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Advogado de Vorcaro propôs 'estratégia matadora' para livrar 'amigo Alexandre' de sanção

Por Rafael Moraes Moura —

 

Brasília e Rio / O GLOBOMensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram que o advogado Walfrido Warde, que atuou na defesa do banqueiro até janeiro deste ano, propôs ao dono do Banco Master uma “estratégia matadora” para livrar o “amigo” Alexandre de Moraes das sanções impostas pela Lei Magnitsky.

 

O plano envolvia acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos sob a alegação de que o governo Donald Trump estava atacando um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar a eleição de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026.

 

“Acho que nós deveríamos ajudar na defesa do seu amigo Alexandre lá nos EUA. Eu, além das relações, tenho uma estratégia matadora para ajudá-lo na corte de direitos humanos”, escreveu Warde a Vorcaro em 1º de agosto de 2025.

 

Vorcaro responde: “Vamos. Vou falar cOM ele.” Warde prossegue: “Não há alguém aqui que possa ajudar mais do que nós. Quero nada em troca. Só ajudar mesmo. O presidente americano está atacando, com uso da lei e dos seus poderes de presidente, um juiz togado brasileiro para viabilizar a eleição, no Brasil, de um seu subordinado, que é Jair Bolsonaro, acusado de golpe de Estado e processado na Suprema Corte do Brasil.”

 

Dois dias antes do diálogo, Moraes havia sido enquadrado na lista do governo americano de alvos da chamada Lei Magnitsky, criada no governo Barack Obama (2009-2017) para punir autoridades estrangeiras violadoras de direitos humanos, e que prevê restrições comparadas nos EUA a uma “pena de morte financeira”.

 

O ato formalizou a ofensiva do governo de Donald Trump contra o Judiciário do Brasil e foi costurado por apoiadores de Bolsonaro junto à administração trumpista em Washington D.C em retaliação ao avanço das investigações da trama golpista.

 

‘Vítima do manejo da Lei Magnitsky’

Moraes ficou seis meses sob a sanção da Magnitsky Global. Ele deixou de figurar no rol de sancionados em dezembro de 2025, em meio à distensão das relações entre Brasília e Washington.

 

Apesar da pressão da Casa Branca, que chamou o processo de “caças às bruxas”, Bolsonaro acabou condenado a 27 anos e três meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo em setembro do ano passado.

De acordo com Warde, a linha de defesa de Moraes sustentaria que o ministro é vítima do manejo da Lei Magnitsky "contra seus direitos fundamentais". “A gente iria pra Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Trump na [pessoa] física”, afirmou o advogado.

 

 

Em um arquivo de áudio obtido pelos investigadores, Warde sugere pegar dez juristas para “dizer que isso aconteceu e está acontecendo”. Minutos depois, o advogado muda de assunto e começa a tratar de questões financeiras do Master.

 

Conexões

Vorcaro tinha uma relação próxima de Moraes, que agora pode ser alvo de uma abertura de investigação por conta de suas conexões com o dono do Master. O caso aguarda uma decisão do plenário do Supremo após um pedido de vista do ministro Flávio Dino paralisar a discussão sobre a validade de um relatório da Polícia Federal que detectou 52 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.

 

O banqueiro adicionou o telefone do ministro do Supremo em sua lista de contatos em 26 de dezembro de 2023. Em 11 de janeiro de 2024, a mulher de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, encaminhou para Vorcaro a minuta de um contrato que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos, revelado pela equipe do blog. O documento foi editado pelo próprio Moraes, conforme relatório da PF feito a pedido do ministro André Mendonça.

 

Embora Moraes tenha emitido nota afirmando que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”, o colunista do GLOBO Lauro Jardim revelou que o ministro pegou vários voos no jato do banqueiro. Um deles, registrado em vídeo, ocorreu em 22 de agosto de 2025.

 

Em 17 de setembro de 2025, dois meses antes da prisão de Vorcaro, Moraes alterou a configuração de seu celular no WhatsApp, estabelecendo o prazo de 24 horas para a exclusão automática das mensagens trocadas com o dono do Master.

Procurados pela equipe da coluna, o STF e a assessoria de Warde não se manifestaram.

 

 

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