitais, mas é preciso buscar um equilíbrio entre a comodidade bem-vinda e a segurança necessária. Se a biometria facial não era importante, a ponto de ser liberada agora, por que antes foi exigida? Só para atormentar os beneficiários?
A mudança é vista com preocupação. “A biometria até pode ser vulnerável, mas é uma ferramenta de segurança”, diz o advogado Rômulo Saraiva, especialista em Direito Previdenciário. É contraditório, segundo ele, que o afrouxamento na contratação de empréstimo consignado aconteça num momento em que aumentam as exigências de biometria para quem pede benefícios. “Sem ela, o benefício é indeferido, mas, na hora de fazer empréstimo, aí a biometria pode ser substituída por senha”, afirma.
O governo deveria ter aprendido. A falta de controles abriu caminho ao esquema bilionário de fraudes no INSS. Entidades sindicais forjavam autorizações de aposentados e pensionistas para obter descontos indevidos em folha. A arrecadação dos sindicatos disparou, e só o INSS não percebeu. A não ser quando a Polícia Federal bateu à porta do instituto. Ao menos 4,8 milhões de beneficiários foram lesados, a julgar pelo número dos que fecharam acordo de ressarcimento. Só depois vieram as medidas de controle. Neste ano, entrou em vigor uma lei proibindo descontos de associações nos benefícios.
Estatísticas de segurança mostram que o país vive uma epidemia de golpes e fraudes digitais. Criminosos perceberam que são delitos mais fáceis, com menor risco e maior lucratividade. Quanto mais barreiras são impostas, mais brechas eles descobrem. Por isso, a preocupação com a segurança deve ser constante. As ferramentas de proteção podem não ser perfeitas, mas dificultam a ação de bandidos. Ainda que o INSS queira descomplicar a contratação de consignados, a dispensa de biometria descomplica também o trabalho dos golpistas, deixando vulneráveis tanto os beneficiários quanto o próprio instituto.
A sede do INSS em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
Adiar privatização dos Correios custa cada dia mais caro
Por Editorial / O GLOBO
Em abril de 2023, menos de quatro meses depois de assumir a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva retirou os Correios da lista de privatizações preparada pelo governo anterior. Na visão do PT, a empresa deveria cumprir sua “função social”. De lá para cá, a sangria da estatal só fez aumentar. No primeiro ano do mandato, o prejuízo foi de R$ 597 milhões. No ano seguinte, pulou para R$ 2,6 bilhões. No ano passado, chegou a R$ 8,5 bilhões e, tendo fechado o primeiro semestre deste ano em R$ 5,5 bilhões, deverá bater novo recorde até dezembro. Os Correios não sabem o que é um resultado trimestral no azul desde setembro de 2022. Para completar, a proposta de Orçamento para 2027 enviada pelo governo ao Congresso prevê um aporte de R$ 6 bilhões do Tesouro na estatal. Toda essa cegueira ideológica custa a cada dia mais caro ao país.
Os Correios são uma empresa em estado terminal. Para fechar as contas no ano passado, precisaram buscar empréstimo no mercado. A primeira tentativa fracassou, mesmo com garantias do Tesouro. Numa segunda rodada, cinco bancos aceitaram conceder um financiamento de R$ 12 bilhões, operação com indícios de irregularidades na avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU). No esforço inútil de justificar a manutenção da empresa em poder da União, o governo oscila entre uma versão irreal do passado — que atribui sua derrocada ao plano de privatização — e uma promessa fantasiosa de futuro — que acredita na quimera do reequilíbrio financeiro ao alcance da mão.
Os Correios perdem dinheiro porque, a exemplo de serviços postais noutras partes do mundo, são incapazes de competir no lucrativo mercado de entregas com empresas de logística mais ágeis e mais modernas. Com a deterioração dos resultados, a administração petista se viu obrigada a adotar medidas para reduzir despesas, ampliar receita e equilibrar o fluxo de caixa, do contrário não conseguiria obter o empréstimo no mercado. Mas, apesar do programa de demissão voluntária, o quadro de pessoal continua inchado. Greves rotineiras corroem qualquer credibilidade da empresa. Interferências políticas são frequentes, e a gestão é cerceada por obrigações legais, como a exigência de presença e entrega em todos os municípios brasileiros.
Não faz sentido manter estrutura tão cara numa época em que a troca de cartas se tornou obsoleta. A maioria dos serviços postais mais rentáveis no mundo é total ou parcialmente privada. Sem agilidade, os Correios perdem a disputa para companhias privadas nos mercados mais rentáveis. Um plano de privatização com os incentivos e as obrigações corretas bastaria para garantir a entrega em todo o território nacional e, ao mesmo tempo, acabar com a sangria de recursos públicos. Um modelo sensato foi preparado pelo BNDES no governo anterior — e foi esse plano que a gestão petista engavetou. Não adianta insistir no erro. Só faz sentido continuar a financiar os Correios se os recursos forem usados para prepará-los para a venda. Quanto mais tempo demorar, mais dinheiro público será desperdiçado – e, com prejuízos sucessivos, mais a empresa perderá valor.
Correios da Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio — Foto: Júlia Aguiar/Agência O Globo
Decisão de Toffoli contra Renan Santos desperta temor de caça às bruxas nas eleições
COLUNA DA MALU GASPAR COM Por Rafael Moraes Moura — Brasília / O GLOBO
A polêmica decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli de restringir a campanha eleitoral do candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, proibindo-o de participar de debates e de ter acesso a recursos do Fundo Eleitoral, foi duramente criticada por cinco especialistas em direito eleitoral ouvidos reservadamente pelo blog, que a consideraram “muito exagerada”, “juridicamente absurda”, “sem pé nem cabeça” e “teratológica”. Eles também apontam que a ordem de Toffoli cria um precedente perigoso que pode promover uma caça às bruxas nos mais diversos rincões do país.
A legislação determina que, ao apresentar o registro de candidatura, o candidato deve informar à Justiça Eleitoral todos os endereços eletrônicos que serão usados pela campanha – uma exigência para dar mais transparência e facilitar a fiscalização, mas que não foi cumprida imediatamente por Renan. Ao protocolar o registro, em 7 de agosto, o candidato informou apenas dois perfis por meio dos quais faria campanha. Doze dias depois, Renan se corrigiu e elencou um total de 16 perfis.
Apesar de a retificação ter ocorrido por iniciativa do candidato, Toffoli concluiu que “a própria omissão de dados é indício de fraude à lei”, não sendo apenas uma “falha formal no registro de candidatura, mas quebra de isonomia e risco de cometimento de ilícitos ainda mais graves”. Isso porque uma resolução do TSE determina que as plataformas excluam de seus algoritmos de recomendação esses perfis, em um esforço para impedir que as postagens de um candidato sejam exibidas para quem não segue aquela conta.
Um dos temores dos especialistas consultados pela equipe da coluna, que pediram para não ser identificados já que atuam perante o TSE, é o de que Toffoli tenha criado um precedente perigoso que possa ser replicado nos tribunais regionais eleitorais de todo o país para promover uma “caça às bruxas”. Isso porque os TREs são ainda mais sujeitos a pressões e conveniências políticas e podem ser instrumentalizados por lideranças políticas locais contra opositores.
“O Judiciário não pode ter esse poder numa campanha tão curta, de 45 dias. Imagina o precedente nesses TREs todos corrompidos, politizados e sob a influência de governadores, podendo encontrar brechas para suspender a campanha de adversários”, afirmou um ex-ministro do TSE ouvido reservadamente pelo blog.
Um segundo especialista destaca que, pela jurisprudência do TSE, o candidato tem o direito de fazer propaganda até o registro ser barrado pela Corte Eleitoral, o que não justificaria a aplicação de medidas tão drásticas.
Há precedentes no TSE de casos em que a falta de comunicação prévia dos perfis utilizados por candidatos resultou na aplicação de multas – mas não no bloqueio de recursos do Fundo Eleitoral nem veto à participação em debates, como Toffoli determinou contra Renan.
“Essa decisão amplia enormemente os poderes de juízes locais para retirar candidatos de campanha por qualquer irregularidade mesmo formal”, disse. “O pior é que o Renan comunicou os perfis, mas com o atraso. Isso aí é a melhor propaganda que o Renan ganhou na vida. Nem um marketing de milhões faria um favor desses para ele.”
Um terceiro advogado eleitoral concorda com o temor: “Não duvidaria de termos agora mais juízes dando esse tipo de decisão de maneira mal intencionada”.
Após a decisão de Toffoli, Renan disse que o caso ilustra um “momento histórico também para demonstração dessa inflexão autoritária que existe nos tribunais”. “Não dá para justificar de maneira racional e razoável, nem do ponto de vista jurídico, nem do ponto de vista político, a decisão do ministro Dias Toffoli. Não há meios de fazer isso”, comentou.
Como o Missão não possui parlamentares, não tem direito a recursos do Fundo Partidário. Mas a legenda tem à disposição um total de R$ 3,3 milhões do Fundo Eleitoral – dinheiro que, por decisão de Toffoli, não poderá ser injetado na campanha presidencial.
“Toffoli forçou demais a mão, é uma decisão horrenda”, afirma um quarto especialista, para quem uma medida mais razoável seria suspender os perfis ou aplicar multa contra o candidato do Missão.
Para um quinto especialista ouvido pelo blog, o plenário do TSE precisa corrigir a decisão de Toffoli.
“Se isso não acontecer, essa decisão vai se tornar um instrumento de disputa para fins de cerceamento da divulgação de campanha”, alerta. “É um caminho perigoso que pode abalar alguns conceitos do pleno exercício do conceito democrático da disputa eleitoral.”
Renan Santos e Dias Toffoli — Foto: Reprodução e Ton Molina/STF/26-06-2025

