Isso é justiçamento
Por Notas & Informações / O ESTDÃO DE SP
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou um empresário de 71 anos a 14 anos de prisão. Seu crime: ele fez um Pix de R$ 500, a pedido de um amigo, que teria ajudado a fretar um ônibus que levou manifestantes a Brasília para os atos que culminaram no infame 8 de Janeiro – a depredação das sedes dos Três Poderes, tratada nos processos que correram no Supremo Tribunal Federal como parte de uma tentativa de golpe de Estado.
O empresário, Alcides Hahn, não esteve em Brasília, não participou dos atos do 8 de Janeiro, não manteve contato com os manifestantes e nem sequer há provas de que soubesse o destino do dinheiro. Mas a sentença confabula outra história.
Entre os 41 passageiros do tal ônibus, só um foi identificado nos atos. Foi o suficiente para enquadrar o Pix de Alcides Hahn em cinco crimes: “tentativa de golpe de Estado”, “abolição violenta do Estado Democrático de Direito”, “associação criminosa armada”, “dano qualificado” e “deterioração de patrimônio tombado”. Entre o gesto inicial e a condenação final, há só uma cascata de inferências que se sustentam umas nas outras.
Não é preciso sofisticação jurídica para perceber o descompasso. Hahn não organizou nada, não liderou ninguém, não esteve presente. Ainda assim, foi tratado como arquiteto de uma engrenagem golpista. O caso – como o de outros dois empresários condenados nas mesmas condições – revela um padrão. Um gesto remoto e isolado basta. Não se exige demonstração de intenção, conhecimento ou vínculo direto com qualquer ato ilícito. O enquadramento vem antes; os fatos são acomodados depois. Conforme a doutrina do relator do caso, Alexandre de Moraes, resumida no bordão “a Justiça é cega, mas não é tola”, a ausência de evidência se torna evidência de conspiração.
A lógica elástica e ilativa é consumada na sentença, mas nasce na denúncia. A Procuradoria-Geral da República (PGR) oferece acusações genéricas, alarga enquadramentos, justapõe tipos penais, equipara situações distintas.
Outros casos seguiram esse protocolo. Uma cabeleireira citou um ministro com batom numa estátua e recebeu, pelo mesmo pacote de cinco crimes, a mesma pena de 14 anos, expondo a desconexão entre conduta e sanção. Idosas com doenças graves voltaram ao cárcere por descumprir regras formais de deslocamento para atendimento médico, expondo a desconexão entre direito e humanidade.
Uma vez fixado o enquadramento, o restante se ajusta. O fato individual perde substancialidade e é absorvido por uma grande narrativa. A “trama golpista” se tornou uma entidade metafísica. O indivíduo, que deveria responder pelo que fez, responde pelo “contexto” em que foi inserido, ainda que de forma absolutamente acidental.
Centenas de manifestantes que acamparam em frente aos quartéis receberam ordens de prisão em massa, com denúncias industrializadas, sem individuação. A multidão vira um único réu. Um morador de rua passou mais de um ano na cadeia apenas por observar os protestos. A presença basta como evidência de dolo, a responsabilidade se amplia por associação, o “risco de fuga” atribuído a alguns justifica prisões preventivas a todos.
Para piorar, essas pessoas não têm foro especial e nem sequer deveriam ser julgadas pelo Supremo. Os princípios do juiz natural e do duplo grau de jurisdição foram destroçados, deixando o erro sem caminho claro de revisão.
Nesse modelo, a prova perde centralidade e cede espaço a presunções. Crimes graves passam a alcançar condutas periféricas. Os processos e ritos prosseguem mecanicamente, mas com garantias trituradas. Ao mesmo tempo, o tribunal acumula funções, investiga, julga, amplia competências, enfraquece freios internos, afasta a prestação de contas – uma concentração de poder sem paralelo no mundo democrático.
Em qualquer padrão mínimo de razoabilidade, isso não se sustenta. Julgar não é colar rótulos penais. É distinguir condutas, apurar intenções, hierarquizar responsabilidades. Um sistema que pune por associação, presume intenções sem prova, iguala condutas distintas e instrumentaliza penas para dar castigos “exemplares” ou “pedagógicos” não está fazendo justiça, só justiçamento.
A guerra do PT contra Galípolo
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, apresentou-se ao debate sobre o caso do Banco Master com uma virtude cada vez mais rara em Brasília: a disposição de se limitar aos fatos. Amparado em auditorias e sindicâncias internas, afirmou à CPI do Crime Organizado que não há evidências de responsabilidade de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no escândalo do Master. Não houve conjecturas, ilações, tampouco concessões ao ambiente político já contaminado por interesses e narrativas. Houve, simplesmente, a exposição do que as investigações permitem concluir.
Mas o depoimento de Galípolo mal havia terminado e o presidente do BC, que está no cargo por nomeação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já estava na mira de petistas e assessores no Palácio do Planalto. O vice-líder do governo na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), não deixou por menos: “Gabriel Galípolo escolheu o caminho de tentar blindar Roberto Campos Neto”. Para o comissariado petista, pouco importou a menção à apuração interna. O crime de lesa-pátria era outro: o presidente do BC não se comportara como agente político de Lula e de seu projeto de reeleição, cujo roteiro inclui converter Roberto Campos Neto em inimigo do Brasil. Segundo a narrativa dos capas-pretas do partido, o ex-presidente do BC, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro, seria o responsável pelas facilidades que teriam permitido ao Master praticar suas fraudes escandalosas.
Em vez de reconhecerem a solidez da manifestação de Galípolo, os sabujos de Lula passaram a questioná-lo, como se dele se esperasse algo diverso de um diagnóstico baseado em evidências. O ponto central, contudo, permanece inalterado: não há materialidade, até aqui, que sustente a responsabilização de Campos Neto. Insistir em outra direção, sem base factual, é apenas servir aos propósitos eleitorais de Lula.
O caso demonstra mais uma vez o absoluto desprezo do PT pelas instituições republicanas quando estas não atuam a serviço de seu projeto de poder. Desde sempre, os petistas esperavam que um indicado de Lula ao Banco Central, chamado pelo presidente de “menino de ouro”, convertesse a autarquia em puxadinho do comitê eleitoral da campanha do presidente à reeleição – seja sendo camarada com a taxa de juros, seja atuando para vilanizar seu antecessor no cargo e, por extensão, Jair Bolsonaro. O PT detesta órgãos da administração pública que não se curvam a seus interesses, particularmente quando um desses órgãos é presidido por alguém que Lula só colocou lá para isso.
O padrão se repete em outras áreas. Na Petrobras, decisões vêm sendo contaminadas pela política, como se observa na gestão dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. Ali também, a partir de cálculos eleitorais, ataca-se a lógica empresarial e a governança de uma empresa de capital misto, comprometendo previsibilidade, confiança e eficiência. Para Lula e o PT, pouco importa: instituições de Estado e servidores públicos devem servir a estratégias de curto prazo do partido e de seu presidente.
Por esse motivo, é digno de aplauso o comportamento de Gabriel Galípolo, que merece todo o apoio dos brasileiros que prezam os valores republicanos. Não costuma ser fácil a vida de quem, sob a administração do PT, decide trabalhar pelos interesses do Estado, e não os do partido. Isso é particularmente importante no Banco Central, cuja autonomia foi concebida, entre outras coisas, para impedir que a agenda eleitoral do governante contamine decisões sensíveis.
Um BC visto como subserviente ao governo gera imprevisibilidade e insegurança no mercado, o que costuma afugentar investimentos. Um BC que, além disso, se permita parecer engajado em uma campanha eleitoral perde toda sua autoridade. Assim, faz muito bem o sr. Galípolo ao deixar claro que não permitirá que a instituição sob sua direção seja capturada pelo PT. Que ele tenha força para continuar assim.
CNJ e CNMP ampliam frustração com decisão do STF sobre ‘penduricalhos’
Por Editorial / O GLOBO
Não demorou muito para a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito das verbas indenizatórias pagas a juízes e procuradores — os proverbiais “penduricalhos” — despertar reação corporativa. Por decisões administrativas, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) restabeleceram adicionais vetados pela decisão do Supremo e reembalaram outros para recriar benesses.
O que aconteceu com o auxílio-moradia, ressuscitado mediante vinculação à mudança de cidade, ilustra a manobra. “O STF decidiu que auxílio-moradia era inconstitucional”, diz Jessika Moreira, diretora do Movimento Pessoas à Frente. “CNJ e CNMP votaram uma resolução, e o auxílio voltou.” De acordo com ela, esse caso explica como funciona a lógica dos “penduricalhos”. “Cada vez que uma brecha fecha, outra abre”, afirma. “Nossa preocupação agora é que isso sirva de precedente para outras carreiras do funcionalismo exigirem os mesmo benefícios. A decisão do STF foi categórica. Não podemos deixar que uma regulamentação administrativa a distorça.”
É importante registrar que a decisão do Supremo foi extremamente generosa com as categorias do Judiciário, estipulando na prática um teto salarial 70% acima do determinado na Constituição e recriando o estapafúrdio quinquênio, promoção automática por tempo de serviço extinta por Emenda Constitucional em 2003. Mas tal generosidade não foi suficiente para conter o ímpeto das corporações por mais regalias. A decisão do CNJ e do CNMP aproveitou para instituir uma nova gratificação: um novo auxílio-creche para magistrados, promotores e procuradores que tenham filhos com menos de 6 anos.
Em quase nada se avançou na moralização do uso do dinheiro público e no combate a privilégios. Diante da omissão do Congresso, a intervenção do STF era necessária, mas foi frustrante. Na prática, o Supremo referendou retrocessos administrativos. Além do quinquênio, vetou licenças justificadas pelo aumento da carga de trabalho, mas manteve indenização por plantões ou acúmulo de funções. Continuará, portanto, a haver horas convertidas em remuneração adicional, mas com outro nome.
O resultado prático da intervenção do STF trouxe alguma transparência aos “penduricalhos”, mas deixou a desejar por duas razões básicas. Primeiro, é imperioso que instâncias administrativas como CNJ e CNMP parem de criar novos “penduricalhos”. Segundo, é necessário que revejam tais pagamentos com o objetivo de reduzi-los, não de ampliá-los. Outras áreas do funcionalismo já reivindicam benesses equivalentes ao quinquênio restabelecido para juízes, procuradores e promotores. Por isso o Congresso não pode mais adiar o debate sobre os “penduricalhos”, em busca de uma solução que dê fim a privilégios na máquina pública, em respeito aos demais servidores, à população e aos cofres públicos.
O prédio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Vorcaro terá que delatar ministros do STF
Troca-troca expõe fragilidade dos partidos
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Faz quase 20 anos que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotou medidas rigorosas para impedir que deputados e vereadores mudassem de sigla política como quem troca de roupa. A iniciativa funcionou por um tempo, mas os legisladores encontraram maneiras criativas de driblar o obstáculo e bater recordes de migração partidária.
Os números falam por si. Logo após a determinação do TSE, 11% dos parlamentares buscaram abrigo em uma nova agremiação durante a legislatura, o que representou uma mínima histórica. Aos poucos, porém, o percentual escalou para cifras recordes, com 34% dos deputados federais pulando de um partido para outro no ciclo que terminou em 2022.
Ao que tudo indica, a atual composição do Congresso Nacional não ficará distante desse patamar. Registros preliminares indicam um índice de troca-troca que monta quase 30% dos legisladores.
Em artigo publicado na Folha, os cientistas políticos Adrián Albala e Vinícius Tejadas mostram que, nas últimas décadas, a imensa maioria (78%) das mudanças ocorreu entre parlamentares alocados em partidos classificados à direita, de grande presença no Congresso. Jair Bolsonaro (PL), que botou os pés em nove agremiações diferentes, deu forte contribuição nesse sentido.
A esquerda, com quase 16% das migrações, chama a atenção por outro motivo: 75% de suas mudanças terminaram com deputados se hospedando em agremiações da direita. Ou seja, mais que uma dança das cadeiras partidárias, houve salto para o outro lado do espectro ideológico.
O quadro é sintoma de duas enfermidades graves da política brasileira: o oportunismo de candidatos e legisladores, de um lado, e a falta de consistência programática das legendas, de outro.
No primeiro caso, os parlamentares tratam as siglas como se fossem hotéis, nos quais entram para passar uns dias sem nenhum compromisso de longo prazo. Quanto aos partidos, dado que suas ideias são gelatinosas, eles não se pejam de dar as boas-vindas a quem quer que seja.
Ambas as situações refletem o desrespeito ao eleitor e a falta de compromisso com uma agenda substantiva. Não há programa partidário digno de nome nem projeto de país em torno do qual a sociedade possa se alinhar.
Não é fácil resolver tais anomalias. A decisão do TSE, tomada em 2007, surgiu como remédio, mas os legisladores desenvolveram anticorpos para ele.
Há, entretanto, duas soluções indiretas encaminhadas: a cláusula de desempenho e o fim das coligações em eleições proporcionais (deputados e vereadores). Ao punir agremiações com poucos votos, têm o propósito de, no médio prazo, reduzir a exorbitante proliferação de siglas no Brasil.
A diminuição do número de legendas, além de dificultar a vida dos adeptos do troca-troca partidário, tende a oferecer um cenário mais racional para o eleitor e a facilitar a composição de alianças coerentes no governo.
Artemis 2 pousa no Pacífico e conclui a primeira viagem tripulada à Lua do século 21
Salvador Nogueira / FOLHA DE SP
A Integrity voltou para casa. Com um pouso suave no oceano Pacífico, próximo à costa da Califórnia, terminou a missão Artemis 2, encerrando a primeira jornada humana à Lua no século 21.
A amerissagem se deu às 21h07 (ainda à tarde, 17h07, na costa oeste dos Estados Unidos), exatamente como o planejado, no ponto culminante de uma cadeia de eventos que começou às 15h53, quando a cápsula Orion usou seu módulo de serviço para realizar a última manobra de correção de trajetória, colocando-a rumo ao seu destino final.
Em comunicação com a central de comando, assim que cápsula tocou as águas do Pacífico, a tripulação afirmou estar bem.
"A criança que existe em mim não consegue acreditar no que acabou de ver. Esperei a minha vida toda para ver isso. Como administrador da Nasa, eu não poderia estar mais orgulhoso de toda a equipe", afirmou Jared Isaacman, administrador da Nasa, logo após o pouso.
Isaacman chamou os astronautas de "embaixadores da humanidade" e classificou a missão como perfeita. "Esse é apenas o começo, vamos voltar a fazer isso e com frequência, enviando missões à Lua até pousarmos em 2028 e começar a construir a nossa base."
O administrador da agência afirmou que há muito a celebrar no momento, mas também é necessário começar a se preparar para a Artemis 3, prevista para o ano que vem.
A bordo da Integrity (nome que o quarteto formado por Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e Jeremy Hansen, 50, deu à sua Orion), coube aos astronautas apenas acompanhar cada etapa, controlada pelo computador de bordo.
Às 20h33, ocorreu a separação do módulo de serviço, expondo o escudo térmico da cápsula para seu duro trabalho –sobreviver à temperatura de quase 2.800 graus Celsius a que foi submetido conforme a violenta compressão de atmosfera à frente da nave produzia um plasma incandescente, gradualmente freando a cápsula que até então voava a cerca de 38,4 mil km/h na direção do planeta.
A última manobra propulsada foi feita pela própria cápsula, para se orientar corretamente para o primeiro contato com a atmosfera, às 20h37. Dali a pouco mais de 15 minutos, as coisas começaram a realmente esquentar, e o plasma envolveu a cápsula, causando um blecaute de comunicações de cerca de seis minutos.
Na redução de velocidade causada pela resistência atmosférica, a tripulação deve ter experimentado forças próximas de 4 G (como se fosse uma gravidade quatro vezes mais intensa que a da Terra ao nível do mar).
Às 21h03, os paraquedas drogues (responsáveis por dar uma freada e estabilizada inicial na descida) se abriram, seguidos pelos três paraquedas principais, um minuto depois, que conduziram a Orion a um impacto com a água a (não tão) suaves 30 km/h (eis porque um pouso na água é uma boa pedida para amortecer o fim da descida).
Uma vez na água, coube à Marinha dos EUA, em coordenação com a Nasa, proceder, primeiro, com o resgate da tripulação, colocada em botes e então levada de helicóptero, e, depois, da própria cápsula. O USS Murtha ficou encarregado das operações, e os astronautas passaram por exames médicos enquanto eram levados à costa para então voarem de volta ao Centro Espacial Johnson, em Houston.
O QUE JÁ FOI E O QUE VIRÁ
Com a missão concluída com sucesso, a tripulação da Artemis 2 se tornou a primeira neste século a realizar uma viagem até as imediações da Lua e retornar à Terra. Isso não acontecia desde o fim da missão Apollo 17, em dezembro de 1972.
Adicionalmente, o quarteto bateu o recorde de maior distância da Terra para um voo tripulado (406,7 mil quilômetros), superando a marca atingida pela Apollo 13, em 1970 (400,2 mil quilômetros). Victor Glover se tornou o primeiro negro a deixar a órbita da Terra e viajar até a Lua; Christina Koch, a primeira mulher; e o canadense Jeremy Hansen, o primeiro não americano.
Apesar do bom desempenho, é importante lembrar que a Artemis 2 foi essencialmente uma missão de teste. Como em toda missão do tipo, a tripulação enfrentou algumas dificuldades, em geral rapidamente superadas, como o banheiro, que de início parecia não funcionar, e um posterior congelamento da urina dentro do sistema, também criando algumas dificuldades, ambas superadas ao longo do próprio voo.
Uma preocupação mais séria para o futuro foi a detecção de vazamento de hélio pressurizante em válvulas do tanque de oxigênio do sistema de propulsão do módulo de serviço da Orion. Os engenheiros fizeram o que puderam para caracterizar o problema, que deve ensejar um redesenho das válvulas para o futuro. E, claro, a Nasa estará de olho no estado do escudo térmico após a reentrada, para comparar com os resultados preocupantes vistos durante a Artemis 1, não tripulada, em 2022.
A despeito dessas questões até certo ponto esperadas em um voo de teste, o bom desempenho da Artemis 2 coloca os EUA um passo à frente do programa espacial chinês na atual corrida que os dois países travam nessa volta tripulada ao satélite natural. Mas a verdadeira linha de chegada está no primeiro pouso, algo que os americanos, por ora, ambicionam fazer "em 2028", e os chineses, de forma menos específica, "antes de 2030".
Os astronautas passarão duas semanas no Centro Espacial Johnson fazendo relatórios da missão e passando por exames médicos, antes de poderem retornar à vida cotidiana.
E a Nasa já começa a planejar os detalhes para a missão Artemis 3. Ela deve voar no ano que vem, com o objetivo de testar, em órbita terrestre, os futuros módulos lunares, atualmente em desenvolvimento pelas empresas SpaceX e Blue Origin. Ainda não há tripulação escalada, nem convicção de que algum dos módulos estará pronto para o teste. O que parece mais adiantada é a preparação do próximo foguete SLS e da próxima cápsula Orion.
A próxima missão tripulada americana a ir à Lua, se os atuais planos se mantiverem, será a Artemis 4, responsável por realizar a primeira alunissagem do atual programa, em 2028.

