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Racismo orçamentário e a minoria que se apropria de recursos que deveriam atender a maioria

Por Pedro Fernando Nery / O ESTADÃO DE SP

 

Quando o Judiciário vai parar de praticar o racismo orçamentário? No Chama o Nery desta semana, o colunista do Estadão Pedro Fernando Nery fala sobre como parte da elite, de minoria branca, tem se apropriado de boa parte dos recursos públicos que deveriam ou poderiam ser voltadas para uma população negra, mais numerosa e mais vulnerável. “Acho que nenhum poder tem feito isso tão bem no Brasil quanto o poder Judiciário.”

 

Segundo ele, quase se olha a evolução do orçamento brasileiro nos últimos anos, é possível verificar o aumento de alguns itens, como o Bolsa Família, os gastos da saúde e das emendas parlamentares. Mas tem um gasto que se fala muito pouco que são os gastos do judiciário.

 

Há uma “farra liberada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nos últimos anos que permitiu pagamentos mútuos acima do teto remuneratório na forma de indenizações para juízes, desembargadores e por meio de outros órgãos também para os promotores e procuradores”.

 

Para efeito de comparação, o Pé-de-Meia da educação custa R$ 15 bilhões para 4 milhões de estudantes com renda per capita familiar de até meio salário mínimo. O gasto do Judiciário com benefícios também custa R$ 15 bilhões para 30 mil pessoas e o único requisito é basicamente ser membro do Judiciário e alegar excesso de trabalho.

 

ESTATUA DA JUSTIÇA

 

Opinião por Pedro Fernando Nery

Professor de economia do IDP. Autor do livro "Extremos - Um Mapa para Entender as Desigualdades no Brasil"

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