iNSTITUTO Datafolha: Lula tem 50% dos votos válidos e Bolsonaro, 36%
Por Levy Teles / O ESTADÃO
Na véspera da eleição, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está na frente na disputa ao Palácio do Planalto com 50% dos votos válidos, de acordo com a pesquisa Datafolha publicada neste sábado, 1º. Ele é seguido pelo candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), que tem 36%, por Simone Tebet (MDB), com 6%, e por Ciro Gomes (PDT), com 5%.
O petista tem chance de sair triunfante ainda no primeiro turno. Para isso, ele precisa da metade mais um de todos os votos válidos, que excluem quem votou branco, nulo ou não foi votar. A possibilidade está dentro da margem de erro, de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.
Soraya Thronicke (União Brasil) e Felipe d’Avila (Novo) têm 1%. Os demais candidatos não pontuaram.
Entre os dois principais nomes da disputa, a situação permanece a mesma. Tanto Lula como Bolsonaro têm o mesmo número em comparação às últimas duas pesquisas. A novidade aparece entre os candidatos da chamada “terceira via”. Tebet aparece numericamente acima de Ciro pela primeira vez neste levantamento.
O número de pessoas que afirmam já ter definido o voto oscilou dois pontos para cima em comparação à última pesquisa, do dia 29 de setembro. 87% dos brasileiros agora estão certos da decisão. Nove em cada 10 (91% para Lula e 92% para Bolsonaro) dos eleitores dos dois principais nomes na pesquisa dizem que não irão mais mudar de candidato.
Entre os eleitores de Ciro e Tebet, que tiveram um drástico aumento nesse recorte no levantamento anterior, ainda há margem para o voto útil. 58% dizem estar certos no voto no pedetista e 41% afirmam que podem mudar; 62% responderam terem selado o voto na emedebista ante 37% ainda incertos.
O candidato do PDT lidera numericamente no índice da segunda escolha dos eleitores. Entre quem pretende mudar o voto, 19% afirma que migrarão para Ciro. Lula e Bolsonaro estão na segunda posição, com 18%. 15% dizem que podem votar em Tebet como plano B. A margem de erro neste segmento é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.
A candidatura petista investe os últimos esforços da campanha para tentar atrair o voto útil de eleitores da chamada terceira via para Lula para arrematar a vitória ainda no dia 2 de outubro. Outro desafio será evitar a abstenção dos eleitores, que pode influenciar os votos válidos.
Segundo turno
Lula também está à frente de Bolsonaro caso ocorra um segundo turno entre os dois. O petista tem 54% das intenções de voto ante 38% do candidato à reeleição pelo PL.
A vantagem entre os dois, agora de 16 pontos, foi afetada pela oscilação negativa do presidente em comparação à amostra anterior.
Assim como na amostra anterior, mais da metade (52%) dos entrevistados dizem que não irão votar em Bolsonaro de forma alguma. Ele é o líder nesse segmento. Lula ocupa a segunda posição, com a rejeição de 40% dos brasileiros, uma oscilação positiva de um ponto.
Debate
A pesquisa Datafolha também perguntou quem foi melhor no debate. Lula está à frente no recorte. 28% dos entrevistados dizem que o petista foi superior aos demais candidatos. Ele é seguido por Bolsonaro (20%), Tebet (10%), Ciro (4%), o candidato do PTB, Padre Kelmon (2%), a candidata do União Brasil, Soraya Thronicke (2%) e o candidato do Novo, Felipe d’Avila (1%).
A Folha de S. Paulo, contratante da pesquisa, repete o procedimento usado em pleitos passados e agora destaca os votos válidos ao invés dos votos totais na reta final até o dia 2 de outubro. Neste método, são excluídos os votos brancos, nulos e eleitores indecisos, seguindo o procedimento adotado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado da eleição.
A pesquisa, contratada pela Folha de S. Paulo e pela Globo, foi realizada entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro e entrevistou 12.800 eleitores presencialmente em 310 cidades. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00245/2022. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.
Ipec: Lula tem 51% dos votos válidos e Bolsonaro, 37%
Por Samuel Lima / O ESTADÃO
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança, mas oscilou negativamente um ponto e aparece com 51% dos votos válidos na pesquisa Ipec (ex-Ibope) divulgada neste sábado, 1º. O segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL), cresceu três pontos porcentuais e agora tem 37% das intenções de voto.
A diferença na véspera do primeiro turno é de 14 pontos porcentuais, contra 18 pontos do levantamento anterior, divulgado na segunda-feira, 26 de setembro.
Ciro Gomes (PDT) oscilou negativamente em um ponto e agora empata com Simone Tebet (MDB), que manteve os 5% dos votos válidos. Em quinto, aparecem Soraya Thronicke (União Brasil) e Felipe d’Avila (Novo), com 1%. Os demais candidatos não pontuaram na pesquisa Ipec.
Assim como na pesquisa Datafolha, o Ipec agora destaca os votos válidos ao invés dos votos totais na reta final até o dia 2 de outubro. Neste método, são excluídos os votos brancos, nulos e eleitores indecisos, seguindo o procedimento adotado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado da eleição. Para ser eleito presidente em primeiro turno, o candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.
O Ipec aponta ainda que 46% dos eleitores não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum — cinco pontos porcentuais abaixo do levantamento anterior — enquanto Lula é rejeitado por 38%, subindo três pontos porcentuais. Ciro Gomes (PDT) é o terceiro com maior rejeição, de 14%.
Votos totais e segundo turno
Considerando todas as respostas dos eleitores consultados, Lula tem 47% dos votos no primeiro turno e Bolsonaro, 34%. O levantamento indica que o porcentual de indecisos é de 3%. Brancos e nulos somam 4%. Em um cenário de segundo turno entre os dois, o petista cresce para 52% e Bolsonaro chega a 37%, mostra o instituto.
Dados da pesquisa
A pesquisa, contratada pela Globo, foi realizada entre 29 de setembro e 1º de outubro e entrevistou 3.008 eleitores presencialmente em 183 cidades. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00999/2022. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
'Não tem como não termos no mínimo 60% dos votos', diz Bolsonaro em motociata em SP
Por Guilherme Caetano — São Paulo / O GLOBO
Na última motociata em São Paulo antes das eleições, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a dizer que acredita em uma vitória no primeiro turno e reforçou que não espera menos de "60% dos votos" nas urnas no pleito de domingo.
— São muitas manifestações pelo Brasil de carros, motos, vários setores da sociedade. Não tem como não termos no mínimo 60% dos votos. Espero que isso de fato aconteça — afirmou.
Motociclistas reunidos na Praça Campo de Bagatelle, na Zona Norte da capital paulista, cobriram as placas de suas motos com adesivos eleitorais. A ação é considerada infração gravíssima de trânsito, sujeita à multa de R$ 293,47, apreensão e remoção do veículo e perda de sete pontos na carteira nacional de habilitação.
No pelotão VIP estavam comunicadores digitais influentes no bolsonarismo, como Robson Calabianqui (conhecido como Fuinha), com cerca de 2 milhões de seguidores no TikTok, e Fernando Lisboa, com 800 mil inscritos em seu canal no YouTube.
O candidato de Bolsonaro ao governo de São Paulo, o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), compareceu ao ato ao lado da esposa Cristiane. Os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente, Carla Zambelli (PL-SP) e Coronel Tadeu (PL-SP), figurinhas batidas nas agendas presidenciais, também compareceram.
A motociata fez o tradicional percurso partindo da Avenida Olavo Fontoura e vai até o Parque Ibirapuera. Alguns apoiadores acompanharam o ato de carro, com faixas, bandeiras do Brasil e um "buzinaço" ao longo da Marginal Tietê.
Lula tem 49% de votos válidos contra 35% de Bolsonaro, e segundo turno segue incerto, mostra Ipespe
A pesquisa Ipespe/Abrapel divulgada neste sábado (1o) indica possibilidade de a eleição ser resolvida apenas em segundo turno no Brasil.
Nela, Lula (PT) aparece com 49% dos votos válidos, contra 35% de Jair Bolsonaro (PL), 8% de Ciro Gomes (PDT) e 7% de Simone Tebet (MDB).
Para vencer no primeiro turno, o petista precisaria ter nas urnas 50% mais um dos votos válidos _quando são descartados os brancos e nulos, seguindo a regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O desafio é enorme, já que a abstenção é sempre mais alta entre eleitores de baixa renda, universo em que Lula tem mais votos.
A pesquisa, registrada no TSE com o número BR-05007/2022, ouviu 1.100 pessoas no dia 30 de setembro, por telefone. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A sondagem eleitoral mostrou um quadro de estabilidade quando são considerados os votos totais, incluindo brancos e nulos: Lula obteve 46% dos votos (mesmo percentual da semana passada em pesquisa do mesmo instituto).
Bolsonaro ficou com 33%, oscilando dois pontos para baixo (tinha 35% na pesquisa anterior).
Ciro teve 7% (contra 6% da pesquisa anterior), e Simone Tebet obteve 6% (tinha 4% na pesquisa passada, oscilando agora dois pontos para cima).
O quadro também se manteve estável no segundo turno, com Lula vencendo Bolsonaro por 55% a 38% no total do eleitorado.
Lula oscilou um ponto para cima (tinha 54% na pesquisa anterior, divulgada na semana passada), e Bolsonaro manteve percentual idêntico.
Considerado apenas os votos válidos, Lula tem 59%, contra 41% de Bolsonaro no segundo turno.
O cientista político Antônio Lavareda, que preside o Ipespe, afirma que, com esse resultado, não é possível afirmar se haverá ou não segundo turno, já que pesquisas não podem ser entendidas como prognóstico.
"Sempre insisto nesse tópico. Pesquisas fazem fotografias de momentos, medem atitudes, opiniões, mostram tendências, mas não medem comportamento (só as de boca de urna conseguem fazê-lo) e portanto não são prognósticos. Por quê? Porque sistemas pluripartidários, gerando diversas candidaturas como o nosso, abrem espaço para o voto estratégico (voto útil) inclusive no último minuto", diz ele.
O cientista político afirma ainda que o movimento de voto útil "pode ocorrer até amanhã, incentivado pelas pesquisas publicadas hoje.
Além disso, a obrigatoriedade do voto, gerando a ocultação de parte expressiva desse comportamento nas entrevistas, torna impossível retratar a abstenção, que não se verifica homogeneamente nos grupos sociais e, por conseguinte, afeta de forma diferenciada os candidatos.
Desse modo, quanto maior for a abstenção, mais afetará negativamente a votação do ex-presidente, beneficiando Bolsonaro.
Que fatores poderão ajudar Lula? Dois principais: O primeiro deles, como foi dito, seria uma abstenção reduzida; o segundo, o efeito eventual de uma espécie de "pressão social" pelo voto útil, objetivando que a campanha se encerre nesse primeiro turno. Cresceu e chegou a 75% a preferência para que a eleição termine amanhã. Esse sentimento alcança 54% dos eleitores de Ciro e 63% dos de Tebet".
com BIANKA VIEIRA, KARINA MATIAS e MANOELLA SMITH / FOLHA DE SP
Ciro Gomes usa foto com Bolsonaro ao seu lado para pedir voto na véspera da eleição

Alvo de ataques da esquerda devido às pesadas críticas que faz ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT) postou neste sábado (1) em suas redes sociais um pedido de voto em que usa, como imagem, uma foto em que ele aparece ao lado de Jair Bolsonaro (PL).
O candidato do PDT aparece na imagem fazendo com as mãos o número do seu partido, o 12. A foto foi tirara durante o debate realizado pela TV Globo, na quinta-feira (29), ocasião em que, por sorteio, coube a ele se sentar ao lado do presidente.
"Bom dia meu Brasil! Amanhã é dia de apertar o 12 e se livrar dessa polarização cheia de ódio, incompetência e ladroeira que tá afundando nosso país. Vamos juntos!!", escreveu Ciro na sua postagem.
Ex-ministro de Lula e alinhado a teses da esquerda, Ciro adotou na atual campanha uma estratégia de ataques tanto em relação a Bolsonaro como em relação ao petista. A tentativa foi a de tentar chegar ao segundo turno mediante esvaziamento de um dos dois oponentes.
Sem conseguir furar a polarização eleitoral no país, entretanto, o candidato entrou na reta final de sua quarta participação nas eleições com acenos à direita e intensificando os ataques ao PT.
Nas últimas semanas, a campanha adotou um tom mais agressivo em relação ao PT e a Lula, particularmente, e marcou presença em programas voltados à audiência bolsonarista em uma tentativa de furar a bolha de influência do presidente em busca de votos.
Boa parte da atitude de Ciro ocorre em meio à campanha petista pelo voto útil, ou seja, na tentativa de convencer eleitores ciristas a votar em Lula para que a eleição seja decidida no primeiro turno.
Nos debates presidenciais, o PT acusou Ciro de ser muito mais duro com Lula do que com Bolsonaro.
Aliados mais próximos de Bolsonaro, inclusive, teceram elogios a Ciro após o debate na Globo e chegaram a aventar uma aliança com o pedetista em eventual segundo turno.
Um dos membros da comitiva do presidente diz que Ciro é inteligente, tem muito conhecimento técnico e costuma travar "embates qualificados" com Bolsonaro. As críticas dele ao presidente, afirma, são vistas como decorrentes de divergências ideológicas e naturais dos confrontos políticos.
A Folha procurou a campanha de Ciro na manhã deste sábado, mas ainda não houve resposta.

