Ex-presidente do Rioprevidência é preso após fundo virar alvo da PF por aplicações no Master
Leonardo Vieceli / FOLHA DE SÃO PAULO
O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso nesta terça-feira (3) em Itatiaia, na região sul do Rio de Janeiro (a cerca de 180 km da capital), durante a segunda fase da Operação Barco de Papel.
Deflagrada pela PF (Polícia Federal) com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal), a ação investiga aplicações do fundo fluminense no Banco Master. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento das pensões e aposentadorias dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.
Antunes pediu demissão e foi exonerado da presidência pelo governador Cláudio Castro (PL) em 23 de janeiro. A saída ocorreu após o gestor virar alvo no mesmo dia da primeira fase da operação Barco de Papel.
Naquela ocasião, policiais fizeram busca e apreensão em endereços dele e de outros dois ex-executivos no Rio. Antunes estaria em viagem de férias ao exterior.
Nesta terça, a PF afirmou que cumpre três mandados de prisão temporária, além de nove de busca e apreensão. As ações miram endereços ligados a investigados no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.
Duas pessoas estão foragidas. As autoridades não confirmaram as identidades.
Segundo a Polícia Federal, os mandados foram decretados pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas. Antunes é apontado como o principal alvo da operação.
"Após o cumprimento do mandado de busca e apreensão no apartamento do principal alvo da operação deflagrada em 23 de janeiro, a Polícia Federal identificou movimentações suspeitas de retirada de documentos do apartamento do investigado, manipulação de provas digitais, além da transferência de bens (dois veículos de luxo) para terceiros", afirmou a corporação em nota nesta terça.
Procurada pela Folha, a defesa de Antunes disse que "as questões estão sendo apuradas".
A operação desta terça envolveu a delegacia especial da PF no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, e a PRF em Itatiaia.
De acordo com a Polícia Federal, Antunes foi preso após ser abordado por agentes no município fluminense, que fica na região de divisa com São Paulo. Ele estava em um veículo que teria sido alugado para a saída do aeroporto paulista.
Antunes foi conduzido a uma delegacia de Polícia Federal em Volta Redonda, também no Rio de Janeiro. Ele deve ser encaminhado à superintendência da PF na capital para ser ouvido antes de ir para o sistema prisional.
Ao pedir demissão, o ex-presidente enviou uma carta para Castro na qual disse que promoveu um "ciclo virtuoso de gestão" no Rioprevidência. Também afirmou no texto de janeiro que nunca se eximiu de responsabilidades e que se colocava à disposição das autoridades.
"Por fim, enfatizo que repilo tentativas de inquinar como ilegal qualquer ato que pratiquei na gestão do Riopreviência, pois, como disse, sempre agi com espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos, conduta essa que sempre pautou minha vida profissional nos locais onde trabalhei", acrescentou.
A investigação mira aplicações do Rioprevidência no Master que somam cerca de R$ 970 milhões. Conforme as informações oficiais, os investimentos ocorreram entre novembro de 2023 e julho de 2024.
As operações envolveram letras financeiras do banco sem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Ou seja, podem resultar em prejuízo para o fundo de aposentadorias.
O Master foi liquidado pelo BC (Banco Central) após suspeitas de um amplo esquema de irregularidades na instituição comandada por Daniel Vorcaro.
Ao justificar a ação desta terça, a PF disse que a Justiça considerou haver risco de destruição de provas e obstrução das apurações, caso os investigados permanecessem em liberdade.
O governo Castro fez mudanças no comando do Rioprevidência na semana passada, depois da primeira fase da ação policial.
O governador exonerou Alcione Soares Menezes Filho do cargo de diretor de administração e finanças da autarquia. Para a mesma função, nomeou o servidor concursado Nicholas Ribeiro da Costa Cardoso.
Com a troca, Cardoso também assumiu a condição de presidente interino do Rioprevidência. Isso aconteceu porque, segundo o regimento interno do órgão, em caso de falta ou impedimento, o presidente deve ser substituído pelo diretor administrativo e financeiro. É o cenário atual.
Castro ainda nomeou Gilson Felix da Silva como diretor de investimentos. Ele substituiu Eucherio Lerner Rodrigues, que já havia deixado a autarquia. Rodrigues foi alvo da primeira fase da operação da PF no mês passado, assim como Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.
Silva chegou ao Rioprevidência em janeiro, após atuar no mercado financeiro, de acordo com informações disponíveis em perfil no LinkedIn.

