Sintoma e diagnóstico
A subida inesperada do autor best-seller de livros de autoajuda reflete, num primeiro momento, a fuga para a frente de eleitores que buscam alternativa à polarização entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Esse lugar já foi de Renan Santos, do Missão, mas ele parece ser muito agressivo para o gosto médio do eleitorado. O Cury candidato parece ter se encontrado com o Cury escritor em meio à campanha.
Começou a ser identificado por muitos dos milhões de leitores que já procuraram sua ajuda na leitura. Outros tantos já o haviam rejeitado como candidato a presidente. Não se sabe o que decantará dessa arrancada nas sondagens, que precisam ser comprovadas nesta semana pelas pesquisas do Datafolha e da Quaest, os dois principais institutos de pesquisa atuando no país.
Alguma coisa certamente se mexeu na disputa presidencial, e — como Cury diz ser de direita na cabeça, mas de esquerda no coração — ele tira no momento votos de vários candidatos, um pouco de Lula e Renan, a maior parte de Flávio. Não é à toa que tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio apoiam Renan contra a punição determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que suspendeu verbas e o proibiu de participar de debates e fazer campanhas nas redes sociais.
A saída de Renan, e a aparição de Cury, muda o panorama da disputa, embora não haja indicação ainda de que o escritor poderá disputar com Flávio a ida ao segundo turno. Renan, com sua bomba atômica e seus banhos de sangue, parece já ter chegado ao limite e não assusta seus adversários, só os eleitores. Cury é a incógnita chegando a bordo de drones, embaixadores influencers, uma vida digital que se parece muito com uma promessa de futuro empoderado, embora não saiba explicar como chegaremos lá.
Augusto Cury durante visita à Favela da Rocinha, no Rio — Foto: Reprodução/Redes sociais
Não se pode enterrar dinheiro do contribuinte nos Correios
Os Correios encerraram o primeiro semestre deste 2026 com prejuízo de R$ 5,55 bilhões, 30% acima do já desastroso resultado do período correspondente do ano passado. A estatal federal caminha para o pior ano de sua história, superando o rombo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025.
Preso à ideologia e ao corporativismo, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insiste em prolongar o problema, o que implicará torrar mais dinheiro do contribuinte —incluiu-se na proposta orçamentária de 2027 um aporte de R$ 6 bilhões para a empresa.
A capitalização é uma exigência contratual do consórcio de bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander) que concedeu empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios no final de 2025.
Além de garantir o crédito, a União se comprometeu a fazer a injeção de recursos até o fim de 2027, sob pena de vencimento antecipado da dívida. Há negociações, ademais, para outro empréstimo, de R$ 7 bilhões.
O Executivo se defende com o argumento de que houve progressos no plano de reestruturação da empresa. É muito pouco: no segundo trimestre, o prejuízo recuou 5,5% ante abril-junho de 2025, para R$ 2,39 bilhões, e 24% em relação ao primeiro trimestre (R$ 3,16 bilhões); o rombo semestral, porém, superou os R$ 4,26 bilhões anteriores.
No período, a receita líquida caiu. Despesas com pessoal recuaram modestamente, cerca de 4%, e os custos de serviços ficaram R$ 1,3 bilhão abaixo do orçado. O primeiro programa de demissões voluntárias de 2026 teve pouco mais de 3.000 adesões —cerca de um terço da meta de 10 mil. Parte das medidas administrativas, como o corte de lojas, patina sob pressão sindical.
Qualquer melhora ocorre em ritmo lento, insuficiente para estancar prejuízos sucessivos e recompor a geração de caixa.
A garantia da União e o aporte previsto ampliam o passivo fiscal. Cada empréstimo afiançado e cada capitalização transferem o ônus para o Tesouro e pressionam o resultado primário (não financeiro) de 2027. Recursos que poderiam reforçar o superávit ou financiar despesas essenciais serão consumidos para sustentar uma estatal que não para em pé.
Em entrevista à TV Globo, Lula reconheceu que os Correios "ficaram na mesmice" diante da evolução do setor e do surgimento de plataformas privadas de entrega.
Incapaz de se adaptar às transformações tecnológicas e à concorrência, a empresa deteriorou-se à vista de todos. Nada era mais previsível, mas o petista se recusa a enxergar o óbvio —que a chance de salvar os Correios passa por sua privatização ou mesmo, se não houver interessados, por seu fechamento; nunca por novos recursos do contribuinte.
Em 2020, fez-se um plano bem estruturado de desestatização, com manutenção da natureza pública dos serviços postais essenciais, infelizmente interditado por Lula e seu partido.
Bolsonaristas lideram em 7 estados e DF, e aliados de Lula despontam em 5
João Pedro Pitombo / FOLHA DE SP
Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) despontam como favoritos em mais estados do que aliados de Lula (PT) na largada da campanha eleitoral.
Nomes apoiados por Flávio lideram isolados a disputa para governador em sete estados e no Distrito Federal, apontam pesquisas dos institutos Datafolha e Quaest realizadas na segunda quinzena de agosto.
O presidente Lula, por sua vez, tem aliados como favoritos na disputa pelos governos de cinco estados, segundo as mesmas pesquisas. Outros quatro aliados ao petista aparecem em empate técnico na liderança em seus estados.
Goiás é o único estado cujo favorito à sucessão se aliou a Ronaldo Caiado (PSD). Nomes ligados aos demais presidenciáveis não lideram as pesquisas em nenhuma das unidades da federação.
O mapa das disputas estaduais mostra que a polarização nacional não se reproduz na maior parte das eleições para governador. Em sete estados, lideram isolados candidatos que se declararam neutros em relação à disputa presidencial.
A estratégia foi adotada pela maioria dos candidatos a governador de estados do Nordeste que estão localmente na oposição ao PT. O principal exemplo é o da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), que tem driblado perguntas sobre a eleição nacional afirmando ser "pernambuquista".
Depois de passar o primeiro semestre atrás nas pesquisas, Raquel despontou nas últimas semanas e lidera com 47% contra 40% de João Campos (PSB), segundo levantamento do Datafolha divulgado em 21 de agosto. O ex-prefeito do Recife iniciou sua campanha reforçando o seu elo com o presidente Lula.
Ciro Gomes (PSDB) adotou uma linha semelhante na disputa pelo Governo do Ceará. A despeito da aliança com o PL, ele não apoia nenhum presidenciável e costuma lembrar que teve rusgas tanto com Lula quanto Jair Bolsonaro (PL) nas últimas duas eleições
A decisão lhe rendeu ataques dos adversários: o governador Elmano de Freitas (PT) afirmou na semana passada que o tucano é o candidato do bolsonarismo e disse sentir vergonha de ver "Ciro Gomes abraçado com quem pediu golpe em um país democrático como o Brasil".
Também adotam a linha de neutralidade nomes como Eduardo Braide (PSD), que lidera isolado no Maranhão, e JHC (PSDB), que divide a liderança com o lulista Renan Filho (MDB) em Alagoas.
Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) está em empate técnico com o governador Jerônimo Rodrigues (PT). O ex-prefeito de Salvador declarou apoio a Ronaldo Caiado, mas não tem feito campanha nem pedido votos para o aliado.
No campo da direita, são favoritos a vencer ainda no primeiro turno nomes como Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina, e Eduardo Riedel (PP), em Mato Grosso do Sul.
Em Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) lideram em empate técnico –os dois anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro e disputam essa parcela do eleitorado conservador do estado.
No Acre, onde lidera o senador Alan Rick (Republicanos), Flávio tem um palanque triplo, sendo apoiado pelos três principais candidatos ao governo.
O Rio de Janeiro é o principal colégio eleitoral onde lidera um aliado do presidente Lula. Eduardo Paes (PSD) marcou 41% das intenções de voto na pesquisa Datafolha contra 19% de Douglas Ruas (PL).
No Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) desponta como favorito na disputa pelo governo com o apoio do presidente, mas enfrenta um cenário mais complexo com outras três candidaturas competitivas. Já no Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT) lidera em cenário de empate técnico com Luciano Zucco (PL).
Aliados de Lula lideram isolados ainda em três estados do Nordeste. Dois deles são de partidos mais ao centro: Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe, e Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles é o único candidato do PT que mantém uma liderança isolada nas pesquisas frente aos adversários. Jerônimo Rodrigues, na Bahia, e Cadu de Lula (PT), no Rio Grande do Norte, aparecem numericamente atrás dos adversários, mas em empate técnico.
Levando em conta o mapa das 27 unidades da federação, o PSD é o partido com mais candidatos na liderança isolada, à frente nas pesquisas em seis estados. O número chega a sete quando contabilizado Adailton Fúria, candidato em Rondônia, em empate técnico.
O PL vem na sequência, liderando isolado em Santa Catarina, Roraima e Paraná. O partido ainda está entre os favoritos em Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Rondônia, podendo chegar a seis governadores.
O Republicanos também trabalha para ampliar sua presença nos governos estaduais. Além de Tarcísio em São Paulo, a legenda mira o segundo maior colégio eleitoral do país e lidera em Minas Gerais com o senador Cleitinho, e está entre os favoritos em Mato Grosso e no Acre.
Governadores que disputam a reeleição estão na ponta em 12 unidades da federação, segundo as pesquisas. Outros quatro estão atrás, incluindo Mateus Simões (PSD), vice que assumiu com a renúncia de Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais e ainda tenta se viabilizar eleitoralmente.
Também estão atrás nas pesquisas Elmano de Freitas, no Ceará, Clécio Luís (União Brasil), no Amapá, e Soldado Sampaio (Republicanos), em Roraima.
TRE-CE determina retirada de vídeo de Elmano em canteiro de obras do Hospital da UFCA
Escrito por Redação DIARIONORDESTE
Um vídeo do governador Elmano de Freitas (PT) gravado dentro do canteiro de obras do Hospital Universitário da Universidade Federal do Cariri (UFCA) deve ser retirado do ar após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará.
Após ação ajuizada pela Coligação “Unir para Mudar”, do candidato ao governo do Estado Ciro Gomes (PSDB), a Justiça Eleitoral compreendeu “uso privilegiado de um espaço de acesso restrito para fins eleitorais”.
“O que se tutela é a isonomia eleitoral, impedindo que determinado concorrente se valha de uma vantagem material decorrente do acesso privilegiado a espaço integrante da Administração Pública”, diz o desembargador Magno Gomes de Oliveira na decisão.
No registro, publicado nas redes sociais na sexta (28), Elmano aparece no local respondendo críticas feitas por Ciro no debate ocorrido no dia anterior (27), promovido pelo Grupo de Comunicação O Povo.
Na ocasião, o candidato do PSDB questionou o andamento das obras do hospital. Em resposta, Elmano afirma no vídeo que “Ciro mente” e apresenta o andamento dos trabalhos no local.
A determinação de retirada do ar da publicações com o vídeo atinge Elmano, a candidata a vice-governadora Gabriella Aguiar (PSD), o senador Camilo Santana (PT) e o candidato à suplência do Senado Chagas Vieira (PDT).
Caso a ordem seja descumprida ou, ainda, se novas peças de propaganda usarem as imagens gravadas no canteiro de obras, a Justiça Eleitoral definiu multa de R$ 10 mil.
Maranguape não é a cidade mais violenta do Brasil, diz Elmano em ato no Município
Escrito por Mylena Gadelha e João Lima Neto / DIARIONORDESTE
O governador Elmano de Freitas (PT) destacou, em ato de campanha neste domingo (30), que Maranguape, no Ceará, não é a cidade mais violenta do Brasil. Em passagem pelo município localizado na Região Metropolitana de Fortaleza, o candidato à reeleição disse que ainda há "muita coisa para ser feita" pela segurança no estado e citou aumento de efetivo policial e inteligência da Polícia Civil do Estado do Ceará como planos para ações de governo.
"Aqui em Maranguape, nós saímos da posição de primeira cidade mais violenta. A colocação dela está acima de 200 no que diz respeito à violência no país, mas eu sei que ainda tem muita coisa para ser feita e eu vou fazer também em Maranguape. Aumentar o efetivo, aumentar a inteligência, nossa força da Polícia Civil, projetos sociais para a nossa juventude e emprego para o povo para a gente poder, dessa maneira, garantir possibilidades, oportunidades para a juventude", descreveu ele.
Cumprindo agenda de campanha neste domingo, Elmano de Freitas passou com carreata na cidade, iniciada pela Praça do Espírito Santo, no bairro Novo Maranguape. A previsão é de que o percurso complete oito quilômetros ainda durante a manhã.
'Falta muita coisa na segurança'
Ao citar as questões de segurança no Ceará, Elmano alegou ter "absoluta consciência" de que falta muita coisa para o ideal. Segundo ele, a proposição, caso seja reeleito, é para a contratação de mais seis mil profissionais da área.
"São para a gente fazer o trabalho de garantia do território, de garantia de paz, de segurança na região metropolitana e no Ceará inteiro", reforçou.
Elmano também pontuou a saúde como outro ponto de atenção, não só em Maranguape, como em outras cidades da RMF. "Nós vamos fazer um hospital para a Região Metropolitana. Fiz um grande hospital universitário em Fortaleza, com 843 leitos, e agora eu vou fazer na RMF para atender também o povo do Maranguape", disse.
Dados sobre a segurança em Maranguape
Ainda em julho deste ano, a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada no dia 23 daquele mês, citou Maranguape como a mais violenta do Brasil pelo segundo ano consecutivo.
Os dados foram coletados em 2025 e trouxeram a lista dos 10 municípios com mais registros de assassinatos, por taxa de 100 mil habitantes.
No ano passado, o município registrou 106 Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), que incluem homicídio doloso, feminicídio, lesão corporal seguida de morte e latrocínio.
Entretanto, ainda na época da divulgação dos dados do anuário, o governador indicou que os números de 2026 são diferentes. Em 2026, apontou ele, dados revelaram "avanços importantes no combate ao crime no estado".
"Maranguape, que no anuário aparece como a cidade mais perigosa do Brasil, registrou apenas 1 homicídio no primeiro semestre de 2026. E, segundo dados do Ministério da Justiça, nenhum município cearense está entre os 10 com maior número de homicídios do país", escreveu em publicação nas redes sociais.

Ciro comenta mortes de casal de ambulantes e de fotógrafo: 'Absoluta insegurança'
Escrito por Mylena GadelhaeBruno Leite / DIARIONORDESTE
O candidato ao Governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB), respondeu a jornalistas, em ato de campanha na capital cearense neste domingo (30), sobre as mortes de um casal de comerciantes, em Fortaleza, e de um fotógrafo, em Sobral, no Ceará.
Em críticas ao governo Elmano de Freitas (PT), ele indicou o número de mais de 10 mil cearenses assassinados nos últimos quatro anos e apontou o dado como um registro de "absoluta insegurança" no estado.
"Neste governo, já são 10.000 cearenses assassinados e só 27 em cada 100 são esclarecidos pela estrutura policial do governo. Isso é o prêmio da impunidade, sancionando a absoluta insegurança, o caos absoluto com que o governo do Elmano tratou a questão do estabelecimento das facções criminosas", disse.
Segundo Ciro, a proposta do próprio plano de governo deve focar em duas frentes, a primeira sendo a garantia de um novo serviço de inteligência.
Propostas
"A primeira camada é uma inteligência comunitária. Cada líder comunitário, cada vereador, cada pessoa do interior sabe exatamente quem são os faccionados, a cadeia de comando, quem é que está dando a ordem, quem é que está fornecendo a arma", apontou.
Ciro alegou que a nova base deve garantir "proteção real para as vítimas e testemunhas", reforçando que, a partir disso, o recrutamento de ao menos novos mil agentes de segurança também deve ser garantido.
"Já estou conversando com signitários estrangeiros, embaixadores, ou para levar os chefes nossos aqui para treinar no estrangeiro ou ir para trazer instrutores do estrangeiro para nos equipar com as melhores e ferramentas de segurança pública. A partir daí, com comandos específicos, cirúrgicos, nós vamos retirar essa cadeia de comando de circulação com a linguagem que for necessária", completou sobre a questão.
Câmeras corporais nas fardas de agentes policiais
Neste domingo, Ciro retomou fala recente concedida por ele em outro ato de campanha. Na ocasião, durante caminhada no Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, o candidato do PSDB disse ser contra o uso de câmeras corporais nas fardas de policiais para o registro de ações em vídeo e áudio durante o serviço.
Agora, dias após a declaração, o político afirmou ter dado "resposta pouco reflexiva sobre a questão". Ciro disse estar revendo a própria convicção, mas garantiu que ainda "não decidiu por colocar".
"Hoje a grande tarefa nossa na direção de cessar a impunidade é motivar o aparelho policial do Ceará que está todo desmotivado, desestruturado, quebrado na sua hierarquia, na disciplina, infiltrado de faccionados", declarou.
"Então, refazendo, estamos em estudo sobre a questão das câmeras", comentou.


