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Antes que seja tarde

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

O governo de São Paulo já fez as contas: para evitar o colapso do sistema integrado de abastecimento de água da Grande São Paulo, as represas que atendem a 22 milhões de habitantes precisarão atingir 47% de sua capacidade em abril deste ano, quando começa a seca. E, no fim da estiagem, em setembro, o patamar de segurança esperado é de 30%. Os ciclos da natureza até autorizariam uma certa tranquilidade: entre outubro e março, costuma chover mais, com precipitação mais volumosa sobre os reservatórios, que são recarregados para enfrentarem os meses de pouca chuva que virão depois. Mas, em tempos de mudanças climáticas, nada mais é tão estável assim.

 

Para piorar, como ocorreu há dez anos, o abastecimento de água da região metropolitana encontra-se em uma situação delicada. O nível do sistema integrado, hoje, está em cerca de 30%. Já o Cantareira oscila em torno de 20%, e recentemente ficou abaixo disso, o que é considerado estado crítico. Choveu e chove pouco, e não há previsão de chuva forte sobre os sete mananciais da Grande São Paulo: Alto Tietê, Cantareira, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.

 

A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, está otimista de que não faltará água, mas ao Estadão reconheceu que a chuva está “inconsistente” na área do Cantareira, o que preocupa, haja vista que esse manancial abastece nada menos do que 46% da população. Definitivamente, não se pode contar apenas com o céu.

 

Não à toa, desde agosto do ano passado, a Sabesp reduziu a pressão à noite: a princípio, eram oito horas por dia, e depois, dez horas, causando transtornos a quem não tem caixa ou mora em regiões altas. Mas, mesmo impopular, essa medida não tem sido suficiente: a população de São Paulo não economizou nada; pelo contrário, nunca consumiu tanto. Houve recorde de captação de água dos reservatórios em 2025, com a retirada de 71 mil litros de água por segundo, num movimento semelhante ao registrado na crise hídrica de 2014 e 2015, quando, no ano anterior ao colapso, foram captados 70 mil litros de água por segundo dos mananciais.

 

O cenário é alarmante, mas não é irreversível. Há campanhas de esclarecimento em curso atualmente e investimentos de mais de R$ 5 bilhões, no longo prazo, com obras para acrescentar ao sistema a oferta de até 8 mil litros de água por segundo. Mas, para garantir a segurança hídrica, seria muito bem-vindo o reforço nas ações de conscientização.

 

A população, ao que tudo indica, ainda não está ciente da gravidade. Urge alertar os paulistanos, com total transparência, sobre a necessidade de redução do consumo de água. Mas não só isso: talvez tenha chegado a hora de não só pedir por economia, mas estimulá-la. Seria bastante eficaz o oferecimento de bônus para clientes que de fato reduzam seu gasto com água. E, infelizmente, não se deve descartar nem mesmo o temido racionamento. As medidas mais enérgicas devem ser tomadas agora, enquanto ainda há água nos reservatórios e nas torneiras. Depois, pode ser tarde demais.

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