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Aliados de Lula largam atrás na corrida pelos governos estaduais em 2026

Leonardo Rodrigues / ISTOÉ

 

A rodada mais recente de pesquisas eleitorais da Genial Investimentos e da Quaest, divulgada na sexta-feira, 22, mostrou dificuldades para aliados do presidente Lula (PT) que disputarão governos estaduais em 2026.

 

Em apenas dois dos oito estados em que o instituto fez entrevistas — que correspondem a 66% do eleitorado do país –, políticos que devem dar palanque ao projeto de reeleição do petista lideram a corrida. Neste texto, a IstoÉ detalha os cenários e explica como eles se relacionam com a próxima disputa presidencial.

 

São Paulo

No maior colégio eleitoral do país, com mais de 34 milhões de votantes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 43% das intenções de voto para se reeleger, em ampla vantagem sobre os 21% do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A deputada Erika Hilton (PSOL) marcou 8%; Paulo Serra (PSDB), ex-prefeito de Santo André, teve 3%; o ex-presidenciável Felipe D’Ávila (Novo), 2%. Outros 7% não decidiram em quem votar, e 16% não querem escolher um candidato. Ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio é cotado para representar o grupo do ex-presidente, que está inelegível, como candidato ao Palácio do Planalto em 2026, mas reitera que seu plano é concorrer à reeleição. Alckmin, que já governou o estado quatro vezes, seria o “palanque dos sonhos” no estado para o projeto de reeleição de Lula. Petistas avaliam que, em 2022, o bom desempenho do ministro Fernando Haddad, que enfrentou Tarcísio no segundo turno, foi fundamental para o chefe do Planalto garantir a eleição em disputa apertada contra Bolsonaro. Alckmin e o PSB, no entanto, trabalham para manter a vaga na vice.

Minas Gerais

Com mais de 16 milhões de eleitores, o estado é considerado decisivo para a definição presidencial: desde a redemocratização, quem tem mais votos em Minas vira presidente. Neste momento, a corrida pelo governo é liderada pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), com 28% das intenções de votoEx-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (sem partido) marcou 16%, à frente do senador Rodrigo Pacheco (PSD), com 9%. O vice-governador Mateus Simões (Novo), que deve suceder o governador Romeu Zema (Novo), em segundo mandato, marcou 4%. Outros 17% não decidiram em quem votar, e 26% não querem escolher um candidato. Aliado de Bolsonaro, Cleitinho encampa o discurso da “antipolítica” e tem forte engajamento digital. O grupo ainda pode endossar o vice-governador, já que Zema, pré-candidato a presidente, é aliado de BolsonaroLula pode ter o palanque mineiro garantido por Pacheco, a quem o presidente se referiu mais de uma vez como “seu candidato” ao Palácio da Liberdade. Em segundo lugar na pesquisa, Kalil deu palanque ao presidente em 2022, quando perdeu a eleição para o governo no primeiro turno, mas afirmou publicamente que a aliança não se repetirá.

 

Rio de Janeiro

Embora não se declare candidato, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), lidera a corrida pelo Palácio da Guanabara com 35% das intenções de voto, à frente do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar (União Brasil), que teve 9%. Com mais de 13 milhões de eleitores, o estado ainda tem o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), com 5% das intenções de voto, a deputada Monica Benicio (PSOL), com 4%, e o influenciador Italo Marsili (Novo), 2%. Outros 15% não decidiram em quem votar, e 30% não querem escolher um candidato. Paes apoiou Lula em 2022 e teve o PT em sua chapa de reeleição municipal, mas evitou fazer acenos públicos ao petismo para não “herdar” a rejeição ao petismo no estado, considerado o berço do bolsonarismo. A estratégia deve se repetir em 2026, contra um dos aliados de Bolsonaro: Bacellar, candidato do grupo do atual governador, Cláudio Castro (PL), e Reis, que se coloca como o representante legítimo da direita, mas está inelegível.

 

Bahia

A Bahia é o maior estado governado pelo PT, com mais de 11 milhões de eleitores, mas o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), foi quem liderou a pesquisa, com 41% das intenções de voto, à frente justamente do atual mandatário, Jerônimo Rodrigues (PT), que teve 34%. João Roma (PL), ex-ministro de Bolsonaro, marcou 4%, ante 2% de Kleber Rosa (PSOL) e 1% de José Aleluia (Novo). Outros 4% não decidiram em quem votar, e 14% não querem escolher um candidato. Opositor do PT, ACM não integra o grupo de Bolsonaro, mas é uma das lideranças mais vocais do União Brasil a defender que o partido deixe o governo federal, onde chefia três ministérios — considerando as indicações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) –, mas tem uma postura majoritária de oposição no Congresso.

 

Jerônimo, por sua vez, será encarregado de ampliar a prevalência estadual do partido para 24 anos — antes do seu mandato, foram dois do senador Jaques Wagner e outros dois do ministro da Casa Civil, Rui Costa. No núcleo mais fiel ao bolsonarismo, João Roma busca se credenciar a concorrer ao Palácio Rio Branco, mas poderá ser preterido em relação a uma aliança do PL com ACM.

 

Rio Grande do Sul

Em um cenário aberto, o quinto maior colégio eleitoral do país tem a deputada estadual Juliana Brizola (PDT), com 21%, e o federal Tenente-Coronel Zucco (PL), com 20%, em empate técnico na liderança da corrida pelo Palácio Piratini. Na segunda fileira, o presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e ex-deputado Edegar Pretto (PT) marcou 11%, acima dos 5% do vice-governador Gabriel Souza (MDB) e dos 4% do deputado estadual Felipe Camozzato (Novo). Outros 19% não decidiram em quem votar, e 20% não querem escolher um candidato. Neta do ex-governador Leonel Brizola (morto em 2004), Juliana integra um partido de esquerda, mas tem uma trajetória de embates com o petismo em eleições e não deve dar palanque a Lula. Zucco, por sua vez, lidera a oposição na Câmara e é considerado um postulante do “núcleo duro” bolsonarista. O apoio à reeleição presidencial deve ficar com Pretto, cujo desempenho ao disputar o cargo em 2022 — teve 26,77% dos votos no primeiro turno, em terceiro lugar — o credencia para uma nova empreitada. Na ocasião, ele ficou a menos de 3 mil votos de ir ao segundo turno, logo atrás do governador Eduardo Leite (PSD), que pretende disputar o Palácio do Planalto e deve ter o vice, Gabriel Souza, como candidato à sucessão.

 

Paraná

Em um colégio eleitoral de 8 milhões de eleitores, o líder da corrida é o senador Sergio Moro (União Brasil), com 38% das intenções de voto e ampla vantagem sobre os 8% de Paulo Eduardo Martins (Novo), 7% de Enio Verri (PT) e 6% de Guto Silva (PSD). Outros 13% não decidiram em quem votar, e 28% não querem escolher um candidato. Ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e juiz responsável pelas sentenças que levaram Lula à prisão na Operação Lava Jato, Moro chegou a romper com o ex-presidente, mas retomou a aliança em 2022, quando não foi adiante no plano de concorrer ao Planalto e chegou a acompanhá-lo em debates presidenciais. A distância em relação aos demais pré-candidatos passa pela indefinição de quem será ungido à sucessão do governador Ratinho Júnior (PSD), que conclui seu segundo mandato e é pré-candidato a presidente. Mas a popularidade do mandatário e sua proximidade com Bolsonaro geram a projeção de uma corrida disputada entre diferentes representantes da direita. Na raia lulista, por sua vez, a pré-candidatura de Verri reflete a falta de alternativas em um estado que rejeita amplamente o partido. Em 2022, o PT filiou o ex-governador Roberto Requião, que tinha longa trajetória no MDB, e ainda assim não provocou sequer uma disputa de segundo turno contra Ratinho, reeleito com larga vantagem.

 

Pernambuco

O estado de 7 milhões de eleitores volta a colocar um aliado de Lula na liderança da corrida pelo governo: o prefeito do Recife, João Campos (PSB), tem 55% das intenções de voto e ampla vantagem sobre os 24% de Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição. O ex-ministro Gilson Machado (PL) marcou 6%, e Eduardo Moura (Novo), 4%. Outros 4% não decidiram em quem votar, e 7% não querem escolher um candidato. Filho do ex-governador Eduardo Campos (morto em 2014), o pessebista chegou a se opor ao PT em sua primeira eleição para a prefeitura, contra Marília Arraes (hoje no Solidariedade), mas protagonizou uma reaproximação com Lula inclusive a nível nacional, já que atualmente preside a sigla. A governadora, por sua vez, trocou o PSDB pelo PSD em estratégia para se dissociar da oposição ao governo federal, feita pelo antigo partido, o que sugere que o petista terá dois palanques amistosos no estado em 2026. O cenário reflete a popularidade do presidente em Pernambuco, onde teve 66,9% dos votos no segundo turno de 2022.

 

Goiás

No derradeiro estado mapeado pela Quaest, a corrida pelo governo é liderada pelo vice-governador Daniel Vilela (MDB), com 26% das intenções de voto, em empate técnico com Marconi Perillo (PSDB), que registrou 22%. O senador Wilder Morais (PL) marcou 10%; a deputada Adriana Accorsi (PT) teve 8%; e Telêmaco Brandão (Novo), 1%. Outros 14% não decidiram em quem votar, enquanto 19% não querem escolher um candidato. Companheiro de chapa de Ronaldo Caiado (União Brasil), que conclui seu segundo mandato e é pré-candidato à Presidência da República, Vilela deve assumir o governo em abril, com a desincompatibilização do titular, e se promover a partir da popularidade do governo. Embora Caiado seja um dos postulantes ao espólio de Bolsonaro, foi também o primeiro presidenciável do campo a fazer críticas públicas ao ex-presidente e defender a construção de candidaturas sem a exigência de seu aval.

Perillo, que governou o estado quatro vezes, não está associado a Lula ou Bolsonaro e, como presidente nacional do PSDB, investe no discurso da “terceira via” que deve entoar na corrida estadualNa segunda fileira, Wilder deve representar o campo bolsonarista — embora já tenha sido atacado pelo ex-presidente –, enquanto Accorsi se credenciou para dar palanque estadual a Lula depois de ter 24,4% dos votos na eleição pela prefeitura de Goiânia, em 2024, com a estratégia de se aproximar do eleitorado de centroTodos os levantamentos foram baseados em entrevistas presenciais e têm margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Ruína de Bolsonaro é chance para a direita

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

O indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro pelos crimes de coação no curso do processo e abolição violenta do Estado Democrático de Direito escancarou, de uma vez por todas, aquilo que já estava implícito no comportamento do clã: sua única preocupação é garantir, a qualquer custo, que o ex-presidente jamais seja responsabilizado pela pletora de crimes que o fizeram réu perante o Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 2.668, que trata da tentativa de golpe de Estado. Qualquer outro objetivo, seja de interesse nacional, partidário ou voltado a um movimento político mais amplo, não tem a menor importância para Bolsonaro e sua grei.

 

O relatório da Polícia Federal (PF), divulgado com autorização do ministro Alexandre de Moraes, indica que Bolsonaro, Eduardo e o pastor Silas Malafaia tramaram desavergonhadamente meios concretos de interferir no bom andamento da Ação Penal 2.668. Do ponto de vista jurídico-penal, a tipificação dessas condutas ainda tem de passar pelo crivo da Procuradoria-Geral da República. Entretanto, do ponto de vista político, o material obtido pela PF não poderia ser mais devastador para os Bolsonaros.

 

As conversas trazidas a público confirmam a supremacia dos interesses mesquinhos da família sobre o interesse nacional e até mesmo sobre os de seu grupo político, o que atesta a absoluta falta de compromisso do bolsonarismo com o Brasil. A imposição de uma sobretaxa de 40% sobre as exportações brasileiras pelo presidente dos EUA, Donald Trump, somada às sanções impostas ao ministro Moraes pelo governo americano no âmbito da Lei Magnitsky, evidenciam o preço da cruzada delinquente de Jair e Eduardo Bolsonaro, este homiziado nos EUA desde março: incalculável prejuízo para o País em nome da impunidade de um só homem.

 

Em mensagens ao pai, Eduardo foi explícito ao dizer que a tal “anistia ampla, geral e irrestrita” jamais passou de um artifício retórico. O que importa, disse ele, é tão somente livrar Bolsonaro da cadeia. Caso contrário, segundo Eduardo, Trump poderia sustar suas ações para subjugar o STF em favor do pai. Esse reconhecimento expresso de que uma solução intermediária – o que o vulgo “zero três” chamou de “anistia light”, ou seja, um perdão que aliviasse apenas a situação dos bagrinhos do 8 de Janeiro – não satisfaria ao clã só reforça a convicção de que toda a energia negativa da família sempre esteve direcionada a um único fim: livrar Jair Bolsonaro, e apenas ele, da cadeia.

 

Nesse projeto personalista, atropelar aliados é fato da vida. O governador Tarcísio de Freitas, por exemplo, tido como candidato a herdeiro do espólio eleitoral de Jair Bolsonaro, tornou-se alvo da fúria de Eduardo apenas por tentar abrir canais de diálogo com autoridades americanas a fim de reduzir os impactos do tarifaço, particularmente duros para São Paulo. Em termos chulos, o filho do ex-presidente não só insultou o pai, como ameaçou desferir mais agressões contra Tarcísio caso Bolsonaro continuasse a defendê-lo em público. Em respeito ao leitor, decidimos não reproduzir a vulgaridade das conversas.

 

A cada revelação, fica mais evidente que a causa bolsonarista jamais foi a defesa da democracia, da soberania, da liberdade de expressão ou dos idiotas úteis que tomaram Brasília de assalto naquele dia infame. Trata-se de um projeto de autopreservação familiar que explora seguidores e sacrifica o Brasil. É nesse contexto que os verdadeiros conservadores, aqueles que repudiam a ruptura e prezam as instituições democráticas, devem avaliar a conveniência de permanecer ao lado de um golpista desqualificado como Jair Bolsonaro. Com tudo o que se sabe, só o fanatismo explica a fidelidade canina de alguns ao “mito”. Lideranças com pretensões eleitorais que se consideram decentes não podem continuar a se associar a um clã que já demonstrou ser capaz de trair os interesses mais vitais do País em troca da liberdade do líder da facção.

 

É de justiça reconhecer que, no campo da direita, já há quem se movimente pela construção de uma alternativa política democrática ao governo Lula da Silva, considerando que Bolsonaro é um zumbi político. Que assim seja, pois o Brasil não pode seguir refém de uma família que intoxica o destino nacional com sua desgraça particular.

Com aval de Cid, Júnior Mano segue articulações para viabilizar candidatura ao Senado

O deputado federal cearense Júnior Mano (PSB) mantém articulações intensas nos bastidores para tentar se viabilizar como candidato ao Senado na Eleição 2026. O movimento ocorre mesmo após a operação da Polícia Federal, deflagrada há pouco mais de um mês, que investiga supostas fraudes em licitações e analisa, inclusive, uso de emendas parlamentares. 

Conforme apurou esta coluna, o senador Cid Gomes, principal aliado de Júnior Mano no projeto, orientou o deputado a seguir com os contatos políticos no Ceará, a despeito de quaisquer investigações. A avaliação é de que o nome de Mano segue em construção, com base em apoios de lideranças como prefeitos em todo o Estado. 

Reunião mostra articulações com Cid 

Na última terça-feira (19), em Brasília, uma reunião entre Cid e Júnior Mano contou também com a presença do deputado estadual Osmar Baquit (PSB) e do deputado federal Robério Monteiro (PDT).  

O encontro mostrou que as articulações do deputado e do senador estão em andamento. 

Programação festiva e visibilidade política 

Entre os dias 14 e 16 deste mês, o parlamentar reuniu cerca de 35 prefeitos em Nova Russas, município governado pela prefeita Giordanna Mano, sua esposa. O evento, com programação festiva, deu visibilidade à atuação política do parlamentar. 

A despeito do cenário jurídico, visto por membros da base do governador Elmano de Freitas (PT) como delicado, aliados de Júnior Mano garantem que ele segue no jogo.  

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Escrito por
Inácio Aguiar O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Centrão e direita correm para consolid

Ranier BragonMarianna Holanda / FOLHA DE SP

 

indiciamento e a divulgação de troca de mensagens entre Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo foram vistos por integrantes do centrão e partidos de direita como uma janela para ampliar a pressão por unidade em torno de uma candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o que inclui a definição do vice na chapa.

Os maiores partidos de centro e de direita no país defendem, há tempos, a consolidação do governador de São Paulo como nome para enfrentar Lula (PT) em 2026, mas enfrentam a indefinição de Bolsonaro —que está inelegível e às portas de uma condenação, dada como certa, no caso da trama golpista.

Mais do que o indiciamento por suposta tentativa de obstruir esse processo, a troca de mensagens entre Eduardo e o pai indica divergências em relação à atuação política da família e uma forte desconfiança por parte do deputado em relação a Tarcísio, o que provocou reações entre expoentes do mundo político do centro à direita nesta quinta-feira (21).

Ainda que as conversas cristalizem um cenário de campo minado para Tarcísio no seio da família Bolsonaro, políticos avaliam que as brigas, tornadas públicas, causam desgaste principalmente para Eduardo, apontado como nome radical do clã.

Na visão de dirigentes partidários, o episódio enfraquece ainda mais o filho do ex-presidente e cria uma janela para que o governador obtenha certa autonomia em relação à família Bolsonaro, sem perder o apoio do ex-presidente, crucial para qualquer nome desse campo que almeje ser competitivo no ano que vem.

As mensagens mostram Eduardo manifestando, por várias vezes, contrariedade e desconfiança em relação a Tarcísio. Uma delas alerta que o governador de São Paulo nunca ajudou o pai no STF (Supremo Tribunal Federal).

"Sempre esteve de braço cruzado vendo você se foder e se aquecendo para 2026."

Uma ala do centrão vê ganhos para Tarcísio principalmente com a reiteração do que seria uma bagunça generalizada na família do ex-presidente, que exigiria mais do que nunca um presidenciável que faça parte do bolsonarismo, mas que não carregue nas costas todo o desgaste do sobrenome.

Tarcísio foi ministro da Infraestrutura durante o governo Bolsonaro (2019-2022) e eleito governador de São Paulo graças à indicação e apoio do ex-presidente. Em sua gestão, é alvo frequente de bolsonaristas que dizem não ver alinhamento total e defesa enfática de Bolsonaro, apesar de o governador comparecer inclusive aos protestos liderados pelo ex-presidente na avenida Paulista.

Do grupo de governadores mais à direita que almejam disputar a presidência em 2026, Tarcísio é o preferido da maior parte dos partidos que hoje controlam o Congresso, incluindo o quinteto que integra a Esplanada dos Ministérios de Lula —União BrasilPP, PSD, MDB e Republicanos.

Políticos desses partidos temem principalmente que Bolsonaro resolva, como chegou a sinalizar a alguns aliados, optar por um nome da família para 2026, como a mulher, Michelle, ou o filho Flávio Bolsonaro.

O indiciamento e as mensagem fragilizam essa hipótese, na visão de aliados, por reforçar a vulnerabilidade política da família. Ainda assim, políticos de centro e direita sempre fazem a ressalva de que Bolsonaro é imprevisível e de que muito pode mudar nos 12 meses que faltam para a oficialização das candidaturas.

Em fevereiro, por exemplo, Lula atingia sua pior avaliação popular. Agora, seis meses depois, demonstra recuperação.

Com a avaliação de que cresceram as chances de um candidato bolsonarista sem o sobrenome Bolsonaro, há quem defenda inclusive um vice de fora da família. Por ora, o nome do ex-ministro da Casa Civil e senador Ciro Nogueira (PP-PI) é um dos mais fortes.

Ciro preside o PP e comanda, ao lado de Antonio Rueda, presidente do União Brasil, a montagem de uma federação que, apesar de ter quatro ministros sob Lula, vem se posicionando como ponta de lança da oposição para 2026.

Juntos, os dois partidos têm 109 deputados federais, mais de 20% do tamanho da Câmara.

No ato da federação na última quarta, em Brasília, a principal estrela foi Tarcísio.

Aliados de Bolsonaro e do governador de São Paulo dizem ainda ver alinhamento entre o ex-presidente e o governador, mesmo diante dos ataques de Eduardo nas mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-presidente.

O deputado já havia falado publicamente contra Tarcísio, sendo o principal expoente de uma ala crítica ao governador, que tenta apontá-lo como "candidato do sistema".

"Agora ele [Tarcísio] quer posar de salvador da pátria. Se o sistema enxergar no Tarcísio uma possibilidade de solução, eles não vão fazer o que estão pressionados a fazer. E pode ter certeza, uma 'solução Tarcísio' passa longe de resolver o problema, vai apenas resolver a vida do pessoal da Faria Lima", disse Eduardo, em uma das mensagens.

O deputado também pleiteia a sucessão eleitoral do pai à Presidência da República. Mas, diante do avanço dos inquéritos no STF, não deve retornar ao Brasil.

Nesta quinta, Tarcísio defendeu Bolsonaro e criticou a divulgação das mensagens. "Minha relação com Bolsonaro vai ser como sempre foi, uma relação de lealdade, relação de amizade, relação de gratidão com uma pessoa que, eu entendo, fez muito pelo Brasil e fez muito por mim".

Líder da bancada do PL na Câmara e próximo a Malafaia, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) afirmou que, em sua visão, nada muda com o indiciamento e com as mensagens.

"Isso aí é mais do mesmo com relação ao Tarcísio e o Eduardo, esse assunto já foi superado lá atrás. O dois se falaram depois disso. E a franqueza e a firmeza são práticas normais na nossa convivência do dia a dia", afirmou.

TARCISIO E BOLSONARO NA PAULISTA

O eleitorado é de centro-direita, mas como conquistar a vantagem decisiva?

Por William Waack / O ESTADÃO DE SP

 

 

O grande jantar em Brasília na última terça-feira talvez acabe valendo como a data formal para uma “largada” dos grupos de centro e centro-direita para as eleições de 2026. Afinal, quem podia ser considerado presidenciável por esse largo espectro compareceu (menos alguém com sobrenome Bolsonaro), além dos caciques de pelo menos 6 partidos.

 

Daí para se falar de uma estratégia comum é hoje apenas desejo. Ficou explicitada a existência de pelo menos duas grandes linhas de ação, mutuamente excludentes. Ou esse grande espectro vai para o embate com Lula carregando apenas um nome “de união”, ou vai cada grupo de centro-direita com seu nome e tentaremos ser unidos e felizes num segundo turno.

 

O que está por detrás dessa questão é muito negativo do ponto de vista dessas forças políticas que, apoiadas em convincentes dados empíricos, entendem que uma confortável maioria nacional do eleitorado é de centro-direita. O fato é que não há nesse amplo espectro nada remotamente parecido a uma “direção central”, “instância única de coordenação” ou como se queira chamar a pessoa ou grupo capaz de dar sentido e direção ao projeto de derrotar o atual governo.

 

No ajuntamento de nomes e siglas nesse jantar estavam tanto os que professam lealdade canina ao clã Bolsonaro como os que tratam Jair Bolsonaro como bandido. O que parece tornar essa “convivência” provável é um fato a respeito do qual os governadores presidenciáveis (que julgam não poder prescindir do beneplácito do clã) não falam em “on”: está diminuindo sensivelmente a capacidade do ex-presidente de ditar rumos e coroar sucessor.

 

Isto tem ligação direta com o grande fato inédito na política brasileira, que é o componente internacional da crise doméstica. Como era muito fácil de se prever, a conduta do bolsonarismo raiz de buscar em Trump a ajuda decisiva para livrar seu líder da cadeia dividiu a direita, prejudicou seus candidatos, deu a Lula ares de “estadista”, forneceu um inimigo externo e não livrará Bolsonaro da condenação.

 

Pela primeira vez paira sobre uma grande eleição relevante acontecimento externo, que é a gravíssima e inédita crise com os Estados Unidos. Ela expôs um Brasil pequeno, vulnerável, isolado, anestesiado pela ideia de que o mundo lá fora não nos afeta, confortável com a noção de que nossa condição de super potência na produção de alimentos garantiria uma existência sem sobressaltos.

 

O que vai exigir do que se convencionou chamar de “centro-direita” algo mais do que simplesmente pregar no governo a culpa pelo tarifaço, por exemplo. É fácil criticar o Lula 3 pela ausência de um “projeto” (além de ficar no poder), mas qual seria o de “direita” para um País que não conseguiu até aqui resposta para o desafio representado por Trump.

 

Ser o melhor amigo dele?

Foto do autor
Opinião por William Waack

Jornalista e apresentador do programa WW, da CNN

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