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Geração perdida: jovem é a principal vítima

Quase 40% dos mortos no trânsito têm até 29 anos. São vítimas como a universitária Mariana Paranhos, de 22 anos, atropelada no Centro do Rio. Nove anos depois do acidente, o coração da funcionária pública Cibele Paranhos, de 61 anos, sua mãe, ainda aperta ao passar pela Presidente Vagas. O acidente aconteceu numa segunda-feira após o Dia das Mães. Mariana havia saído mais cedo da faculdade, onde estudava Administração, para comprar o bolo de aniversário da avó, que hoje tem 89 anos.

 

Cibele Paranhos perdeu sua filha única num acidente de trânsito.

Foto: Alexandre Cassiano

O acidente que matou sua filha única, aconteceu a cem metros do prédio onde Cibele trabalha até hoje. Para chegar ao emprego, a funcionária pública é obrigada a passar pelo local, que a transporta para o 5 de maio de 2011.

— No dia da morte de minha filha eu morri junto. Morri porque precisei nascer novamente, crescer numa nova realidade, ter de aprender a viver sem ela. As vezes me pergunto: já passou tanto tempo e por que continuo chorando? — diz Cibele.

As maiores vítimas fatais, em 20 anos, foram os pedestres (24,7% do total), os mais vulneráveis nas vias, mas eles têm sido substituídos rapidamente pelos motociclistas no topo do ranking de óbitos, à medida que o meio de transporte se popularizou no Brasil. A frota de motocicletas quase triplicou em 13 anos.

"As vezes me pergunto: já passou tanto tempo e por que continuo chorando? "

CIBELE PARANHOS, MÃE DA MARIANA

O tatuador Michael D'Agostini, de 27 anos, associa motocicleta a risco. Ele lembra que foi em um acidente com uma delas que seu irmão morreu há 14 anos. Washington D'Agostini, de 23 anos, caiu em um buraco no viaduto sobre a Rodovia Presidente Dutra, na Baixada Fluminense, e perdeu o controle do veículo. Lançado da moto, bateu com a cabeça.

— No caso dele, não foi imprudência, mas é o que mais mata motociclistas. Se o motorista não for prudente, a violência não acabará — diz Michael, que meses depois perdeu um primo em outro acidente com uma moto. O GLOBO

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