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Diante de cenário desfavorável, Lula muda estratégia e decide atuar em cinco capitais, mas só na reta final da campanha

Por  — Brasília / O GLOBO

 

Em cenário desfavorável nas eleições deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá intensificar sua participação em palanques apenas na reta final da disputa. Em outubro, o PT tentará conquistar o comando de ao menos uma capital, já que no pleito municipal de 2020 o partido passou em branco. Lula manifestou a aliados o desejo de participar de comícios em Natal, Goiânia, Fortaleza e Teresina, onde a sigla tem mais esperança para reverter o quadro.

 

O petista também deve privilegiar São Paulo, única capital onde Lula subiu em palanque desde início da campanha, para apoiar Guilherme Boulos, do PSOL.

 

Lula tratou sobre o tema no último domingo em conversa no Palácio da Alvorada com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e auxiliares próximos. O presidente expressou vontade de subir em palanques com cenários mais definidos e fazendo apostas que são consideradas mais certeiras, em candidatos considerados estratégicos para o PT e com chance de ir ao segundo turno.

 

A nova previsão é de que Lula amplie seu protagonismo nessas cidades na última semana de campanha. Na semana anterior, o presidente estará em Nova York, onde participará da Assembleia-Geral da ONU. Outra viagem internacional do presidente que irá disputar agenda de Lula com a reta final da campanha é a posse da nova presidente do México, Claudia Sheinbaum, marcada para 1º de outubro. Lula já manifestou desejo de ir à cerimônia.

 

Esforço por Fortaleza

Capital mais populosa do Nordeste, Fortaleza é considerada um local estratégico para o PT na região onde Lula tem mais popularidade, mas enfrenta dificuldade para emplacar aliados na liderança das disputas.

 

O Palácio do Planalto deposita expectativa na eleição de Evandro Leitão (PT). O ministro da Educação, Camilo Santana, ex-governador do Ceará bem avaliado, tirou férias para se dedicar à campanha do aliado. Leitão enfrenta cenário disputado entre capitão Wagner (União Brasil) e o candidato bolsonarista André Fernandes (PL). Durante a fase de convenções, Lula esteve apenas nos eventos promovidos por Leitão e Boulos.

 

Em Natal, a última pesquisa Quaest mostra a petista Natalia Bonavides empatada com Paulinho Freire (União Brasil) na busca pela segunda vaga do segundo turno. O ex-prefeito Carlos Eduardo (PSD) lidera a disputa. Em 2022, Bonavides foi a deputada federal mais votada do Rio Grande do Norte.

 

Na capital do estado mais lulista do Brasil, em Teresina, Fabio Novo (PT) disputa a liderança com Silvio Mendes (União Brasil) e usa Lula e Rafael Fonteles, governador petista mais bem avaliado do país, como seus principais cabos eleitorais.

 

A ida de Lula à cidade é vista como uma possibilidade de tentar garantir vitória do petista na capital que o PT nunca governou, mas onde o presidente teve 66% dos votos em 2022.

 

O adversário do petista, Silvio Mendes, embora apoiado pelo senador Ciro Nogueira (PP-AL), esconde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Já Fábio Novo, ex-filiado do PSDB, reuniu tucanos, Cidadania e MDB em sua chapa. A estratégia do candidato é mostrar que a população terá ganhos com a parceria de estado e governo federal.

 

Capital de um estado conservador e ligado ao agronegócio, Goiânia tem a petista Adriana Accorsi como uma das favoritas, em cenário de empate técnico com Vanderlan Cardoso (PSD) e Sandro Mabel (União Brasil). Accorsi tenta ser a primeira candidatura feminina a ir para o segundo turno na capital de Goiás, unindo a posição de delegada da Polícia Civil — foi chefe da corporação em 2011 e 2012 — ao histórico familiar na gestão da capital. Seu pai, Darci Accorsi, foi prefeito de Goiânia de 1993 a 1996, e deixou a gestão bem avaliado. Na última sexta-feira, Lula afirmou que pretende fazer um comício para a candidata:

 

— Quero ver se venho aqui fazer um comício para a minha candidata, a Adriana Accorsi. Acho que a Adriana é uma pessoa que merece ser levada em conta pelo povo de Goiás e de Goiânia. É uma menina bem preparada. A Adriana é uma menina extraordinária. Sinceramente, acho que o povo de Goiânia pode fazer uma aposta extraordinária numa mulher competente — disse à rádio Difusora.

 

Em São Paulo, a campanha de Boulos espera ter pelo menos mais um ato com a presença de Lula até o dia do primeiro turno. Na pré-campanha, chegou-se a cogitar pelo menos quatro datas com a presença do presidente. Na cidade, o petista participou de dois comícios no mesmo dia ao lado do deputado federal, e o PT enviou R$ 30 milhões do fundo partidário para tentar elegê-lo.

 

Havia desejo de petistas e aliados de que Lula estivesse presente ao menos em mais quatro capitais: Recife, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Essas cidades estão, por ora, fora dos planos.

 

Auxiliares de Lula tentam convencê-lo a ir à capital do Rio Grande do Sul, onde Maria do Rosário aparece em segundo lugar nas pesquisas, atrás de Sebastião Melo (MDB), que tenta reeleição. Mesmo as capitais citadas por Lula ainda não possuem definições de datas. Auxiliares afirmam que a marcação depende da agenda presidencial e que assuntos do governo e eventuais crises podem se impor, alterando o roteiro das campanhas.

 

Mesmo com preferências, petistas afirmam que a legenda nunca tentou impor um roteiro de palanques para Lula. Para ter mais chances nas disputas nais quais é protagonista, ou até mesmo onde possui dificuldades, o PT pediu que o presidente gravasse vídeos de apoio a candidatos da sigla.

 

Até aqui, ao invés de subir palanques, Lula tem optado por agendas institucionais do governo com inaugurações de obras em cidades onde pretende eleger aliados importantes.

 

Foi isso o que fez na semana passada em Uberlândia, segunda maior cidade de Minas Gerais, onde quer eleger Dandara Tonantzin (PT). O presidente participou da entrega do novo bloco do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia.

 

Inaugurações

Embora a legislação eleitoral proíba a participação de candidatos em inaugurações, não há restrição para uso político de obras após o fim da cerimônia do governo federal.

 

Com a largada da campanha e a possibilidade de sua presença em comícios causar fissuras em legendas que integram a base do governo, Lula manifestou que teria uma presença mais tímida. O argumento para evitar alguns locais é que o papel do presidente exige cuidado pela composição de apoio no Congresso Nacional.

 

O petista, no entanto, afirmou ter preferência por estar ao lado de aliados que têm adversários “ideológicos” ao governo. Desde o início da campanha, a ideia de Lula é marcar posição frente ao bolsonarismo.

 

— Tenho que levar em conta quem são os adversários e aí naquele que o adversário ideológico ou adversário negacionista, você pode ter certeza que eu vou fazer campanha — afirmou Lula em entrevista à rádio Verdinha de Fortaleza em 20 de junho.

 

Ranking de eficiência mostra cidades do Brasil que fazem mais gastando menos

Fernando CanzianRenata Nunes / FOLHA DE SP

 

Ferramenta criada pela Folha em conjunto com o Datafolha neste ano eleitoral permite consultar quais prefeituras do Brasil entregam mais serviços básicos à população usando menor volume de recursos financeiros.

 

REM-F (Ranking de Eficiência dos Municípios - Folha) leva em conta o atendimento das prefeituras nas áreas de saúdeeducação e saneamento, tendo como determinante no cálculo de eficiência da gestão a receita per capita de cada cidade. Quanto mais serviços prestados com menos receita, maior a eficiência.

O levantamento cobre 5.276 municípios, ou 95% do total, e se utiliza dos dados públicos mais recentes e comparativos (com datas equivalentes) para uma base dessa dimensão. Para 292 cidades, não havia informações consistentes, e elas ficaram de fora.

A ferramenta parte de uma escala de 0 a 1, em que o pior município atinge 0,220 e o melhor, 0,769. O trabalho revela que apenas 163 municípios (3% do total) podem ser considerados "eficientes". Outros 3.591 (68%) apresentam "alguma eficiência", enquanto 1.450 (27,5%) têm "pouca eficiência"; e outros 72 (1,3%) são"ineficientes".

Para consultar a situação de cada município e os seus principais indicadores, basta entrar no site do REM-F e digitar o nome da cidade a ser pesquisada. Também é possível fazer comparações entre municípios e consultar o ranking por estado ou por cidades com população equivalente.

Pode-se averiguar ainda quanto cada município despende em cada área (saúdeeducação e saneamento), a receita total e per capita e o gasto com o Poder Legislativo —além de quanto recebem em repasses da União e dos estados.

A ferramenta também revela o crescimento percentual dos servidores nos últimos sete anos, que foi de 5,75% na média do país. Neste ponto, nota-se que tendem a ser menos eficientes as cidades em que houve aumento dos servidores acima de 20% no período. Uma das razões é que elas acabam tendo mais custos fixos, e menos dinheiro para obras e investimentos.

Agregando os municípios "eficientes" e os com "alguma eficiência", revela-se que as regiões que melhor cumprem seu papel de prover serviços básicos gastando menos estão no Sudeste (81,7% das cidades), no Nordeste (78,6%) e no Sul (71,8%). Nas regiões Centro-Oeste (45,8%) e Norte (25,9%), é menor o total de cidades que o faz de forma minimamente eficiente.

O trabalho mostra que regiões e cidades onde o setor de serviços agrega mais valor ao PIB (Produto Interno Bruto) tendem a ser mais eficientes, assim como aquelas em que a indústria têm mais peso. Na contramão, nos municípios onde o setor público e a atividade agropecuária são preponderantes há tendência de as prefeituras serem menos eficientes.

O levantamento não se concentra apenas na avaliação da atual gestão, pois capta o histórico das administrações e realizações pregressas dos municípios, como o total de escolas e postos de saúde construídos ao longo de décadas.

A cidade paulista de Botucatu (com 145,1 mil habitantes e a 272 km da capital) é a primeira colocada no ranking, entregando mais saúde educação e saneamento à população gastando menos. O estado de São Paulo também agrupa 8 das 10 melhores mesorregiões do país. São cidades em torno de centros urbanos maiores como Marília, Ribeirão Preto, Araçatuba, Presidente Prudente e Araraquara, entre outros.

A pior colocada no ranking é a paraense Bagre, no Marajó, localizada em 1 das 10 piores mesorregiões do Brasil, todas no Norte do país —e 3 delas, no Pará. As demais ficam em estados como Amazonas, Rondônia, Amapá e Roraima.

São Paulo, a maior cidade brasileira, aparece como "eficiente", na 60ª posição. O Rio de Janeiro alcança "alguma eficiência", ocupando o 1.203º lugar. Entre as capitais, Belo Horizonte se destaca: "eficiente", é a segunda colocada no ranking geral, atrás de Botucatu.

ILHA DE MARAJÓ

 

Desempenho de Boulos após entrada de Lula frustra expectativas da campanha

Joelmir Tavares / FOLHA DE SP

 

O desempenho de Guilherme Boulos (PSOL) no Datafolha entre eleitores que poderiam ser conquistados pela entrada de Lula (PT) frustrou expectativas de aliados que esperavam avanço do candidato na camada mais pobre do eleitorado e deve forçar uma presença maior do presidente na campanha.

Boulos alcançou 23% de intenções de voto no quadro geral, empatado tecnicamente em primeiro com Pablo Marçal (PRTB), com 22%, e Ricardo Nunes (MDB), também com 22%. A margem de erro do levantamento, divulgado na quinta-feira (5), é de três pontos para mais ou para menos.

No segmento com renda familiar mensal de até dois salários mínimos, contudo, os números ficaram desfavoráveis. Se, na pesquisa anterior, de meados de agosto, os três marcavam 18%, na mais nova houve um descolamento, com 28% para Nunes, 19% para Boulos e 17% para Marçal.

Nesse estrato (que corresponde a 32% do eleitorado), a margem de erro é de cinco pontos, o que aponta empate técnico, mas a tendência positiva para o emedebista contrariou a avaliação de dirigentes do PSOL e do PT de que eleitores tidos como mais pendentes à esquerda dariam preferência ao candidato de Lula.

Desde 16 de agosto, quando começou oficialmente o período de campanha, a vinculação do deputado federal com o presidente foi intensificada. Lula esteve na cidade para dois comícios no dia 24 e foi ainda a estrela do primeiro programa no horário eleitoral, no último dia 30.

A estratégia para assegurar a ida ao segundo turno, discutida nos bastidores e compartilhada por diferentes auxiliadores de Boulos, passa por reforçar a ligação com o PT —pela primeira vez na redemocratização sem candidato próprio na capital. A vice é do partido, a ex-prefeita Marta Suplicy.

O comando da campanha minimiza o revés e diz ver margem para crescimento. Cita, por exemplo, o dado revelado pelo Datafolha de que 42% da população na cidade se declara petista, percentual que, em tese, poderia ser convertido. Ele hoje registra 45% de intenção de voto entre os simpatizantes do PT.

Entre os entrevistados que declaram ter votado em Lula no segundo turno de 2022 contra Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal marca 43%, dividindo espaço com Nunes, que tem 19%, e Tabata Amaral (PSB), que abocanha 12%. Os esforços agora são para reiterar o alinhamento com o presidente.

A candidatura do PSOL dá como justificativa para o ritmo de adesão aquém do esperado os argumentos de que o eleitor pobre e morador da periferia só agora está se inteirando da campanha e ainda não sabe que Boulos é o nome indicado por Lula, que a vice dele é Marta e que Bolsonaro apoia Nunes.

Uma frase repetida é que o PT "é um partido de chegada", no sentido de que a afluência de votos para a sigla em outros pleitos teve um salto às vésperas da votação, com a entrada do eleitor visto como cativo. Também se diz que grupos como o de mulheres costumam deixar a decisão para a reta final.

A ofensiva para atrair o público considerado com maior potencial de votar em Boulos inclui a volta de Lula à cidade em três ocasiões para novos atos, segundo previsão da campanha. Além de comícios, é avaliada a possibilidade de fazer caminhadas e uma agenda perto do primeiro turno.

Outra arma é a propaganda de TV, a partir do diagnóstico de que ela tem maior impacto sobre os paulistanos de baixa renda. O desafio é endossar a ligação com Lula, resgatar feitos da gestão Marta e apresentar propostas tendo espaço bem inferior ao de Nunes, que possui 65% do tempo total.

O predomínio do atual prefeito na propaganda televisiva foi usado pela campanha de Boulos para justificar os números favoráveis do emedebista na pesquisa. Apesar de ter visto sua base migrar parcialmente para Marçal, Nunes teve oscilação positiva de três pontos no quadro geral e se manteve competitivo.

Nos últimos dias, Boulos incorporou ao vocabulário o termo "resiliência" para destacar sua permanência há um ano em primeiro nas pesquisas, em alguns casos com empate técnico. Tem dito também que pretende fazer uma "campanha a quente" ao longo das próximas semanas, frisando o embate com o bolsonarismo, que ele vê representado tanto por Nunes quanto por Marçal.

Outros dados foram pinçados da pesquisa Datafolha por correligionários para ilustrar a solidez do candidato do PSOL. Um deles é a estagnação da rejeição (37%), considerada um feito perante o que é descrito como ofensiva dos adversários para colar nele a pecha de invasor e atacá-lo com mentiras.

Também é mencionado o fato de que 75% dos seus eleitores estão totalmente decididos em relação ao voto, convicção que aponta para um patamar consolidado. Ele é ainda o candidato com maior grau de afinidade entre seus eleitores, já que 39% deles se dizem comprometidos com o deputado.

Sobre o descompasso com o eleitorado de Lula, há ainda relatos de membros da coordenação de que pesquisas internas (os chamados trackings) têm resultados mais animadores do que os coletados pelo Datafolha, com maior identificação de Boulos como o candidato do presidente e conversão superior.

Nunes diz que Marçal está 'envolvido até o nariz' com PCC e que não o deixará ser eleito

Matheus Tupina / FOLHA DE SP

 

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) fez novos ataques a Pablo Marçal (PRTB) nesta segunda-feira (9), afirmou que o influenciador está "envolvido até o nariz com o PCC", e disse não deixar que ele chegue à Prefeitura de São Paulo nestas eleições.

Nunes citou a série de ligações que Marçal possui com pessoas suspeitas de envolvimento com o PCC, chamou o empresário de mentiroso e recapitulou os áudios revelados pela Folha e atribuídos ao presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, afirmando ter ligações com a facção criminosa.

"Eu não vou deixar, e vocês precisam, como jornalistas, ter essa responsabilidade, esse cara chegar na prefeitura. ele pode ter sentado nessa cadeira, mas cadeira da prefeitura, para ele levar essa turma do crime para lá, não", disse o atual prefeito, que busca a reeleição, ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Nunes disse que as eleições estão ocorrendo diante do "M da mentira", referindo-se à inicial de Marçal amplamente utilizada pelo candidato para pedir votos. Afirmou, entretanto, que as alegações do influenciador vão sendo desmascaradas no decorrer do processo eleitoral.

A campanha do atual prefeito tem utilizado das inserções e propagandas na TV e no rádio para realçar as controvérsias relacionadas ao autodenominado ex-coach, incluindo a condenação por furto qualificado em um caso de 2005 e ligações de seu partido com o PCC.

Marçal foi acusado de participar de uma quadrilha de fraudes bancárias e costuma dizer que apenas consertava computadores para o grupo. O processo, porém, desmonta essa versão. Menciona que ele indicava vítimas ao bando, sabia da fraude e foi solto após delatar supostos comparsas à Polícia Federal.

Ele foi sentenciado a quatro anos e cinco meses em regime semiaberto em Goiás, mas os réus recorreram e, quando o caso transitou em julgado, em 2018, o crime já havia prescrito. Por isso, a sentença nunca foi aplicada. Ele sempre negou saber do esquema e, quando questionado, costuma citar a prescrição.

A inserção de Nunes na TV mostra um QR code que leva a essa sentença na íntegra, enquanto a narradora fala: "Gente, a lista é grande, é assustador. E tudo isso é fato, e tá aí para todo mundo ver. Mesmo que ele queira tanto esconder".

Ao final, aparece uma postagem de Marçal nas redes sociais na qual ele escreveu "PCC: seja criativo nos comentários". Outras reportagens mencionadas pela propaganda citam elos da facção com integrantes do partido do influenciador, o PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro).

Na gravação, o dirigente partidário afirmou que foi o responsável pela soltura de André do Rap, apontado como chefe do tráfico internacional de drogas dentro do PCC. Ele foi condenado, posto em liberdade por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e está foragido.

Questionado sobre a máfia das creches, caso na PF e do qual Nunes é um dos listados na investigação, o prefeito reiterou ter entregue todos os documentos, mesmo com o relatório da corporação ter alegado a falta de itens que refutem a suposta movimentação atípica nas contas do emedebista.

Ele novamente questionou o fato das principais atividades do inquérito terem sido retomadas na época da eleição, e negou qualquer irregularidade.

Datafolha: Engajamento de Marçal é 8 vezes a soma dos outros candidatos

Bruno XavierVictória Cócolo / FOLHA DE SP

 

Menos de duas semanas após ter as redes sociais bloqueadas pela Justiça Eleitoral, Pablo Marçal (PRTB) atinge nas plataformas digitais números muito acima dos concorrentes à Prefeitura de São Paulo. O engajamento do candidato em suas contas corresponde a oito vezes os de todos os adversários juntos.

Os dados são de um levantamento realizado pelo Datafolha e pela empresa Codecs entre os dias 26 de agosto e 1º de setembro com todos os pré-candidatos ao Executivo em São Paulo. O instituto considera menções em portais de notícias, blogs e fóruns e também posts em redes sociais.

O autodenominado ex-coach teve, no período, 32.184.366 interações online, equivalente a oito vezes a soma dos outros candidatos, de quase 4,2 milhões. Em sua melhor semana até aqui, Marçal havia registrado 24,7 milhões de interações.

Guilherme Boulos (PSOL) tem o segundo melhor resultado no levantamento, com cerca de 2,1 milhões de interações. As candidatas Tabata Amaral (PSB) e Marina Helena (Novo) têm cerca de metade disso. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) tem 233,5 mil e o apresentador José Luiz Datena (PSDB), 84 mil.

Após a derrubada de seus perfis pela Justiça Eleitoral, Marçal abriu uma conta reserva no Instagram. O perfil cresceu rapidamente e já conta com mais de 4 milhões de seguidores, um terço dos 12 milhões que a conta bloqueada do influenciador tinha.

Na nova conta, o candidato já tem quase o dobro de seguidores de Boulos, o segundo candidato mais seguido. Tabata vem na terceira colocação, com 1,6 milhão de seguidores no Instagram. Nunes e Datena tem pouco menos de 1 milhão cada.

Os resultados online de Marçal ameaçam a estratégia de reeleição de Nunes. O último Datafolha mostrou que o autodenominado ex-coach ultrapassou numericamente o prefeito, embora estejam empatados dentro da margem de erro junto com Boulos.

Nunes aposta no horário eleitoral para voltar a crescer nas pesquisas —tem mais de 60% do tempo da propaganda em TV. São cerca de 6 minutos em cada um dos dois blocos de 10 minutos, e 27 minutos e 20 segundos em inserções veiculadas ao longo da programação das emissoras.

De acordo com sondagens internas da campanha do emedebista, as inserções funcionaram. Apesar disso, a Codecs mostra que ele não teve aumento de engajamento nas redes sociais nesse período.

Presidente da Câmara Municipal e apoiador de Nunes, Milton Leite (União Brasil-SP) afirmou acreditar no sucesso da estratégia. "O Marçal tinha visibilidades nas redes. Nós estamos investindo nas redes e abrimos o salão grande agora [a TV] que tem a maior visibilidade, e vamos bater nele [Marçal] sem dó", afirmou.

 

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