O ministro do STF em quem Lula mais confia na guerra fratricida da Corte
COLUNA DA MULU GASPAR Por Rafael Moraes Moura — Brasília / O GLOBO
O presidente Lula indicou dois ministros para o Supremo Tribunal Federal neste mandato e tem relação próxima com outros dois (Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes), mas o ministro em quem ele mais confia para se manter atualizado e trocar impressões sobre os desdobramentos da guerra fratricida no STF, aprofundada com o escândalo do Banco Master, é Cristiano Zanin, que foi seu advogado pessoal.
O estilo de Zanin, considerado mais sóbrio e discreto em contraste à postura verborrágica de Gilmar e de Flávio Dino, tem agradado ao presidente da República, que conta com a boa vontade do Supremo para manter a governabilidade, mas que também tem visto a crise na Corte respingar na sua difícil campanha à reeleição.
As diferenças de estilo ficaram escancaradas na tumultuada sessão de julgamento de 15 de setembro, quando Gilmar e Dino lideraram a tropa de choque em defesa de Alexandre de Moraes, enquanto Zanin fez intervenções pontuais, sem atacar os colegas nem elevar o tom da voz.
Conforme informou a colunista Bela Megale, a atuação de Zanin na sessão foi considerada a melhor por integrantes do governo Lula, que viram na dobradinha entre Moraes e Gilmar um “presente” para a campanha de Flávio Bolsonaro, que tenta colar a crise do STF na imagem do petista.
Além disso, Gilmar e Moraes são considerados aliados circunstanciais do Palácio do Planalto, por conta do passado de enfrentamento ao petismo. Já Zanin é visto pelo presidente como um interlocutor leal e equilibrado, que nunca traiu a sua confiança.
Embora não admitam em público, aliados de Lula também veem com suspeita as movimentações de Dino, ainda que ele, assim como Zanin, tenha sido indicado pelo petista neste terceiro mandato. “Dino é um ególatra, que só pensa em si. Apesar de ajudar o governo, ele tem um projeto próprio”, disse ao blog uma fonte que acompanha de perto as movimentações nos bastidores.
Em 2024, Dino sugeriu que poderia voltar a disputar cargos eletivos depois que completar 75 anos e for obrigado a deixar o Supremo, o que está previsto para ocorrer só em 2043.
Já Zanin tinha uma carreira de serviços dedicados a Lula antes de assumir uma vaga no STF, há três anos. Um levantamento feito pelo blog à época de sua indicação apontou que 88 dos 135 processos do então advogado Zanin em tramitação na Corte eram dedicados à defesa de Lula e sua família, principalmente na operação Lava-Jato – 65,1% dos casos, todos iniciados a partir de 2015.
Agora, na condição de ministro, Zanin também tem proferido votos e dado decisões alinhadas aos interesses do Palácio do Planalto. A última delas foi negar um pedido de liminar para determinar a instalação da CPI do Banco Master.
Na prática, a negativa de Zanin não só impede a abertura de uma nova frente de investigação contra integrantes do Supremo e lideranças de diferentes matizes políticos, mas também contraria uma jurisprudência consolidada da própria Corte há mais de 20 anos.

