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Desunida, terceira via enfrenta impasses para montar palanques estaduais

Gustavo Schmitt e Bianca Gomes / O GLOBO

 

SÃO PAULO - Ainda distante de uma definição sobre como disputará as eleições deste ano, a chamada terceira via tem alianças políticas emperradas nos estados. Com baixa intenção de voto nas pesquisas de opinião, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) veem candidatos a governador de seus partidos nos estados inclinados a apoiar o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao mesmo tempo, o pacto dos partidos de centro por uma candidatura única se tornou ainda mais incerto após o União Brasil desembarcar e decidir lançar uma chapa pura com Luciano Bivar, que preside a sigla.

Como Lula e Bolsonaro estão na primeira e segunda posições nas pesquisas, os candidatos a governador e deputados procuram se associar aos dois por estratégia eleitoral de sobrevivência. Simone e Ciro farão campanha no Nordeste ao lado de correligionários que também vão pedir votos para o líder petista. Os pré-candidatos do MDB a governador Paulo Dantas, em Alagoas, e Veneziano Vital do Rêgo, na Paraíba, não disfarçam sua simpatia pelo ex-presidente e até publicaram fotos em agendas conjuntas.

União improvável

O presidenciável do PDT enfrenta o mesmo dissabor no Maranhão, onde o senador Weverton Rocha, que participou até de um encontro estadual ao lado do petista, costuma se apresentar como “o melhor amigo de Lula”. Doria também vive situação semelhante no Mato Grosso do Sul, onde o tucano e pré-candidato a governador Eduardo Riedel já disse publicamente: “Meu palanque é do presidente Bolsonaro”. A chapa do candidato terá a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina, que disputa o Senado.

Mesmo com todas essas dificuldades, o PSDB ainda trabalha por uma aliança com o MDB de Tebet que, por sua vez, tem feito acenos a Ciro —, mas a união com o pedetista é vista como improvável em razão de seu temperamento e de divergências na pauta econômica. Ainda assim, a senadora desponta como favorita para encabeçar uma chapa das siglas de centro, de acordo com fontes da direção dos dois partidos que acompanham as negociações.

Chapa Lula-Alckmin tem o apoio de sete partidos, menos do que o PT tinha em 2010 e 2014

O objetivo do PT com o lançamento da chapa Lula-Alckmin agora há pouco é criar um clima de reedição das Diretas-Já, com uma vasta gama de partidos alinhados com a ideia de preservar a democracia e derrotar as tentações totalitárias de Jair Bolsonaro.

Ao longo da corrida eleitoral tal desejo pode se consolidar — os próximos meses dirão.

Mas ao menos no marco zero do lançamento da campanha ainda falta um maior número de legendas apoiando a chapa para que o desejo se torne realidade — apesar dos discursos de união de forças feitos por Lula e Geraldo Alckmin.

A chapa Lula-Alckmin vai para as ruas com o apoio de sete partidos (PT, PSB, PCdoB, PV, PSOL, Rede e Solidariedade).

Em 2010 e 2014, Dilma Rousseff teve em sua coligação dez e nove legendas, respectivamente.

De qualquer forma, é um avanço em relação à aliança que reuniu-se em torno do petista Fernando Haddad em 2018: somente o Pros e o PCdoB se juntaram ao PT quatro anos atrás.

LAURO JARDIM O GLOBO

Bolsonaro, Ciro e Lula: qual o melhor cenário para os pré-candidatos no impasse entre PT e PDT no Ceará

Escrito por  / DIARIONORDESTE

 

Lula Bolsonaro e Ciro

 

As relações entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT) estão estremecidas no Ceará. Os aliados querem montar um palanque duplo para apoiar as candidaturas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e lançar um candidato consensual para concorrer à sucessão do Governo. Os rumos dos petistas e pedetistas no Estado estão, porém, indefinidos.

 

Como toda relação que, quando acaba, traz consequências para os envolvidos, quem ficaria bem e quem ficaria mal com um possível rompimento entre PT e PDT? E se os partidos decidissem continuar juntos para as eleições deste ano? Qual seria o melhor cenário para os três principais pré-candidatos à Presidência do Brasil: CiroLula e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL)? 

De acordo com consultores políticos ouvidos pelo Diário do Nordeste, embora não seja popular no Ceará, Bolsonaro, indiscutivelmente, ganharia com o término entre PT e PDT. Isso, porque ele conseguiria desmobilizar as forças aliadas de Ciro e Lula no Estado.  

Ciro e Lula também ficariam bem. Teriam, enfim, condições de montar palanques puros, que não dividissem atenções e que fossem completamente fiéis às suas campanhas. 

As perdas mais significativas, segundo os especialistas, seriam para os postulantes à sucessão do Governo, especialmente a governadora Izolda Cela (PDT), que é a pré-candidata preferida da maioria dos petistas, mas não dos pedetistas. Também ficaria em maus lençóis o ex-governador Camilo Santana (PT), que é pré-candidato ao Senado e apoiador declarado de Lula e Ciro. 

TÉRMINO BENEFICIA BOLSONARO? 

Para o consultor político Luiz Cláudio Ferreira, que acredita que, nos bastidores, PT e PDT já estão rompidos, Bolsonaro se beneficia com o “divórcio” porque, enquanto as bases aliadas de ambos os partidos teriam de se dividir nos palanques, o dele, provavelmente puxado pelo União Brasil do deputado federal Capitão Wagner, ficaria mais fortalecido e unificado. 

O pensamento é o mesmo do cientista político Cleyton Monte, pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da Universidade Federal do Ceará (UFC). 

“Para Bolsonaro, o melhor cenário, aqui, no Ceará, seria da separação entre o PT e o PDT. Porque iria dividir a base aliada, as forças de Ciro e de Lula. Iria desmobilizar esses grupos. Mesmo sabendo que o crescimento do presidente não está ligado à relação entre PT e PDT e, sim, à possibilidade de ele ter palanque próprio ou uma força mais articulada”, observou. 

A análise é endossada pela cientista política e professora universitária Carla Michele Quaresma. "O fim da aliança entre os partidos causaria um impacto nas eleições estaduais porque foi um projeto construído que conseguiu arregimentar lideranças políticas importantes vinculadas tanto ao PDT quanto ao PT. Então isso (o rompimento) poderia causar um dano em relação à eleição estadual, abrindo aí um uma possibilidade de crescimento da oposição representada por Capitão Wagner", afirma.

No que diz respeito aos aliados, devem pesar apoios como o do senador Tasso Jereissati (PSDB) e o do ex-senador Eunício Oliveira (MDB), por exemplo. “O melhor cenário é a divisão de forças entre os dois partidos, mas a aliança é mais ampla do que PT e PDT”, lembrou Rômulo Leitão, professor e coordenador do programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional da Universidade de Fortaleza (Unifor). 

LULA E CIRO FORTALECIDOS? 

A briga mais recente entre PT e PDT aconteceu nesta semana, quando Ciro Gomes afirmou existir um “lado corrupto” do PT no Ceará e atacou a deputada federal Luizianne Lins (PT). 

Para Luiz Cláudio, a fala do pedetista foi estratégica, uma vez que ele teria percebido que dividir palanque com Lula, no Estado, atrapalharia sua campanha nacional. Daí, também, ter mencionado o nome do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), no mesmo contexto de ataque ao PT e de sinalização de descontento com a aliança. Ciro disse:

Qual o defeito do Roberto Cláudio? O defeito é que pegou todas as escolas de Fortaleza nomeadas por vereador, três anos de greve, e consertou a escola, que era a pior no Ceará”. 
CIRO GOMES (PDT)
Pré-candidato à presidência do Brasil

“Ele (Ciro) sabe que o único caminho viável é o lançamento de Roberto Cláudio como candidato à sucessão de Izolda. Criaria um palanque literalmente ‘cirista’ e faria, definitivamente, o divórcio com o ex-presidente Lula”, entende o consultor político. 

Cleyton Monte também acredita que manter a aliança com o palanque duplo “não traz tantos resultados positivos para Ciro”, principalmente se a governadora Izolda Cela for a candidata ao Governo, uma vez que ela “não é tão atrelada assim” ao pedetista e dialoga com o PT. “O rompimento com o PT traria um palanque mais aliado a Ciro. E, também, de certa forma, poderia trazer um espaço maior para o ex-presidente Lula”, compreende o cientista político. 

Para Luiz Cláudio, Lula tem capacidade de transferir capital político para um candidato petista ao Governo, se esse for o cenário. “Ele pode, com certeza, fazer uma transferência para o seu candidato petista. Ele já tem uma federação partidária formada pelo PT, PCdoB, PV e, provavelmente, atrairia outros aliados de primeira ordem. Sairia ganhando”, acredita. 

Duas das principais “vítimas” apontadas pelos especialistas num contexto de rompimento entre PT e PDT no Estado seriam o ex-governador Camilo e a governadora Izolda. 

Izolda, porque seus esforços para intermediar os interesses conflitantes da base governista seriam em vão e, Camilo, porque deixaria o petista em uma encruzilhada entre Ciro e Lula. 

“Se a governadora fosse tentar reeleição, ela, com certeza, iria tentar pegar carona no ex-presidente Lula. E ela sabe disso. O Ciro Gomes, notando esse movimento (de Izolda), se antecipou e tenta, agora, impor a candidatura de Roberto Cláudio”, aponta Luiz Cláudio. 

“Camilo Santana deixou o governo com altos índices de popularidade e é favorito à única vaga para o Senado Federal. Mas, um eventual rompimento tende a prejudicá-lo, caso o PDT decida lançar candidatura própria ao cargo, ainda que isso seja um cenário improvável”, observa Rômulo Leitão. 

Cheirinho de virada no ar? Por mim, tanto faz. O estrago é o mesmo

Há alguns meses era dada como certa a vitória – até mesmo no primeiro turno – do meliante de São Bernardo, Lula da Silva, sobre Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto – ‘Pô, Ricardo, por que você tem sempre que adjetivar esses dois’? Bem, primeiro porque me divirto com isso, hehe. Segundo, porque ambos são o que são.

 

Com o naufrágio antecipado da tal terceira via, que jamais deixou de ser um sonho de quem, como eu, abomina os dois principais postulantes à Presidência, e com as derrapadas frequentes do líder do petrolão e mensalão (e não foi?), a chance de reeleição do amigão do Queiroz (e não é?) cresceram bastante nos últimos dois meses.

O governo federal rasgou de vez a fantasia de ‘liberal’ e mergulhou fundo, de cabeça e tudo, no populismo eleitoreiro que, historicamente, explode os cofres públicos e deixa uma herança verdadeiramente maldita para o sucessor – ainda que seja o mesmo. Não é à toa o fracasso dos segundos governos de Lula, Dilma e FHC (Collor foi defenestrado antes).

Vença quem vencer, uma coisa é certa: herdará um País em frangalhos, como jamais visto nas últimas duas décadas e meia. Desde a eleição de Fernando Henrique, em 1994, o Brasil não era recebido por um presidente em tão má situação assim. Aliás, no caso atual, além do cataclisma sócio-econômico, temos um ambiente político dos piores também.

A diferença nas pesquisas eleitorais, que já foi de até 20 pontos entre o pai do Ronaldinho dos Negócios e o patriarca do clã das rachadinhas (e não são?), hoje beira 5 pontos no primeiro turno. Em socorro à ‘alma mais honesta deste País’ (não; não é!), a espetacular rejeição do devoto da cloroquina (e não é?), que o impede de crescer no segundo turno.

Por mim, tanto faz como tanto fez. Entre um corrupto de dez dígitos ou outro de seis; entre um populista autocrata de esquerda ou outro de direita; entre um velho-velhaco mofado de cabelos brancos ou outro tingido; entre um oceano de mentiras, de um lado ou de outro, escolho nenhum dos dois. Dessa vez, prefiro ficar em paz com a minha consciência.

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração. ISTOÉ

As vozes das ruas

Germano Oliveira é diretor de redação da revista ISTOÉ

 

O fato de as comemorações do Dia do Trabalho terem sido um grande fracasso, levou à constatação óbvia: o trabalhador não acredita mais em seus líderes sindicais, que antes manipulavam os sindicalizados como moeda de troca para seus conchavos e picaretagens e agora já não conseguem engabelar ninguém. Pior: pouca gente está disposta a se dirigir a manifestações propostas pelos dirigentes dessas entidades, que, invariavelmente, são compostas por políticos à frente dos partidos que dizem representar os fracos e oprimidos. Ledo engano. O povo não é bobo. Se ainda há poucos gatos pingados nesses eventos é para aplaudir músicos famosos. O que eles querem, na realidade, é que os sindicalistas gritem palavras de ordem contra a inflação e juros abusivos (ambas as taxas na casa dos 13%), contra o desemprego e a fome. Mas eles só pensam na eleição.

Os atos esvaziados deste Primeiro de Maio são a demonstração cabal dessa apatia dos trabalhadores. Eles não conseguem ser ouvidos. E isso aconteceu tanto no ato promovido pelas centrais sindicais mais importantes, como a CUT (braço trabalhista do PT) e a Força Sindical (o grupo que domina o Solidariedade). O circo foi armado nesses eventos como forma de mostrar apoio a Lula. O ex-presidente, forjado no movimento sindical do ABC, agora precisa chamar Daniela Mercury para ver se junta umas cinco mil pessoas no Pacaembu e, assim, poder discursar e continuar enganando o povo. Disse que se for eleito jogará na lata do lixo a reforma trabalhista feita em 2017, no governo Temer, do MDB, que ele acusou de golpista, mas que agora deseja ter como apoio para a sua candidatura. Quer novamente cooptar a máquina sindical.

Lula, porém, não se desgastou sozinho. Bolsonaro, aquele que quer dar um golpe desde o início do governo, também saiu queimado. Reuniu umas cinco mil pessoas na Avenida Paulista e outro tanto defronte a Praça dos Três Poderes, em Brasília, e nem conseguiu discursar. Ficou cinco minutos no local. O Centrão, preocupado com suas tradicionais declarações desastradas, o proibiu de falar. Apesar de ter convocado os seus pitbulls em apoio aos atos que enalteceriam sua reeleição, poucos foram aos eventos, a não ser os milicianos da falange do ódio, que ainda esperam que o capitão endureça mais o discurso contra a democracia. Cada dia estão mais ansiosos para que os militares fechem o Congresso e o STF.

No fundo, é que o povo não está disposto a referendar as candidaturas nem de Lula e nem de Bolsonaro, à espera de que surja uma terceira alternativa. Todos estão cansados dos candidatos que representam o extremismo, tanto de direita, como de esquerda. Os trabalhadores desejam é que os presidenciáveis adiram às suas lutas pela sobrevivência do dia a dia.
O problema é que nem Lula e nem Bolsonaro conseguem mais ouvir as vozes das ruas.

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