Pindaíba
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Chega a causar calafrios a preocupação – e a pressa – do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de encontrar uma maneira de reduzir o alto endividamento dos brasileiros, que em janeiro alcançou 79,5% das famílias, igualando o recorde de outubro do ano passado, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Perturbado com o desgaste que isso possa causar em sua campanha à reeleição, Lula exige de sua equipe solução urgente. E faz todo o País temer pelas consequências.
O fracasso do programa Desenrola, focado em renegociações de débitos, parece não ter sido suficiente para convencer o governo de que não há ação paliativa ou emergencial que sustente a solvência do consumidor sem uma solução estrutural para o problema. Mas o PT não quer nem pensar nisso, razão pela qual podemos esperar mais soluções improvisadas, que são a especialidade do lulopetismo.
Lançado em 2023, o Desenrola foi apresentado como uma solução inédita. Na essência, não era, mas tinha um fundo garantidor que propiciou a participação de bancos privados num mutirão antes restrito à Caixa e ao Banco do Brasil. Durou dez meses e, pelos dados oficiais, beneficiou 15 milhões de pessoas com R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas. Um alívio absolutamente transitório.
A limitação do programa era para lá de previsível porque questões de fundo permaneciam inalteradas, como os juros exorbitantes e o incentivo ao crédito e ao consumo. Um mês antes do Desenrola, o Brasil contava 71,4 milhões de endividados, de acordo com o Mapa da Inadimplência do Serasa; e em fevereiro de 2026 já eram 81,7 milhões – números que deveriam convencer o lulopetismo de que mágica não existe.
Mas Lula não se emenda e, agora, entrega ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a missão de “resolver o problema da dívida das pessoas”. É mais ou menos o que disse a Fernando Haddad na campanha presidencial de 2022 e no início do mandato. Como tem plena consciência de que não há solução enquanto não forem criadas as condições para a queda consistente dos juros, cobrou do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, ações mais efetivas, em reunião na semana seguinte à decisão do Copom de baixar apenas 0,25 ponto porcentual a taxa de juros, para 14,75% ao ano.
Não será na marra que os juros irão cair. Isso depende não do desejo de Lula nem da boa vontade do Banco Central, mas da austeridade fiscal do governo. Uma mudança de rumo que leve à queda substancial de despesas e que permita um rearranjo de contas que, ressalte-se, não acontece de uma hora para a outra, mas que vai garantindo ao BC reduzir a taxa sem alimentar a inflação.
Numa economia em que o consumidor tem recorrido ao cartão de crédito não como meio de pagamento, mas como fonte de renda complementar, submetendo-se à taxa de juros do crédito rotativo de 435,9% ao ano, não será com gambiarras e remendos que Lula recuperará a popularidade que ele tanto almeja.

