Estudo sobre fim da moratória da soja deve servir de alerta
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Pelo menos quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade questionando essas leis tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) — parte delas deve ser analisada no mês que vem. “Uma validação das leis estaduais pelo STF terá impacto no quanto as empresas serão encorajadas a assumir compromissos mais ambiciosos em relação ao Código Florestal, podendo também afetar outras cadeias produtivas”, diz Cristiane Mazzetti, do Greenpeace Brasil, coautora do artigo.
Segundo o estudo, nos dez primeiros anos do acordo, o desmatamento para plantio da soja caiu 35%, evitando uma perda florestal estimada em 1,8 milhão de hectares. Pesquisadores temem que o fim da moratória favoreça a especulação imobiliária. Os autores identificaram 9,1 milhões de hectares de florestas em propriedades privadas com alta aptidão para soja que podem ser desmatados de forma legal e 28,7 milhões de hectares de florestas públicas que podem ser alvo da especulação.
Seria uma lástima se a perda de vegetação voltasse a crescer na Amazônia a partir do fim da moratória. Nos últimos anos, mostraram-se bem-sucedidos os esforços do governo federal e dos estados para conter a devastação, um dos grandes desafios ambientais do país e tema de constante escrutínio por parte da comunidade internacional. Em junho, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que o total de áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia havia caído 37,5% entre agosto de 2025 e maio de 2026 na comparação com o período anterior, atingindo o menor patamar da série histórica.
É claro que a perda de vegetação na Amazônia tem diferentes causas. Mas o alerta dado por pesquisadores precisa ser levado em conta. Países restringem cada vez mais a compra de mercadorias vindas de áreas desmatadas. Apesar da auspiciosa redução verificada nos últimos anos, ainda falta muito para o Brasil atingir suas metas. Portanto, não é hora de retroceder.

