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Eleição na Venezuela não foi democrática, afirma Carter Center

Mayara Paixão / FOLHA DE SP

 

Um dos únicos e o mais importante observador eleitoral independente nas eleições da Venezuela, o Carter Center afirmou no início da madrugada desta quarta-feira (31) que o processo no país de Nicolás Maduro não pode ser considerado democrático.

"O fato de a autoridade eleitoral local não ter anunciado resultados desagregados por mesa de votação constitui uma grave violação dos princípios eleitorais", diz a organização americana que foi convidada pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral), de maioria chavista, e enviou 17 especialistas ao país sul-americano há um mês.

"O processo eleitoral não alcançou patamares internacionais de integridade eleitoral em nenhuma de suas etapas relevantes e infringiu inúmeros preceitos da própria legislação nacional", afirmou em nota.

Maduro foi declarado eleito pelo CNE em um comunicado geral que afirma que apenas 80% dos votos foram computados. O órgão atribui 51,2% dos votos a Maduro e 44,2% para o opositor Edmundo González. Nenhum dado desagregado por estado, município, centro de votação ou mesa de votação foi liberado, como dita o regramento eleitoral.

A oposição afirma que venceu e que tem atas suficientes —esses documentos em tese são liberados para as testemunhas das mesas de votação— para provar que foi ganhadora com mais de 60% dos votos

O Carter Center afirma que ainda publicará seu relatório oficial, mas neste comunicado de apenas duas páginas já enumera uma lista irregularidades no processo eleitoral.

"Foi um processo que ocorreu em um ambiente de restrição de liberdades contra atores políticos, organizações da sociedade civil e meios de comunicação", afirma. Mais: "Ao longo da corrida eleitoral, autoridades do CNE mostraram parcialidade a favor do oficialismo e contra as candidaturas da oposição."

A organização diz, por exemplo, que o registro eleitoral para esse processo (eram 21 milhões de eleitores) teve prazos curtos, poucos lugares para inscrição e mínima campanha de divulgação. Em outras palavras, pouco incentivo para que o eleitor fosse às urnas. O problema se agrava ao pensar na diáspora venezuelana no exterior.

"Os cidadãos no exterior enfrentaram barreiras legais desmedidas, inclusive arbitrárias, para se inscrever", afirmou. Há uma diáspora de 7,7 milhões de migrantes e refugiados venezuelanos, mas apenas 69 mil estavam inscritos para participar do processo. No Brasil, nem sequer consulados eles possuem para se registrar.

O centro afirma também que a inscrição de candidatos de partidos políticos opositores foi dificultada. "Esteve sujeita a uma discrepância das autoridades eleitorais, que adotaram decisões sem respeitar princípios jurídicos básicos", disse. A principal líder opositora, María Corina Machadofoi inabilitada para cargos públicos por 15 anos.

"E a campanha ocorreu com um evidente desequilíbrio a favor do governo em todos os campos", seguiu. "A candidatura governista [do ditador Maduro] contou com amplos recursos, o que se traduziu em uma grande desproporção de propaganda e murais em seu favor."

A organização afirma ainda que o dia da votação, no domingo (28), ocorreu de forma pacífica e com ampla participação da população. Mas que logo depois, na auditoria dos votos, houve amplas limitações aos observadores e às testemunhas de partidos políticos opositores.

Após a missão de observação da União Europeia (UE) ser desconvidada por Caracas, o Carter Center foi o que restou como um observador internacional independente de peso nesse processo eleitoral da eleição presidencial que opunha Maduro a Edmundo González.

Nesta segunda-feira (29) o centro já havia pedido que o regime divulgasse as atas eleitorais. A organização foi fundada pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, que hoje recebe cuidados paliativos em sua casa, e trabalha com direitos humanos pelo mundo. A organização já observou 124 eleições em 43 países.

Paramoti é o primeiro município do Ceará a registrar candidatura para as eleições de 2024

Bruno Leite  / diarionordeste

 

A cidade de Paramoti, no Sertão de Canindé, foi a primeira do Ceará a ter registros de candidatura para prefeito e vereadores junto a Justiça Eleitoral. A formalização das candidaturas foram disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na plataforma Divulgacand nesta semana.

O sistema em questão é utilizado para a publicização de candidaturas e para a prestação de contas eleitorais de partidos e candidatos de todo o País. Assim, é possível consultar pela plataforma o quantitativo de postulantes e também a situação de cada um deles.

O acesso à ferramenta do TSE é aberto ao público geral, sem a necessidade de realizar um cadastro prévio ou autenticação de usuário. 

O eleitor pode, por meio do Divulgacand, saber informações sobre outras eleições, os dados biográficos de cada político que irá concorrer ou concorreu nos pleitos anteriores, além de obter dados acerca dos valores disponíveis para campanha, o que foi gasto na campanha ou até mesmo quem doou volumes financeiros. 

Além de Paramoti, Jaguaribara e Russas também já possuem, nesta quarta, registros de candidaturas para o pleito municipal que acontecerá em outubro. Entretanto, diferentemente da primeira cidade, as demais só registraram candidaturas de postulantes ao Legislativo municipal até agora. 

As agremiações têm realizado convenções partidárias desde o último sábado (20), para que os pré-candidatos sejam confirmados como nomes no pleito que se aproxima. O prazo para a realização desses encontros vai até 15 de agosto, um dia antes do início da campanha.

 

 

'A pergunta sobre constrangimento poderia ser feita a ele', diz bolsonarista do

Por Rafaela Gama / O GLOBO

 

Correligionário e um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no Ceará, o deputado estadual Carmelo Neto (PL) não demonstrou incômodo em dividir o palanque com o ex-governador Ciro Gomes (PDT). No último fim de semana, em Juazeiro do Norte, os dois participaram do lançamento da candidatura do prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), apoiado por ambos, à reeleição.

 

— A pergunta sobre constrangimento poderia ser feita a ele, eu estou no palanque onde sempre estive. Em 2020 ajudei a construir a campanha do prefeito Glêdson Bezerra em Juazeiro do Norte, onde saímos vitoriosos, derrotando o candidato do próprio Ciro — afirmou Neto, que é também é presidente estadual do PL.

 

Apresença de Ciro e de outras lideranças locais ocorreu em apoio a Bezerra, que em 2022 declarou voto em Bolsonaro devido ao “desempenho do governo federal na condução da economia em meio à pandemia e à guerra na Ucrânia”. No ano anterior, ele posou com o então presidente em foto.

Bezerra deve ter como principal adversário o deputado estadual Fernando Santana (PT), que contará com o apoio do senador Cid Gomes, irmão de Ciro e com quem ele está rompido desde as eleições de 2022. Santana também terá a seu favor o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT).

 

— Em 2022, eu e Glêdson estivemos juntos em atos de campanha do presidente Jair Bolsonaro, e agora, em 2024, estamos juntos mais uma vez. Eu sempre estive do mesmo lado. O PT é um câncer para o Ceará, que tem aumentado a violência, os impostos, sucateado nossa saúde e endividado o estado. Tenho combatido e denunciado isso há anos, e agora o Ciro decidiu lutar contra também — disse Carmelo Neto.

 

A candidatura de Bezerra não será a única alinhada ao bolsonarista a ser chancelada por Ciro Gomes, que chegou a ser ministro da Integração Nacional no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Crato, onde esteve em palanque de lançamento da candidatura de Dr. Aloísio (União), Ciro disse que o Ceará enfrentava uma “ditadura” ao comentar sobre a disputa acirrada entre PT e PDT.

— O Ceará está sendo destruído pela incompetência, pela corrupção, pelo mandonismo. Há uma ditadura tentando ser construída, tirando os direitos das pessoas de escolherem suas candidaturas. Tudo armado para que o novo ditador do Ceará não tenha sequer contrastes, e tenho certeza que o Cariri vai se levantar — discursou Ciro.

 

No estado, Ciro também tem feito ataques direcionados ao ministro da Educação e ex-governador Camilo Santana (PT). Desde o rompimento da aliança entre o PT e o PDT no estado, Ciro critica Santana e o classifica como “traidor”.

 

O estado onde o PT prevê seu pior resultado nas eleições de 2024

Por  / O GLOBO

 

“Massacre”. É essa palavra que tem sido usada por petistas, inclusive dentro do alto comando do partido e do governo Lula, para descrever o cenário previsto para as eleições municipais para o interior de São Paulo.

 

A sigla tem hoje quatro prefeituras em todo estado e considera que sua principal missão é manter o PT no comando de, pelo menos, essas cidades, sendo elas Araraquara, Diadema, Mauá e Matão. São Paulo tem 645 prefeituras. Mesmo com a máquina na mão nesses municípios, integrantes da sigla consideram que será um desafio manter essas prefeituras. A avaliação é que a melhor estratégia é fazer alianças amplas para enfrentar a extrema direita.

 

A aliança mais ampla firmada até o momento pelo PT no interior paulista foi em torno da pré-candidata à prefeitura de Araraquara, Eliana Honain, apoiada por 12 partidos, do PSOL ao PSDB.

A leitura que tem sido feita dentro do PT é que o interior de São Paulo apresenta o cenário mais crítico do Brasil, por ter uma base orgânica ampla alinhada ao bolsonarismo, em especial, em regiões do agronegócio.

Em 2012, o sigla viveu seu auge no estado, conquistando 73 das 645 prefeituras paulistas. Foi naquele ano que Fernando Haddad se elegeu prefeito da capital. Em 2024, o PT vai apoiar a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) para a prefeitura de São Paulo.

No início do ano, a meta traçada pelo partido era conquistar entre 15 e 20 prefeituras no estado, mas, nos bastidores, o número já é considerado “alto demais” por membros da legenda.

PDT atua para evitar visita de Lula em convenção de Evandro: “Será uma decepção grande”

Alessandra Castro / DIARIONORDESTE

 

PDT nacional tem articulado conversas com lideranças do PT em Brasília para evitar que o presidente Lula (PT) compareça ao lançamento da candidatura do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Evandro Leitão (PT), à Prefeitura de Fortaleza. Para pedetistas, o chefe do Poder Executivo Federal deve ficar de fora das disputas locais, para não causa mal-estar com seu arco de alianças no Congresso Nacional. 

 

Apesar de serem rompidas na Capital, as duas legendas são aliadas nacionalmente. Presidente interino do PDT Nacional e líder da maioria na Câmara dos Deputados, André Figueiredo disse que "será uma decepção grande" a vinda do presidente. A declaração ocorre em meio à pressão de aliados de Leitão para garantir a presença de Lula já na convenção partidária, que deve ocorrer até o dia 5 de agosto. 

 

Em contraponto a André Figueiredo, o presidente do PT Ceará, Antônio Filho, o Conin, defende a vinda de Lula dada a importância de Fortaleza na estratégia nacional do PT.  

 

A expectativa é que a convenção para oficializar o nome de Evandro Leitão ao pleito deste ano ocorra às vésperas do fim do prazo, no fim de semana do dia 3 e 4 de agosto. Já a convenção pedetista para confirmar o nome do prefeito José Sarto à reeleição deve ocorrer no próximo domingo (28). 

DECLARAÇÕES DOS LÍDERES 

No dia 20 de junho, em entrevista à Verdinha, Lula informou que deve levar em consideração quem são os adversários nas cidades para entrar na campanha petista. 

"O papel do presidente da República é um papel que exige mais cuidado e mais responsabilidade. Eu tenho que levar em conta que eu, embora pertença a um partido político, eu tenho uma base de apoio no Congresso Nacional que extrapola o meu partido político. Então, eu tenho que levar em conta se nas cidades esses partidos que me apoiam estão disputando, eu tenho que levar em conta quem são os adversários… E aí, naquele que o adversário for um adversário ideológico, um adversário dos negacionistas, você pode ter certeza de que eu vou fazer campanha", ressaltou o mandatário à época. 

"Eu vou fazer campanha para os candidatos que eu acho que vão melhorar a vida do povo. Mas com muito cuidado, porque eu também não posso ser pego de surpresa e depois ter um revés no Congresso Nacional de descontentamento", complementou. 

Dias depois, em 24 de junho, o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), disse esperar que o presidente "não vá em palanque" durante a eleição pelo Paço Municipal. 

"Aí em Fortaleza, no Ceará, como um todo, temos uma realidade muito difícil, uma briga interna muito grande entre PT e PDT. Nós vamos ter o atual prefeito Sarto como candidato à reeleição, o PT provavelmente terá o seu candidato, e o que eu espero é que o presidente Lula não vá em um palanque porque significa acirrar mais os ânimos. Aí a luta deve ser local, como deve ser uma luta pela prefeitura", reforçou Lupi à época. 

Apesar das declarações, nenhum martelo foi batido, até o momento, pelo presidente Lula sobre a entrada na campanha em Fortaleza. Em paralelo, lideranças de ambos os partidos continuam tentando puxar o mandatário cada uma para o seu lado. 

 

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