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‘Força-tarefa’ de aliados de Flávio e Michelle Bolsonaro articulou reconciliação

COLUNA DA MALU GAWSPAR / Por Rafael Moraes Moura — Brasília / O GLOBO

 

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o enteado e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL)A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o enteado e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Beto Barata/PL e Cristiano Mariz/O Globo

 

 

A reconciliação de Flávio e Michelle Bolsonaro, registrada em vídeos coordenados nas redes sociais, foi resultado de um esforço concentrado que mobilizou por uma semana aliados dos dois lados da guerra do ex-clã presidencial. O movimento coreografado ocorre dois dias antes da convenção que vai confirmar a indicação do filho 01 de Jair Bolsonaro para a corrida presidencial.

 

Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, a força-tarefa de “bombeiros” incluiu a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, além da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do coordenador da pré-campanha de Flávio à Presidência, o senador Rogério Marinho (PL-RN).

 

“Foi uma luta de mais de uma semana”, resumiu um dos atores envolvidos no cessar-fogo.Conforme o roteiro traçado pelos “bombeiros”, Flávio Bolsonaro primeiro publicou um vídeo de 2 minutos e 35 segundos pedindo desculpas à madrasta, e ela postou duas horas depois um vídeo de 2 minutos e 9 segundos aceitando o pedido e se comprometendo a ajudá-lo na corrida presidencial. “Todos nós cometemos erros, isso é humano. Aceito o seu pedido, eu te desculpo”, disse Michelle, prometendo reunir um “Exército de pessoas de bem” para “resgatar o Brasil”.

De acordo com uma fonte que acompanhou de perto a articulação do armistício, “muita gente trabalhou nos bastidores, não foi obra de um só”. “A Celina convenceu a Michelle [a concordar com a gravação do vídeo] e passou o que era pro Flávio fazer. Aí entrou a turma mais próxima do Flávio, principalmente o Valdemar, que convenceu o Flávio a gravar esse vídeo.”

 

Celina é uma das lideranças políticas mais próximas de Michelle e conta com o apoio da ex-primeira-dama em sua campanha para seguir no comando do Palácio do Buriti.

 

Já Michelle deve disputar uma cadeira no Senado pelo Distrito Federal, tradicional reduto bolsonarista onde a sua vitória é dada como certa. Lá, Jair Bolsonaro obteve 58,81% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2022, ante 41,19% de Lula.

 

“Celina e Damares foram as grandes responsáveis. Elas fizeram acontecer”, afirmou ao blog um aliado de Michelle que pediu para não ser identificado. No vídeo de resposta a Flávio, ela fez questão de agradecer nominalmente às duas, “que se empenharam dia e noite para que esse momento de reconciliação pudesse acontecer”.

 

Depois do desfecho, um interlocutor de Flávio chegou a brincar que a governadora do DF “merece o prêmio Nobel da Paz”.

 

‘Ninguém é perfeito’

No vídeo desta quinta-feira (23), Flávio fala em “evitar qualquer divisão”, elogiou o “grande trabalho” de Michelle à frente do PL Mulher e pregou união no campo da direita para impedir a reeleição do presidente Lula.

 

“Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores", declarou o pré-candidato do PL.

 

“Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai. Também faço um pedido à militância: para a gente olhar para frente nesse momento, focar no objetivo principal, que é resgatar o nosso Brasil.”

 

“Celina e Damares foram as grandes responsáveis. Elas fizeram acontecer”, afirmou ao blog um aliado de Michelle que pediu para não ser identificado. No vídeo de resposta a Flávio, ela fez questão de agradecer nominalmente às duas, “que se empenharam dia e noite para que esse momento de reconciliação pudesse acontecer”.

 

Depois do desfecho, um interlocutor de Flávio chegou a brincar que a governadora do DF “merece o prêmio Nobel da Paz”.

 

Logo após a postagem, Michelle curtiu a publicação de Flávio no Instagram, antes de publicar o próprio vídeo.

Em meio à guerra no clã Bolsonaro, Flávio busca uma mulher para compor a chapa e tem feito acenos ao eleitorado feminino – na semana passada, lançou um programa de governo voltado às mulheres, o “Brasil por Elas”, com proposta de zerar a fila de creches e incentivar o empreendedorismo.

 

Mas com os atritos públicos com a madrasta e os desdobramentos das investigações do caso Banco Master, que ganharam um novo capítulo com a abertura de inquérito para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, Flávio não só se viu isolado e com dificuldades para angariar apoio de outras legendas, como também deve deixar para depois da convenção deste sábado o anúncio de quem vai ser a sua companheira de chapa.

 

Pesquisas

O impacto da guerra intestina no clã Bolsonaro foi medido pela mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada no último dia 15. Para 45% do total de entrevistados, Michelle acertou ao divulgar o vídeo com críticas a Flávio em suas redes sociais, enquanto 38% avaliam que a ex-primeira-dama cometeu um erro.

 

Mas a percepção do episódio variou substancialmente nos diferentes espectros políticos dos entrevistados, mostrando maior apoio a Michelle na esquerda do que na própria direita.

 

Entre os lulistas, 62% acham que Michelle acertou, enquanto 26% avaliam que ela errou ao divulgar o vídeo. No universo bolsonarista, a situação é diametralmente oposta: só 20% acham que ela acertou, enquanto 64% consideraram a postura da ex-primeira-dama um equívoco.

 

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