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Assembleia de Santa Catarina abre processo de impeachment contra governador e vice

Fábio Bispo, especial para O Estadão, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2020 | 16h34

FLORIANÓPOLIS - O presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deputado Júlio Garcia (PSD), anunciou na tarde desta quarta-feira, 22, a abertura de processo de impeachment contra o governador catarinense Carlos Moisés (PSL) e a vice-governadora, Daniela Reinehr (PSL), por suposto crime responsabilidade.

O autor da denúncia argumenta que houve crime na concessão de aumento salarial a procuradores do Estado por meio de decisão administrativa feita de forma sigilosa e sem consulta ao Legislativo. Na época, o aumento pediu equiparação dos salários ao dos procuradores da Alesc. Segundo a denúncia, a medida vai ter um impacto de mais de R$ 8 milhões nos cofres do Estado.

Carlos Moisés
Carlos Moisés, governador de Santa Catarina Foto: Ramiro Furquim/Estadão

A decisão de Garcia teve como base parecer favorável da Procuradoria Jurídica em pedido de impedimento protocolado pelo ex-defensor público geral de Santa Catarina, Ralf Zimmer Junior, em janeiro deste ano.

No dia 11 de julho, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) considerou o aumento nos salários dos procuradores estaduais ilegal, o que ensejou a apresentação de novos fatos ao pedido que já tramitava no Parlamento. O reajuste foi concedido a partir de outubro de 2019, quando o teto passou de R$ 30 mil para R$ 35 mil, o que resulta em um gasto mensal de R$ 767 mil com 161 servidores da Procuradoria Geral do Estado.

O governador Carlos Moisés ainda não se manifestou sobre a abertura do pedido de impeachment. Nesta quarta, Moisés cumpre agenda com o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, que visita o Estado para tratar de ações de combate à pandemia.

Após quarentena, Bolsonaro planeja agenda de inaugurações por estados como Bahia, São Paulo e Mato Grosso

Bolsonaro Transposição 2

 

 

BRASÍLIA - De “molho” no Palácio da Alvorada há quase duas semanas por ter contraído o coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro planeja uma série de viagens semanais pelo Brasil para quando deixar a quarentena forçada pela Covid-19. Estão no radar municípios na Bahia, Piauí, São Paulo e Mato Grosso. A ideia das viagens é passar uma imagem para a população de que o governo segue trabalhando.

 

Até o momento, a Presidência prevê viagens no próximo fim de semana às cidades de Campo Alegre de Loures (BA), para inaugurar a adutora que capta água do Rio São Francisco, e São Raimundo Nonato (PI), onde deve visitar o Museu do Homem Americano ao lado do senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI). O PP é o maior partido do centrão, grupo que agora é tratado como aliado preferencial pelo governo.

Em transmissão ao vivo nas suas redes sociais na quinta-feira, Bolsonaro disse que a ideia de fazer duas agendas por semana para “inaugurar obras” ocorre porque “se depender da mídia local, você não aparece”.

Antes da doença, Bolsonaro fez duas viagens acompanhado do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho: ao Ceará, para inaugurar um trecho da transposição do São Francisco, e a Santa Catarina, para sobrevoar a região afetada por um ciclone.

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O presidente também disse na quinta que, “acabando a questão do vírus”, irá em agosto ao Vale do Ribeira, em São Paulo, região onde foi criado. Ele quer participar da inauguração de uma ponte em Eldorado (SP), cidade onde viveu e na qual mora sua mãe, Olinda, de 93 anos. Na ocasião, deve pernoitar lá para “matar as saudades”. Ele afirmou que terá “todo o cuidado do mundo”, porque a mãe é “tremendo grupo de risco” para a Covid-19. O presidente quer visitar ainda uma instituição militar que forma atiradores na região.

Bolsonaro pretende começar a viagem por São Vicente, na Baixada Santista, para inaugurar uma ponte que, segundo ele, “tinha que ter recursos do governo do estado”, mas foi concluída com verbas federais. A declaração dá mostras de que pretende usar a incursão para alfinetar o governador João Doria (PSDB), seu desafeto.

Bolsonaro também deve ir ao lançamento de um conjunto habitacional em Santos (SP), parte do programa Minha Casa Minha Vida. A obra chegou a ser paralisada, em 2014, mas foi retomada e, em janeiro, o empreendimento foi incluído no programa.

O presidente quer ainda ir ao Mato Grosso nos próximos meses. Em oura ocasião, ele já se disse grato aos moradores do estado, após ver imagens de instalações de outdoors em seu apoio. O planejamento prevê passagens por Sorriso, Sinop e Nova Ubiratã, onde deve estar para o lançamento da Colheita Nacional do Algodão.

Depois da cloroquina, Bolsonaro diz tomar vermífugo sem comprovação científica contra a covid-19

Manoel Ventura / O GLOBO

 

Bolsonaro apoiadores sabado

 

BRASÍLIA — Depois de meses recomendando o uso da hidroxicloroquina, o presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado que tomou também outro remédio sem eficácia comprovada para tratar a covid-19. Bolsonaro afirmou que tomou um vermífugo que, assim como a cloroquina, não tem comprovação científica de que pode ser usado no tratamento do coronavírus. O remédio citado por Bolsonaro é nitazoxanida, cujo nome comercial é Annita. Veja o que a ciência diz sobre os remédios usados no tratamento da Covid-19.

 

— Eu comecei essa semana a tomar também Annita — disse Bolsonaro a apoiadores, no Palácio da Alvorada.

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Bolsonaro voltou a defender uso da cloroquina para o tratamento precoce contra o vírus, apesar dele mesmo admitir que não há comprovação de que o medicamento seja eficaz.

— Está uma briga ideológica em cima da hidroxicloroquina. Lá atrás eu falei sobre isso. Não sou médico, não entendo de nada sobre isso aí, mas tenho experiência com a vida, converso com todo mundo do Brasil todo. Desde lá de trás sabíamos que tínhamos a hidroxicloroquina e não tinha alternativa. Agora, o que eu recomendo, procure o médico — disse Bolsonaro.

ConsulteVeja aqui como está a situação do coronavírus no seu estado

Bolsonaro também voltou a criticar o isolamento social e medidas tomadas por governadores e prefeitos para fechar o comércio e evitar a disseminação da doença.

— Pelo que eu sei, ninguém morreu por falta de UTI ou respirador. Tem que pensar na economia. Não adianta ficar falando em vida, em vida, em vida, porque o isolamento mata.

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Nesta sexta-feira, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou uma nota afirmando que o uso de hidroxicloroquina deve ser abandonado em qualquer fase do tratamento de covid-19.

A nota da SBI tem como base os resultados de dois estudos realizados no âmbito internacional. Em um deles, realizado em 40 estados americanos e três províncias do Canadá, constatou que o uso da cloroquina nos estágios iniciais da doença não teve resultado algum.

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O estudo comparou pacientes que tomaram o remédio com um grupo que não tomou e constatou que, no grupo que utilizou, não houve melhora do quadro clínico dos pacientes.

Outro estudo, conduzido na Espanha, tentou medir se o cloroquina tinha a capacidade de reduzir a carga viral dos pacientes infectados. De acordo com os pesquisadores, o medicamento não foi capaz de reduzir essa taxa.

Após gestos de Bolsonaro ao Congresso e STF, ala ideológica admite perda de espaço no governo

Bernardo Mello e Gustavo Maia / O GLOBO

 

BOLSONARO E ACESSORES

 

RIO E BRASÍLIA — Após uma série de gestos de aproximação do Palácio do Planalto em direção ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes da ala ideológica do governo e parlamentares alinhados ao grupo passaram a admitir a perda de espaço e a reclamar da falta de apoio do presidente Jair Bolsonaro.

 

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Na terça-feira, o assessor especial Filipe Martins escreveu em uma rede social que o governo tem permitido “que o discurso político-ideológico que lhe dá sustentação seja enfraquecido” e substituído por “uma forma de neutralismo tecnocrático”, em referência ao atual protagonismo dos militares. No início do ano, Martins foi subordinado ao almirante Flávio Augusto Viana Rocha, titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

Na semana anterior, o youtuber Allan dos Santos, alvo do inquérito das fake news no Supremo, havia recuperado uma frase dita por Bolsonaro em maio para também questionar um suposto abandono à ala ideológica.

“O ‘acabou, porra’ era para parar os conservadores e deixar que eles fossem criminalizados?”, escreveu Allan.

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O recuo na retórica presidencial coincidiu com a prisão, há um mês, de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Operações determinadas pelo STF no inquérito das fake news e na apuração dos atos antidemocráticos também avançaram sobre integrantes do grupo ideológico, incluindo parlamentares.

Em um aceno à Corte, o governo tirou os deputados Otoni de Paula (PSC-RJ) e Daniel Silveira (PSL-RJ) de cargos de vice-liderança na Câmara. Ambos são alvos de inquéritos do STF. No mesmo dia, Silveira foi às redes sociais para culpar o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, pela articulação.

“Acabo de saber que minha retirada da vice-liderança de governo foi pedido do general Ramos para alocar deputados do centrão. Estranha essa relação de homens tão próximos manobrarem enfraquecimento da base do presidente”, criticou Silveira.

Um deputado bolsonarista ouvido pelo GLOBO avaliou que as trocas ajudam a “distensionar” o clima entre os Poderes, mas simbolizam a perda de força da ala ideológica. Segundo este deputado, “os militares blindam o presidente para não deixar que cheguemos perto dele”.

Disputa nas redes

Na quinta-feira, Bolsonaro rebateu as críticas de excesso de militarização:

— Votaram numa chapa que tinha um capitão como presidente e, como vice, um general. É proibido militar assumir funções de ministro no nosso governo? Não — afirmou Bolsonaro.

Para outro parlamentar, a dúvida na ala ideológica é se o “jogo afinado” para o afastamento do grupo passa pelo crivo do próprio Bolsonaro. A perda de espaço se acentuou com a demissão de Abraham Weintraub do Ministério da Educação. O novo ministro, Milton Ribeiro, é o primeiro no MEC a não ser referendado pelo grupo mais próximo ao ideólogo Olavo de Carvalho, que ameaçou um rompimento, em vídeo, caso o presidente seguisse “covarde”.

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O tom e o protagonismo nas cobranças ao governo também são alvos de disputas no núcleo olavista. Influenciadores bolsonaristas têm criticado a atuação de perfis anônimos que cobram ações do próprio Bolsonaro em defesa da ala ideológica. O youtuber Italo Lorenzon, parceiro do canal de Allan dos Santos, disse não levar a sério anônimos em comparação a “quem dá a cara a tapa”.

Um dos alvos de críticas é o perfil identificado apenas como “Lets_Dex”, com mais de 100 mil seguidores. O autor cobrou uma mobilização para “frear o STF” e incentivou divisões no bolsonarismo “porque um núcleo fiscaliza o outro, enquanto alguns se aproximam demais de políticos”.

Em meio aos sinais de enfraquecimento, Bolsonaro fez dois “afagos” ao grupo na última semana: divulgou um documentário que critica as políticas de isolamento social na pandemia e afirmou nas redes sociais que a esquerda pretende “descriminalizar a pedofilia”.

CGU projeta em R$ 1,9 bilhão sobrepreço de compras para combate ao coronavírus

RESPIRADORES CAROS

 

 

 

SÃO PAULO — Análise da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre 19,8 mil contratações realizadas no âmbito do combate à Covid-19 por estados, capitais e outras grandes cidades projetou em R$ 1,9 bilhão o sobrepreço aplicado em compras desde o início da pandemia no Brasil, em março. Somados, os contratos chegam a R$ 13 bilhões.

 

Foi considerada a aquisição de itens como respiradores, máscaras, aventais, medicamentos e equipamentos, além de custos com gestão de hospitais de campanha em 357 municípios e entes federados.

Durante live: Bolsonaro critica projeto contra fake news: ‘não vai poder mais se manifestar sobre nada’

O aumento da demanda mundial por itens e a urgência de aquisição são algumas das causas da ocorrência de preços mais altos. Mas há também indícios de conluio e má-fé entre empresas e agentes públicos.

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FGV: APOIO A BOLSONARO NAS REDES É MINORITÁRIO, MAS COESO E MOBILIZADO

Mariana Schreiber / ÉPOCA

 

Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro são minoria no debate sobre a pandemia de coronavírus travado no Twitter, mostra um relatório produzido pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP) ao qual a BBC News Brasil teve acesso antecipadamente.

Segundo essa análise, as discussões envolvendo a crise de Covid-19 no país já geraram mais de 330 milhões de tuítes desde o final de março, sendo que a ampla maioria dos perfis envolvidos nesses debates é de usuários críticos ao presidente e ao seu governo, num movimento que ampliou e diversificou os grupos de oposição a Bolsonaro, com adesão de mais atores políticos e de influenciadores sociais e celebridades, como o humorista Whindersson Nunes e o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino.

Por outro lado, aponta o relatório, embora os usuários que apoiam o presidente e sua postura frente à pandemia raramente consigam ultrapassar 20% dos perfis engajados nessas discussões, eles representam um grupo bastante coeso e mobilizado.

Mesmo sendo o grupo minoritário, suas atividades na rede social chegam a representar, em alguns dias, mais da metade das interações sobre covid-19 no Twitter. Entre os dias 22 de junho e 7 de julho, por exemplo, os perfis bolsonaristas eram em média 17% dos usuários de Twitter engajados no debate da pandemia, mas respondiam por cerca de 40% das interações sobre o tema.

Nessas manifestações, o grupo mostra coesão e persistência na defesa de duas bandeiras importantes de Bolsonaro — a crítica ao isolamento social e a defesa da cloroquina para tratamento de covid-19.

O presidente é defensor da substância, apesar de não haver comprovação de sua eficácia contra o coronavírus. Ele também entrou em intenso conflito com governadores desde o início da pandemia por discordar de decisões como fechar comércio, restaurantes e suspender as aulas nas escolas, para reduzir o contágio da nova doença. Para Bolsonaro, essas medidas são exageradas e afetam negativamente a economia.

Frases de Bolsonaro sobre pandemia foram reproduzidas criticamente nas ruas e também nas redes sociais Foto: Fabio Motta / EPA
Frases de Bolsonaro sobre pandemia foram reproduzidas criticamente nas ruas e também nas redes sociais Foto: Fabio Motta / EPA

OPOSIÇÃO AO PRESIDENTE NAS REDES SE AMPLIA E SE DIVERSIFICA

Apesar de forte mobilização de seus apoiadores, são perfis de oposição ao presidente que têm protagonizado as discussões no Twitter em momentos críticos do debate sobre pandemia no Brasil, como no final de março, quando Bolsonaro disse em pronunciamento à nação que sentiria apenas uma "gripezinha" caso contraísse a doença.

Outro momento em que o apoio ao presidente nas redes ficou reduzido foi em 7 de julho, quando Bolsonaro confirmou que foi diagnosticado com covid-19, assunto que gerou 3,2 milhões de tuítes naquele dia.

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Especialistas criticam governo por querer desativar Hospitais de Campanha e defendem nova função para as unidades

Thaís Sousa / O GLOBO

 

RIO - O anúncio do fim das operações dos hospitais de campanha do Maracanã e de São Gonçalo, administrados pelo Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) pegou de surpresa a comunidade científica. Especialistas que já fizeram parte do comitê criado para assessorar as ações do Governo do Estado — e que foi esvaziado em maio — apontam falhas no planejamento e indicam alternativas para a gestão da Saúde.

 

Para o infectologista e pesquisador do Instituto de Medicina Social da UERJ, Mario Roberto Dal Poz, em números absolutos, o fechamento dos hospitais de campanha não terá grande impacto, considerando-se que outras unidades de saúde já têm capacidade para absorver essa demanda. Mas o especialista destaca que essa interrupção no funcionamento evidencia a falta de coordenação e de coerência nas ações. Dal Poz explica que a situação econômica do Estado do Rio de Janeiro deveria ter sido considerada quando o governo decidiu montar as unidades.

— Faltou planejamento até da questão financeira. O estado está nesse regime de recuperação fiscal. Então, mais uma razão para que cada centavo fosse muito bem pensado. As coisas precisam ser feitas de forma responsável — afirma.

Crise:Paciente de Hospital de Campanha do Maracanã morre de Covid-19 enquanto unidade é desativada pelo Estado

O especialista conta que o comitê científico, que naquela época ainda se reunia com regularidade, sugeriu alternativas à abertura dos hospitais. Ele cita, por exemplo, os leitos de UTI estaduais e federais que estavam inoperantes em todo o Rio de Janeiro e poderiam ter sido ativados.

No entanto, Dal Poz espera que, diante da redução de unidades, com fechamento dos hospitais de campanha, o atual secretário aproveite a oportunidade para empregar recursos e esforços na rede existente.

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Primeira fase da reforma tributária prevê imposto de 12% unificando PIS e Cofins

BRASÍLIA - Assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes, Guilherme Afif Domingos afirma que a primeira etapa da reforma tributária que será entregue ao Congresso na próxima terça-feira é apenas o primeiro passo de um projeto mais amplo. Na primeira fase, o governo vai propor apenas a unificação do PIS e da Cofins em um único imposto, chamado de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que teria alíquota de 12%.

 

A unificação de impostos federais é discutida há anos, mas custa a sair do papel porque não é considerada vantajosa para o setor de serviços, que responde por mais de 70% do PIB. Neste modelo, a cobrança é feita ao longo de cada etapa da cadeia de produção. No caso do setor de serviços, ela não traz as mesmas vantagens porque o maior custo é a mão de obra, que não gera crédito tributário. De modo geral, defende-se a unificação com o argumento da redução de burocracia e de custo das empresas ao facilitar a cobrança do imposto.

Em uma etapa posterior, que dependeria da volta das sessões presenciais no Congresso — ainda sem data para acontecer —, o governo pretende criar um novo imposto sobre pagamentos eletrônicos, que é alvo de críticas por parlamentares como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que comentou o assunto dizendo que resgataria a campanha “Xô, CPMF”, por ver semelhanças com o antigo imposto do cheque. Nesta fase, o governo também pretende apresentar aos parlamentares o programa Renda Brasil, que deve substituir o Bolsa Família. Por ora, as sessões do Congresso são feitas apenas de forma remota.

Perguntado sobre o motivo de o governo ter optado por uma reforma fatiada, Afif comparou a mudança no sistema tributário do país a um boi:

— Porque um boi se engole aos bifes. Se quiser engolir um boi inteiro, entala ou regurgita. Não podemos errar. Precisamos basear, saber as etapas da entrada, porque um projeto grande como o da reforma tributária vai ter muitos conflitos dentro do Congresso, principalmente com problemas de estados e município. Estamos dando o primeiro passo como prova de boa vontade.

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Desemprego acelera e 1,5 milhão de vagas são fechadas na última semana de junho

Nicola Pamplona / O GLOBO
RIO DE JANEIRO

Com o fechamento de 1,5 milhão de postos de trabalho, a taxa de desemprego acelerou no fim de junho, atingindo o maior valor desde o início de maio, quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) passou a divulgar a evolução semanal do mercado de trabalho durante a pandemia.

De acordo com o instituto, 12,4 milhões de brasileiros estavam em busca de trabalho na semana encerrada em 27 de junho, o que equivale a uma taxa de desemprego de 13,1%. São 2,6 milhões de pessoas a mais do que a primeira edição da pesquisa, na semana encerrada no dia 9 de maio.

Em nota, a coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, diz que a piora do indicador é resultado tanto da queda da população ocupada quanto do aumento do número de pessoas atrás de emprego. "A população desocupada em busca de ocupação aumentou 26% em relação à primeira semana de maio", disse ela.

A pesquisa do IBGE identificou que 82,5 milhões de brasileiros tinham trabalho na última semana de junho, contra 84 milhões na semana anterior. Foi a primeira vez que a queda no número de ocupados superou um milhão de pessoas desde o início da pesquisa.

O instituto não analisou as razões para a forte queda no número de empregados no país, que ocorre num momento de relaxamento das medidas de isolamento social, com a reabertura de lojas e serviços em grandes cidades que foram epicentros no início da pandemia.

Segundo o IBGE, caiu também o contingente de pessoas que têm emprego mas estavam afastadas do trabalho devido ao isolamento social, que passou de 11,1 milhões para 10,3 milhões de pessoas. Na comparação com o início de maio, são 5,5 milhões de pessoas a menos.

"Isso é resultado de pessoas que podem estar retornando ao trabalho, mas também devido a um possível desligamento dessas pessoas do trabalho que elas tinham", disse a coordenadora da pesquisa do IBGE.

Houve queda também no número de trabalhadores informais, que passou de 29,9 milhões no início de maio para 28,5 milhões na última semana de junho, em um indicativo de que a aceleração do desemprego também atingiu aqueles que não têm carteira assinada.

A taxa de desemprego reflete o contingente de pessoas que diz estar em busca de uma colocação. Segundo o IBGE, porém, há 26,9 milhões de pessoas no país que gostariam de trabalhar mas não procuraram trabalho no período.

Com o relaxamento das medidas de isolamento, caiu o número de pessoas que alegam que a pandemia limita a busca por emprego. No início de maio, eram 19,1 milhões. Já na última semana de junho, foram 17,8 milhões de pessoas.

"A pandemia vem, cada vez mais, deixando de ser o principal motivo que as pessoas alegam para não ter procurado trabalho", afirmou Vieira. ​Entre os ocupados, 8,6 milhões trabalhavam de forma remota, número que segue estável desde a primeira semana da pesquisa.

Nesta quinta (17), o IBGE divulgou a primeira edição de uma pesquisa sobre os impactos da pandemia nas empresas, que indicou que 522 mil negócios suspenderam atividades ou fecharam definitivamente as portas após o início da crise.

O problema atingiu de forma mais intensa pequenas empresas do setor de serviços, que é uma grande empregador e sofre mais com as restrições à abertura de estabelecimentos comerciais. Nesse segmento se enquadram, por exemplo, bares, restaurantes, hotéis e atividades culturais.

'Diminuir como?' Médicos respondem a Bolsonaro sobre como reduzir as mortes por Covid-19

Célia Costa / O GLOBO

 

RIO — Especialistas responderam à pergunta feita na live desta quinta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro sobre como "diminuir mortes" pelo novo coronavírus. Todos lembram que, se medidas tivessem sido adotadas desde o início da pandemia, muitas mortes poderiam ter sido evitadas. De acordo com dados do consórcio de veículos de imprensa, o Brasil tem 2.015.382 casos e 76.846 mortes por Covid-19. Isolamento social, testagem, rastreamento de contatos e uma coordenação central sob o comando do governo federal são alguns dos aspectos enfatizados pelos especialistas na enquete promovida pelo GLOBO sobre como salvar mais vidas de brasileiros em meio à pandemia.

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Orientar a população sobre a proteção individual e evitar a prescrição e a propaganda de medicamentos sem qualquer eficácia comprovada são algumas das medidas urgentes a serem tomadas pelo próprio governo federal para ajudar a reduzir o crescimento dos números trágicos no Brasil, apontam os cientistas.

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Margareth Dalcomo, pneumologista, pesquisadora do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, da Fiocruz, e colunista de A Hora da Ciência, de O GLOBO:

  • Isolamento social: Não fizemos a quarentena de maneira correta em nenhum lugar do Brasil. Se fosse feito o fechamento total durante duas a três semanas quando tínhamos poucos casos, teríamos poupados vidas. Teríamos diminuído a taxa de ocupação de leitos das Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), evitado a pressão sobre o sistema de saúde e reduzido o número de mortes em casa.
  • Testagem: Não houve investimento na testagem. Se o Brasil tivesse testado, feito o rastreamento de contatos e isolado as pessoas infectadas, a doença poderia ter sido contida.
  • O que deve ser feito: A população precisa ser orientada sobre os cuidados de proteção individual, como o uso de máscara de proteção e evitar aglomerações. Redirecionar o investimento nos hospitais de campanha. Essas unidades podem ser usadas para acolher pacientes como sintomas leves a moderados que não têm condições de fazer o isolamento e o acompanhamento dentro do domicílio.

.Guilherme Werneck,  professor do Departamento de Epidemiologia da Uerj e da UFRJ.

  • Distanciamento físico: Se o isolamento social tivesse sido incentivado como medida de prevenção, em nível nacional, poderíamos ter adiado o crescimento acelerado do número de casos e, como consequência, o número de mortes. No entanto, por falta de uma liderança do Ministério da Saúde, cada cidade fez do seu jeito. Algumas conseguiram fazer, outras não.
  • Sistema de saúde: O despreparo do sistema de saúde ficou evidenciado com a sobrecarga causada pelo grande número de casos. Não houve preparação. Faltaram equipes de profissionais,  equipamentos e até medicamentos. Não se pode pensar que todo paciente grave vai morrer. Tivemos vários exemplos que mostraram o contrário.
  • O que deve ser feito: É preciso aumentar a vigilância dos casos fazendo testagem e rastreamento de contatos, medidas eficazes em vários países. Não pode haver uma retomada total em locais com situações diferente. Para muitas cidades, ainda não é hora de reabrir. Isso pode aumentar o número de casos e de mortes.

Natália Pasternak, microbiologista, presidente do Instituto Questão de Ciência e colunista de A Hora da Ciência do GLOBO:

  • Quarentena: Muitas mortes poderiam ser evitadas se desde o início do crescimento do número de casos o país tivesse adotado o isolamento social. Nunca houve uma regulamentação da quarentena, uma orientação que mostrasse a real necessidade.
  • Comando central: O país está sem um comando central no controle da pandemia. Nem ministro da Saúde temos (referindo-se ao fato de que há dois meses Eduardo Pazuello está interino na pasta). É necessário um comando central para que não haja mensagens confusas para a população, como o presidente fez desde o início da pandemia ao não respeitar o distanciamento e promover aglomerações.
  • O que deve ser feito: É preciso investir na testagem e isolamento dos infectados. Ainda há tempo para adotar medidas e diminuir o número de mortes.

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