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Feitos e frustrações de MarinaFeitos e frustrações de Marina

Marina Silva deixou o cargo de ministra do Meio Ambiente na última semana —ela é cotada para concorrer a uma vaga no Senado pela federação PSOL-Rede. Nessa nova passagem pela pasta, conseguiu reduzir de forma expressiva o desmatamento, feito que já havia alcançado entre 2003 e 2008, durante o primeiro e parte do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Mas o assim chamado desenvolvimentismo petista —fator que contribuiu para a sua saída do governo em 2008— novamente se impôs desta vez e, com um Congresso Nacional permeável à atuação de lobbies, dificultou outros avanços no setor.

Sob o desmonte promovido por Jair Bolsonaro (PL), a área devastada na Amazônia Legal subiu de 10,1 mil km² em 2019 para 11,5 mil km² em 2022, com pico de 13 mil km² em 2021 (maior patamar desde 2006), de acordo com o sistema Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em 2025, o indicador caiu a 5,7 mil km², o terceiro menor da série histórica iniciada em 1998.

 

No cerrado, viu-se movimento semelhante, com alta de 6,3 mil km² para 10,6 mil km², entre 2019 e 2022, e diminuição até 7,3 mil km² no ano passado. Na seara dos combustíveis fósseis, aparece a contradição entre a pasta do Meio Ambiente e a chefia do Executivo. A Política Nacional de Transição Energética, lançada pelo Planalto em 2024, prestou-se a fomentar o gás natural. O programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), criado por medida provisória no mesmo ano, incluiu medidas retrógradas em meio ambiente e economia, como subsídios à indústria automotiva. Lula 3 também elevou o imposto para importação de carros elétricos e híbridos.

 

Sob pressão do governo federal, o Ibama concedeu licença para pesquisa da Petrobras na bacia da Foz do Amazonas poucos dias antes da COP30 em BelémNum Congresso Nacional com forte atuação do agronegócio, o ministério sofreu derrota com a aprovação da lei que flexibiliza o licenciamento ambiental, principalmente no caso do dispositivo que agiliza autorizações para empreendimentos considerados estratégicos por órgão ligado à Presidência —regra que recebeu aval do Planalto.

 

No lugar de Marina, assumiu João Paulo Capobianco, que era secretário-executivo da pasta e não deve mudar a política da gestão anterior. Apesar da melhoria no cenário do desmatamento, o governo Lula ainda deve medidas efetivas em áreas cruciais como transição energética e adaptação aos efeitos da mudança climática.

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