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POR NOTAS E INFORMAÇOES / O ESTADÃO DE SP

 

Enquanto a tradicional Volkswagen elimina dezenas de milhares de postos de trabalho e encerra a produção de vários modelos para tentar sobreviver, os carros chineses invadem o mundo a um ritmo sem precedentes.

 

Somente em junho, a China exportou a marca inédita de um milhão de veículos. As vendas externas de automóveis, equipamentos eletrônicos e componentes ligados à inteligência artificial (IA) devem ajudar o país a repetir em 2026, ou até mesmo superar, o assombroso superávit comercial de US$ 1,2 trilhão registrado no ano passado.

 

O poder das montadoras chinesas é visível em todo o mundo. No Brasil, o governo acaba de estender por mais seis meses as cotas de importação com alíquota zero a kits de peças para veículos elétricos e híbridos, medida que beneficia a BYD. Contrariada, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ameaçou judicializar a questão, mas logo desistiu.

 

Já na Europa da agora extremamente pressionada Volkswagen, a presença de carros e produtos chineses é tão grande que o presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a falar em questão de “vida ou morte” após visitar Pequim no final do ano passado.

 

Não há como negar que a inundação de produtos chineses ameaça cada vez mais a indústria do Brasil, da França, da Alemanha e do mundo. Contudo, as soluções adotadas até agora para deter o avanço chinês sobre segmentos de mercado como o automobilístico, que também é um grande empregador, só criaram mais dor de cabeça para aqueles que supostamente visavam proteger.

 

As tarifas de Donald Trump são o exemplo mais bem acabado disso. Trump prometeu que seu tarifaço levaria a uma nova onda de industrialização dos EUA e a preços mais baixos para os americanos. Mas nada disso aconteceu. Ao contrário, o cidadão teve de amargar a escalada dos preços.

 

Trump também, inadvertidamente, ajudou os chineses a vender mais veículos elétricos ao entrar em guerra com o Irã e levar o preço do petróleo às alturas.

 

Como se não bastasse, especialistas entendem que é uma questão de tempo até que os competitivos carros chineses ganhem também o mercado americano. Enquanto Trump vocifera, a China acena com aquisições de fábricas e geração de empregos nos EUA.

 

Entre os europeus, a despeito da crise de suas fabricantes de veículos, não há consenso sobre como lidar com a ameaça chinesa.

 

Curiosamente, o maior aliado de um mundo atordoado e aparentemente incapaz de lidar com a pujança industrial chinesa é a fraqueza do mercado interno da China. Ao mesmo tempo em que despacha veículos mundo afora, a China registra nove meses consecutivos de queda na venda de veículos em seu próprio quintal.

 

Depender tão significativamente dos mercados externos só faz sentido para pequenas nações exportadoras, o que definitivamente não é sustentável para a segunda maior economia do mundo.

 

Até agora imparável na conquista dos mercados globais, a China precisa convencer os próprios chineses a consumir, para não depender dos humores do mercado externo.

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