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A imprensa como inimiga

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2018 | 05h00

Jair Bolsonaro disse em sua entrevista à GloboNews que odeia o PT “em regra”. Pode até ser. Mas como o ódio é o oposto do amor, e ambos carregam em sua manifestação um tanto de paixão e irracionalidade, os dois extremos – Bolsonaro e PT – se encontram em uma série de manifestações. Uma das mais claras e recorrentes é o ataque sistemático à imprensa.

Para os eleitores convertidos e militantes dos dois lados, as críticas ao jornalismo são vistas como sinal de coragem ou independência, mas, da maneira como são feitas significam, na verdade, tentativa de intimidação e de desqualificação. E quando a política mira instituições para tentar enfraquecê-las o que sai arranhada, na verdade, é a democracia.

O PT passou 13 anos no poder, e continua agora, em sua fase penitenciária, vociferando sobre a existência de uma imprensa “golpista”. A narrativa tinha por objetivo vender aos fiéis que a revelação de escândalos como o mensalão, que teve na imprensa seu ponto de partida, era na verdade campanha contra o partido.

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PT faz convenção em meio a impasse na definição do vice

Ricardo Galhardo, Daniel Wetarmann e Katna Baran, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2018 | 20h56

PT chega à convenção do partido que vai homologar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, como candidato da legenda à Presidência sem saber se a escolha do vice será definida agora. Dirigentes petistas, porém, consideram um risco o adiamento da decisão e defendem que a indicação para a composição da chapa seja definida ainda neste sábado, 4, data da convenção da sigla nas eleições 2018.

Lula esteve nesta sexta-feira com a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, mas a discussão sobre a vice não foi conclusiva. “Não houve mudança jurisprudencial na Justiça Eleitoral”, justificou a senadora sobre uma possível modificação de entendimento de Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinando que o nome de vice seja homologado 24 horas após as convenções partidárias. O ex-presidente, condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão, pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. 

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Eleitor não distingue informação de empulhação

Cruzando dados de uma pesquisa feita pelo Ibope, a Confederação Nacional da Indústria produziu um levantamento sobre os anseios do eleitor. Revelaram-se, por exemplo, as características que o brasileiro considera relevantes num candidato: ser honesto e não mentir em campanha (87%); nunca ter se envolvido em casos de corrupção (84%); e transmitir confiança (82%). Se o eleitor realmente seguisse os critérios que diz valorizar, haveria um massacre nas urnas de 2018.

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Aversão do centrão é maior ativo de Ana Amélia

 

Eis a principal qualidade política de Ana Amélia, a candidata a vice de Geraldo Alckmin: filiada ao Partido Progressista, seus correligionários não são o problema, a senadora é que se tornou o problema deles. A biografia de Ana Amélia não contém menções na Lava Jato. Numa legenda que frequenta o topo do ranking do petrolão, a senadora garante, por contraste, uma imagem isenta de impurezas.

Jornalista de formação, Ana Amélia é liberal na economia, conservadora nos costumes e agressiva no trato com o petismo. Nas sessões do Senado, costuma ficar do lado da higidez fiscal e da moralidade. Do ponto de vista ideológico, não adianta empurrar para a esquerda, que ela não vai. Tocava no Rio Grande do Sul uma candidatura altamente competitiva à reeleição.

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Frustração pós-eleitoral

A consolidação do quadro eleitoral demonstra como se dará o cenário de justificação da gestão atual. É claro que o programa a ser imposto é aquele que não foi realizado até agora, mas claramente esboçado. Prepara-se o país para submeter-se a reformas ainda mais draconianas, a começar pela reforma previdenciária, tirada da pauta devido à desagregação do governo Temer.

Por outro lado, a situação de brutalização das relações sociais será empurrada na base da crença de que as forças de defesa da classe trabalhadora estão rendidas e paralisadas. O que não é o caso. Na verdade, ocorreu um aumento exponencial da violência estatal, impondo uma situação de medo em relação aos processos de manifestação popular.

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