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Desconectados

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

Cerca de 18 milhões de brasileiros, ou 9,5% da população acima de 10 anos, não tinham acesso à internet em 2025, de acordo com o módulo de tecnologia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.

 

É um contingente espantoso dado o papel central da internet no acesso a serviços públicos, financeiros e educacionais. Isso sem contar o fato de que há um amplo mercado de trabalho organizado em torno da integração digital, como o de motoristas de serviços de aplicativos e de entregas.

Embora o preço seja um entrave ao acesso para 25,9% dos 4 milhões de domicílios brasileiros “desconectados”, a principal razão para a falta de conexão digital não é financeira. Em 36,5% dos domicílios sem acesso digital, nenhum morador sabia usar a internet, um verdadeiro descalabro.

O analfabetismo digital custa caro ao Brasil, impedindo que o País saia da armadilha da baixa produtividade. A internet não é apenas uma ferramenta de trabalho cada vez mais relevante, mas um meio essencial para a redução de trâmites burocráticos, para agilizar a comunicação e para franquear acesso à educação e à saúde, entre outras finalidades.

 

Durante o necessário período de isolamento social provocado pela pandemia de covid-19, por exemplo, foi a internet que permitiu interações humanas e de trabalho. Graças a ela, crianças não perderam o ano escolar por completo e empresas continuaram produzindo, o que impediu uma depressão econômica ainda maior do que a que se viu no período de 2020/2021.

 

Por tudo isso, urge que o País trabalhe para democratizar ainda mais o acesso e também para educar sua população a utilizar os meios digitais.

A pandemia de covid-19 felizmente passou, mas muitas das mudanças que ela provocou, inicialmente pensadas como pontuais, tornaram-se permanentes. Além disso, a crescente digitalização das transações financeiras mudou drasticamente a relação entre clientes e bancos.

 

O caso do Pix é exemplar. O sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central permite que milhões de brasileiros recebam pelos serviços que prestam ou pelos produtos que entregam de forma segura e sem pagar taxas, o que só torna ainda mais insólito que quase 10% da população do País não tenha acesso à internet.

 

Tal como ocorre com outros marcadores de inclusão social (como não saber ler nem escrever, por exemplo), a exclusão digital é mais acentuada na Região Nordeste. Por lá, 92,7% dos domicílios tinham acesso à internet em 2025, porcentual que era de 97% no Centro-Oeste, de 96% tanto no Sul quanto no Sudeste e de 94% no Norte.

 

No País como um todo, a penetração da internet é maior em áreas urbanas (95%) do que nas rurais (88%), nas quais a falta de disponibilidade do serviço ainda é maior que em grandes centros.

 

Instrumento de desenvolvimento e inserção, o acesso à internet precisa não só ser acelerado, mas também dominado pela população brasileira, tão carente de oportunidades e cada vez mais na retaguarda de indicadores globais de educação e de competitividade.

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