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Debate tem exageros de Nunes e Tabata, omissão de Boulos, desvio de Datena e distorção de Marçal

primeiro debate entre pré-candidatos a prefeito de São Paulo, ocorrido na noite desta quinta (8) na Band, foi marcado por exageros do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em feitos de sua gestão, omissão de Guilherme Boulos (PSOL) com relação à Venezuela e desvios de José Luiz Datena (PSDB) quanto ao seu projeto de governo.

O evento teve ainda distorções do ex-coach Pablo Marçal (PRTB) sobre uma condenação existente contra ele e uma imprecisão da deputada federal Tabata Amaral (PSB) acerca de um boletim de ocorrência registrado pela mulher de Nunes.

Nunes exagera sobre ter incentivado transporte público

Questionado sobre o que faria para melhorar o trânsito na cidade, o atual prefeito afirmou que está "incentivando o transporte coletivo". "Eu estou com a tarifa do ônibus congelada há quatro anos. Nós estamos fazendo muitas obras para poder melhorar inclusive a questão do ônibus", declarou.

"Vamos fazer agora o BRT Radial Leste, já está licitado, contratado e assinado. [E também o] BRT Aricanduva. Estou fazendo a reforma dos corredores. Por exemplo se você pegar Itaquera-Líder, eu já entreguei. O corredor de reforma no Imirim, Amador Bueno, Interlagos e Itapecerica da Serra. Melhorar a questão da locomoção dos ônibus na cidade para poder incentivar o transporte coletivo."

Em sua gestão, a malha de corredores de ônibus à esquerda cresceu apenas 4,1 km —de 131,2 km para 135,3 km, referente a um trecho ampliado na zona leste. Ele exalta ter pintado 52 km de faixas à direita, medida considerada paliativa por especialistas. Por outro lado, Nunes foi o prefeito que mais gastou em asfalto nos últimos dez anos.

Boulos se omite sobre ditadura na Venezuela

As acusações de fraude nas eleições da Venezuela e a escalada repressiva pela ditadura de Nicolás Maduro foram abordadas por três pré-candidatos, Datena, Marçal e Nunes, em perguntas para Boulos, mas o deputado não respondeu em nenhuma das oportunidades sobre a sua opinião em relação ao tema.

Datena disse: "Depois eu quero saber se você é democrata, porque parece que não é. Quem apoia Maduro e a ditadura da Venezuela… Você devia ser prefeito lá em Caracas". Já Marçal sugeriu que Boulos "vive elogiando o Maduro", enquanto Nunes afirmou que o deputado precisa "responder quem é Maduro".

Boulos chegou a se defender a respeito de seu voto que absolveu o deputado André Janones (Avante-MG) da acusação de "rachadinha" na Câmara dos Deputados, pelo qual também foi criticado, mas não entrou no tema da Venezuela. Janones fez campanha intensa para Lula em 2022, que disse que "não tem nada de anormal" nas eleições do país vizinho.

Marçal distorce fatos sobre condenação contra ele

Perguntado por Tabata sobre uma condenação existente contra ele, sobre uma operação da Polícia Federal da qual foi alvo e sobre um áudio em que o presidente do seu partido diz ser ligado à facção criminosa PCC, Marçal respondeu: "Não há condenação, se tiver eu deixo essa disputa imediatamente".

Ele afirmou que a rival "se confundiu com sua heroína chamada Dilma Rousseff", citou a condenação de Lula na Operação Lava Jato e a desafiou "a dizer o que que eu toquei, o que eu peguei, que eu devolvo". Foi quando ele escalou na agressividade, chamou a deputada de adolescente e "jornalistazinha militante" e se referiu a Boulos como "comedor de açúcar".

Marçal foi condenado em 2010 por participar de uma quadrilha que desviou dinheiro de bancos em meados de 2005, quando tinha 18 anos. O grupo criava sites falsos de instituições financeiras, como a Caixa, disparava emails acusando vítimas falsamente de inadimplência e roubava informações.

De acordo com o Ministério Público Federal, Marçal capturava emails de vítimas, além de consertar os computadores dos criminosos. O ex-coach admite que colaborou com o grupo, mas diz que não tinha conhecimento dos atos ilícitos. Sua pena foi extinta em 2018 por prescrição retroativa.

Datena insiste em promessas genéricas para a cidade

O apresentador foi questionado por diferentes adversários sobre suas propostas de governo para São Paulo em áreas como saúde e educação, mas voltou a desviar do assunto com acusações aos pré-candidatos e a dar respostas genéricas, como já havia feito em outras entrevistas.

"Minha proposta para a saúde é muito simples. Você ter remédio e equipamentos de saúde. Funcionar pelo menos as UBSs [unidades básicas de saúde] mais duas horas por dia. [...] Se possível pelo menos dois ou três equipamentos de saúde funcionando 24 horas por dia das subprefeituras de São Paulo", declarou Datena.

Depois, ele foi instado por Nunes a dizer o que faria para ampliar os parques. "A gente gostaria de ter construções com áreas verdes", disse e em seguida gaguejou. "A gente gostaria de ter mais parques na cidade, mas com licitações sérias e não entregar para qualquer um. Ônibus elétricos, de origem ecológica, [...] mais árvores na cidade, porque a mudança climática é importante, eu sou extremamente ambientalista."

Tabata comete imprecisão ao falar em B.O. de mulher de Nunes

Durante o debate, a deputada federal afirmou que "a esposa [de Nunes] lhe acusou de ter sofrido agressão, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher". Ele então respondeu: "Eu nunca levantei um dedo para a minha mulher, que inclusive está aqui".

No registro feito na delegacia em 2011, Regina Carnovale Nunes fala que o marido "não lhe dá paz", "vem efetuando ligações proferindo ameaças" e "vai em sua casa onde faz escândalos e a ofende com palavrões", mas não cita especificamente agressão física, como sugerido pela adversária.

Folha, porém, teve acesso em 2020 a publicações nas redes sociais em que o perfil de Regina relata brigas por pensão alimentícia, chama o político de bandido e responde ao comentário de uma pessoa que pede para ela ter cuidado: "Amiga tenho provas de que ele sempre me bateu e sempre foi um crápula".

Posteriormente, ela disse que teve a conta hackeada.

Quando o caso foi revelado, Regina afirmou em nota que havia dito no boletim de ocorrência "coisas que não são reais". Depois, durante a campanha de Covas, mudou a versão e disse não se lembrar de ter feito o registro. Durante sabatina do UOL e da Folha no mês passado, Nunes sugeriu que o B.O. foi forjado, o que foi refutado pela polícia.

Prefeito de Teresina agride adversário com cabeçada durante debate da Band Piauí; vídeo

Por Anna Bustamante* — Rio de Janeiro / O GLOBO

 

O atual prefeito de Teresina (PI)Dr. Pessoa (PRD), agrediu Francinaldo Leão (PSOL), durante o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura da capital piauiense, realizado pela Rede Bandeirantes nesta quinta-feira (8). 

 

Os dois debatiam entre si quando o prefeito se aproxima de Francinaldo, que se preparava para a réplica, e lhe dá uma cabeçada: " Estou sendo agredido", dispara o psolista.

José Pessoa Leal é médico e professor, já foi vereador de Teresina por quatro mandatos e deputado estadual por um mandato. Ele saiu do Republicanos e se filiou ao Partido da Renovação Democrática (PRD).

Francinaldo Silva Leão é fundador do Partido Socialismo e Liberdade no Estado do Piauí. Ele foi estivador, vendedor no comércio local e atualmente atua é motorista de aplicativo. Nas eleições municipais de 2020, foi candidato a vereador em Teresina pelo PSOL.

Dr. Pessoa é um dos prefeitos desta eleição que declarou patrimônio até três vezes maior após quatro anos de mandato. Em 2020, ele disse ter R$ 390,9 mil em bens — R$ 507, 69 mil em valores corrigidos pela inflação no período. Agora, disse ter acumulado R$ 1,4 milhão, um acréscimo de 258% em relação ao total de bens que possuía há quatro anos.

O primeiro turno das eleições municipais de 2024 para a escolha de vereadores e prefeitos acontece no 6 de outubro.

Eleições 2024 em Juazeiro do Norte: veja quem são os candidatos e entenda a disputa pela prefeitura

Alessandra Castro , / DIARIONORDESTE

 

Terra de Padre Cícero e terceiro maior colégio eleitoral do Ceará, Juazeiro do Norte se prepara para mais uma disputa pelo comando da Cidade sem nunca ter reeleito um prefeito. Tradição ou coincidência, o fato histórico é visto com otimismo por alguns e tabu a ser superado por outros.  

Na eleição deste ano, três candidaturas estão postas no município-polo do Cariri cearense. Duas delas, inclusive, polarizam o cenário eleitoral, dividindo o pleito entre aqueles que pretendem alcançar feito histórico e reeleger um gestor pela primeira vez e os que querem que a tradição continue, a fim de emplacar um novo nome no comando da Prefeitura juazeirense. São elas: a do prefeito Glêdson Bezerra (Podemos) e de Fernando Santana (PT). 

A rivalidade entre as duas postulações, no entanto, não é casualidade. De um lado, a máquina da gestão municipal, que conta com o apoio de partidos e lideranças de oposição ao Governo do Ceará para tentar manter Bezerra na Prefeitura. Do outro, o grupo governista que conseguiu reunir um arco de aliança partidário até maior do que a do governador Elmano de Freitas (PT) e grupos locais em prol de Santana. 

Além delas, a UP emplacou uma candidatura histórica na Cidade ao lançar pela primeira vez uma mulher trans na disputa, a professora e historiadora Sued Carvalho. Ela, inclusive, é a presidente estadual da legenda. 

Os nomes foram homologados em convenções partidárias, realizadas nos dois últimos fins de semana. Inclusive, na última segunda-feira (5), último dia para oficialização das postulações, a Federação Psol/Rede retirou a pré-candidatura de Germano Lima para se juntar à coligação de Santana. A decisão foi tomada por maioria dos votos, uma vez que a Rede tinha a maioria do diretório e defendia a união.

Com o fim das convenções, os partidos têm até o dia 15 para solicitar o registro de seus candidatos à Justiça Eleitoral. 

Candidatos à Prefeitura de Juazeiro do Norte 

Glêdson Bezerra (Podemos) 

Natural de Juazeiro do Norte, Glêdson Lima Bezerra é formado em Direito e policial civil licenciado. Iniciou a carreira política em 2008, quando foi eleito vereador da Cidade pela primeira vez pelo PTB. Seguiu na vereança pelo partido pelos dois pleitos seguintes, mudando de legenda em 2016, quando conquistou mais um mandato na Câmara Municipal. Naquele pleito, foi o parlamentar mais votado da Casa, com 4.365 votos. 

Em 2020, disputou pela primeira o mandato na Prefeitura, já pelo Podemos, com apoio do então deputado federal Capitão Wagner, mas com uma postura de independência em relação ao Governo Federal, à época presidido por Jair Bolsonaro (atualmente no PL). Na ocasião, Bezerra conseguiu ser eleito com 38,18% dos votos válidos, derrotando o então prefeito Arnon Bezerra (no PTB à época) — que contava com o apoio do então governador Camilo Santana (PT) e ficou em segundo lugar na eleição, com 36,20% da preferência do eleitorado.  

À época, ele compôs a chapa com Giovanni Sampaio, então vice-prefeito que rompeu com Arnon na disputa. Em outubro do ano passado, o vice anunciou, mais uma vez, ruptura com o atual gestor e seguiu aliado do Governo Estadual. Agora, Glêdson irá buscar a reeleição com apoio de lideranças de oposição ao grupo governista, como o ex-ministro Ciro Gomes, Capitão Wagner e Carmelo Neto. Sua coligação é formada pelo Podemos, União Brasil, PDT, PL, PP e PSDB/Cidadania. O vice na chapa é Tarso Magno, suplente de deputado federal pelo PP. 

Fernando Santana (PT)

Nascido em Juazeiro do Norte, Fernando Matos Santana é formado em Administração de Empresas e iniciou na vida pública na área de gestão, em secretarias de governos municipais, como a de Esportes e Juventude de Barbalha, antes de disputar um cargo eletivo. Foi no município vizinho ao que nasceu, inclusive, que disputou um cargo majoritário pela primeira vez, o de prefeito de Barbalha, em 2016, pelo PT — legenda na qual iniciou a militância política.  

Lá, ele foi lançado como candidato à sucessão do então prefeito Zé Leite (PT), que estava finalizando o segundo mandato, e do grupo governista do Estado, à época sob o comando de Camilo Santana. Todavia, ficou em segundo na eleição, sendo vencido pelo engenheiro Argemiro Sampaio (à época no PSDB), que recebeu 49,44% dos votos válidos. Depois disso, concorreu ao cargo de deputado estadual em 2018, ano em que foi eleito pela primeira vez. Em 2022, foi reeleito. 

Agora, ele vai disputar a Prefeitura de Juazeiro do Norte com a maior coligação do pleito até o momento e de lideranças políticas nacionais, como o ministro Camilo Santana e o presidente Lula (PT), e locais, como o governador Elmano de Freitas e os ex-prefeitos Raimundão (MDB) e Dr. Santana (PT), entre outros. A coligação é formada pela Federação PT/PV/PCdoB, PSB, PSD, MDB, Avante, Agir, Republicanos, Mobiliza, Solidariedade, PRD, PRTB e Federação Psol/Rede. A vice na chapa é a assistente social Maricele Macedo (MDB), ex-primeira-dama do município, esposa do ex-prefeito Raimundão. 

Sued Carvalho (UP)

Natural de Juazeiro do Norte, Sued Carvalho é graduada em História, professora e historiadora. Aos 28 anos, assumiu o comando do diretório estadual da Unidade Popular (UP), partido fundado em 2016 como alternativa para militantes insatisfeitos com partidos de esquerdas existentes. A legenda, todavia, só foi homologada em 2019 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após coleta de mais de um milhão de assinaturas em todo o País. 

Sued Carvalho, inclusive, é a primeira mulher trans a assumir a direção de uma agremiação partidária no Ceará. Em 2022, ela concorreu pela primeira vez a um cargo eletivo, quando candidatou-se a deputada federal. A sigla, no entanto, não atingiu o quociente eleitoral para emplacar um nome na Câmara dos Deputados. No pleito, ela recebeu 2.140 votos.  

Em convenção realizada no domingo (4), a UP oficializou a candidatura de professora, que também é a primeira mulher trans a disputar o Executivo Municipal de Juazeiro do Norte. Em uma chapa pura, ela terá o estudante de Jornalismo Levi Rabelo (UP) como postulante a vice-prefeito na eleição. 

Um quase segundo turno 

Neste ano, o município de Juazeiro do Norte por pouco não passou a ter segundo turno. Mesmo com uma campanha de pré-candidatos e lideranças locais por novas filiações, os 200 mil eleitores necessários não foram alcançados. O município tem 198.133 pessoas aptos a votar no pleito de outubro.

Eleições 2024 em Tauá: veja quem são os candidatos e entenda a disputa pela prefeitura

Bruno Leite / DIARIONORDESTE

 

TAUA CANDIDATOS 24

 

A corrida eleitoral pelo comando da Prefeitura de Tauá, no Sertão dos Inhamuns, já está definida. O prazo de formalização das candidaturas, encerrado na segunda-feira (5), deu o tom de que a disputa no município será polarizada, com oposição e situação duelando diretamente pelo Executivo municipal. 

De um lado, buscando a reeleição, está a prefeita Patrícia Aguiar (PSD). Ao lado dela estão figuras como o esposo, o ex-deputado estadual Domingos Filho (PSD), e quadros de legendas importantes no Ceará, a exemplo do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Democrático dos Trabalhista (PDT), do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e do Agir.

Do outro lado está o ex-vereador Doutor Edyr (MDB), irmão do deputado estadual Audic Mota (MDB), que se oferece como uma alternativa ao governo atual. Na aliança estão o Progressistas (PP), o União Brasil (União), o Republicanos (REP), e o Partido Renovação Democrática (PRD). 

Uma candidatura representada por Murilo Carvalho, do Partido Liberal (PL), numa chapa pura, foi anunciada como uma “terceira via” no Município, para concorrer com os outros projetos políticos já colocados.

Patrícia Aguiar

Advogada, Patrícia vai repetir a majoritária que conquistou o cargo eletivo em 2020, com a médica Fátima Veloso (PSD) na posição de vice-prefeita. A política que está na cabeça da chapa nasceu em Fortaleza, tem 58 anos e concorrerá numa eleição municipal pela quinta vez. Antes de ser eleita para o mandato atual, ela foi conduzida pelo eleitorado em duas outras oportunidades, na disputa de 2004 e em 2012.

Dirigido no Estado pelo ex-deputado Domingos Filho, o PSD foi fundado em 2011 pelo ex-ministro Gilberto Kassab. O firmamento no Ceará, no entanto, se deu em 2012. Desde 2015, a família de Patrícia Aguiar se reveza na direção estadual, mantendo a mesma base política. 

Na Alece, o PSD possui três cadeiras. O quantitativo de representantes na Câmara dos Deputados é o mesmo. Segundo um levantamento do Diário do Nordeste em março deste ano, 22 prefeitos e prefeitas cearenses faziam parte do quadro de pessedistas. Para essa eleição, em todo o Brasil, o PSD contará com R$ 420,9 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o Fundo Eleitoral.

Doutor Edyr

Já o Doutor Edyr é médico, foi membro do Parlamento municipal na legislatura 2017–2020. Ele tem 45 anos e também nasceu na Capital cearense. Tentou ser eleito para a gestão do Município em 2020, mas não obteve sucesso, ficando em terceiro lugar. Para outubro, está como vice o vereador Argentino Filho (MDB).

A agremiação de Edyr e Argentino é um dos partidos mais antigos do Brasil. Fundado em 1966, o partido testemunhou de uma série de momentos históricos do país e hoje é presidido no Ceará pelo deputado federal Eunício Oliveira. Com dois parlamentares federais e três deputados estaduais, o MDB é o partido que ocupa a vice-governadoria no Estado. 

Treze prefeituras cearenses estão sob a batuta de filiados do MDB. Para o pleito de outubro, R$ 404,6 milhões serão disponibilizados pelo Fundo Eleitoral para a sigla poder investir em campanhas eleitorais em todo o território nacional. 

Murilo Carvalho

O PL, por sua vez, apresentou a candidatura do advogado Murilo Carvalho. O postulante é ex-secretário municipal de Esportes, tem 37 anos e é natural da cidade em que irá concorrer. O candidato a vice-prefeito é seu correligionário, o Júnior Sousa (PL).

Em 2020, Murilo chegou a concorrer a uma cadeira na Câmara Municipal, pelo antigo Partido Social Liberal (PSL), mas não obteve o número necessário de votos para ser eleito. O prefeiturável é filho do ex-vereador Manuel Parmênio, presidente municipal do PL em Tauá. 

O PL Ceará é comandado pelo deputado estadual Carmelo Neto (PL) e, atualmente, tem apenas o prefeito de Eusébio, Acilon Gonçalves, na lista de chefes de Executivos cearenses. No Legislativo federal 4 deputados são filiados ao partido, enquanto a bancada na Alece é composta por um número semelhante de liberais. Do FEFC, para a eleição desse ano, o Partido Liberal contará com o montante de R$ 886,8 milhões.

Particularidades do Município

A disputa no colégio eleitoral tauaense demonstra uma particularidade, já que, dada a participação de partidos que formam a base do Governo do Estado em lados opostos do páreo. Em Tauá, por exemplo, o PT, apesar de federado, está em um lado oposto ao do PV. Do mesmo modo, o MDB, aliado da gestão estadual, foi para um palanque oposto ao do governador Elmano de Freitas.

Questionado especificamente sobre a desvinculação da federação, o presidente do PV no Ceará, Marcelo Silva afirmou ao Diário do Nordeste que a legenda que comanda é “essencialmente municipalista” e que, considerando isso, dá autonomia para “comissões e diretórios municipais para tomarem as decisões relacionadas aos apoios políticos locais”.

“No caso de Tauá, em virtude da realidade local, o órgão municipal do PV decidiu por divergir da posição tomada pela Federação Brasil da Esperança (FEBRASIL) no que se refere ao apoio à candidatura a prefeito. Essa posição foi analisada pela Comissão Estadual da FEBRASIL e, mediante a impossibilidade de composição com a candidatura do PSD, os filiados do PV foram liberados para apoiar as candidaturas majoritárias que convêm a eles”, frisou o dirigente.

Outra especificidade do pleito na cidade localizada no Sertão dos Inhamuns é a parceria entre PT e PDT na chapa que tentará a reeleição. Os dois estão rompidos no plano estadual desde 2022, devido ao contexto das eleições para o Palácio da Abolição. Entretanto, essa não é uma situação exclusiva de Tauá, já que outros diretórios municipais destes partidos devem formar alianças visando o controle de outras municipalidades no interior do Estado.

Atlas: Boulos lidera, Nunes cresce; Marçal, Tabata e Datena estão empatados na terceira posição

Por André Shalders / O ESTADÃO DE SP

 

BRASÍLIA - Pesquisa Atlas divulgada nesta quinta-feira, 8, mostra o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) ainda na liderança da corrida pela prefeitura de São Paulo, com quase oito pontos percentuais a mais que o atual prefeito e postulante à reeleição, Ricardo Nunes (MDB). O levantamento registra ainda o ex-coach Pablo Marçal (PRTB), a deputada federal Tabata Amaral (PSB) e Datena (PSDB) empatados na terceira posição dentro da margem de erro da pesquisa. Marçal tem 11,4%, Tabata, 11,2% e Datena tem 9,4%.

 

A série histórica das pesquisas da AtlasIntel, porém, não é tão otimista para o candidato do PSOL. Ele saiu de 37% das intenções de voto em maio para 36% em junho e 33% agora. Já Nunes cresceu de 21% em maio para 25% agora. Os demais – Tabata, Marçal e Datena – se mantiveram estáveis.

 

Nesta última rodada, os demais candidatos ficaram abaixo de 5%: Marina Helena (Novo) ficou com 3,5% e Ricardo Senese (UP) registrou 0,7%. Já Altino Prazeres Jr. (PSTU) e João Pimenta (PCO) não registraram. Cerca de 5,6% dos entrevistados disseram que votariam em branco ou anulariam o voto; e 0,6% disseram não saber ainda em quem votar.

 

A pesquisa ouviu 2.037 pessoas por meio de formulários online, usando a metodologia de recrutamento digital aleatório da Atlas. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A coleta foi realizada entre a última sexta-feira (02) e esta quarta-feira (07). Os entrevistados foram sorteados aleatoriamente entre as pessoas que acessaram a internet a partir da cidade de São Paulo. A coleta foi calibrada para que o grupo de respondentes tenha características similares às do conjunto do eleitorado.

 

“De maneira geral, diria que a melhor notícia dessa rodada é para Nunes, porque está conseguindo crescer mesmo neste contexto, com Datena e Marçal”, diz o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman. “Havia uma especulação sobre a possível canibalização dos votos dele (pelos outros dois), mas parece que isto não está acontecendo”.

 

Para Roman, a pesquisa revela uma certa estabilidade no quadro, e isso é uma boa notícia principalmente para o Ricardo Nunes. “A entrada do Pablo Marçal e do Datena, evidentemente, representava uma ameaça grande para Nunes, pois ocupam o mesmo espaço político. Principalmente o Marçal, por conta da mobilização da base bolsonarista. Havia também aqueles que preferiam o (ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro) Ricardo Salles, e que ficaram um pouco ressentidos com o fato do Salles ter sido obrigado a sair (da disputa)”, avalia ele.

 

A pesquisa, aponta Roman, mostra que os números obtidos até aqui por Datena estão ligados ao reconhecimento do nome dele, e não representam “uma intenção de voto cristalizada”. “Na medida em que a corrida avança, esses eleitores em potencial do Datena acabam migrando”, diz. Já Marçal é prejudicado por não ser o candidato oficial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), avalia Roman. O ex-mandatário vem dando declarações a favor de Nunes.

 

A pesquisa Atlas também perguntou aos entrevistados sobre o voto num eventual segundo turno da disputa. Se a disputa fosse hoje, Boulos derrotaria Pablo Marçal (44,1% a 35,2%) e Datena (39,9% a 29,5%); e empataria dentro da margem de erro com Nunes (42,4% a 42%, com 11,1% de brancos e nulos e 4,5% que não sabem dizer como votariam). Contra Tabata Amaral, Boulos venceria com 37,7% ante 27,4% da deputada socialista, mas 30,1% votariam em branco ou nulo neste caso. Nos cenários sem Boulos, Nunes derrotaria Datena por 38,7% a 28,9%; e perderia para Tábata Amaral por 43,4% a 38,3%.

 

Quando questionados sobre os principais problemas da cidade, a maioria mencionou a criminalidade (60,2%), seguido da saúde (51,6%) e da educação (35,1%), num terceiro lugar distante. Os problemas menos mencionados foram limpeza urbana (4,9%) e burocracia e barreiras para negócios (5,3%). O tema da “ordem urbana e segurança pública” também foi aquele no qual a gestão atual da prefeitura foi mais mal avaliada (46% consideram o desempenho “péssimo” e outros 19% acham o trabalho “ruim”. Só 6% consideram “ótimo”). Obras públicas são a segunda área com maior soma de “ruim” e “péssimo”: 31% e 29%, respectivamente.

 

O levantamento traz ainda uma questão sobre a percepção dos eleitores a respeito de figuras da política paulistana e nacional. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é o mais bem avaliado no conjunto, com 48% de “imagem positiva” perante os eleitores, e 46% negativa. O presidente Lula (PT) tem 41% de avaliação positiva, ante 55% de negativa; o ex-presidente Jair Bolsonaro tem 36% de avaliação positiva e 62% de imagem negativa.

 

 

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