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Água jogada fora

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

O desperdício de água tratada no País subiu de 37,8% em 2022 para 40,3% em 2023, de acordo com um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, por sua vez baseado em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa).

 

Mal encerrada a COP-30, em Belém, a publicação evidencia que, muito além da busca por mais recursos financeiros para a proteção ambiental, é essencial que a qualidade da gestão e da operação de serviços como os de abastecimento de água esteja a contento. Infelizmente, não é o que se observa no Brasil, já que, antes mesmo que chegue às torneiras, o equivalente a 6.346 piscinas olímpicas de água tratada é desperdiçado diariamente, algo que a presidente-executiva do Trata Brasil, Luana Pretto, chamou de “exemplo alarmante de ineficiência”.

A ineficiência é generalizada. Embora Alagoas (69,9%), Roraima (62,5%) e Acre (62,3%) liderem o infame ranking de desperdício, mesmo Estados que aparecem entre os que menos perdem água tratada, como São Paulo (32,7%), estão descumprindo a meta de 25% definida pela Portaria 490/2021, do Ministério do Desenvolvimento Regional (atual Ministério das Cidades). Goiás, com desperdício de 25,7%, é a unidade da Federação mais bem posicionada no levantamento.

 

Por região, a Norte, cujas virtudes e mazelas foram expostas ao mundo durante a COP de Belém, é a que mais sofre com o desperdício de água, estimado em 49,8%.

 

O Brasil também fica mal na foto quando comparado a outros países, ricos ou pobres. Enquanto as perdas na distribuição de água por aqui superavam os 40% em 2023, em países desenvolvidos esse porcentual era de 15%, de acordo com dados do Banco Mundial de 2006, o que permite inferir que a distância entre o Brasil e as nações desenvolvidas, quando se trata de desperdício de água, piorou nos últimos anos.

 

 

Mas mesmo países pobres como Bolívia (27,80%) e Equador (39,94%) desperdiçam menos água que o nosso, segundo dados da Asociación de Entes Reguladores de Agua Potable y Saneamiento de las Americas (Aderasa) de 2020. Ainda que diferenças metodológicas e de disponibilidade de dados devam ser consideradas, a realidade brasileira é escandalosa sob qualquer ângulo que se observe.

 

Talvez por ser o país com as maiores reservas de água doce do mundo, o Brasil entenda que pode se dar ao luxo de jogar fora um recurso natural tão importante. Lamentável engano, ainda mais quando 34 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a água tratada.

 

Ao desperdiçar recursos hídricos como vem fazendo, o País coloca pressão desnecessária sobre seus rios e mananciais, e isso num momento de grandes transformações climáticas. Vive-se então um círculo vicioso, que demanda mais investimento, mais manutenção e mais captação de água em sistemas hídricos que, muitas vezes, já estão sob estresse.

 

Se o Brasil, que aos trancos e barrancos acaba de sediar o mais importante evento ambiental do planeta, quiser se mostrar realmente comprometido com estratégias de adaptação climática, reduzir a vergonhosa perda de água tratada seria um bom começo.

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