Trump ensaia mais uma guerra sem fim para os EUA
A inépcia de Donald Trump na condução de sua guerra contra o Irã ganhou um novo capítulo na semana que passou, quando o presidente americano declarou encerrada a trégua que havia estabelecido com Teerã em 17 de junho.
Depois de enlouquecer os aliados da Otan numa cúpula em que alternou insultos e afagos, o republicano ordenou novos ataques de maior escala contra a teocracia na quarta-feira (8).
O motivo foi o fracasso do memorando de entendimento com o Irã, que, na prática, abria uma avenida para que o adversário se fortalecesse a partir do controle do estreito de Hormuz.
A debacle se concretizou em três ataques iranianos a petroleiros que passavam pela região, canal de escoamento de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, antes da guerra iniciada por Trump e o israelense Binyamin Netanyahu no fim de fevereiro.
Restou aos EUA voltar à carga, com retaliação do Irã contra alvos americanos no golfo Pérsico. Após uma pausa na sexta (10), o padrão se manteve no fim de semana. O conflito ainda está longe de uma guerra ampla como antes, mas não deixa de indicar algo danoso para Trump.
Desde a campanha eleitoral de 2016, a retórica trumpista pregava o desengajamento dos EUA daquilo que chamava de guerras infinitas e inúteis. Com os desastres do Iraque e do Afeganistão em mente, o republicano fustigou o envolvimento em conflitos. No poder, não foi bem assim, mas apenas na sua volta à Casa Branca em 2025 o presidente embarcou no militarismo desabrido.
Trump fracassou nos seus objetivos maximalistas de mudança de regime e anulação da ameaça convencional e nuclear dos aiatolás, ainda que tenha degradado bastante as capacidades futuras e a articulação regional de Teerã.
O memorando de junho previa 60 dias de cessar-fogo e negociações sobre a bomba atômica iraniana. Houve pouco avanço e muitas concessões.
Suspeitando das intenções americanas, os iranianos resolveram assegurar seu maior achado estratégico no conflito: o poder de manipular o mercado internacional de energia por meio de simples ataques com lanchas e drones no estreito, a ser transformado em praça de pedágio.
A dinâmica de ataques pontuais de lado a lado sugere guerra continuada, tudo o que o Trump de 2016 prometia combater. O preço será conhecido nas eleições legislativas de novembro.
Enquanto isso, o Oriente Médio é redesenhado com um novo e mais agressivo papel do Irã, o fortalecimento do belicismo israelense e a maior influência da Turquia. O preço do petróleo vive na montanha-russa, e o Fundo Monetário Internacional calcula perdas para o crescimento econômico do planeta.
Adensa-se a incerteza global. A China mede perdas e muitos ganhos com a barafunda, a Europa se rearma e a Rússia ameaça escalar sua guerra na Ucrânia.

