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Kassab joga como Kassab na disputa presidencial

Nem de direita nem de esquerda nem de centro. A esta altura profética, a definição de quase 15 anos atrás de Gilberto Kassab sobre o seu então novo Partido Social Democrático (PSD) voltou a incidir no cenário eleitoral. O político agora dispõe de um leque que vai de zero a três nomes para disputar o Palácio do Planalto em outubro.

A façanha se consumou com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, cujas ambições presidenciais colidiam sem remédio com o seu antigo partido, o União Brasil. O político veterano, que disputou a eleição direta para a Presidência em 1989, passa a compor com os seus colegas do Paraná, Ratinho Jr., e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o time de aspirantes pessedistas.

Ninguém hesitaria em classificar o trio nas trincheiras ideológicas da centro-direita, em oposição frontal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Kassab, no entanto, dá o seu jeitinho. Promete que, caso haja um presidenciável do PSD oficializado nas convenções até o início de agosto, o postulante não atacará Lula.

Acredite quem quiser. O malabarismo kassabista cumpre a função de manter o ex-prefeito paulistano equilibrado entre lulistas e antilulistas, uma de suas especialidades. No PSD ninguém corre o risco de ser punido por escolher qualquer um dos lados da disputa, pois é justamente para ocupar todos os cantos dos embates e governos que o partido existe.

A manobra, além disso, incomoda como um espinho a estratégia de Jair Bolsonaro (PL) de impor o seu filho senador, Flávio, como candidato único da oposição. Kassab contra-argumenta, no seu enxadrismo, que candidato consensual haverá apenas se o seu aliado governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concorrer ao Planalto.

Na hipótese de o ex-presidente preso e condenado por tentativa de golpe insistir na sua obsessão familiar, haveria mais postulantes com peso político e partidário a disputar com o filho de Bolsonaro a primazia de enfrentar Lula num provável segundo turno.

Um cardápio variado de opções seria decerto mais benéfico para o eleitorado. Ele teria a oportunidade de refletir sobre se vale a pena endossar pela terceira vez consecutiva o embate entre petistas e bolsonaristas, que já se tornou um campeonato para definir quem tem menos rejeição.

É cedo, contudo, para determinar que consequências a jogada de Gilberto Kassab produzirá no pleito presidencial de outubro. Por ora o cacique do PSD apenas ampliou as suas opções de lances numa fase preliminar do certame. A cartada decisiva poderá revelar-se um novo blefe. Em 2022 Kassab também prometeu com veemência um candidato pessedista, que não houve.

O horizonte começará a ficar mais desanuviado em abril, quando governadores que pretendem disputar a eleição presidencial terão de deixar o cargo por obrigação legal. Por enquanto Kassab apenas faz o que sempre fez e acena para todos os lados.

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