Super El Niño será teste para queda de queimadas
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Chama a atenção que 47% de toda a área queimada estejam concentrados em três estados: Mato Grosso, Pará e Maranhão. Em nível municipal, 11% se estendem por 15 cidades, capitaneadas por Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA). Essa concentração, num país de dimensões continentais, deveria favorecer o combate às queimadas.
Segundo os pesquisadores, a redução pode ser atribuída a uma série de fatores. Um dos mais importantes foi a questão climática, uma vez que o regime de chuvas entre 2024 e 2025 conseguiu conter as condições que favorecem a queima. Melhorias na governança também contribuíram. Em 2024, foram estabelecidos vários protocolos para prevenção e combate às chamas. A redução consistente no desmatamento também ajudou, diminuindo as fontes de ignição. Além disso, os estragos dos incêndios de 2024 levaram a uma pressão da sociedade para conter as queimadas.
A despeito dos bons números, sabe-se que os incêndios florestais costumam aumentar em anos de El Niño — e também em períodos subsequentes. Agências meteorológicas têm apontado probabilidade superior a 80% de o Brasil enfrentar um evento “muito forte”. Entre os efeitos esperados, estão secas severas no Norte. Longos períodos de estiagem costumam tornar a vegetação altamente vulnerável ao fogo, que na maior parte do casos é provocado pela ação humana. Quando as condições se deterioram, o controle fica mais difícil. O Brasil já viu esse filme várias vezes.
Incêndios florestais devastadores no Hemisfério Norte devem servir de exemplo. No Sul da Espanha, chamas incontroláveis mataram pelo menos 12 pessoas e produziram cenas de horror. No Canadá, a profusão de queimadas provocou nuvens gigantescas de fumaça que atingiram cidades dos Estados Unidos em plena Copa do Mundo. Não é improvável que fenômenos como esses se repitam no Brasil. Por isso é preciso se preparar desde já para enfrentá-los, mobilizando brigadas de incêndio, providenciando aeronaves de combate ao fogo, instruindo as populações, adaptando unidades de saúde, impedindo as queimadas em tempo real. Em 2024, o governo só começou a se mobilizar quando a fumaça dos incêndios cobriu Brasília. Espera-se que seja mais ágil agora.

