Mandetta muda discurso e critica quarentena; Mourão defende isolamento
25 de março de 2020 | 18h12
Atualizado 25 de março de 2020 | 19h12
BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ajustou o discurso e, alinhado com o presidente Jair Bolsonaro, criticou as decisões de Estados do País quanto à adoção de quarentena para evitar a propagação do novo coronavírus.
“Temos que melhorar esse negócio de quarentena, não ficou bom”, disse Mandetta, durante a divulgação do número de 57 mortos e 2.433 casos confirmados da covid-19 no Brasil. “A última quarentena foi em 1917. É normal, faz parte dessa situação, nós errarmos, calibrarmos e fazermos projeções um pouco fora e questionáveis por A, B ou C. A quarentena é um remédio extremamente amargo e duro.”
Já o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, foi na contramão do que defendeu Mandetta nesta quarta-feira e da declaração presidente Jair Bolsonaro, que, em pronunciamento em rede nacional de TV, pediu o fim do confinamento em massa e a reabertura de comércios e escolas. Mourão disse que a orientação do governo para combater a pandemia da covid-19 continua sendo isolamento e distanciamento entre as pessoas. “A posição do nosso governo, por enquanto, é uma só. A posição do governo é o isolamento e o distanciamento social”, disse Mourão, que ponderou que a orientação para isolamento está sendo discutida.
Mandetta, que muitos achavam que até poderia deixar o cargo por causa da pressão de Bolsonaro pelo retorno das pessoas às ruas, procurou dizer que sua preocupação é com a saúde e a vida das pessoas e que as quarentenas impostas pelos Estados têm prejudicado, inclusive, o trabalho médico. Ele não deixou de ressaltar, porém, os problemas econômicos que a situação pode gerar e chegou a citar, inclusive, que se reabram templos e igrejas para as pessoas rezarem.
“Que fiquem abertas, só não se aglomerem. Fé é elemento de melhora na alma, no espírito”, disse. Embora tenha criticado as quarentenas, Mandetta voltou a pedir para que as pessoas evitem contato. “Evite o contato com outras pessoas, mantenha a higiene das mãos, proteja as pessoas de mais idade, evite o contato íntimo, o beijo”, disse. “A distância social deve ser observada. Isso tudo ajuda para ter equilíbrio para atravessar esse momento de muito estresse para as pessoas.”
Segundo o ministro, uma “quarentena sem prazo para terminar vira uma parede na frente da vida das pessoas” e as decisões têm que envolver outros assuntos do governo e da própria área de saúde. “A saúde não é uma ilha, não vamos tratar isoladamente, não existe só coronavírus. Eu tenho recebido médico que está fechando consultório de pediatria, clínicas de ultrassonografia. A vida continua. Outras doenças acontecem, as pessoas têm necessidades. As coisas continuam. Os arquitetos têm de trabalhar, as pessoas...”
Governo de SP vai repassar R$ 55 por mês a 700 mil alunos da rede pública como alternativa para merenda escolar
Por Lívia Machado e Patrícia Figueiredo, G1 SP — São Paulo
O governo de São Paulo irá repassar, a partir do próximo dia 1º de abril, o valor de R$ 55 por mês para 700 mil alunos da rede estadual como alternativa para a merenda escolar durante o período em que as instituições estiverem fechadas por conta da crise do coronavírus no país.
O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB), no início da tarde desta quarta-feira (25), em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.
Segundo Doria, a ação faz parte do Programa Merenda em Casa e visa destinar verba às famílias em situação de extrema pobreza no estado.
"O pagamento será feito aos estudantes da famílias que vivem em situação de extrema pobreza de acordo com o castro único do governo federal", afirmou o governador. "O valor é suficiente para comprar uma cesta básica", defendeu Doria.
Ainda de acordo com o governo, o programa prevê investimento de R$ 40,5 milhões por mês.
Discurso polêmico de Bolsonaro sobre coronavírus tem apoio de militares
25 de março de 2020 | 16h41
BRASÍLIA – A narrativa do presidente Jair Bolsonaro de que há uma “histeria” de governadores e da imprensa na condução da crise envolvendo a pandemia do novo coronavírus encontra respaldo entre integrantes do Alto Comando das Forças Armadas. O Estado ouviu dez oficiais-generais sobre o discurso do presidente, que recebeu críticas por estar na contramão dos que o mundo prega para combater o avanço da doença.
Nesta terça-feira, 24, em cadeia nacional de rádio e TV, Bolsonaro se colocou contra o isolamento e fechamento de escolas e do comércio. Entre os generais ouvidos pelo Estado há um consenso: o presidente errou na forma, no tom de confronto ao distribuir ataques a governadores, prefeitos, mídia, e esquecendo a razão e a ciência.
Mas acertou no conteúdo. Esses militares dizem que, de fato, não é possível fechar o País, parar todas as atividades econômicas porque isso trará prejuízos irreversíveis à economia. Lembram ainda que um País, com a população essencialmente jovem, e que tem na informalidade um contingente demais de 38 milhões de autônomos, a dose exagerada do remédio poderá matar o paciente.
Outra preocupação é que esse desespero das pessoas possa levar a um caos social, inclusive com possibilidade de saques.Uma figura de linguagem usada por um desses militares dizia que se alguém leva um tiro na perna em uma guerra, não pode ficar deitado esperando ser atendido para tirar a bala, precisa continuar atacando, reagindo, para garantir sua sobrevivência.
Nas Forças Armadas, os discursos oficiais dos comandantes do Exército, general Edson Pujol, e da Marinha, almirante Ilques Barbosa, são de que o País está em uma guerra e que o momento é de “serenidade” e “firmeza”. O general Pujol fala que “talvez essa seja a missão mais importante da nossa geração”, mas avisa que a tropa tem de “mantera capacidade operacional”, ou seja, trabalhar.
Da mesma forma, o almirante Ilques pede “serenidade, para não sermos envolvidos em mensagens alarmistas quanto à realidade dessa situação”. Depois de lembrar que “já vencemos situações semelhantes e ainda piores”, se referindo a companheiros que teriam tombado, seja na Segunda Guerra Mundial, com a gripe espanhola, ou na tragédia do Haiti, entre outras, o almirante Ilques afirmou que essa situação “será superada”, e pediu que as determinações das autoridades sejam seguidas.
O almirante adverte que é preciso atuar com firmeza e orientar os seus “semelhantes quando percebermos que estão sendo envolvidos por mensagem, que não apontam em solução”. Os comandantes não interpretam as palavras do presidente da República. Mas os oficiais-generais estrelados que, por uma questão de disciplina não expressam abertamente suas opiniões, têm repetido que o momento é de esquecer a retórica de Bolsonaro, que está em guerra com governadores de estado e se concentrem nas ações que o governo está adotando.
O ex-secretário de Assuntos Estratégicos, general General Maynard Santa Rosa, demitido por Bolsonaro, reverbera esse sentimento dos militares, ao dizer que concorda com o presidente no discurso, mas não na forma. “Concordo que ele está certo, entendendo o clima que poderemos viver quando a economia entrar em colapso. Será um caos social, saques, problemas sérios de lei e da ordem, um clima de instabilidade terrível,sem que isso afete o coronavirus”, comentou.
Ponte de equilíbrio entre confinamento e manutenção da atividade econômica
O general ressalvou que, “o grande problema é encontrar o ponto de equilíbrio entre o confinamento necessário em alguns casos e a manutenção da atividade econômica. O general Santa Rosa cita ainda que “o Brasil é um continente, tem uma população jovem, que existem diferentes realidades no País, e que por conta da guerra política, está havendo radicalização de alguns governadores e prefeitos que não estão vendo o day after quando a economia do País implodir”. Por isso, mesmo, prega um confinamento mais seletivo.Já o presidente do Clube Militar, general Eduardo José Barbosa, reconhece que o problema é complexo, o momento é delicado e, no seu diagnóstico, irá impor “escolhas de Sofia”.
“Se o remédio for muito forte, acaba com o vírus, mas acaba matando o paciente também. Os pacientes vão começar a morrer não pelo vírus, mas de fome e aí será tarde demais para se conseguir reverter a da sobrevivência econômica do País”, comentou.Depois de dizer que toda essa situação é inédita, o presidente do Clube reconheceu que “não existirá decisão perfeita porque não tem como resolver esse tipo de problema, sem causar dano colateral”.
Por isso, fala da importância de proteger as pessoas com mais de 60 anos e as que têm doenças, mas repete o presidente ao dizer que para a grande maioria, a covid-19 será como uma gripe. Para o general, o presidente está sem saber responder os governadores e prefeitos que estão tendo atitudes mais radicais, que querem fechar tudo, e entra no jogo do confronto político-eleitoral, que é absolutamente negativo e desnecessário, neste momento.
Equipe de Guedes projeta retorno gradual da quarentena a partir de 7 de abril
25 de março de 2020 | 16h03
BRASÍLIA - A equipe econômica trabalha com a possibilidade de retomada gradual da quarentena a partir de 7 abril. Segundo apurou o Estado, o prazo se baseia na data inicial de fim do isolamento imposto pelo Estado de São Paulo.
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No sábado passado, 21, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decretou 15 dias de quarentena, a partir de terça-feira, 24, mas a duração pode ser prorrogada. Ela é válida em todos os 645 municípios paulistas.
A previsão de retomada das atividades pelos assessores de Guedes coincide com o período de pico da transmissão do vírus, segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Na sexta-feira, ele afirmou que a transmissão do novo coronavírus continuará a crescer até maio e junho e só terá uma "queda brusca" a partir de setembro.
"A gente imagina que ela vai pegar velocidade e subir na próxima semana ou 10 dias. A gente deve entrar em abril e iniciar a subida rápida. Essa subida rápida vai durar o mês de abril, o mês de maio e o mês de junho, quando ela vai começar a ter uma tendência de desaceleração de subida. No mês de julho ela deve começar o platô. Em agosto, esse platô vai começar a mostrar tendência de queda. E a queda em setembro é uma queda profunda, tal qual foi a queda de março na China", explicou o ministro durante uma reunião com empresários, realizada por videoconferência.
Como mostrou o Estado, o polêmico e criticado pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira, em que pediu o fim do “confinamento em massa”, tem eco na equipe econômica. O ministro da Economia, Paulo Guedes, é um dos integrantes do governo a alertar o presidente Bolsonaro sobre o risco da paralisação brusca da economia por meses seguidos. A interlocutores, porém, ele diz que não tem conhecimento para opinar sobre saúde. O ministro e sua equipe também têm conversado com empresários sobre o tema.
A defesa do isolamento só daqueles do chamado grupo de risco, como idosos e portadores de comorbidades, vai na direção oposta às recomendações de autoridades sanitárias, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), que defendem o isolamento para todos como a única forma de evitar a disseminação da doença em estado de transmissão sustentada, ou seja, quando não se sabe a origem da contaminação.
Com 72 anos, o próprio ministro Paulo Guedes trabalha de casa, no Rio de Janeiro. Para as reuniões no Palácio do Planalto, Guedes tem enviado os secretários especiais de Fazenda, Waldery Rodrigues, e Executivo, Marcelo Guaranys.
Oficialmente, a sua assessoria diz que a recomendação para o grupo de risco é ficar em casa. Assessores do seu gabinete estão insistindo para ele ficar em casa, onde participa de reuniões virtuais.
Bolsonaro diz que vai pedir ao Ministério da Saúde isolamento só para idosos e pessoas com doenças
Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Após fazer um pronunciamento criticando o confinamento e defendendo a abertura de comércios, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 25, que pedirá ao Ministério da Saúde mudança na orientação de isolamento da população durante a pandemia do novo coronavírus. A recomendação defendida pelo presidente é que o isolamento seja adotado apenas para idosos e pessoas com comorbidades (outras doenças).
Segundo Bolsonaro, os efeitos das medidas de enfretamento à covid-19 na economia pode colocar em risco a "normalidade democrática". "Todos nós pagaremos um preço que levará anos para ser pago, se é que Brasil não possa ainda sair da normalidade democrática que vocês tanto defendem. Ninguém sabe o que pode acontecer no Brasil", disse o presidente ao deixar o Palácio da Alvorada pela manhã. Ele disse que ainda conversaria com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre a decisão de mudar a orientação sobre confinamento.
"Conversei por alto com o Mandetta ontem (terça-feira). Hoje vamos definir essa situação. Tem que ser, não tem outra alternativa", disse Bolsonaro ao deixar o Palácio da Alvorada. "A orientação vai ser vertical daqui para frente. Eu vou conversar com ele e tomar a decisão. Não escreva que já decidi, não. Vou conversar com o Mandetta sobre essa orientação."
As ações de isolamento são recomendações de autoridades de saúde, como a própria Organização Mundial da Saúde (OMS). Em vários Estados do Brasil, os governos locais já determinaram quarentena, com fechamento temporário do comércio, escolas e serviços não-essenciais para evitar o avanço do vírus.
Nesta quarta-feira, 25, Bolsonaro voltou a dizer que há "histeria" e "comoção" com o coronavírus. "É preciso botar povo para trabalhar e preservar idosos", afirmou. "Nós temos que tomar decisões neste momento difícil. Não sou eu que vou procurar a mídia e ter um discurso de calamidade, de histeria, como se eu fosse o pai de todos os brasileiros. Eu sou pai, entre aspas, para conduzir o destino do Brasil."
O presidente justificou sua exposição, mesmo não seguindo as orientações de autoridades sanitárias, para levar à população "uma mensagem de paz, tranquilidade, serenidade".
Segundo Bolsonaro, foi ele mesmo quem escreveu o discurso transmitido em rede nacional, em que contrariou todas as recomendações das autoridades sanitárias para este período de quarentena, em razão do avanço da pandemia. Houve panelaços no momento do pronunciamento. O presidente afirmou não estar preocupado com popularidade.
"Estou vendo aqui que estou apanhando direto. Não estou preocupado com a minha popularidade. Eu tenho uma missão de quatro anos. Se vai ser oito, a gente vai ver em 22. Deus e o povo vão decidir", disse ao deixar o Palácio da Alvorada.
Em linha com ele, reforçou Bolsonaro, está o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Economia
Bolsonaro falou que os profissionais autônomos estão sem trabalhar e as empresas sem produzir. Há risco, disse o presidente, de faltar dinheiro para pagar servidores públicos se a economia nacional entrar em colapso.
"O que precisa ser feito: botar esse povo para trabalhar, preservar os idosos, preservar aqueles que têm problemas de saúde, mais nada além disso. Caso contrário, o que aconteceu no Chile vai ser fichinha perto do que pode acontecer no Brasil", afirmou Bolsonaro.
Sobre o isolamento de idosos, o presidente disse que cada "família deve cuidar dos seus idosos" e que o "o povo tem que deixar de deixar tudo nas costas do poder público".
"Você tem que pegar o idoso e isolá-lo, com hotéis ou em casa. Cada filho, cuide de seu pai, poxa. Não quer que eu contrate uma pessoa para cuidar de cada idoso. É impossível", afirmou.
"Cara, você tem que isolar quem você pode. Você quer que eu faça o quê? Eu tenho o poder de pegar cada idoso lá e levar para um negócio? Fica aí, vai ter um pessoal para te tratar. É a família dele que tem que cuidar dele no primeiro lugar,. O povo tem que deixar de deixar tudo nas costas do poder público. Aqui não é uma ditadura, é uma democracia. A família em primeiro lugar. Esse foi o discurso que me elegeu, inclusive. Os responsáveis pela minha mãe de 92 anos são os seus meia dúzia filhos. Nós que somos responsáveis pela minha mãe no momento. Em último lugar, se não tiver ninguém, daí um asilo", completou.
O número de mortes por causa do novo coronavírus subiu para 46 nesta terça-feira, 24, segundo o Ministério da Saúde. É o maior salto em um único dia: 12. O primeiro óbito foi registrado no dia 17 deste mês. O País já soma, desde o início da crise do coronavírus, 2.201 confirmações da nova doença.
Em todo o mundo, até agora, são quase 110 mil casos e 19 mil mortes pelo novo coronavírus.
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Bolsonaro fala em “histeria”, repreende governadores e critica imprensa
Em pronunciamento nacional sobre o coronavírus na noite desta terça, 24, Jair Bolsonaro criticou a imprensa, repreendeu governadores e falou novamente em “histeria” e resfriadinho. “O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará”, decretou, no anúncio de pouco mais de 4 minutos.
O presidente disse que, desde que resgatou-se os brasileiros de Wuhan, na China, onde surgiu o novo coronavírus, o governo traçou um planejamento estratégico para combatera infecção. “Mas o que tínhamos que conter naquele momento, era o pânico, a histeria e, ao mesmo tempo, traçar a estratégia para salvar vidas e evitar o desemprego em massa – assim fizemos”, disse, após elogiar o trabalho do ministro da Saúde, Henrique Mandetta.
“Grandes partes dos meios de comunicação foram na contramão”, completou, com seu hábito de criticar a imprensa, dizendo que a mídia foi responsável por disseminar “histeria” por aí. “Espalharam a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália.” Bolsonaro alega que trata-se de um país muito diferente do nosso, com mais idosos e um clima diverso. Sobrou indireta para o Jornal Nacional, que pediu à população calma ontem. O presidente acredita que houve uma mudança de discurso.
“Nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos”, disse, seguindo a alfinetar governadores que são seus adversários, como João Doria e Wilson Witzel. “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então, por que fechar escolas?”
Ele também comentou sobre a possibilidade de que poderia ter contraído o coronavírus. “No meu caso particular, com meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão”, referindo-se a um vídeo antigo do médico Drauzio Varella, que chegou a ser retirado de circulação por mau uso nas redes sociais.
Bolsonaro falou ainda sobre possibilidades de novos tratamentos à doença, como a cloroquina, cujo uso está em análise no Brasil.
VEJA
Bolsonaro grava novo pronunciamento em rádio e TV sobre coronavírus

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro vai fazer na noite desta terça-feira mais um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV sobre o novo coronavírus, o terceiro em menos de 20 dias. Na gravação, realizada no fim da tarde, Bolsonaro pregou a união com governadores no enfrentamento à doença. A fala vai ao ar às 20h30, com previsão de duração de quatro minutos.
Bolsonaro mudou nos últimos dias sua postura em relação aos governadores: após dias criticando a atitude deles no combate ao coronavírus — no domingo, por exemplo, chamou governadores de "exterminadores de emprego" e disse que eles enganam a população —, o presidente marcou uma série de reuniões com os chefes de Executivos estaduais.
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Na segunda-feira, conversou com governadores das regiões Nordeste e Norte. Nesta terça, foi a vez dos governantes do Centro-Oeste e do Sul. Na quarta, vai conversar com os governadores do Sudeste, entre eles Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, e João Doria (PSDB), de São Paulo, desafetos de Bolsonaro que têm trocado farpas com ele por conta das estratégia de combate à doença.
Após as primeiras reuniões, na segunda-feira, Bolsonaro disse que havia um clima de "cooperação e entendimento" com os governadores. Ele anunciou um pacote de ajuda no valor de R$ 88,6 bilhões.
No primeiro pronunciamento, realizado no dia 6 de março, Bolsonaro afirmou que não havia motivo para "pânico" e que o momento era de união.
A segunda fala sobre o tema foi realizada na semana seguinte, no dia 12 de março. O presidente recomendou o adiamento de manifestações que estavam marcadas para o domingo seguinte, devido à recomendação para evitar aglomerações. O próprio Bolsonaro, contudo, acabou participando dos protestos. O GLOBO
Quem deve ter direito e como deve funcionar o auxílio de R$ 200 para trabalhadores informais
O governo anunciou na semana passada um auxílio mensal de R$ 200 para profissionais informais, microempreendedores ou desempregados enquanto durar a crise do coronavírus.
Segundo o Ministério da Economia, esta medida – que ainda não foi oficializada – deve beneficiar entre 15 e 20 milhões de pessoas e busca garantir renda àqueles trabalhadores que não têm rendimentos fixos e, em geral, também não contribuem para a previdência.
A expectativa é que R$ 15 bilhões sejam injetados na economia.
Quando começa o pagamento?
O governo federal ainda não informou a data de início do pagamento. Isso porque o texto que estabelece o auxílio emergencial ainda está sendo elaborado.
Durante o anúncio na semana passada, a equipe econômica disse que o benefício será criado por um Projeto de Lei (PL), que vai precisar ser analisado por deputados e senadores antes de entrar em vigor.
Procurado pelo G1, o Ministério da Economia disse que "a proposta deve ser enviada ao Congresso nos próximos dias. Após o envio, serão divulgados os detalhes para a implantação das medidas".
Bolsonaro anuncia expansão do Bolsa Família para incluir 1,505 milhão de famílias

O presidente Jair Bolsonaro recorreu novamente ao Twitter para anunciar mais medidas de auxílio aos Estados. Segundo ele, o governo vai ampliar o programa Bolsa Família para contemplar 1,505 milhão de famílias, "praticamente zerando a fila dos requerentes".
Na semana passada, a equipe econômica anunciou um aumento de R$ 3,1 bilhões no Orçamento do Bolsa Família, o que permitiria a inclusão de 1,2 milhão de famílias. Nesta segunda, o presidente não especificou quanto de recursos serão destinados para ampliar o alcance do programa.
Bolsonaro disse ainda que o governo, por meio do Ministério da Infraestrutura, está fazendo um "alinhamento" com Estados e municípios sobre decretos que garantam o tráfego de pessoas e cargas, "garantindo a unidade e respeito ao que se propõe a Constituição". A medida valerá para os espaços marítimo, aéreo e terrestre.
O presidente citou ainda que o governo federal vai comprar leitos de CTI para atender pacientes afetados pela covid-19 - mas não especificou o número de contratações. Outra medida será a liberação imediata de R$ 100 milhões para municípios por meio do Sistema Único de Assistência Social (Suas).
Fábricas para respiradores
Bolsonaro disse ainda que quatro fábricas nacionais atuarão com "foco total" na produção de respiradores. O objetivo será produzir 3,5 mil unidades ao mês.
O presidente também informou que assinou autorização para concessão de empréstimo ao Estado de Alagoas, para ajudar no combate ao coronavírus. Ele não especificou o valor da operação. A medida segue ao Senado para aprovação em plenário. DIARIONORDESTE
'Houve um erro na redação', diz Guedes sobre MP 927, que permite suspensão de salários por 4 meses
BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ao GLOBO que a publicação da medida provisória (MP) 927 com o trecho que permite a suspensão de contratos de trabalho por até quatro meses, sem pagamento de salário, foi causada por um erro de redação. O trecho será revogado pelo presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o ministro, o objetivo da equipe econômica era preservar os vínculos empregatícios, mas o texto acabou sendo publicado às pressas. Guedes afirmou ainda que a nova redação deve conter medidas semelhantes, porém voltadas a setores mais afetados pela crise do coronavírus.
Analítico:Vaivém na MP do emprego sugere desarticulação no governo
— Isso (suspensão de salário) jamais foi considerado. Houve um erro na redação da MP. O que se queria era evitar as demissões em massa, dando alguma flexibilidade de salário, mas com o governo complementando, como está sendo feita em várias economias — afirmou o ministro, por telefone.
Na semana passada, o governo anunciou que permitiria que empregadores poderiam reduzir em até 50% salários e jornada de trabalho de funcionários. Em compensação, trabalhadores com renda mais baixa afetados pelos cortes poderiam antecipar até 25% do valor do seguro-desemprego a que teriam direito.
Nada disso estava na MP 927. No lugar disso, entrou a previsão de que trabalhadores ficariam com contratos suspensos por até quatro meses e a possibilidade de que empregadores pagassem apenas uma ajuda de custo durante o período — ou até nenhuma remuneração.
Medidas para setores mais afetados
Ao GLOBO, Guedes antecipou que a equipe econômica agora vai elaborar medidas para evitar demissões em setores específicos. Por exemplo, para bares, restaurantes e hotéis — mais afetados pelas restrições impostas pela quarentena — empresas poderiam pagar apenas 1/3 do salário devido aos empregadores. O governo entraria com uma complementação de mais 1/3.
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No exemplo citado por Guedes, um funcionário que recebe R$ 2 mil, por exemplo, passaria a receber R$ 1.500 no novo cenário, incluindo o corte da jornada e a complementação do governo. Os empregados de setores mais afetados que ganham o mesmo valor receberiam um pouco menos, por volta de R$ 1.400.
A edição de novas medidas vai depender, agora, de uma nova rodada de convencimento por parte da equipe econômica junto ao presidente Jair Bolsonaro. O presidente, que anunciou que vetaria o artigo que trata da suspensão de contrato, solicitou que a equipe de Guedes reescreva a MP. O GLOBO






