Secretário de Defesa dos EUA confirma envio de porta-aviões para a América do Sul
Por O Globo, com agências internacionais — Washington / O GLOBO
Helicóptero MH-60S Sea Hawk pousa no porta-aviões USS Gerald Ford — Foto: Reprodução/ X/ Marinha dos EUA
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou nesta sexta-feira que o Pentágono está enviando o porta-aviões USS Gerald R. Ford, descrito pela Marinha americana como "a plataforma de combate mais capaz, adaptável e letal do mundo", para as águas da América do Sul, na mais recente escalada dentro da mobilização para concentração de forças militares na região. O anúncio ocorre no mesmo dia em que Hegseth confirmou o 10º ataque contra uma embarcação suspeita de transportar drogas — e um dia após Washington anunciar exercícios militares com Trinidad e Tobago, a poucos quilômetros do litoral da Venezuela.
"Em apoio à diretriz do presidente para desmantelar Organizações Criminosas Transnacionais (OCT) e combater o narcoterrorismo em defesa da Pátria, o secretário de Guerra comandou o Grupo de Ataque de Porta-Aviões Gerald R. Ford e embarcou uma ala aérea de porta-aviões para a área (...) do Comando Sul dos EUA (USSOUTHCOM)", escreveu o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, na rede social X. "A presença reforçada das forças americanas na Área de Responsabilidade do USSOUTHCOM reforçará a capacidade dos EUA de detectar, monitorar e desmantelar atividades e atores ilícitos que comprometam a segurança e a prosperidade do território nacional dos Estados Unidos e nossa segurança no Hemisfério Ocidental. Essas forças aprimorarão e ampliarão as capacidades existentes para desmantelar o tráfico de narcóticos e desmantelar as OCT".
O porta-aviões Gerald R. Ford está incluído em um agrupamento de ataque de mesmo nome, que além do navio principal inclui três contratorpedeiros (USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston Churchill) e esquadrões de caça F-18 e helicópteros de combate MH-60. Eles se somam a meios militares já enviados para o Caribe, incluindo outros navios contratorpedeiros, um submarino e embarcações de desembarque anfíbio, além de jatos F-35 enviados a Porto Rico.
Ao todo, as Forças Armadas dos EUA já enviaram cerca de 10 mil soldados para o Caribe, metade deles em oito navios de guerra e a outra metade estacionados em Porto Rico. O porta-voz do Pentágono não informou quando o grupo de ataque seria enviado para a região, e nem qual seria sua localização.
A confirmação do envio ocorre em um aumento de particular tensão na região. Um novo bombardeio americano na noite de quinta-feira afundou o 10º barco supostamente ligado ao narcotráfico, elevando o número de mortos nessas operações para 43, horas após o presidente Donald Trump afirmar na Casa Branca que pretendia autorizar operações terrestres contra grupos ligados ao tráfico internacional de drogas — que ele equiparou a organizações terroristas nos primeiros dias de mandato. Colômbia e Venezuela recentemente tacharam as declarações e ordens de Trump na região de ameaças de invasão.
"Se você é um narcoterrorista contrabandeando drogas em nosso Hemisfério, nós o trataremos como tratamos a al-Qaeda. Dia ou noite, mapearemos suas redes, rastrearemos seus homens, caçaremos você e o mataremos", escreveu Hegseth em uma publicação nesta sexta-feira, após confirmar o afundamento de uma embarcação que pertenceria ao grupo venezuelano Tren de Aragua (TdA).

