Datafolha: Lula estanca queda de popularidade, mas reprovação (38%) ainda supera aprovação (29%)
Renata Galf / FOLHA DE SP
Após ver sua popularidade desabar no começo deste ano e atingir o pior patamar de todos os seus mandatos, o presidente Lula (PT) estancou a crise e conseguiu uma leve melhora na proporção dos que avaliam sua gestão como ótima ou boa, segundo a mais recente pesquisa Datafolha.
O índice de aprovação subiu de 24%, no levantamento de fevereiro, para 29%. Mas segue distante dos 38% que consideram o governo como ruim ou péssimo —antes eram 41%. Já os que classificavam sua gestão como regular continuam sendo 32%.
Os números aferidos nesta semana estão no segundo pior patamar da gestão Lula 3 —a situação é melhor apenas que a de fevereiro.
Nos demais levantamentos do Datafolha ao longo do terceiro mandato do petista, o índice dos que viam o governo como ótimo ou bom era ao menos numericamente superior ao de ruim ou péssimo. Em dezembro, a taxa de aprovação era de 35%, contra 34% da de reprovação.
A queda de popularidade de Lula se deu em meio à subida do preço dos alimentos, que tem pressionado a inflação, e crises como a do Pix —com medidas que motivaram fake news sobre uma suposta taxação.
O petista fez no começo do ano uma mudança na Secom (Secretaria de Comunicação Social), colocando o marqueteiro Sidônio Palmeira para comandar a pasta. Conforme mostrou a Folha, integrantes do Executivo e parlamentares faziam a avaliação de que as medidas já tomadas ainda não haviam surtido efeito.
Segundo a pesquisa Datafolha, o atual índice de avaliação positiva de Lula é semelhante aos 28% registrados em outubro e dezembro de 2005, durante seu primeiro mandato e em meio à crise do mensalão.
No mesmo período de seu mandato, em maio de 2021, em meio à pandemia de Covid, Jair Bolsonaro (PL) marcava 24% de bom ou ótimo e 45% de ruim ou péssimo. Naquela altura, 30% avaliavam o governo como regular.
Quando questionados se aprovam ou desaprovam o governo Lula, o cenário atual é de empate dentro da margem de erro: 49% desaprovam, enquanto 48% aprovam. Outros 3% dizem não saber.
Apesar da leve alta na aprovação desde fevereiro, a expectativa futura em relação ao governo não melhorou.
Quando questionados se, daqui para frente, Lula fará um governo ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo, o índice dos que fazem um prognóstico positivo é igual ao do negativo: 35%. Outros 28% dizem que será regular.
Em comparação com os resultados medidos anteriormente, é a primeira vez que a perspectiva mais otimista não é numericamente superior à negativa.
Além disso, o cenário se afasta bastante do medido no início do terceiro mandato, em março de 2023, quando 50% diziam que Lula faria um governo ótimo/bom, contra apenas 21% que tinham uma visão pessimista.
Também a resposta à pergunta se a vida melhorou ou piorou após a posse de Lula não traz boas notícias para o governo: 29% dizem que piorou. Em julho do ano passado, 23% diziam o mesmo.
Já os que dizem que a vida melhorou ficou em 28%, variando dentro da margem de erro (antes eram 26%). Os que respondem que a vida permaneceu igual passou a 42% (saindo do patamar anterior de 51%).
Considerando-se apenas as mulheres (com margem de erro de três pontos), a avaliação de ótimo ou bom de Lula agora é de 30%, melhorando o índice de fevereiro, em que tinha amargado 24% no segmento que dava a ele 38% até dezembro.
Entre os mais pobres —aqueles que ganham até dois salários mínimos, com margem de erro de três pontos—, o governo viu sua avaliação positiva oscilar apenas um ponto percentual, ficando em 30% (era de 29% em fevereiro). O segmento era aquele em que Lula se saía melhor, com 44% de avaliação positiva em dezembro.
A recuperação parcial da avaliação positiva do presidente de fevereiro para abril foi mais forte, conforme aponta o Datafolha, entre aqueles com escolaridade superior (margem de erro de quatro pontos), que passou de 18% para 31%, e também entre as faixas de renda mais altas.
Entre os que ganham de 2 a 5 salários (margem de erro de três pontos), a taxa de avaliação positiva passou de 17% para 26%. Tanto entre os que ganham de 5 a 10 salários (margem de erro de cinco pontos) quanto na faixa dos que ganham mais de 10 salários (margem de erro de oito pontos), passou de 18% para 31%.
Já entre as regiões do país, a avaliação positiva do presidente segue mais alta no Nordeste (margem de erro de quatro pontos), com 38%. Mas ainda não se recuperou da queda de dezembro para fevereiro, quando caiu de 49% para 33%.
No Sudeste, a avaliação positiva é 25%, frente a 20% no último levantamento.
O governo Lula prepara uma ofensiva publicitária e prevê contratos de ministérios, bancos e estatais que podem alcançar R$ 3,5 bilhões neste ano, após a conclusão de licitações para seleção de agências de propaganda.
Na última quinta, sob comando de Sidônio, a gestão petista fez um evento com ares eleitorais para divulgar um balanço, intitulado "Brasil Dando a Volta por Cima".
Com solenidade em tom de campanha, Lula aciona de vez o modo reeleição
A um ano e meio das urnas, Lula entrou de vez em modo reeleição. Na quarta-feira, o presidente disse a senadores que será candidato em 2026. Na quinta, fez um evento oficial para exaltar os feitos do governo e apresentar uma nova campanha publicitária.
Comandado pelo ministro e marqueteiro Sidônio Palmeira, o ato teve forma e conteúdo de propaganda eleitoral. No telão, um vídeo exibiu cenas de crianças correndo, famílias sorrindo, praia lotada e Cristo Redentor. No palanque, locutoras recitaram números e anunciaram novas benesses, como a ampliação do Minha Casa, Minha Vida e a antecipação do 13º dos aposentados.
Para humanizar o falatório, o evento apresentou três beneficiários de programas federais como “representantes desse Brasil da reconstrução”. Eles subiram ao palco com uma âncora da TV Brasil, em nova mistura imprópria de comunicação pública com publicidade estatal.
Num momento constrangedor, um repentista exaltou o “Brasil de Luiz Inácio” e arriscou rimas como “meia-luz” e “homens nus”, “força no arranque” e “Lei Aldir Blanc”. Se já ficaria ruim no horário eleitoral, ficou pior na solenidade oficial.
O pretexto do evento era apresentar um balanço dos primeiros dois anos de governo. Em dezembro, isso faria algum sentido. Em abril, soou como desculpa esfarrapada para botar a campanha na rua.
Para azar do Planalto, o ato “Brasil dando a volta por cima” coincidiu com a pesquisa Quaest que apontou nova baixa na popularidade presidencial. Os números deveriam lembrar os ocupantes do poder que comunicação ajuda, mas não faz milagre. Depois da posse do novo ministro, Lula continuou a perder pontos em todos os segmentos do eleitorado.
Em discurso lido para evitar novas gafes, o presidente elogiou o próprio desempenho, mas reconheceu que “ainda há muito a ser feito”. Não fez nenhuma referência à inflação de alimentos, que corrói sua imagem desde o fim do ano passado.
Lula faz gravação para redes sociais com o fotógrafo Ricardo Stuckert no ato 'Brasil dando a volta por cima' — Foto: Evaristo Sá/AFP
Entrada de Tarcísio na disputa pelo Planalto é cenário que se consolida a cada dia, diz vice em SP
Por Geovani Bucci (Broadcast) e Daniel Galvão / O ESTADÃO DE SP
A entrada de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo Palácio do Planalto em 2026 é um cenário que “cada dia mais se consolida”, na opinião de Felício Ramuth, vice-governador de São Paulo. Apesar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) insistir que será candidato, mesmo inelegível, e o próprio governador negar publicamente a intenção de disputar a presidência da República na próxima eleição, Ramuth aposta que a conjuntura política acabará colocando seu companheiro de Palácio dos Bandeirantes na disputa presidencial. É a primeira vez que um integrante da cúpula do governo estadual destaca abertamente a hipótese.
“O cenário político acaba nos empurrando para caminhos que nem esperávamos ou para os quais não estávamos nos preparando. Isso pode acontecer”, afirmou Ramuth durante entrevista exclusiva ao programa ‘Papo com Editor’, do Estadão/Broadcast.
Ramuth, que assumiria o governo do Estado em abril do ano que vem caso Tarcísio se afastasse para disputar o Planalto, reconhece que hoje, mesmo inelegível, a candidatura do ex-presidente Bolsonaro está posta. Mas a situação do ex-presidente pode se agravar ao longo dos próximos meses, à medida em que o Supremo Tribunal Federal (STF) começar a julgar os envolvidos com a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Nesta quarta-feira, 26, Bolsonaro foi transformado em réu junto com 7 aliados.
Como mostrou o Estadão, partidos do Centrão têm pressionado Bolsonaro por uma definição e colocam um prazo para que o ex-presidente abra caminho para outro nome: o final deste ano. Bolsonaro, contudo, insiste que se manterá na disputa e registrará a candidatura mesmo estando inelegível. Uma pesquisa feita com manifestantes bolsonaristas em Copacabana, no dia 16, mostrou que a maioria prefere Tarcísio como nome da direita.
Apesar de Tarcísio defender abertamente a sua candidatura à reeleição em São Paulo, Ramuth diz que a política, “muitas vezes, não segue exatamente os nossos desejos”. Para ele, a conjuntura pode fazer com que o governador se torne candidato ao Planalto nas eleições de 2026, mesmo que não haja a intenção do republicano de concorrer de fato.
O vice-governador reconhece que Tarcísio é alinhado com Bolsonaro, mas defende opiniões diferentes do ex-presidente quando julga necessário. O vice-governador cita como exemplo as recentes declarações de Tarcísio sobre as urnas eletrônicas. O governador elogiou o sistema usado no Brasil e disse que elas são “referência” mundo afora, o que contrariou muitos bolsonaristas. “Assim como eu, que fui eleito três vezes por meio das urnas eletrônicas, ele confia nesse sistema”, afirmou o vice.
Ramuth disse também estar “calmo” e “alegre” por pleitearem seu lugar como candidato a vice-governador de São Paulo, numa eventual substituição na chapa da reeleição. Atualmente, há dois nomes que gostariam de concorrer ao lado de Tarcísio nas próximas eleições: o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), e o presidente nacional do próprio partido de Ramuth (e secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado), Gilberto Kassab.
“É claro que existe um cenário natural que é manter a chapa já existente, mas é natural também que outras forças políticas queiram se apresentar neste momento”, disse. “Tenho certeza que todos os nomes citados podem contribuir num futuro governo.”
Vice não defende saída do PSD do governo Lula
Apesar de ser vice de Tarcísio, possível candidato à Presidência em 2026, Felício Ramuth afirmou não ser a favor de uma eventual saída de seu partido do governo federal.
Hoje o PSD tem três ministérios: Minas e Energia, Pesca e Aquicultura e Agricultura. Contudo, seu presidente, Gilberto Kassab, é secretário de Governo e Relações Institucionais de Tarcísio.
Ramuth destacou que há uma diferença de posicionamento entre os quadros políticos do partido marcado pela regionalidade e que o PSD é de “centro”. Enquanto a legenda possui nomes mais alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste, onde o petismo possui mais força, os partidários de Sudeste e Sul são mais contemplados pela centro-direita e direita.
“Quando o próprio Kassab permanece em São Paulo, à frente de uma secretaria, isso deixa claro que o PSD paulista está mais alinhado à centro-direita”, disse o vice-governador. “Já os que apoiaram a eleição do presidente Lula ocupam hoje cargos nos ministérios – e isso é legítimo, não me causa estranheza.”
Em relação ao presidente nacional de seu partido, Ramuth avaliou que Kassab não quis chamar recentemente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de “fraco” propriamente, e, sim, que ele é um “ministro enfraquecido”, que não possui respaldo suficiente de Lula para fazer o embate dentro do PT de modo a buscar eficiência no uso de recursos públicos. “Ele expressou algo que, na verdade, se escuta nos corredores de Brasília”, afirmou.
Nesse sentido, Ramuth disse que falta a Lula uma conexão com a sociedade, fator que o petista teria “perdido”. Segundo o vice-governador, projetos como a tentativa de regulamentar o trabalho dos motoristas e entregadores por aplicativo do início do ano passado representam distanciamento e “falta de sensibilidade política”.
“Acho que o presidente Lula está preso ao passado, sem um olhar para o futuro. E isso se reflete em várias decisões do governo”, explicou Ramuth. “Soma-se a isso a prática recorrente de gastar mais do que se deve. E, aliás, com a eleição se aproximando, essa tendência só piora. Já vemos que há alguns planos sendo preparados para manter essa gastança.”
PL prioriza Senado em 2026 e sinaliza disposição para negociar candidatura ao Governo
O gesto revela um movimento de aproximação entre legendas que têm atuado de forma fragmentada desde as eleições de 2022, e sinaliza uma tentativa de consolidar uma frente de oposição ao grupo governista no Ceará.
Indefinições nacionais ainda geram impasses
Nacionalmente, os partidos de centro, que flutuam entre o governo Lula e a oposição, estão em articulações para definir posições para 2026. O União Brasil e o PP, por exemplo, ensaiam uma federação. O PDT, ligado à base de Lula, tem membros na oposição ao PT no Ceará. O PSD, nacionalmente, também flutua entre os dois campos.
Todas essas situações podem influir nas composições estaduais, mas por enquanto, tudo é especulação.

Bolsonaro cita o seu candidato ao Senado pelo Ceará em 2026 e agita os bastidores no campo da direita
Em entrevista a um podcast nesta segunda (24), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) citou o deputado estadual Pastor Alcides Fernandes (PL) como nome do bolsonarismo para a disputa ao Senado em 2026 pelo Ceará. A declaração foi feita em resposta a um internauta que questionou quais seriam os nomes com potencial para ocupar as 54 cadeiras do Senado que estarão em disputa no próximo pleito.
Bolsonaro se referiu a Alcides como “pai do André”, numa menção ao deputado federal André Fernandes, aliado de primeira hora e nome de destaque no PL cearense.
O nome de Pastor Alcides, menos conhecido no eleitorado em comparação com André Fernandes, mas próximo ao grupo ideológico de Bolsonaro, reacende as discussões internas do PL sobre a definição de candidaturas prioritárias.
PL quer protagonismo na chapa de 2026
Nos bastidores e em declarações públicas, lideranças do PL cearense — incluindo o próprio André Fernandes — já deixaram claro que o partido não aceitará papel secundário nas eleições de 2026. O objetivo é lançar candidatura própria ao Governo do Estado e também indicar o principal nome da direita ao Senado. A declaração de Bolsonaro, portanto, além de representar um gesto de afago a Alcides e André, também lança luz sobre uma disputa interna pela cabeça da chapa majoritária do campo político.
Essa movimentação ocorre em meio a um cenário ainda indefinido dentro da oposição ao governo Elmano de Freitas (PT). O União Brasil, liderado pelo ex-candidato ao governo Capitão Wagner, segue como peça-chave no tabuleiro, mas ainda sem definição sobre alianças com o PL. Ao mesmo tempo, setores do PDT que hoje fazem oposição ao governo, sob liderança do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, também tem planos de protagonismo como opositores em 2026.

