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O eterno retorno das greves de servidores de universidades

Funcionários da Universidade de São Paulo estão em greve —de novo. Nos últimos 20 anos, ocorreram 9 paralisações de servidores ou professores da USP, de acordo com levantamento do site Poder360. A última, em 2023, durou 42 dias.

O fenômeno é comum nas universidades públicas e indica que o modelo de financiamento é insustentável. No momento, servidores de 53 universidades e institutos federais estão em greve.

Os funcionários da USP entraram em greve em 14 de abril, em reação a um acréscimo de R$ 4.500 no salário mensal de docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão.

Trata-se da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Grace), proposta pela reitoria e aprovada pelo Conselho Universitário no final de março.

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) diz: "Não podemos aceitar R$ 4.500 para eles e nada para nós". Estudantes também não aceitaram. Até terça (20), discentes de 15 faculdades haviam aderido à greve.

O sindicato pede reajuste fixo de R$ 1.200 nos salários, além de recomposição integral das perdas calculadas pela inflação desde 2012 (14,5%). Por sua vez, os alunos reivindicam melhores condições de permanência estudantil, com aumento no valor de bolsas, e reclamam da má qualidade dos restaurantes universitários.

A USP fez uma proposta: o mesmo montante anual destinado à Grace (R$ 238,4 milhões) seria dividido pelos servidores, o que daria cerca de R$ 1.600 mensais. O Sintusp avaliará nesta quarta (21).

O orçamento da USP oriundo do Tesouro Estadual em 2026 é de R$ 9,4 bilhões, sendo que 84,2% (R$ 7,9 bilhões) vão para pagamento de pessoal, alta de 5,6% ante 2025. No ano passado, a fatia dessa rubrica foi de 82%.

Já a verba para bolsas e auxílios da Política de Permanência e Formação Estudantil subiu 6% entre 2024 e 2025 e 4% em 2026, chegando a R$ 215 milhões.

Não à toa, ao aprovar a Grace, o Conselho Universitário também alterou normas internas relacionadas ao controle de despesas com pessoal, flexibilizando critérios que limitam pagamentos.

Tal pressão orçamentária se espraia pelas universidades públicas. Mesmo assim, por corporativismo e ideologia, a comunidade acadêmica reluta em revisar o modelo de financiamento, contemplando a contribuição privada, inclusive de alunos.

Sem mudar essa chave, gastos continuarão a subir, investimentos, a cair, e mais greves virão.

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