Mais mortes e menos nascimentos pressionam gastos
Dados do IBGE divulgados na quarta (10) reafirmam a tendência de envelhecimento da população brasileira, que pressiona a Previdência Social e o sistema de saúde. Nesse sentido, trata-se de um alerta para que governos implementem reformas em prol do uso racional do dinheiro público e da contenção de gastos, que crescem de forma insustentável nos últimos anos.
O número de mortes no país vinha subindo lentamente desde 2004 —início da série apresentada pelo IBGE— e saltou na pandemia, indo de 1,3 milhão em 2019 para 1,8 milhão em 2021. Após o pico na crise sanitária, a cifra caiu a 1,5 milhão em 2022 e a 1,4 milhão no ano seguinte, mas voltou a subir em 2024, retomando o patamar de dois anos antes.
Quanto mais acentuado o envelhecimento, maior o número de óbitos. Do total no ano passado, 90,9% foram por causas naturais (processos internos do organismo), e 6,9%, por externas (homicídios, suicídios e acidentes).
O estado com a maior taxa de casos do tipo externo é o Amapá (13,9%), que, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi o líder em mortes violentas intencionais em 2024, com 45,1 por 100 mil habitantes, ante 20,8 por 100 mil na média nacional.
O processo de envelhecimento se estabelece também por meio da diminuição dos nascimentos. Em 2024, o Brasil apresentou a sexta queda consecutiva, com 2,37 milhões, uma retração de 5,8% em relação a 2023 —a maior redução percentual de um ano para o outro desde 2004.
O fenômeno, que é global, tem causas como aumento do custo de vida, controle reprodutivo eficaz, rede pública de creches precária e adiamento da maternidade por mulheres que passam a privilegiar a carreira profissional, evitando a dupla jornada de trabalho no ambiente doméstico.
Com mais idosos e população economicamente ativa menor, a conta para sustentar Previdência e saúde não fecha, principalmente com o desarranjo fiscal, mais grave na esfera federal.
Se grande parte dos orçamentos é engessada por gastos obrigatórios (Previdência, funcionalismo, benefícios sociais), sobra pouca margem de manobra para investimentos em setores como o SUS, infraestrutura e educação.
O Brasil não aproveitou seu período de bônus demográfico para fazer sua economia crescer e, assim, se preparar para o envelhecimento populacional. Sem ter enriquecido, o país terá de escolher prioridades para ser capaz de fazer frente a novas despesas sem comprometer o combate à desigualdade social nem a solvência do Estado, hoje já ameaçada.

