Ciro quer diminuir custo do ‘Minha Casa, Minha Vida’ e fazer mutirões de moradia em eventual mandato
Escrito por Ingrid Campos e Igor Cavalcante / DIARIONORDESTE
Candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB, Ciro Gomes explicou propostas, nesta quarta-feira (26), no eixo da moradia para um eventual novo mandato. Segundo o tucano, a ideia é focar em medidas específicas para a faixa da população de baixa renda que não conseguiu acessar nenhum programa de financiamento e também diminuir custos para aqueles habilitados a programas federais de habitação, como o Minha Casa, Minha Vida.
Ele conversou com a imprensa após agenda de campanha nesta quarta, quando participou de almoço com aliados em Fortaleza. "É preciso claramente estabelecer dois caminhos. Um é a população de baixa renda: essa não tem condição de entrar em nenhum desses programas. Nesse caso, é retomar aquilo que eu já fiz no passado: em regime de mutirão, em alternativas de autoconstrução ou em alternativas de subsídio direto, como o aluguel social, enfim, um conjunto de ferramentas que possam priorizar essas populações que estão especialmente em áreas de risco", disse.
Este foi o único compromisso público do candidato nesta quarta-feira, conforme a sua agenda oficial de campanha. Na terça-feira (25), ele esteve em carreata na cidade de Caucaia, onde comentou sobre o problema da violência na Região Metropolitana de Fortaleza.
Agenda de vice
Também nesta quarta-feira, o candidato a vice-governador na chapa de Ciro, Roberto Claúdio (União), esteve na sede do Sistema Verdes Mares (SVM) para sabatina com o PontoPoder. Ele foi o primeiro entrevistado da série de entrevistas com postulantes à Vice-Governadoria para as eleições de 2026.
Na quinta-feira (27), às 8h, será a vez de Gabriella Aguiar (PSD), que compõe a chapa do candidato à reeleição Elmano de Freitas (PT). A ordem das entrevistas foi definida por sorteio realizado com representantes das candidaturas.

Criminosos transferem quase R$ 3 milhões de contas da Prefeitura de Senador Pompeu, no CE
Escrito por Bergson Araujo Costa / DIARIONORDESTE
Criminosos desviaram quase R$ 3 milhões de contas da Prefeitura de Senador Pompeu,no Sertão Central cearense, em uma ação de crime cibernético. Conforme o próprio Executivo Municipal, a maioria dos recursos alvos dos infratores eram provenientes de convênios.
A ação foi registrada na noite do dia 21 e madrugada do dia 22 de julho. “O caso foi mantido em reserva até agora por estratégia da investigação, para não atrapalhar o rastreamento dos valores e a identificação dos criminosos”, afirmou a Prefeitura, nesta quarta-feira (26).
Os responsáveis se passavam por funcionários de banco e, por e-mail e por telefone, realizaram transferências não autorizadas de contas do Município na Caixa Econômica Federal, num total de R$ 2.708.870,00.
Também tentaram desviar R$ 419 mil de contas no Banco do Brasil, mas essas transferências foram todas bloqueadas pelo sistema de segurança do banco.
INVESTIGAÇÕES
A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informou, nesta quarta-feira (26), que investiga a ocorrência de estelionato digital.
“Mais informações serão repassadas em momento oportuno para não prejudicar o trabalho policial em andamento. O caso está a cargo da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC)”, declarou a corporação em nota ao Diário do Nordeste.
A Prefeitura disse em comunicado que, em menos de 24 horas, registrou boletim de ocorrência na Delegacia Regional de Senador Pompeu, protocolou notícia-crime por meio da Procuradoria-Geral do Município, comunicou os bancos para contestação e bloqueio, substituiu todos os acessos e senhas e entregou os equipamentos à perícia.
“Golpes como este vêm atingindo prefeituras de todo o Ceará, e a própria APRECE (Associação dos Municípios do Estado do Ceará) já emitiu alertas públicos sobre criminosos que se passam por instituições oficiais”, informou ainda a Prefeitura.
O Executivo informou ainda que seguirá informando pelos canais oficiais tudo o que a investigação permitir divulgar. Quem tiver qualquer informação sobre o crime deve procurar a Polícia Civil.

Integrante do CV é preso em SP suspeito de cobrar pedágios de políticos no Ceará
Escrito por Redação / DIARIONORDESTE
Um jovem de 21 anos, integrante da organização criminosa Comando Vermelho, com atuação no município de Forquilha, região norte do Ceará, foi preso na cidade de São Paulo na manhã de terça-feira (25) suspeito de cobrar pedágios a políticos cearenses para atividades de campanha eleitoral.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o indivíduo utilizava-se de perfis em redes sociais para realizar os atos criminosos, que seriam ordenados por um outro integrante do grupo criminoso que está no Rio de Janeiro.
A operação foi liderada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), da Delegacia de Repressão às Ações Criminosa Organizadas do Interior Norte (Draco Norte), do Departamento de Polícia do Interior Norte (DPI) e do Departamento de Inteligência (DIP). A diligência teve apoio da Polícia Civil de São Paulo.
O homem foi localizado no interior de uma residência, na cidade de São Paulo. Em seguida, conduzido à delegacia, onde foi autuado em flagrante por integrar organização criminosa. O suspeito permanece à disposição do Poder Judiciário.
Prisões por pedágio eleitoral
Há cerca de 10 dias, o prefeito de Forquilha, Edinardo Rodrigues Filho, publicou um vídeo nas redes sociais em que cita ameaças feitas contra ele. Desde a denúncia, este é o terceiro preso suspeito de envolvimento com a extorsão eleitoral.
No dia 20 de agosto, dois homens, de 19 e 28 anos, foram presos em flagrante suspeitos do mesmo crime na Zona Norte do interior do Ceará.
Conforme informações obtidas pelos investigadores, os suspeitos estariam recebendo ordens de um integrante da organização criminosa que estaria no Rio de Janeiro.
Com a prisão desta terça-feira, conforme a SSPDS, sobe para oito o número de suspeitos capturados envolvidos em crimes no contexto eleitoral referente às eleições de 2026.

Trump desmoraliza a negociação
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Sob a ameaça de um novo tarifaço de 50% sobre US$ 20 bilhões em exportações para os EUA, o Canadá passou semanas negociando de boa-fé com a gestão do presidente Donald Trump. Era uma tentativa de mitigar o renovado ímpeto protecionista do republicano, que busca novos meios de reerguer seu muro tarifário desde que a Suprema Corte dos EUA deliberou, em fevereiro deste ano, que as bases para os impostos de importação anunciadas por Trump em 2025 eram ilegais. Mas se o Canadá estava disposto a negociar, o que Trump realmente queria era humilhar o parceiro e vizinho – há anos, o republicano refere-se jocosamente ao Canadá como um “Estado” americano. De acordo com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, de última hora a gestão Trump apareceu com exigências “inaceitáveis”.
Uma delas limitaria a capacidade do Canadá de negociar de forma independente acordos comerciais com outros países. Outras buscavam limitar a produção de conteúdo em regiões do Canadá nas quais o idioma francês, e não o inglês, é majoritariamente utilizado.
Tal tipo de demanda em nada favorece a arte da negociação e o fechamento de um acordo. Muito pelo contrário. Se realmente apresentou tais exigências, Trump quis obter dos canadenses uma capitulação, não um entendimento.
Diante de tamanho despropósito, o Canadá resolveu retirar-se da mesa de negociações. O tarifaço de 50% sobre as exportações para os EUA, que Trump chegou a suspender por três dias, já vigora. Em resposta, Carney mandou retaliar “dólar por dólar” as ações americanas a partir de 8 de setembro.
Trump, por sua vez, sem negar as demandas de última hora que tanto ofenderam os canadenses, agiu como dele se espera, afirmando que os EUA não precisam do Canadá, e que, a partir de janeiro de 2027, produtos e carros canadenses exportados para os EUA, hoje penalizados com uma tarifa de 25%, passarão a pagar pedágio maior, de 50%.
Embora muito possa acontecer até 8 de setembro, quando terá início a retaliação canadense, e mesmo diante das perdas vultosas para o Canadá, que exporta mais de 70% do que produz para os EUA, o sentimento vigente hoje no país é de união contra Trump.
De acordo com o instituto Angus Reid, 76% dos canadenses entendem que encerrar as negociações com os EUA foi a medida correta. A repulsa a Trump não vem de hoje.
Enquanto o canadense comum se vinga do republicano boicotando produtos americanos e evitando ir ao país vizinho – as viagens de lazer de canadenses aos EUA caíram mais de 20% no ano passado –, o governo do país se aproxima da China e explora parcerias comerciais com outros países, inclusive com o Mercosul.
Ao tratar o Canadá como uma colônia de exploração tal como vem fazendo, Trump apenas consolida a visão de que os EUA já não são mais o parceiro confiável que costumavam ser.
Já para os canadenses, e também para o mundo, fica a lição de que não se pode depender excessivamente de ninguém, mesmo de parceiros que um dia pareciam confiáveis. Diversificar relações e manter múltiplos destinos para as exportações é cada vez mais um imperativo.
A página que Flávio não virou
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Na semana passada, em São Paulo, o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) disse que o caso de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do maior escândalo financeiro da história brasileira, é “página virada”. Não é. Em maio passado, o sr. Flávio prometeu mostrar “em 30 dias” como foi usada a dinheirama que ele recebeu do sr. Vorcaro a título de financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato. Passados mais de três meses, o sr. Flávio ainda não cumpriu a promessa, razão pela qual a imprensa, fazendo o que dela se espera, decidiu voltar ao tema – o que irritou bastante o candidato, que se acha dispensado de dar explicações.
“Vocês vão parar no tempo?”, reagiu Flávio quando os jornalistas tocaram no assunto depois de um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O candidato, que tenta aparentar uma imagem de moderado em contraste com a notória truculência do pai, em particular com os jornalistas, não consegue superar a natureza quando se sente sob pressão. Na mesma resposta, Flávio, bem ao estilo de Jair, mandou que os jornalistas fossem ao Google procurar por reportagens que, segundo ele, diziam que a prestação de contas sobre o filme já havia sido feita. O que há, na verdade, é a menção ao inquérito policial sobre um contrato da produtora do filme com a Prefeitura de São Paulo, e nesse inquérito a tal empresa menciona os gastos com a produção cinematográfica, mas não apresenta notas fiscais nem explica a origem dos recursos. Ou seja, não há esclarecimento nenhum.
Portanto, a página não está virada, pois isso depende das explicações do sr. Flávio. E elas são necessárias, porque quem pretende presidir a República não pode ter em sua biografia uma relação obscura com um banqueiro preso por fraudar em bilhões o sistema financeiro – a quem, recorde-se enfaticamente, o candidato chamava de “irmão”.
Quem aspira à liderança da Nação deve satisfações claras, inclusive documentais, sobre fatos de sua vida que são de interesse público. Flávio insiste que o dinheiro foi dado por Vorcaro numa “relação privada”, sem envolver recursos públicos, razão pela qual não haveria crime. Ora, isso é ofender a inteligência alheia. O dinheiro que Vorcaro distribuía a mancheias a seus “irmãos” Brasil afora, como Flávio, era fruto de fraudes bilionárias – e o candidato a presidente certamente sabia disso. Se há crime ou não, a Justiça decidirá a seu tempo. Mas é absolutamente imoral – e se o sr. Flávio não consegue perceber isso, então não está moralmente qualificado para ser presidente da República.
A intimidade fraternal – desde maio tornada pública – entre Flávio e um notório fraudador é o escândalo público por definição, ainda mais envolvendo um aspirante ao principal cargo executivo do País.
Cabe à Polícia Federal esclarecer o que foi feito do dinheiro dado a Flávio por Vorcaro – e a troco de quê. Há indícios de que parte dos recursos pode ter sido direcionada ao “caixa dois” da campanha do candidato e outra parte ao sustento da dolce vita do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Insistimos, porém, que, no que concerne ao interesse público, a questão vital continua sendo a obscuridade das razões que levaram Flávio e um escroque como Vorcaro a construir uma relação tão íntima e financeiramente proveitosa.
Goste Flávio ou não, no curso da campanha a imprensa cumprirá o seu dever de lhe fazer as perguntas incômodas, tanto sobre o caso Master, como sobre quaisquer outras suspeitas que ainda pairam sobre ele sem explicação – caso das “rachadinhas”, do envolvimento com milícias do Rio de Janeiro e da aquisição de imóveis em dinheiro vivo, entre outras. O País precisa saber o motivo pelo qual um postulante à Presidência da República manteve uma relação afetuosa – e generosamente financiada – com o responsável pela maior fraude bancária já apurada no Brasil.
Omissão eleitoreira do Senado
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Em nome das urnas, o Senado resolveu abrir mão de sua própria razão de ser. Nesta semana, os relatores de duas das mais importantes Propostas de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso Nacional anunciaram que pretendem colocar para votação os textos tal como vieram da Câmara dos Deputados. Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1, e Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC da Segurança Pública, não escondem o motivo. Mudar os textos significaria devolvê-los à Câmara e reduzir as chances de que sejam aprovados antes das eleições.
A PEC da Segurança chegou ao Senado em março e só foi enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em agosto. A do fim da escala 6x1, aprovada pela Câmara em maio, esperou quase três meses pelo mesmo despacho. Nesse intervalo, o Congresso foi esvaziando à medida que deputados e senadores se ocupavam de campanhas, alianças, palanques e disputas locais. Agora, acertados os principais conchavos eleitorais, eles voltam a Brasília e descobrem, subitamente, que estão sem tempo.
Durante o recesso parlamentar, este jornal criticou a decisão do Congresso de praticamente reduzir seu segundo semestre a algumas semanas do chamado “esforço concentrado”. E citou justamente as duas PECs, então paradas, entre as matérias que os próprios líderes diziam considerar prioritárias. O risco era óbvio: meses de pouca atividade seguidos por votações a toque de caixa, com menos tempo para análise e escrutínio público. Sem contar que situações como essa são o palco perfeito para a proliferação de “jabutis” – mudanças inseridas em projetos sem qualquer relação com o tema original do texto. Pois bem, eis o “esforço concentrado” em ação.
Poucos assuntos têm hoje tanto apelo eleitoral quanto a redução da jornada de trabalho e a segurança pública. E problemas nos textos eram conhecidos havia meses. Ficaram esquecidos junto com as PECs e, agora que as urnas se aproximam, não serão enfrentados.
Na PEC do fim da escala 6x1, por exemplo, a Câmara estabeleceu uma transição de apenas 14 meses para a redução da jornada. O prazo foi criticado pelo setor produtivo diante dos possíveis efeitos sobre empresas, empregos e preços. O Senado poderia discutir se 14 meses são suficientes, mas Omar Aziz já avisou que pretende evitar mudanças para que a PEC não volte aos deputados.
Com a PEC da Segurança ocorre algo ainda mais curioso. A proposta pretende reorganizar atribuições, competências e instrumentos numa área em que o País acumula problemas há décadas e que, aliás, deveria estar no centro da campanha eleitoral deste ano. O projeto enviado pelo Executivo foi bastante alterado pela Câmara, que reduziu o papel da União originalmente imaginado pelo governo. O PT não gostou. Houve críticas, resistência e negociação. Cinco meses depois, o relator petista no Senado acha melhor não mexer em nada. Uma alteração, afinal, mandaria a PEC de volta à Câmara.
É para situações como essa que existe uma Casa revisora. Afinal, o sistema é bicameral. O Senado não é obrigado a mudar uma vírgula das duas PECs, mas não pode chegar a essa conclusão antes de fazer o próprio trabalho, apenas porque revisar de verdade pode atrapalhar os planos eleitorais.
A situação é ainda mais difícil de engolir porque a urgência foi fabricada pelo próprio Congresso. Ninguém os impediu de discutir a redução da jornada nos quase três meses em que a proposta esperou despacho. Preferiram cuidar de outras coisas. Agora, a demora virou argumento para a pressa.
Eventuais correções nas duas PECs podem adiar sua promulgação. Paciência. Os senadores tiveram meses para examiná-las e escolheram não fazê-lo. Não cabe agora sacrificar a revisão dos textos para recuperar o tempo desperdiçado e ainda entregar duas medidas populares antes das eleições.
O Senado não pode escolher quando será Casa revisora e quando será apenas o carimbador da Câmara conforme a conveniência eleitoral. Se revisar dá trabalho, custa tempo ou ameaça votos, azar dos senadores. É preciso fazer esse trabalho, pois é assim que funciona uma democracia.

