Projeto de Bolsonaro pode aumentar risco nas estradas
Enquanto o país convive com uma epidemia de mortes no trânsito, o governo Bolsonaro enviou ao Congresso um projeto de lei que, se aprovado, flexibilizará multas e exigências a motoristas. Uma das mudanças mais polêmicas pode se transformar em uma bomba-relógio nas estradas: o fim do exame toxicológico para motoristas profissionais, como caminhoneiros e motoristas de ônibus.
Um levantamento do SOS Estradas, com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), aponta que houve redução de 34% nos acidentes envolvendo caminhões nas estradas federais do país, após a obrigatoriedade do exame toxicológico, instituída em 2015.
— Nas estradas as mortes estão diretamente ligadas a caminhoneiros que acabam trabalhando mais do que deveriam e usam substâncias. O exame é uma avanço importante — diz o perito criminal Rodrigo Kleinübing, que complementa:
— Mas a questão da velocidade é a que mais impacta. Se aprovar qualquer medida em que se alivia a penalidade para excesso de velocidade, com pontuação na carteira ou redução de radares, o governo vai assinar o atestado de óbito de milhares de pessoas.
Bolsonaro já ordenou o cancelamento da instalação de 8 mil radares em rodovias federais. Como justificativa, diz que existe uma indústria da multa. Porém, não há estatística unificada de quanto se arrecada no país e do que é feito com o dinheiro. O Denatran diz que não dispõe de dados sobre as multas aplicadas pelos estados.
— Para cada multa aplicada, dez mil não são. Essa tal indústria da multa é ineficiente. O radar está ali para ajudar a sociedade. Quem vai ser prejudicado é quem estiver fora da lei. O gasto com saúde é maior. A conta não fecha — diz José Aurelio Ramalho do ONSV. O GLOBO

