O peso eleitoral da educação
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Uma pesquisa feita para captar a percepção dos brasileiros sobre a educação indica que, para 71% dos entrevistados, a atuação do governo na área influencia suas escolhas eleitorais. Isso mostra que os candidatos a presidente e a governador deveriam tratar o tema com a máxima atenção, diferentemente do que se vê na atual campanha, em que prevalecem os ataques aos adversários.
Para deixar ainda mais clara essa opinião preponderante, 83% dos entrevistados disseram que a educação tem de estar entre as três principais prioridades dos próximos governos. Os dados estão na pesquisa O que a população pensa sobre a educação 2026, que ouviu 20 mil pessoas acima de 16 anos de idade em todo o País, entre maio e julho deste ano. O levantamento foi encomendado ao Instituto Ideia pelas Fundações Itaú e Lemann, pelos Institutos Natura, Sonho Grande e Unibanco e pela ONG Todos pela Educação.
A qualidade da educação no geral é considerada insatisfatória pela maioria dos consultados. Por exemplo, só 25% acreditam que as crianças estejam aprendendo a ler e escrever no ritmo adequado – algo que, de resto, pode ser constatado nas avaliações internacionais.
Outro dado relevante é que apenas 27% entendem que a escola pública prepara bem os jovens para o mercado de trabalho. Ou seja, os brasileiros estão dizendo aos governantes que o modelo educacional do País está desconectado das reais necessidades de sua clientela.
A esse respeito, uma parte significativa dos brasileiros ainda não tem conhecimento suficiente sobre as escolas em tempo integral, sistema tido como promissor para melhorar o aprendizado. Na pesquisa, 71% disseram que já ouviram falar das escolas em tempo integral, mas apenas 38% dizem estar bem informados a respeito. Presume-se que, se os candidatos abraçassem essa causa, trazendo-a para a campanha, o apoio seria considerável.
De acordo com a pesquisa, 45% dos brasileiros disseram avaliar como ótima ou boa a qualidade das escolas públicas em seus Estados. Mas o recorte dos dados revela significativas oscilações a depender de onde vive o entrevistado.
Em Santa Catarina (60%), Ceará (59%), Paraná (57%) e Goiás (54%), os cidadãos estão satisfeitos com as escolas públicas. Já em São Paulo (26%), Rio de Janeiro (28%) e Distrito Federal (15%), os entrevistados parecem bastante descontentes.
Ainda segundo a pesquisa, 49% dos brasileiros disseram que a qualidade das escolas públicas de seus Estados melhorou nos últimos quatro anos, mas nem tanto assim em São Paulo (33%), no Rio de Janeiro (38%) e no Distrito Federal (39%).
E há algo em comum entre esses Estados: o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Enquanto os resultados dos primeiros avançam a galope, São Paulo, que liderava o Ideb do ensino médio em 2015, caiu para a 10.ª posição em 2025; e o Rio de Janeiro registrou rendimento sofrível na mesma etapa de ensino, amargando, ao lado do Distrito Federal, o maior PIB per capita do Brasil, as piores colocações no ranking nacional.
Parece tautológico, mas é digno de registro que os cidadãos estão mais satisfeitos com a educação em Estados cujo desempenho é melhor. Isso significa que os eleitores sabem reconhecer um trabalho bem-feito.
O caminho das pedras para melhorar a percepção sobre a educação, segundo os próprios entrevistados, é trivial: 53% citam a melhoria dos salários e das condições de trabalho dos professores; 37% defendem uma melhor formação do corpo docente; 48% mencionam a expansão dos cursos técnicos para os jovens no ensino médio; e 47% querem a garantia de que as crianças saibam ler e escrever até os 8 anos de idade.
Os números dessa pesquisa deveriam balizar as propostas eleitorais deste ano. Ademais, há notáveis exemplos de Estados em que a educação é bem administrada, o que se converte em boa avaliação dos cidadãos. Para quem está sofregamente atrás de votos numa eleição apertada, isso deveria importar.

