Como será feito o cálculo da renda mais alta? 2
Como será feito o cálculo da renda mais alta?
O cálculo vai considerar todos os rendimentos da pessoa física, o que inclui lucros e dividendos de empresas. Mas o texto traz exceções: ganhos de capital a partir da venda de imóvel saem da conta, exceto os obtidos em Bolsa; valores recebidos acumuladamente, como ações judiciais e aluguéis não pagos; rendimentos da poupança; indenizações por acidente de trabalho, danos morais ou materiais; rendimentos de aposentadoria e isentos por doenças, como Aids e câncer.
Ficam fora do cálculo investimentos com títulos ligados à infraestrutura, setor imobiliário e agricultura, como LCI e LCA.
Herança e doação recebida entram no cálculo?
Não. Doação em adiantamento da legítima (a parte que cabe aos herdeiros quando feita em vida) ou herança são exceções. Ou seja, se você recebeu herança em um determinado ano, que fez com que sua renda superasse R$ 600 mil no ano, não será tributado a mais por isso.
Como fica o Imposto de Renda de profissionais liberais?
Profissionais liberais com rendimentos superiores a R$ 50 mil mensais poderão ser alvo da tributação mínima, especialmente se forem autônomos, já que trabalhadores com carteira assinada têm o imposto retido na fonte.
- Haddad comemora aprovação de isenção do IR: 'Dia muito importante para o Brasil'
Normalmente, esses profissionais são os únicos funcionários de suas empresas. Mas, para evitar cobrança excessiva sobre a firma e o sócio, o projeto prevê um redutor de imposto.
Se a soma da alíquota efetiva de taxação dos lucros da empresa e da taxa de imposto mínimo cobrada da pessoa física superar 34% (para empresas em geral), haverá desconto na cobrança sobre os dividendos da pessoa física.
Para bancos, a alíquota somada não pode ultrapassar 45% e, para demais instituições financeiras, 40%.
O que muda para dividendos e investimentos?
A proposta estabelece a retenção na fonte de 10% de IR na distribuição de lucros e dividendos que superem R$ 50 mil mensais e sobre qualquer valor no exterior. Hoje, dividendos são isentos de IR.
Estados e municípios terão perdas?
Estados e municípios temiam perda nos repasses de imposto. O projeto obriga a União a repassar automaticamente recursos, por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), cobrindo eventuais perdas.
Tabela do Imposto de Renda 2026: faixas, alíquotas e quando começa a valer
Restituição do Imposto de Renda — Foto: Editoria de arte
A tabela do Imposto de Renda 2026 apresenta mudanças significativas para os brasileiros a partir de 1º de janeiro. A principal alteração é a ampliação da faixa de isenção, que agora beneficia quem recebe até R$ 5.000,00 por mês. Abaixo, detalhamos as novas regras, alíquotas e como o cálculo será aplicado na prática.
Como fica a tabela do IRPF?
O projeto aprovado zera o IR para quem ganha até R$ 5.000 por mês e reduz o valor do imposto cobrado de quem tem ganhos entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 mensais. Não estão previstas mudanças para quem ganha mais do que R$ 7.350.
Não haverá reajuste na tabela geral de Imposto de Renda para a Pessoa Física. É como se houvesse duas tabelas. Uma para pessoas que ganham até R$ 7.350 e outra para quem ganha acima disso.
Quem é isento de IRPF hoje?
Hoje, o teto de isenção de IR é de R$ 2.428,80. A nova faixa de isenção entrou em vigor em maio. Na prática, porém, a isenção é de até R$ 3.036 por mês, equivalente a dois salários mínimos. Isso acontece porque a Receita aplica automaticamente um desconto simplificado de R$ 607,20 que zera o IR de quem ganha até dois mínimos, para cumprir uma promessa do presidente Lula.
Com o projeto sancionado por Lula, ficarão isentos todos os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil. E terá um alívio parcial quem ganha até R$ 7.350.
Como fica para quem ganha até R$ 7.350?
Na prática, agora é como se houvesse duas tabelas de Imposto de Renda: uma sistemática para quem ganha até R$ 7.350 e outra para quem tem renda acima disso.
Confira abaixo como é a tabela atual (ano base 2025) para quem ganha acima de R$ 7.350 por mês.
Tabela do Imposto de Renda 2025
| Faixa salarial | Alíquota |
| Até R$ 2.428,80 | - |
| De R$ 2.428,81 até R$ 2.826,65 | 7,5% |
| De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 | 15,0% |
| De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 | 22,5% |
| Acima de R$ 4.664,68 | 27,5% |
Governo Lula promove explosão do funcionalismo
Por Editorial / O GLOBO
O apetite da gestão petista por novas contratações tem se revelado voraz. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê contratar, no acumulado do terceiro mandato, 22.817 servidores federais, mais que o dobro dos 10 mil admitidos na administração Jair Bolsonaro, como mostrou reportagem do GLOBO. Fora 24 mil contratações temporárias, a maior parte recenseadores do IBGE. Até agora, já foram autorizadas 19,1 mil contratações. Para 2026, a previsão é preencher 3.652 vagas (3.144 de nível superior e 508 de intermediário).
O Ministério da Gestão alega que elas são necessárias para recompor a máquina pública, diante das aposentadorias posteriores à reforma da Previdência em 2019 — o governo estima que 57 mil servidores do Executivo se aposentarão entre 2024 e 2026. E afirma que, na gestão anterior, houve congelamento de concursos.
Compreende-se que a máquina precise funcionar para haver continuidade na prestação de serviços. Mas essa realidade não afeta apenas este governo. Quase dois terços dos funcionários admitidos de 2017 a 2026 serão contratados no atual mandato. Mais funcionários, obviamente, representam mais gasto. Em 2023, as despesas com pessoal somavam R$ 363,7 bilhões. Para 2026, a previsão são R$ 456,8 bilhões.
Sinal de que não se trata de mera necessidade de manter a máquina é a criação de 4,4 mil novos cargos comissionados pela gestão petista desde 2023, atingindo o recorde de 50.770, como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, com base em dados do Farol da Oposição, do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB. O problema não está apenas na quantidade de cargos, mas também na qualidade. A despeito de a legislação exigir qualificação para essas vagas, na prática critérios políticos se sobrepõem aos técnicos. Não é incomum alguém ser nomeado para um cargo sem a menor capacidade de exercê-lo.
O certo seria haver contratações, se necessárias, apenas depois da reforma administrativa, para elas incorporarem as novas regras de avaliação e a racionalização das carreiras do serviço público. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) relatada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) promete tornar as regras do funcionalismo mais modernas, mais eficazes e mais alinhadas à realidade. Entre outros pontos, a PEC prevê o fim de regalias (como férias acima de 30 dias ou licença-prêmio), estabelece metas obrigatórias de desempenho para servidores, cria uma tabela única de remuneração para todos os entes da Federação e limita a 10% do salário auxílios de alimentação, saúde ou transporte para quem recebe acima de 90% do teto constitucional.
Infelizmente, a PEC não tem avançado no Congresso e não deverá ser votada ainda neste ano. Os entraves não estão só no Parlamento. Dentro do governo, há divergências sobre o tema e notória má vontade. “Falta ao governo uma decisão ali do núcleo central, principalmente do presidente Lula”, disse Pedro Paulo ao GLOBO.
O inchaço da máquina pública é marca indelével das gestões petistas, historicamente alinhadas às corporações do funcionalismo. Por mais que as contratações preencham necessidades, não há tentativa de racionalizar a gestão para fechar vagas. A reforma administrativa estabeleceria limites racionais às inúmeras benesses e melhoraria a qualidade de quem é contratado. O serviço público ficaria melhor e sairia mais barato para o contribuinte.
Confira o calendário de pagamento do INSS em 2026
Cristiane Gercina / FOLHA DE SÃO PAULO
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) já definiu as datas de pagamento de aposentadorias, pensões e demais benefícios previdenciários em 2026. Os valores começam a ser depositados pelo instituto nas contas dos segurados no final de janeiro, conforme calendário do instituto.
Os beneficiários recebem o dinheiro conforme o valor e o número final do benefício, sem considerar o dígito verificador. Aposentados com direito a um salário mínimo têm o depósito antes. Quem ganha acima do mínimo até o teto da Previdência Social recebe depois.
CONFIRA O CALENDÁRIO DE PAGAMENTO DO INSS EM 2025
PRIMEIRO SEMESTRE
Para quem recebe um salário mínimo
| Final do benefício | Jan/26 | Fev/26 | Mar/26 | Abr/26 | Mai/26 | Jun/26 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 26/jan | 23/fev | 25/mar | 24/abr | 25/mai | 24/jun |
| 2 | 27/jan | 24/fev | 26/mar | 27/abr | 26/mai | 25/jun |
| 3 | 28/jan | 25/fev | 27/mar | 28/abr | 27/mai | 26/jun |
| 4 | 29/jan | 26/fev | 30/mar | 29/abr | 28/mai | 29/jun |
| 5 | 30/jan | 27/fev | 31/mar | 30/abr | 29/mai | 30/jun |
| 6 | 02/fev | 02/mar | 01/abr | 04/mai | 01/jun | 01/jul |
| 7 | 03/fev | 03/mar | 02/abr | 05/mai | 02/jun | 02/jul |
| 8 | 04/fev | 04/mar | 06/abr | 06/mai | 03/jun | 03/jul |
| 9 | 05/fev | 05/mar | 07/abr | 07/mai | 05/jun | 06/jul |
| 0 | 06/fev | 06/mar | 08/abr | 08/mai | 08/jun | 07/jul |
Para quem recebe acima do salário mínimo
| Final do benefício | Jan/26 | Fev/26 | Mar/26 | Abr/26 | Mai/26 | Jun/26 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 e 6 | 02/fev | 02/mar | 01/abr | 04/mai | 01/jun | 01/jul |
| 2 e 7 | 03/fev | 03/mar | 02/abr | 05/mai | 02/jun | 02/jul |
| 3 e 8 | 04/fev | 04/mar | 06/abr | 06/mai | 03/jun | 03/jul |
| 4 e 9 | 05/fev | 05/mar | 07/abr | 07/mai | 05/jun | 06/jul |
| 5 e 0 | 06/fev | 06/mar | 08/abr | 08/mai | 08/jun | 07/jul |
SEGUNDO SEMESTRE
Para quem recebe o salário mínimo
| Final do benefício | Jul/26 | Ago/26 | Set/26 | Out/26 | Nov/26 | Dez/26 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 28/jul | 25/ago | 24/set | 26/out | 24/nov | 22/dez |
| 2 | 28/jul | 26/ago | 25/set | 27/out | 25/nov | 23/dez |
| 3 | 29/jul | 27/ago | 28/set | 28/out | 26/nov | 28/dez |
| 4 | 30/jul | 28/ago | 29/set | 29/out | 27/nov | 29/dez |
| 5 | 31/jul | 31/ago | 30/set | 30/out | 30/nov | 30/dez |
| 6 | 03/ago | 01/set | 01/out | 03/nov | 01/dez | 04/jan |
| 7 | 04/ago | 02/set | 02/out | 04/nov | 02/dez | 05/jan |
| 8 | 05/ago | 03/set | 05/out | 05/nov | 03/dez | 06/jan |
| 9 | 06/ago | 04/set | 06/out | 06/nov | 04/dez | 07/jan |
| 0 | 07/ago | 08/set | 07/out | 09/nov | 07/dez | 08/jan |
Para quem recebe acima do salário mínimo
| Final do benefício | Jul/26 | Ago/26 | Set/26 | Out/26 | Nov/26 | Dez/26 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 e 6 | 03/ago | 01/set | 01/out | 03/nov | 01/dez | 04/jan |
| 2 e 7 | 04/ago | 02/set | 02/out | 04/nov | 02/dez | 05/jan |
| 3 e 8 | 05/ago | 05/set | 05/out | 05/nov | 03/dez | 06/jan |
| 4 e 9 | 06/ago | 06/set | 06/out | 06/nov | 04/dez | 07/jan |
| 5 e 0 | 07/ago | 07/set | 07/out | 07/nov | 07/dez | 08/jan |
Os depósitos da Previdência Social são feitos conforme o mês de competência. As competências de um mês começam a ser pagas no final dele e seguem até o início do outro mês. Por exemplo: a competência de dezembro começa a ser liberada no final de dezembro e vai até o início de janeiro.
Reajuste dos benefícios
Os benefícios do INSS devem ser reajustados no início do ano, após a divulgação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Quem recebe um salário mínimo terá o aumento acima da inflação, conforme a política de valorização do governo federal.
Salário mínimo
Quem tem direito ao salário mínimo receberá o novo valor, de R$ 1.621, já confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. O reajuste final ainda deve ser aprovado pelo Congresso e publicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas representa um aumento de R$ 103, o que dá 6,78%. Hoje, o piso nacional está em R$ 1.518.
O valor leva em conta a nova regra de reajuste do salário mínimo, que garante aumento real, mas limitado ao arcabouço fiscal, e considera a inflação de 4,18% medida pela INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).
O índice foi divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na quarta-feira (10). O reajuste é menor do que o previsto anteriormente pelo governo, de R$ 1.631 e que chegou a cair para R$ 1.627, por conta da inflação registrada neste ano entre os meses de janeiro e novembro.
Feriados bancários
Os pagamentos do INSS costumam ser interrompidos quando há feriados bancários, mas o calendário nacional, em geral, já vem formatado prevendo os feriados. Com isso, o segurado terá a certeza de que receberá o benefício no dia especificado pelo INSS.
Nos feriados estaduais ou municipais, os depósitos não são interrompidos e, mesmo que não haja expediente em bancos, os valores estão disponíveis para saques em caixas eletrônicos e transferências, além de movimentações pela internet.
Como movimentar os valores?
Os pagamentos podem ser movimentados conforme o tipo de conta escolhida pelos beneficiários. Em caso de conta aberta apenas para receber a aposentadoria, pensão, auxílio ou BPC, o saque é feito no caixa eletrônico. Com isso, mesmo em feriados, é possível ter acesso aos valores, caso já tenham sido depositados.
Governo Lula deve fechar atual mandato com 22,8 mil novos funcionários
Por Bernardo Lima — Brasília / O GLOBO
O governo Luiz Inácio Lula da Silva prevê contratar um total de 22,8 mil servidores da administração federal, no acumulado de sua gestão, até 2026, mais do que o dobro dos 10 mil provimentos registrados na administração anterior, de Jair Bolsonaro. Ainda estão projetadas outras 24 mil contratações temporárias — que têm menos direitos e menor custo — nesse período, a maior parte de recenseadores do IBGE. Especialistas defendem a necessidade de aprovar a Reforma Administrativa antes que esses servidores ingressem na máquina pública, já que as regras só vão valer para novos funcionários.
Até este ano, foram 19,1 mil provimentos autorizados. Para 2026, a estimativa é preencher 3.652 vagas, sendo 3.144 para nível superior e 508 para nível intermediário. Serão 2.480 vagas imediatas e 1.172 para entrada no curto prazo após a homologação dos resultados.
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) afirma que o aumento das contratações desde 2023 é um processo de recomposição da máquina pública, diante de um grande número de aposentadorias após a Reforma da Previdência de 2019 — foram 38,5 mil servidores. Na gestão de Jair Bolsonaro ainda houve o congelamento dos concursos públicos, com a primeira autorização do certame apenas em 2021.
Modernização da gestão
Para a professora de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV) Alketa Peci, é necessário haver uma atualização nas regras do funcionalismo, para que os novos servidores estejam alinhados à modernização da gestão pública.
— Eu entendo a demanda de contratação. Essa é uma demanda real. Você precisa realmente redimensionar a força de trabalho, uma vez que tem saídas e vários anos sem contratação. Mas você precisa contratar a partir de novas premissas, com melhor mobilidade e reposicionamento da força de trabalho — afirma Peci.
De acordo com o MGI, 12 mil servidores se aposentaram da administração pública federal em 2023, no primeiro ano do governo Lula. Enquanto isso, a pasta indica que aproximadamente 57 mil servidores do Executivo federal podem se aposentar entre 2024 e 2026.
O secretário de Gestão de Pessoas do MGI, José Celso Cardoso Jr., ressalta que o déficit de servidores é ainda maior se considerado o horizonte passado:
— Vai haver uma saída expressiva no horizonte do curto prazo. Se você soma isso aos quase 70 mil servidores que já se aposentaram e já saíram efetivamente no período anterior, de 2016 até o final de 2022, você tem aí mais de 200 mil servidores que podem sair num intervalo muito curto de tempo. E a gente conseguiu repor, em termos efetivos, apenas 22 mil.
Mais Sobre Reforma administrativa
No horizonte mais longo, o MGI calcula que 456.410 servidores poderão se aposentar entre 2024 e 2074. A presidente do Conselho da ONG República.org, Renata Vilhena, diz que a necessidade de reposição de servidores nos próximos anos é uma boa oportunidade para avançar com medidas de modernização do serviço público, centradas em três eixos: maior regularidade de concursos, transformação das carreiras e aprimoramento do dimensionamento da força de trabalho.
— A reposição é necessária, mas precisa olhar para o quantitativo de fato, para cada uma das áreas, para o perfil desses novos servidores e para um modelo de carreira que seja mais moderno, porque cada um que entrar agora fica 60 anos na folha de pagamento. Não dá para repetir práticas que já vêm sendo adotadas há décadas — afirma Vilhena.
O grande número de servidores federais saindo do serviço público aquece o debate em torno de uma Reforma Administrativa, que tramita no Congresso Nacional sob relatoria do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ).
A reforma, no entanto, não está na lista de projetos que devem ser votados ainda neste ano e é criticada por integrantes do governo.
Pedro Paulo diz que existem opiniões divididas na Esplanada dos Ministérios. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já elogiou partes do texto, como a limitação dos supersalários e regras de desempenho.
— Eu acho que falta ao governo uma decisão ali do núcleo central, principalmente do presidente Lula, se vão tentar obstruir o texto, ou tentar agregar à proposta. A partir daí é fácil, eu sento no dia seguinte com a Esther (Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), eu sei quais são os pontos que incomodam a Esther — afirma o deputado federal.
Revisão anual de gastos
A reforma estabelece medidas como uma tabela única de remuneração para todos os entes da Federação, a criação de metas obrigatórias de desempenho para servidores, o fim de privilégios como férias acima de 30 dias e licença-prêmio, além de limitar a 10% os auxílios de alimentação, saúde e transporte para quem recebe acima de 90% do teto constitucional.
Também prevê a revisão anual dos gastos do Executivo e o fim da aposentadoria compulsória para juízes como punição, além de constitucionalizar a inclusão digital como direito social e criar uma estratégia nacional de governo digital.
O secretário de Gestão de Pessoas do MGI, José Celso Cardoso Jr., por sua vez, argumenta que a proposta é muito ampla:
— Veio uma proposta muito abrangente. É uma hiperconstitucionalização de temas de gestão. Vários temas que estão ali, embora eles sejam meritórios, não precisam estar na Constituição, são temas de gestão cotidiana.
Para a professora de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV) Alketa Peci, é essencial que o serviço público avance com uma proposta que estabeleça uma avaliação de desempenho mais estruturada e a limitação de penduricalhos e supersalários.
— A discussão está crescendo, e um dia vai se impor. Isso pode acontecer da forma mais perigosa possível, com respostas mais radicais, como aconteceu no governo anterior e está acontecendo agora no governo (Donald) Trump. Eu acho que hoje estamos em um bom momento para avançar nisso e resgatar alguma nacionalidade administrativa, sem correr riscos — afirma a especialista.
‘Salto qualitativo’
Na avaliação do professor de Administração Pública da Unicamp Oswaldo Gonçalves Junior, a “disputa de narrativas” sobre o papel do Estado nos últimos anos tem interditado o debate sobre uma reforma administrativa.
— Que caminhos existem para fortalecer carreiras estratégicas e, ao mesmo tempo, permitir arranjos mais flexíveis? Penso que essas preocupações qualitativas, para além das quantidades que envolvem o montante de reposições, sem dúvida necessário, são o outro lado da moeda e permitiriam dar um salto qualitativo na administração pública — argumenta o professor.
Desde a campanha, o governo Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a postura de valorização dos servidores públicos diante do congelamento de salários na gestão Jair Bolsonaro. O presidente Lula deve enviar nos próximos dias ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê a reestruturação de carreiras federais. As mudanças atingem 200 mil servidores, entre ativos e aposentados, e terão impacto anual estimado de R$ 4,2 bilhões.
O texto cria 8,6 mil cargos efetivos para universidades federais e 225 para Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), funções que serão preenchidas após concursos públicos. O projeto prevê ainda a criação de uma nova carreira de analista técnico no Executivo, que poderá atuar em diferentes ministérios substituindo funções que atualmente são ocupadas por arquivistas, bibliotecários, contadores, entre outros.
Governo dobra a aposta com ataques diários ao agronegócio, diz líder da bancada ruralista
Por Isadora Duarte (Broadcast) / O ESTADÃO DE SP
BRASÍLIA – O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), classifica 2025 como um ano difícil para o setor agropecuário. Para ele, a “missão” da bancada concentrou-se na reação a projeto e ações do Executivo. Ao comentar os projetos de lei e pautas setoriais que avançaram no Congresso, Lupion lamentou não ter sido um ano mais propositivo, mas viu a reação como “necessária”.
“Foi um ano em que mais agimos na defesa dos ataques ao setor. O governo superou toda e qualquer expectativa quanto aos ataques ao setor agropecuário”, disse Lupion em entrevista ao Estadão/Broadcast, se referindo a ações de segurança jurídica, ambientais e até mesmo envolvendo crédito. “Foi um ano muito negativo para o setor, em que pese os avanços quanto ao recorde de safra e ao crescimento da produção”, avaliou.
Para 2026, Lupion vê a permanência das adversidades ao agronegócio, com endividamento e inadimplência crescentes, disparada de recuperações judiciais e dificuldade de acesso a crédito. Neste contexto, afirma, as prioridades da bancada serão projetos relacionados ao crédito, seguro rural e à segurança jurídica.
Como o senhor avalia o ano de 2025 em relação ao avanço das pautas do agronegócio no Congresso e dos projetos capitaneados pela FPA?
A FPA cumpriu a sua missão para o ano. Infelizmente, menos propositiva do que poderia ser e, muito mais, agindo na defesa dos ataques ao setor. O governo superou toda e qualquer expectativa quanto aos ataques ao setor agropecuário, como por exemplo, com a demarcação de dez novas áreas de terras indígenas durante a COP-30 em um desrespeito total à lei do marco temporal, capitaneada pela FPA. Em contrapartida, aprovamos legislações importantes como o marco legal dos bioinsumos, a modernização das sementes, e o próprio licenciamento ambiental. Avançamos em legislações específicas para a cadeia cultivares, mas, infelizmente, menos propositivos do que poderíamos ser.
Há críticas de parte de entidades do setor agropecuário de que a bancada já foi no seu passado recente mais propositiva. É uma questão do contexto atual?
É claro. Não é possível ser propositivo quando 80% do tempo é perdido reagindo a ataques. Temos de reagir todos os dias, constantemente. Todos os dias temos de parar a pauta preparada para fazermos uma ação coordenada de combate a algum ataque ao setor. Entre os projetos que planejamos e avançamos cito o projeto de lei do cadastro dos invasores, a indenização de demarcações de terras indígenas, a PEC 48 do marco temporal, o licenciamento ambiental, seguro rural que avançou no Senado, a extensão do Renovabio aos produtores independentes de matéria-prima, o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten), os projetos de regulamentação da reforma tributária, a reciprocidade ambiental e econômica, o projeto de regularização dos imóveis em faixa de fronteira, a rastreabilidade de defensivos, a defesa contra a tributação de títulos agrícolas, entre outros. Ao longo do ano, precisamos mudar a estratégia e enfrentar o momento. Infelizmente, é isso o que está ocorrendo.
O que podemos esperar para 2026 nessa relação, tratando-se ainda de ano eleitoral?
Somos intransigentes na defesa do setor e do produtor rural. Tudo aquilo que for de ataque, seja do governo, seja de quem for, tudo aquilo que for contrário ao produtor, reagiremos sempre. O nível da reação é proporcional ao nível da provocação. E é isso que faremos. Se no ano eleitoral, eles ficarem mais provocativos ou atacarem mais ainda o nosso setor, reagiremos mais frontalmente. Continuo indo no Ministério da Fazenda, no Ministério da Agricultura, mas com a clareza de que cada um está no seu papel e tem a sua responsabilidade. A minha é defender o produtor.
Então, a reconstrução de pontes que foi tão falada no início do governo atual entre o Executivo e o setor agropecuário não vai avançar?
O governo quer construir pontes com um setor que ataca todos os dias. Fica impossível. Tentamos ser convergentes em algumas coisas, como o projeto de lei do Devedor do Contumaz, pela abertura de mercados, pelos biocombustíveis, pautas pelas quais estamos juntos e são positivas para todos. Mas, da mesma forma, vem o ataque do outro lado e temos de reagir.
Que ataques são esses? De que ordem?
Segurança jurídica, com demarcações de terras indígenas em absoluto desrespeito à legislação vigente. Mesmo havendo questionamentos no Supremo Tribunal Federal, o governo ignora completamente e faz a demarcação. Questão ambiental com decretos dos mais absurdos possíveis. Um Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos com o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) incluso. A questão do crédito, na qual os produtores estão sendo cobrados pela parte que cabe ao governo na subvenção do seguro rural. O governo continua dobrando a aposta. Assim, realmente fica muito difícil avançarmos em qualquer sentido.
O ano foi marcado pelo crescimento do endividamento do setor agropecuário, novos eventos climáticos extremos, disparada de recuperações judiciais, impactos do tarifaço dos Estados Unidos. Na balança, foi um ano mais positivo ou negativo?
Foi um ano muito negativo. Em que pese os avanços quanto ao recorde de safra e ao crescimento da produção, o setor enfrentou um problema muito sério de endividamento. Os custos de produção estão altíssimos, resultado de uma política econômica completamente falha, inflação, juros a 15%, dificuldade do setor em acessar crédito, a questão internacional extremamente pesada, com o tarifaço. Neste momento, o agro precisava do apoio da mão forte do Estado, que seria efetivamente uma securitização ou uma renegociação das dívidas, mas os recursos sequer ainda foram liberados. 2026 não será um ano nem um pouco fácil. Parte dos produtores em recuperação judicial, insegurança quanto à regulamentação da reforma tributária, insegurança jurídica e afastamento do investimento.
Com a persistência dessa conjuntura de inflexão no agronegócio, desse ciclo baixista, em 2026, quais são os principais desafios do setor e quais serão as pautas prioritárias da bancada?
Crédito, seguro e segurança jurídica. Continuamos a briga pelo projeto de lei para modernização do seguro rural para termos um seguro que efetivamente seja condizente com o tamanho da produção. Precisamos rever o Manual de Crédito Rural, o que implica alteração de várias leis, Propostas de Emenda à Constituição (PECs), resoluções, que devemos apresentar em breve, além de puxar o Plano Safra para o início do exercício fiscal.
O senhor disse não ver problema em a bancada caminhar junto ao governo em pautas que são positivas ao setor agropecuário. Neste sentido, o projeto de lei do Devedor Contumaz sai ainda neste ano? A FPA tende a fazer esforço para pautar este tema?
Já pressionamos inúmeras vezes, seja pela FPA, seja pela Coalizão das Frentes Parlamentares Produtivas, seja pela Frente dos Biocombustíveis. É uma pauta super importante, de combate às fraudes, que afetam muito o nosso setor. As organizações criminosas estão diretamente dentro do setor, comprando terras, comprando usinas, com posto de combustível, com distribuidoras. Não podemos aceitar isso. Todas as medidas que forem necessárias para sanear o Estado e resolver os problemas de segurança pública e de sonegação fiscal, apoiamos.
O licenciamento ambiental foi muito criticado pelos ambientalistas como fragilização das leis ambientais do País. Porque é uma pauta encabeçada pelo agro?
Essa não é uma pauta do agro especificamente. É uma pauta da sociedade brasileira, das grandes cidades, da atração de investimentos, da industrialização do país, da geração de oportunidades, da geração de renda, do desenvolvimento dos municípios. O custo Brasil está justamente na burocracia. Ninguém está falando em liberar geral ou em enfraquecer a legislação, pelo contrário. Estamos falando de racionalização. Estamos há trinta anos falando da Ferrogrão, da BR 163, da Transamazônica. Isso é uma causa do Brasil, não é uma causa do ruralista, não é uma causa do produtor. Agora, o setor utiliza os modais logísticos e precisa que eles sejam modernos o suficiente para acompanhar o crescimento do setor agropecuário.
O marco temporal é outro tema que segue pendente, com julgamento a ser retomado pelo STF. Qual é a saída possível?
Não vejo outro caminho que não seja o cumprimento da Constituição. O Supremo não cancelou a lei justamente por entender que não poderia usurpar tão descaradamente a competência do Legislativo. Temos uma lei que confirma o texto constitucional, da tese do marco temporal. A nossa preocupação é termos uma legislação clara que dê segurança jurídica e a possibilidade de investimentos no País, com transparência aos processos e a indenização dos produtores. Se for preciso, temos a PEC 48 que está pronta para a pauta e temos votos necessários para isso. Espero não ter que chegar a esse ponto.
Esse momento atual de tensionamento na relação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o Executivo, abre espaço para as pautas setoriais, como a PEC 48, avançarem?
Claro. Vamos aproveitar.
Governo intensifica negociações para garantir alta da tributação de empresas de médio porte
Por Fabio Graner — Brasília / O GLOBO
Correndo atrás de garantir recursos para o Orçamento de 2026, o governo acelera as articulações para avançar com o projeto que reduz benefícios tributários para as empresas em 10%. Apesar de as negociações estarem avançando, um dos pontos ainda com dificuldade é a proposta do Palácio do Planalto que eleva a tributação das empresas de médio porte (faturamento de até R$ 78 milhões) que estão no regime de lucro presumido, sistema normalmente utilizado no setor de serviços e por profissionais liberais, como médicos e advogados.
Essa medida sozinha representa cerca de R$ 8 bilhões em expectativa de arrecadação para 2026. É pouco menos da metade do total de R$ 19,8 bilhões que o governo pretende arrecadar com o projeto de redução de benefícios fiscais no próximo ano.
Por isso, ao mesmo tempo em que significa um peso maior na tributação das empresas, mobilizando resistências, uma eventual derrota nesse tópico traria para o Executivo dificuldades para o equilíbrio orçamentário. E isso não afeta só o governo, mas também os próprios parlamentares, que podem ter suas emendas cortadas ao longo da execução dos gastos bem no ano eleitoral.
É com esse argumento que o governo tem buscado convencer primeiramente os deputados e depois os senadores sobre a necessidade de aprovar a lei complementar nos termos originalmente previstos no texto enviado pelo governo. Não à toa, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que eventuais ajustes nessas propostas exigirão também modificações no orçamento.
A despeito da incerteza, integrantes do Executivo e da base do governo no Congresso ouvidos pelo GLOBO demonstram otimismo com a possibilidade de avanço, ainda que cientes das resistências e dos riscos.
Nessa segunda-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta, designou o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) como relator do projeto apresentado pelo seu colega Mauro Benevides (PDT-CE), que não trata de lucro presumido e propõe uma redução mais gradual nas renúncias, a um ritmo de 5% por dois anos.
A ideia, segundo integrantes do Congresso, é que Ribeiro use o projeto de Benevides como veículo para adotar pelo menos parte da proposta do governo. O texto original do parlamentar cearense está com urgência aprovada e pode ser examinado diretamente no plenário. Embora não tenha havido o chamado “apensamento” da proposta do governo, o relator pode incluir no seu parecer elementos do projeto do Executivo.
As negociações em torno da redução dos gastos tributários estão ocorrendo ao longo dessa terça-feira, mesmo em meio ao acirramento do clima político após o presidente da Câmara, Hugo Motta, ter anunciado que vai pautar o PL que reduz a pena para os crimes relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro.
O cenário do governo e de interlocutores do Congresso é que a redução dos benefícios fiscais seja pautada a tempo de ser votada na Câmara e no Senado até o fim da semana que vem, antes do recesso e do exame do projeto de lei orçamentária (PLOA).
Se isso não ocorrer, em tese o PLOA pode ser votado sem maiores problemas porque o projeto ainda estará em tramitação, podendo ser computado como arrecadação projetada. Mas para a efetiva execução do orçamento sem cortes, há necessidade de que o tema seja resolvido ainda em 2025 por conta da regra da anualidade. Essa é a exigência legal que diz que temas relacionados ao Imposto de Renda, como é o caso da elevação da base de cálculo do lucro presumido, sejam aprovados no ano anterior à sua vigência efetiva.
Dessa forma, se não conseguir avançar nesse ano, o governo terá que buscar outra fonte de arrecadação no início do ano que vem, ou fazer um contingenciamento de despesas, amplamente indesejado pela classe política.
Lula sanciona lei que aumenta para até 40 anos a pena para estupro de vulneráveis
Por Redação / O ESTADÃO DE SP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta segunda-feira, 8, a lei que endurece as penas para crimes cometidos contra a dignidade sexual de pessoas vulneráveis. O texto, publicado no Diário Oficial da União, foi aprovado em novembro pelo Senado.
Segundo dados da Fundação Abrinq, somente em 2024, foram mais de 156 notificações diárias de violência sexual contra crianças e adolescentes.
A norma estabelece o aumento das penas para os crimes sexuais que envolvem crianças, adolescentes e pessoas com deficiência, com a pena máxima, a depender da gravidade, podendo alcançar 40 anos de reclusão.
- Estupro de vulnerável: reclusão de 10 a 18 anos;
- Estupro com lesão corporal grave: reclusão de 12 a 24 anos;
- Estupro com morte: de 20 a 40 anos de reclusão;
- Corrupção de menores: reclusão de 6 a 14 anos;
- Praticar sexo na presença de menor de 14 anos: reclusão de 5 a 12 anos;
- Submeter menor a exploração sexual: 7 a 16 anos de reclusão;
- Transmitir ou vender cenas de estupro: reclusão de 4 a 10 anos.
- A lei também acrescenta ao Código Penal o crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência, com reclusão de dois a cinco anos, ampliando a proteção que antes estava apenas na Lei Maria da Penha.
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- Coleta de Material Biológico (DNA): Torna obrigatória a coleta de material biológico (DNA) de condenados e investigados por crimes contra a dignidade sexual, para identificação do perfil genético;
- Medidas Protetivas: Entre os exemplos de Medidas Protetivas que o juiz pode aplicar imediatamente estão a suspensão ou restrição do porte de armas; afastamento do lar ou do local de convivência com a vítima; proibição de aproximação ou contato com a vítima, familiares e testemunhas; e restrição ou suspensão de visitas a dependentes menores. Essas medidas poderão ser acompanhadas com o uso de tornozeleira eletrônica e de um dispositivo de segurança que avisa a vítima sobre eventual aproximação do agressor;
- Progressão de Regime: Para progredir para um regime de cumprimento de pena mais benéfico ou usufruir de benefício que autorize sua saída do estabelecimento, o condenado deverá passar por um exame criminológico que comprove a inexistência de indícios de reincidência no mesmo tipo de crime;
- Monitoramento Eletrônico Obrigatório: Torna-se obrigatória a monitoração eletrônica aos condenados por crimes contra a dignidade sexual e crimes contra a mulher ao deixarem o estabelecimento penal, garantindo acompanhamento mais efetivo do cumprimento da pena;
- Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): A lei estende a possibilidade de acompanhamento médico, psicológico e psiquiátrico às famílias das vítimas de crimes sexuais;
- Estatuto da Pessoa com Deficiência: Amplia a possibilidade de atendimento psicológico não só às vítimas, mas também aos seus familiares e atendentes pessoais em casos de vitimização em crimes contra a dignidade sexual.
Conta dos ‘puxadinhos’ aumenta: escalada de gastos do governo fora da meta fiscal supera R$ 170 bi
Por Thaís Barcellos — Brasília / O GLOBO
Modernização das regras de gestão da máquina pública está na proposta que será debatida hoje — Foto: Brenno
As exceções aos limites de gastos públicos durante os três anos de vigência do atual arcabouço fiscal, aprovado em 2023, no primeiro ano do atual mandato do presidente Lula, devem superar R$ 170 bilhões até o fim de 2026, quando o petista deve buscar a reeleição. Em apenas um mês, essa cifra ganhou cerca de R$ 15 bilhões com iniciativas do governo e do Congresso que beneficiam estatais em crise, como os Correios, e as Forças Armadas, corroendo a credibilidade da política fiscal, que tem repercussões, por exemplo, nos indicadores de dívida pública, inflação e juros.
Ainda devem ser deduzidos do cálculo da meta fiscal cerca de R$ 2 bilhões com despesas de saúde e educação custeadas pelo Fundo Social, caso o projeto aprovado pelo Senado Federal na semana passada conquiste também o aval da Câmara dos Deputados. Na prática, o governo gasta cada vez mais sem considerar as cifras nos cálculos que apuram o cumprimento da meta anual estabelecida para o governo na relação entre receitas e despesas, cujo objetivo é funcionar como um mecanismo de ajuste das contas públicas no longo prazo para a contenção da dívida do país.
O superávit ou déficit primário mede o total de despesas feitas pelo governo sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Sem as exceções, esse resultado anual funcionaria como um termômetro do esforço feito pelo governo para abater o montante principal do endividamento, mas isso é o que cada vez menos expressam os números oficiais. No ano que vem, o governo Lula tem como objetivo alcançar o seu primeiro superávit, de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34 bilhões, já descontando gastos enquadrados como exceções, com uma margem de tolerância entre zero, igualando receitas e despesas, e uma economia de 0,5% do PIB.
Além dos gastos tirados desta conta, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada na semana passada com as bases para a elaboração do Orçamento de 2026, autoriza o governo a perseguir o limite inferior do intervalo de tolerância da meta fiscal, e não o centro, reduzindo a necessidade de bloqueio de despesas ao longo do ano eleitoral.
Resultado irreal
Só com as deduções já aprovadas, o governo poderia cumprir o objetivo com um déficit de R$ 38 bilhões, calcula da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado. Se o projeto que retira da meta fiscal os gastos com saúde e educação custeados pelo Fundo Social tiver aval dos deputados no retorno à Câmara, a IFI calcula um impacto adicional de R$ 1,963 bilhão em 2026, ou seja, a meta seria cumprida mesmo com um rombo de R$ 40 bilhões nas contas. Nos cálculos da IFI, só em 2026 quase R$ 90 bilhões em despesas devem ser retirados das metas do governo central, que contemplam as contas de Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. Esse número é 80% maior que o volume total de deduções neste ano: R$ 48,7 bilhões.
Para dar uma dimensão, as exceções de 2024 a 2026 seriam mais que o suficiente para pagar todos os benefícios do Bolsa Família ao longo de um ano. O valor previsto no Orçamento deste ano para o programa é de R$ 158,6 bilhões. As despesas retiradas do limite de gastos diminuem a transparência da gestão fiscal e são consideradas por especialistas uma forma de driblar as regras para continuar aumentando o gasto. Mesmo que essas despesas não sejam consideradas para verificar o cumprimento do alvo de resultado primário pelo governo, o dinheiro efetivamente sai dos cofres da União, aumentando a dívida pública, com impactos macroeconômicos.
O país precisa, por exemplo, conviver com taxas de juros mais altas para conter o impacto inflacionário do gasto público.
Outra ameaça no caminho são as despesas com segurança pública. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, já admitiu que Lula avalia retirar parte do Orçamento destinado ao tema da regra fiscal.
— Para 2026, são quase R$ 90 bilhões em deduções. É muito gasto para se excetuar da meta. Vai corroendo a credibilidade das regras. Se tem um monte de despesa excetuada, a meta não diz muita coisa sobre a saúde das contas públicas — diz Alexandre Seijas, diretor da IFI.
Meta virou 'ficção', dizem especialistas
A escalada de exceções no cálculo das contas públicas vai de despesas emergenciais como as necessárias para lidar com a calamidade pública das enchentes no Rio Grande do Sul, passando por ressarcimento acelerado de descontos indevidos feitos nos pagamentos de aposentadorias e pensões do INSS, crise de estatais e investimentos das Forças Armadas, até acomodações no limite dos gastos do Judiciário e dívidas judicias das quais a União não pode mais recorrer, os chamados precatórios, que haviam sido represados no governo de Jair Bolsonaro.
Para especialistas em contas públicas, o acúmulo dessas iniciativas corroem a credibilidade da meta e seu papel de sinalizar a trajetória das contas públicas. Sem essa transparência, analistas têm preferido acompanhar dados da dívida pública para avaliar a relação do Orçamento com outros indicadores macroeconômicos.
No caso das estatais, para acomodar a crise financeira dos Correios — que espera até R$ 6 bilhões em aportes emergenciais neste ano e busca crédito de R$ 20 bilhões junto a bancos com aval do Tesouro Nacional, a LDO permitiu que sejam excepcionalizados até R$ 10 bilhões em gastos das empresas públicas não dependentes que “possuam plano de reequilíbrio econômico-financeiro aprovado e vigente”. A nova dedução se soma à retirada de até R$ 5 bilhões de investimentos de estatais no PAC da meta fiscal.
— Na época da aprovação do projeto que excepcionalizou R$ 5 bilhões de gastos com Defesa (no fim de outubro), dissemos que poderia abrir um precedente perigoso. De fato, está se confirmando. Todas as áreas começam a se movimentar para proteger seus gastos de possíveis contenções ao longo da execução do Orçamento — diz Alexandre Seijas, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI).
Sobre a dedução de R$ 10 bilhões na meta de estatais, Seijas avalia que o governo tentou reduzir os danos à imagem da política fiscal, limitando o problema aos Correios. Para o diretor da IFI, a mudança da meta, como chegou a ser estudado, passaria uma mensagem mais negativa. Ele lembra que a LDO proibiu em 2026 a compensação do Orçamento do governo central, como neste ano.
Com a crise dos Correios, a projeção em novembro era de que a meta de empresas não dependentes estouraria em cerca de R$ 3 bilhões, valor compensado com uma espécie de contingenciamento.
Resultado 'deturpado'
Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, avalia que o indicador de resultado primário está “completamente deturpado por essas exclusões”:
— O que importa não é a meta que está na LDO, mas sim o resultado primário total do setor público. Sabemos que o resultado do governo central é bem pior que aquele apresentado na meta e que o resultado das estatais provavelmente vai continuar se deteriorando no ano que vem por conta da situação dos Correios. Tudo isso, obviamente, aponta para uma dívida pública mais elevada.
João Leme, analista de contas públicas da Tendências Consultoria, diz que a situação dos Correios é um exemplo da fragilidade fiscal do país. Ele observa que o peso da crise das estatais, mesmo com déficit recorde, é pequeno diante do gasto total do governo central, em que só a Previdência custa mais de R$ 1 trilhão ao ano, mas, considerando que o governo está “raspando o fim do barril” para chegar ao piso da meta, isso acaba virando um problema maior.
Para ele, as regras do arcabouço fiscal viraram “peça de ficção” quando consideradas as exclusões:
— Em vez de absorver tudo isso dentro da sua margem de manobra, de 0,25% do PIB, o governo fica entrando nessa contabilidade criativa. Gera um custo reputacional para a regra, que deixa de ser crível.
Lula chega ao Ceará para agendas em Fortaleza e Horizonte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou, na noite desta terça-feira (2), em Fortaleza, para agenda na Capital cearense e na cidade de Horizonte, na quarta-feira (3).
Essa é a terceira vez que o presidente cumpre agenda no estado somente este ano. O avião presidencial pousou em solo cearense na noite desta terça, às 21h30.
Em Fortaleza, o petista deve entregar carteiras emitidas pelo Ministério da Educação (MEC) para professores cearenses.
Na cidade da Região Metropolitana da Capital, Lula participará da cerimônia que marcará o início da produção de veículos elétricos da General Motors no Brasil.
MAIS DETALHES DAS AGENDAS
FORTALEZA
A Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB) é um documento oficial, de valor nacional, para professores, com validade de 10 anos. Ela serve como uma forma de reconhecimento profissional e dá acesso a vários benefícios como Culturais, de Lazer e Comerciais.
Após a validação do cadastro na plataforma Mais Professores, usando o login Gov.br, a CNDB é disponibilizada também em formato digital.
Além disso, o programa Mais Professores inclui iniciativas como o Vale-Computador (Vale-Equipamento), a Bolsa Mais Professores e o Portal de Formação.
HORIZONTE
O modelo que inaugura a etapa é o Chevrolet Spark EUV, utilitário esportivo lançado este ano no país.
O evento ocorre no Polo Automotivo do Ceará, onde será a produção local dos veículos elétricos. Está prevista a participação do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além de outras autoridades.

