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Juro alto expõe ilusão do crescimento com gastança

Apenas em 2024 o PIB per capita brasileiro ultrapassou, e por pouco, o valor até então recorde registrado no longínquo 2013. A partir de 2022, a economia entrou em trajetória de recuperação surpreendente.

O impulso da atividade e o aumento dos benefícios assistenciais e previdenciários acabaram por reduzir a pobreza no ano passado às menores taxas registradas na Síntese de Indicadores Sociais do IBGE com início em 2012. De lá para cá, o rendimento no décimo mais pobre da população foi o que mais cresceu, 52,3%.

É um sucesso relativo, no entanto. O rendimento domiciliar per capita médio desse décimo da população ainda era de R$ 248 por mês a preços de 2024. Ressalte-se que os extremamente pobres, 3,5% dos brasileiros, são os com rendimento domiciliar per capita de R$ 218 ou menos; para os pobres, 23,1% da população, são R$ 694 ou menos.

Entre as pessoas ocupadas, 11,9% são pobres; entre as desocupadas, 47,6%. Simulação do IBGE mostra que o índice de Gini, que mede a desigualdade de 0 a 1, sobe de 0,502 para 0,542 quando se desconsideram benefícios como Bolsa Família, BPC e outros.

Tais números indicam que, embora necessários e relevantes, os auxílios sociais não dão conta da redução da pobreza e da disparidade escandalosa no país. O avanço do trabalho, que depende do avanço do PIB, é crucial.

A atual taxa de desemprego é a menor da série histórica, iniciada em 2012. O resultado se deve em parte ao crescimento econômico, a efeitos difusos da assistência governamental em regiões pobres e, na hipótese de economistas, aos efeitos da reforma da CLT e de novas demandas e ofertas de trabalho, como no caso dos trabalhadores de plataformas. Se não é condição suficiente para melhorias na renda, o crescimento é imprescindível.

A economia atualmente desacelera sob impacto do forte aperto monetário do Banco Central, que tenta conter o superaquecimento, evidente em preços e déficit externo. A recente alta cíclica foi exagerada pelo excesso de gasto público promovido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Setores mais sujeitos ao efeito dos juros cavalares crescem minimamente agora. O PIB é empurrado por exportações, petróleo e agropecuária. Este segundo semestre deve ser de quase estagnação da atividade.

No ano passado, a expansão da renda nacional foi de 3,4%; neste, deve ficar em torno de 2,2%. No curto prazo, é o esperado. Para que o ritmo seja mais acelerado, sustentável e menos volátil, o país precisa de reforma orçamentária, desenvolvimento educacional e científico, racionalização do mundo dos negócios, revisão e incremento de políticas sociais e avanço na justiça tributária.

Aquecer a demanda por meio do aumento contínuo do gasto público é estratégia que só dá resultados de curto prazo, ilusórios. Cedo ou tarde, como se vê, vêm inflação e juros nas alturas, que interrompem a bonança.

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