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Real, 25 anos: Estabilidade da moeda permitiu avanços sociais no Brasil

RIO — Em junho de 1994, quando a população brasileira somava 156 milhões e a expectativa de vida era 68 anos, a inflação corroía os salários diariamente. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, acumulava alta de 4.922,60% em 12 meses. No mês seguinte, entrava em cena o real , após cinco meses com o país convivendo com o cruzeiro real e a Unidade Real de Valor (URV) , que variava diariamente conforme a inflação. A URV seria transformada na nova moeda e, a partir de 1º de julho, só o real passou a circular.

 

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Vinte e cinco anos depois, o IPCA acumula alta de 3,84%. A estabilização dos preços permitiu que o Brasil avançasse socialmente nesse período. A pobreza teve uma queda imediata, porque os mais pobres não tinham como se proteger da corrosão inflacionária, enquanto a classe média e os mais ricos aplicavam em contas remuneradas. A estabilidade consolidada no governo Fernando Henrique Cardoso deu base para as políticas sociais aprofundadas na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, que reduziram a desigualdade.

Mais recentemente, a inflação controlada permitiu a queda dos juros. A taxa básica, a Selic, chegou a 45% ao ano em 1999. Hoje, está em 6,5% e deve recuar a 5,75% até o fim do ano, se as projeções de analistas estiverem certas, ampliando crédito na economia.

O crescimento, porém, decepcionou. Apesar de a economia ter dobrado de tamanho em 25 anos, não foi suficiente para o país se colocar entre as maiores expansões globais.

Percalços no caminho

A estabilização veio para ficar, mas houve sustos no caminho. Em 1999, o plano deu uma guinada. A âncora cambial, usada até então, precisou ser abandonada. Nos primeiros anos do Plano Real, o câmbio era controlado no país, e o dólar oscilava dentro de bandas cambiais. Mas uma sucessão de crises em países emergentes no fim da década de 1990 tornou o modelo inviável e, em janeiro de 1999, logo após o então presidente Fernando Henrique tomar posse para o seu segundo mandato, o país abandonou o sistema e liberou a taxa de câmbio. Para manter os preços sob controle, foi adotado então o regime de metas de inflação, em vigor até hoje.

Outro momento de crise aguda foi em 2002, com a campanha eleitoral e a disparada do então candidato Lula nas intenções de voto. O dólar deu um salto, e o Brasil precisou recorrer ao FMI. A inflação atingiu 12,53%, voltando a dois dígitos pela primeira vez desde a criação do real. Choque de juros e ajuste fiscal no primeiro ano do governo Lula desaceleraram a inflação. E o IPCA caiu a 9,30% em 2003. O GLOBO

NOVO PARADIGMA
A criação do real, em julh

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