Uma greve irresponsável Paralisação oportunista mostra que trens devem seguir seu caminho: o da
Por Notas & Informações / o estadão de sp
Os ferroviários de São Paulo acabaram de deflagrar uma greve eminentemente política. A principal reivindicação da categoria não é a melhoria de suas condições de trabalho nem da qualidade do serviço público prestado à população paulista, mas sim a reestatização da operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Não faz muito tempo, o governo Tarcísio de Freitas, acertadamente, concedeu as linhas à iniciativa privada. Mas os primeiros dias de gestão da Trivia Trens foram marcados por uma série de problemas, como atrasos, falhas na circulação e até mesmo um incêndio num trem lotado no horário de pico da manhã, o que causou pânico nos usuários.
Com os incidentes, as linhas que atendem a quase 800 mil passageiros por dia na zona leste da capital paulista e em municípios como Guarulhos, Suzano e Mogi das Cruzes foram devolvidas temporariamente à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O que era para ser uma solução provisória a fim de garantir o transporte público a trabalhadores e estudantes virou um problema ainda maior.
Os sindicalistas resolveram aproveitar a oportunidade e transformar a retomada da operação pela empresa estatal num instrumento de chantagem. Fazendo os passageiros de reféns de seus objetivos políticos, os líderes paredistas colocaram uma faca no pescoço do poder público e dos cidadãos. Convocaram uma assembleia para dar início a uma paralisação com o objetivo de pressionar o governo a rever sua decisão política de desestatizar as linhas de trem – decisão esta que o eleitor paulista chancelou nas urnas, ao eleger como governador o candidato que prometera a privatização.
Tarcísio de Freitas afirmou que sempre esteve aberto ao diálogo e lembrou que houve negociações e foram dadas garantias de manutenção de emprego, mas declarou que “a aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo”. É o que se esperava.
Já os grevistas fizeram o que se espera de gente irresponsável: além de explorarem o sofrimento dos passageiros para emparedar o Executivo, eles também desrespeitaram uma ordem do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (TRT-2) que determinava o funcionamento de 80% da frota nos horários de pico e de 60% no restante do dia. A greve, portanto, foi abusiva.
E os abusos foram muitos. Como pretendiam os ferroviários, a greve provocou o caos. O que se viu na terça e na quarta-feira foram filas intermináveis no metrô e nos pontos de ônibus, cidadãos desnorteados em busca de uma alternativa para poder exercer seu direito de ir e vir e vias travadas com congestionamento acima de 700 quilômetros.
O caso todo só reforça a importância das privatizações. No curto espaço de tempo em que a administração das linhas de trem voltou para o Estado, em razão de problemas com a concessionária, o serviço ficou à mercê do oportunismo dos sindicalistas. A questão toda é muito simples: se o desempenho da concessionária é ruim, basta trocar de concessionária; se o desempenho do Estado é ruim, não há o que fazer.

