Vice evangélico pode ser bala de prata do PT para 2026
Juliano Spyer
Antropólogo, autor de "Povo de Deus" (Geração 2020), criador do Observatório Evangélico e sócio da consultoria Nosotros / FOLHA DE SP
Vamos traçar uma linha imaginária de hoje até o segundo turno da eleição presidencial de 2026.
A menos que algum evento extraordinário aconteça, estarão no segundo turno o presidente Lula como candidato do governo e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, representando a oposição.
Esse cenário lembra o da eleição de 2018, quando Lula estava preso e indicou o hoje ministro Fernando Haddad para concorrer representando-o. Na próxima disputa, o ex-presidente Bolsonaro poderá estar preso, disputando o pleito indiretamente apoiando Tarcísio.
Mas Tarcísio será mais competitivo do que Haddad foi; talvez mais competitivo do que o próprio Bolsonaro seria em 2026, por conta dos escândalos que vieram à tona e que a Polícia Federal investiga. Tarcísio terá o apoio de bolsonaristas, mas, por ter uma postura moderada, mobilizará também conservadores que, por motivos variados, se distanciaram do ex-capitão.
O PT escolheu lidar com evangélicos como um problema no campo da comunicação. É uma atitude preguiçosa: enterrar a cabeça no chão torcendo para o problema desaparecer. O que, então, restará na mesa como fichas de jogo, para o presidente e para seu partido, caso essa estratégia falhe nas eleições municipais deste ano e evangélicos continuem rejeitando o governo?
Em 2001, Lula enfrentava uma situação parecida à que hoje vive com o campo evangélico. Na época era o segmento empresarial que estava receoso. Eles tinham medo do que um militante do movimento sindical faria caso se tornasse presidente do país. E eles foram positivamente surpreendidos pela escolha de José Alencar, empresário de sucesso, sem experiência prévia na política, para o posto de vice-presidente da candidatura do PT.
Lula não precisa ter a maioria dos votos de evangélicos, mas precisa defender aqueles que já conquistou em eleições passadas e manter moderados em dúvida, sabendo que há mais de uma alternativa na mesa para eles. Eleitores evangélicos precisam continuar acreditando, ao contrário do que o bolsonarismo prega, que é compatível ser de esquerda e ser evangélico.
Interlocutores evangélicos com quem conversei —conservadores nos costumes— concordaram que um candidato a vice evangélico pode funcionar como uma bala de prata para o governo. Demonstra a disposição de Lula de governar o país junto com esse grupo.
Para a estratégia funcionar, o presidente deve primeiro identificar lideranças conservadoras, mas democratas, amplamente respeitadas dentro de um campo muito diverso. Há nomes com esse perfil. O maior desafio do PT será convencer um deles a aceitar o convite.
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PT traça estratégia para o difícil embate nas urnas nas maiores cidades do Ceará em 2024
Escrito por Inácio Aguiar / diarionordeste
Partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT perdeu espaço, na última década, no tabuleiro eleitoral das prefeituras municipais. De volta ao Palácio do Planalto, entretanto, o partido montou uma ofensiva e está projetando um resultado expressivo no Brasil e, claro, também no Estado do Ceará nas eleições municipais de 2024.
Se, por um lado, o retorno ao poder nacional representa um peso positivo ao partido na nova empreitada, por outro o cenário nas principais cidades cearenses apresenta desafios que poderá frustrar os planos das lideranças locais e nacionais petistas em caso de deslize nas estratégias ou vácuos na condução das alianças para montar as chapas eleitorais.
Começando por Fortaleza, a maior cidade do Estado e da região Nordeste, o PT caminha para lançar candidatura própria, a ser anunciada no próximo dia 21 de abril no Encontro Municipal da Legenda. Pelas perspectivas de bastidores, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Evandro Leitão, deverá ser o ungido do petismo, mas há questões a serem consideradas como desafiadoras.
Quem detém a Prefeitura da Capital é o PDT de José Sarto. Nacionalmente, os dois partidos estão aliados. O pedetista Carlos Lupi, por exemplo, ocupa o Ministério da Previdência no governo Lula. Porém, o clima entre os partidos no Ceará é de rompimento e racha desde a eleição de 2022.
Com Sarto disputando a reeleição, o PT sabe das dificuldades que terá em um cenário com outros pré-candidatos fortes como caso de Capitão Wagner (União) e André Fernandes (PL). Do outro lado do cenário, há a composição com partidos aliados ao PT que anda, aparentemente, tranquila e conta com PP, Republicanos, MDB, PSD e PSB. Este último, porém, um caso a se observar. Depois de filiar Cid Gomes, a sigla cresceu e passou a significar uma força a ser ouvida no processo de definição.
Caucaia
Ainda na Região Metropolitana, em Caucaia, o partido também terá candidatura própria. A costura política culminou no recente anúncio do nome do secretário de Articulação Política do Governo Elmano, Waldemir Catanho – ligado à deputada Luizianne Lins – para a cabeça de chapa com apoio do prefeito Vitor Valim. Um nome local, da própria cidade, deverá ocupar a vaga de vice-prefeito.
Mesmo com o poder, o cenário em Caucaia é conturbado. O fato de o prefeito abrir mão da reeleição gerou muitas especulações entre os aliados no próprio município. O fim do mandato marca ainda desgastes de imagem de uma gestão que começou apresentando projetos interessantes e vai passar por um teste de fogo nas urnas.
Juazeiro do Norte
Outro ponto focal da estratégia petista é o maior município do Interior do Estado: Juazeiro do Norte. Lá, o governador Elmano chegou a ensaiar uma aliança com o prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), mas atualmente, as partes estão rompidas. E já é praticamente certo que o vice-presidente da Assembleia, deputado Fernando Santana, será o candidato petista na Cidade, na oposição ao prefeito.
Juazeiro tem uma tradição de não reeleger prefeitos. Até hoje, nenhum gestor conseguiu renovar o mandato nas urnas. Uma peculiaridade no Cariri poderá tornar a jornada petista mais difícil: a cidade do Padre Cícero está bem perto de chegar aos 200 mil eleitores, tendo, portanto, disputa eleitoral em dois turnos.
Essa particularidade poderá apresentar novos elementos para a disputa. Além disso, Fernando Santana terá o desafio de unir as forças governistas no município para a empreitada. O grupo tem nomes como o deputado estadual Davi de Raimundão, o ex-deputado Nelinho e o ex-prefeito Arnon Bezerra.
Maracanaú
Em Maracanaú, há duas hipóteses para o partido: apoiar a reeleição do prefeito Roberto Pessoa (União) ou apresentar candidatura própria. O deputado estadual Júlio César Filho, ex-líder do governo Camilo Santana na Assembleia, é um nome que tenta se viabilizar.
Nos bastidores, entretanto, há uma possibilidade real de aliança com o prefeito da Cidade, que tem prestado apoio ao governador Elmano de Freitas. Essa disputa poderá ter reflexos, inclusive, em cidades vizinhas como Pacatuba.
Sobral
Por fim, não é provável que o PT tenha candidato próprio em Sobral, na região Norte do Estado. No berço político dos irmãos Ferreira Gomes, o partido mantém aliança, mas a relação entre a vice-prefeita Crhistianne Coelho e o prefeito Ivo Gomes já foi melhor.
Recentemente, a gestão promoveu exonerações no gabinete da Vice-Prefeitura e até a devolução do prédio sede que era alugado.
O momento ainda é de indefinições na sucessão municipal em Sobral, mas é praticamente certo que o partido não deve ter candidato próprio a prefeito da Cidade.
MESMO Longe dos holofotes, ex-vereadores tentam retornar à Câmara de Fortaleza em 2024
Escrito por Inácio Aguia / DIARIONORDESTE
Ao tempo em que os vereadores se movimentam em busca de melhores condições para disputar a reeleição, com a abertura da janela partidária, um grupo seleto de ex-parlamentares, que no passado já teve influência no Legislativo Municipal, se prepara para tentar voltar à Câmara Municipal de Fortaleza.
A lista que circula nos bastidores é bem diversa e tem nomes que já exerceram funções estratégicas como a Presidência da Casa, liderança de governo e até cargos como o de deputado estadual.
A presença dessas lideranças pode fortalecer a lista de candidatos dos partidos e elevar a concorrência interna, mas, em outros casos, é desafio para antigas lideranças que tentam voltar ao cenário dos cargos eletivos na Capital.
O grupo começa com o ex-deputado estadual Acrísio Sena. Filiado ao PT, Acrísio foi vereador e presidente da Câmara Municipal. Após passagem pelo Legislativo Estadual, ele tentará, neste ano, retornar ao cargo de vereador de Fortaleza.
Outro ex-presidente que deve tentar retornar à Câmara Municipal é Walter Cavalcante. Ele presidiu a Casa entre 2013 e 2014 pelo MDB, período depois do qual acabou se tornando deputado estadual.
Com trabalhos em liderança do governo Roberto Cláudio na Câmara, os ex-vereadores Ésio Feitosa e Dr. Porto também estão citados como pré-candidatos a vereador em 2024.
Outro nome que deverá ir às urnas para voltar a ter mandato eletivo é o do ex-vereador e ex-deputado estadual Mário Hélio. Conhecido representante do bairro Cidade 2000, ele já está filiado ao PT e deverá disputar uma das 43 vagas de vereador em outubro.
A lista é longa e tem também nomes conhecidos como Paulo Facó, Alípio Rodrigues, Leda Moreira, Mairton Félix, Eron Moreira, Tomás Holanda, Evaldo Lima e Zier Férrer.
Datafolha: Reprovação de Lula sobe 9 pontos e atinge 34% na cidade de São Paulo
A reprovação ao governo Lula (PT) na cidade de São Paulo cresceu 9 pontos em um intervalo de pouco mais de seis meses, e sua aprovação caiu 7, segundo nova pesquisa Datafolha.
No total, dizem considerar a gestão do petista ótima ou boa 38% dos entrevistados. Outros 28% a avaliam como regular, e 34% como péssima. Não soube responder 1% da amostra.
No levantamento anterior, realizado em agosto de 2023, a gestão Lula era aprovada por 45% dos eleitores da capital paulista. Seu governo era considerado regular para outros 29%, enquanto 25% o consideravam ruim ou péssimo.
A atual pesquisa foi realizada na cidade de São Paulo nos dias 7 e 8 de março, com 1.090 entrevistas com pessoas de 16 anos ou mais. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou para menos.
O levantamento também revelou a intenção de voto na corrida municipal de 2024, com Guilherme Boulos (PSOL), apoiado por Lula, e Ricardo Nunes (MDB), apoiado por Jair Bolsonaro (PL), liderando tecnicamente empatados.
Na capital paulista, Lula tem índices melhores de aprovação entre eleitores com 60 anos ou mais (45%, compõem 23% da amostra) e que cursaram até ensino fundamental (47%, são 21% da amostra).
Já sua reprovação é mais alta entre os evangélicos (25% da amostra). Nesse segmento, de forte ligação com o bolsonarismo, o índice de ruim/péssimo da gestão petista chega ao patamar de 49%, uma alta de 12 pontos em relação a agosto. A aprovação nesse estrato, por sua vez, caiu 16 pontos.
A reprovação da gestão de Lula também disparou entre aqueles que declaram voto em Nunes, passando de 31% para 51% ou 54%, a depender do cenário.
Também entre os que aprovam o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) a reprovação da gestão petista, como esperado, é maior do que a média, ficando em 56%.
Com os novos números do Datafolha, a aprovação da gestão de Lula em São Paulo se igualou à mais recente da pesquisa nacional.
Em dezembro do ano passado, segundo o instituto, Lula era aprovado por 38% dos brasileiros, enquanto 30% consideravam seu trabalho regular, e o mesmo número, ruim ou péssimo.
Em uma eleição que espelha a polarização nacional, a avaliação de Lula na cidade de São Paulo é um fator fundamental para a campanha de Boulos.
O engajamento do presidente na campanha do psolista ficou evidente em sua articulação para trazer de volta ao partido a ex-prefeita Marta Suplicy, convidada por ele para a vice —será a primeira vez que o PT não tem a cabeça de chapa.
O objetivo maior dos petistas é evitar uma vitória na maior cidade do país do campo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 2022, Lula venceu Bolsonaro no segundo turno na capital paulista por uma margem maior do que a sua votação geral, marcando 53,45%.
Hoje, o efeito da polarização parece afetar mais a percepção da gestão Lula na cidade de São Paulo do que a do governador Tarcísio de Freitas.
Segundo o Datafolha, 82% dos entrevistados da capital paulista que se classificam como bolsonaristas avaliam o governo do petista como ruim ou péssima. Já a gestão do apadrinhado de Bolsonaro é reprovada por 39% dos que se dizem petistas.
'MUITO AQUÉM'
Nesta segunda-feira (11), Lula disse em entrevista ao SBT saber que seu governo ainda está "muito aquém" do que prometeu.
Na semana passada, Ipec e Quaest divulgaram levantamentos que mostram um aumento da avaliação negativa do governo.
"Eu tenho certeza absoluta que não tem nenhuma razão do povo brasileiro para me dar 100% de popularidade porque ainda nós estamos muito aquém daquilo que prometemos. Eu sei o que prometi para o povo, eu sei os compromissos que fiz com o povo", disse Lula.
"Até agora, preparamos a terra, aramos, adubamos e colocamos a semente. Cobrimos a semente. Este é o ano em que vamos começar a colher o que plantamos", completou.

