Tríplice Fronteira Amazônica precisa ser mais bem vigiada
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Merece atenção o alerta do Ministério Público Federal (MPF) sobre o sucateamento da Delegacia de Polícia Federal de Tabatinga (AM), na Tríplice Fronteira Amazônica, região entre Brasil, Peru e Colômbia que tem sido usada como rota de narcotraficantes. Segundo o MPF, que protocolou ação contra a União, o esvaziamento da unidade compromete investigações numa área estratégica para enfrentar o crime, por concentrar facções como CV e PCC.
Entre as queixas que motivaram a ação, estão falta de pessoal, ausência de fiscalização permanente, dificuldade na preservação de provas em crimes relacionados ao tráfico de drogas e falta de cooperação com outros órgãos para monitoramento aéreo, o que favorece atividades como garimpo ilegal, narcotráfico e biopirataria. Para o MPF, a ausência de postos permanentes, como determinado em decisões judiciais, criou um “vácuo de soberania” ocupado por organizações criminosas.
A Tríplice Fronteira tem sido altamente visada por traficantes. Pelas rotas menos vigiadas da região é escoado um tipo de maconha colombiana de alta potência, conhecido como “supermaconha”. O esquema envolve integrantes do CV e dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que continuam atuantes, a despeito do acordo de paz firmado pelo grupo, como mostrou O GLOBO.
Um oficial do Exército colombiano que atua no combate a dissidentes da guerrilha e participa de ações conjuntas com o Brasil diz que a aliança entre os grupos criminosos inclui compra de drogas, proteção a carregamentos, troca de informações e coordenação logística. Ele afirma ainda que as parcerias, envolvendo também o PCC, se estendem ao garimpo ilegal e à exploração de recursos minerais. Em geral, quadrilhas aliciam populações ribeirinhas para os negócios ilícitos, fracionam a droga em pequenas quantidades e a distribuem em várias embarcações.
Não surpreende que a quantidade de droga apreendida nos rios amazônicos tenha disparado nos últimos anos. Em 2016, foram 2,5 toneladas. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, somaram 23,3 toneladas, segundo os dados mais recentes da Polícia Federal.
Não há dúvida de que o crime organizado está incrustado em todos os cantos da Amazônia. Dos 772 municípios da região, quase metade (344) já registra a presença de facções, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado no ano passado — no levantamento anterior, de 2024, eram 260. A presença cada vez maior de narcotraficantes e as ligações com quadrilhas de países vizinhos são uma realidade que precisa ser enfrentada. Está claro que o Brasil sozinho não conseguirá resolvê-la, a despeito das operações das polícias e das Forças Armadas.
Para combater essas quadrilhas, é fundamental ampliar o policiamento permanente na região e buscar ou ampliar acordos de cooperação não só com países vizinhos, mas também com Estados Unidos e Europa, para onde parte da droga é exportada. Problemas comuns demandam soluções compartilhadas.