Ceará é o estado no Brasil em que Bolsonaro mais cresceu entre o primeiro e o segundo turno
Inácio Aguiar / DIARIONORDESTE
O ex-presidente Lula (PT) voltou a vencer a eleição em todos os municípios cearenses neste segundo turno. Entretanto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) registrou um crescimento de 18,6% em sua votação entre o primeiro e o segundo turno. O Ceará, assim, foi o Estado em que Bolsonaro registrou o maior crescimento proporcional de votos entre os dois turnos da eleição.
Em números absolutos, o presidente, que perdeu a reeleição, obteve em todo território cearense no primeiro turno, o total de 1.377.827 votos. Já no segundo turno, esse número saltou para 1.634.477, um saldo positivo de 256.650 votos.
O resultado final ficou longe do percentual colocado como uma espécie de meta pela campanha do PL no Estado, que seria atingir 45% dos votos, entretanto, pode ser considerado como um dado vitorioso dos aliados do presidente no Estado, diante do cenário do restante do País.
A estratégia bolsonarista no Ceará durante o segundo turno foi capaz de convencer um maior contingente de eleitores, gerando um crescimento a Bolsonaro maior do que conseguiram os aliados do presidente eleito Lula, em que pese o petista ter uma ampla maioria de votos no Estado, chegando a 69,9% neste segundo turno, contra 30% de Bolsonaro.
A alta de votos de Lula entre o primeiro e o segundo turno no Estado, em números gerais, foi de 229.536 votos, o que correspondeu a 6,4% de incremento. A ponderação, evidentemente, é que o petista já havia conseguido uma ampla maioria no primeiro turno.
MINAS GERAIS AO LADO DO CEARÁ
O segundo estado que, proporcionalmente, turbinou o desempenho do presidente no País foi Minas Gerais. Lá, Lula conseguiu vencer, mas Bolsonaro saltou de um total de 5.239.264 votos no primeiro turno, para 6.141.310 no segundo turno, alta de 17,2%.
Em todo o País, a maioria de 6,1 milhões de votos a favor de Lula ocorrida no primeiro turno caiu para 2,1 milhões de votos no segundo turno. Bolsonaro conseguiu crescer, mas não o suficiente para virar o placar.
JAIR BOLSONARO (PL)
- 1º turno: 1.377.827 votos
- 2º turno: 1.634.477 votos
- Crescimento total: 256.650 votos
- Crescimento percentual: 18,6%
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
- 1º turno: 3.578.355 votos
- 2º turno: 3.807.891 votos
- Crescimento total: 229.536 votos
- Crescimento percentual: 6,4%
Com Raquel Lyra e Fátima, Brasil chega a dez governadoras eleitas na história
Com o fim do segundo turno, neste domingo (30), todos os estados da federação escolheram seus governadores, e duas mulheres ocuparão a chefia de Executivos estaduais no próximo ano —Raquel Lyra (PSDB) em Pernambuco e Fátima Bezerra (PT) no Rio Grande do Norte.
O resultado marca o segundo maior número de mulheres comandando governos estaduais: o pico foi em 2006, com três. Desde a redemocratização, a cifra total de mulheres à frente de estados chegou a dez.
Fátima já ocupava o Palácio de Despachos de Lagoa Nova e conquistou a reeleição em primeiro turno, enquanto a tucana derrotou Marília Arraes (Solidariedade), aliada do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma volta final pouco nacionalizada e após a morte de seu marido, Fernando Lucena.
A chapa de Lyra, com Priscila Krause (Cidadania) como candidata a vice, é a primeira totalmente feminina a ser eleita na história do Brasil, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Mas a relação entre eleitas e candidatas ainda é baixa. No pleito deste ano, o Brasil contou com 35 candidaturas femininas em todos os estados, resultando em uma taxa de eleição de quase 6%.
Historicamente, 13 estados brasileiros já foram comandados por mulheres no país em caráter substitutivo ou definitivo. A primeira a assumir efetivamente um governo estadual foi Iolanda Fleming (MDB), no Acre, em 1986, após a renúncia de Nabor Júnior, que deixou o cargo para se candidatar ao Senado.
Oito anos depois, o Maranhão elegeu Roseana Sarney (MDB), a primeira alçada por meio de votação popular ao cargo na história do Brasil. Ela foi reeleita em 1998 e depois voltou à administração estadual em 2009, após cassação da chapa vitoriosa em 2006. Em 2010, foi reconduzida ao cargo outra vez.
Em 2002, duas mulheres se tornaram governadoras —Rosinha Garotinho no Rio de Janeiro e Wilma de Faria no Rio Grande do Norte. Quatro anos depois, o ápice: além da reeleição de Wilma, o Rio Grande do Sul e o Pará alçaram, respectivamente, Yeda Crusius (PSDB) e Ana Júlia Carepa (PT) aos governos.
O número voltou a cair em 2010, com a eleição de Roseana e de Rosalba Ciarlini (DEM) no Rio Grande do Norte, e em 2014, quando apenas Suely Campos (PP) se saiu vitoriosa em Roraima. Em 2018, outra vez só uma mulher se elegeu. Fátima, no Rio Grande do Norte, estado que mais escolheu mulheres —foram três.
Naquele ano, instituiu-se a cota de 30% dos recursos do fundo eleitoral para mulheres, após decisão do Supremo Tribunal Federal. Em 2022, o repasse mínimo para mulheres foi objeto de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) aprovada em maio. Sob a nova regra, o pleito levou as mulheres a 52% das chapas para governos estaduais, mas a maioria era candidata a vice. O avanço consolida uma tendência que teve início há quatro anos, com a definição dos gastos da cota financeira como pano de fundo.
Isso porque os critérios de distribuição dos recursos são definidos pelos partidos, que podem destinar a verba a candidaturas majoritárias lideradas por homens e que têm mulheres como vice. Nesta eleição, o fundo eleitoral foi de R$ 4,9 bilhões. O pleito deste ano também teve participação feminina recorde na disputa pelo Palácio do Planalto, em uma eleição em que as mulheres tiveram peso nos votos e nas propostas, sendo foco das campanhas de Lula e Jair Bolsonaro (PL), que protagonizaram a disputa.
Mesmo assim, ainda há desafios. Em suas trajetórias, as postulantes relatam ceticismo e fogo amigo. No Legislativo, o número de deputadas na Câmara passará de 77 para 91, representando menos de um quinto do total, cifra distante da paridade de gênero no Brasil, já que as brasileiras são 52% da população do país.
Pesquisa presidente ModalMais/Futura: Bolsonaro tem 50,3% dos votos válidos e Lula tem 49,7%
Para o segundo turno da eleição presidencial, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 50,3% dos votos válidos e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 49,7%, de acordo com pesquisa Futura Inteligência, encomendada pelo banco Modal e divulgada nesta sexta-feira, 28.
Para os votos válidos, são desconsiderados brancos, nulos e as pessoas que dizem que não sabem. É desta forma que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faz a contagem oficial da eleição.
Pela margem de erro da pesquisa, que é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, há margem para empate técnico entre os candidatos. Na última pesquisa divulgada pelo mesmo instituto, na semana passada, Bolsonaro também aparecia à frente de Lula, também dentro da margem de erro.
Para a pesquisa, foram ouvidas 2.000 pessoas entre os dias 24 e 26 de outubro, usando a abordagem CATI (entrevista telefônica assistida por computador). A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para um nível de confiança de 95%. A sondagem foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-07903/2022.
Lula venceu no Nordeste; Bolsonaro, nas demais regiões
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou à frente de Jair Bolsonaro (PL) apenas na região Nordeste, reduto do petista desde sua primeira campanha vitoriosa à Presidência da República, em 2002.
Na região, o placar foi de 69,32% dos votos válidos para Lula e 30,68% para o atual presidente —no cômputo geral, 50,90% contra 49,10%.
No resto do país, o domínio foi de Bolsonaro, embora não tenha alcançado diferença tão larga quanto a do petista no Nordeste.
No Sudeste, que concentra os três maiores colégios eleitorais do país, o chefe do Executivo marcou 54,30%, contra 45,70% de Lula. No Sul, o placar foi de 61,84% x 38,16 e no Centro-Oeste, 60,21% x 39,79%, sempre a favor de Bolsonaro.
A menor diferença foi registrada no Norte: 51,05% para Bolsonaro, contra 48,95% para o petista.
A Brasmarket divulga nova pesquisa sobre segundo turno
O Antagonista adotou como política editorial publicar os resultados de todas as sondagens registradas no TSE, para garantir que o leitor tenha acesso às diversas projeções
O instituto Brasmarket divulgou na sexta-feira (28) uma nova pesquisa sobre a corrida presidencial no segundo turno.
Segundo o levantamento, Jair Bolsonaro tem 48,2% das intenções de voto, contra 42,7% de Lula. Brancos e nulos somam 4,3%, os que não sabem/não responderam, 2,5%, e os que disseram que não irão votar, 2,3%.
Na pesquisa anterior, publicada na última segunda (24), o presidente tinha 47,7% das intenções de voto, contra 41,8% do petista. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Considerando os votos válidos, Bolsonaro aparece com 53% e Lula, com 47%.
Foram realizadas 2.400 entrevistas, em 529 municípios brasileiros, entre os dias 23 e 27 de outubro. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-07309/2022.
O Antagonista adotou como política editorial publicar os resultados de todas as pesquisas registradas no TSE, para garantir que o leitor tenha acesso às diversas projeções e avalie o desempenho de cada um dos institutos que medem a intenção de voto do eleitor brasileiro.

