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Aumento de home office no setor público é retrocesso

Por
Editorial

Atualizado

O número de servidores públicos federais em regime remoto parcial ou integral cresceu 28% entre outubro de 2024 e maio deste ano. São 107,8 mil funcionários em home office. No setor privado, a tendência é oposta. A expansão no setor público conta com o apoio do governo e destoa do que acontece noutros países. Governos de diferentes linhas políticas têm endurecido as regras porque a produtividade do setor público é afetada negativamente. Na semana passada, todos os servidores federais canadenses em jornada híbrida passaram a ter de comparecer em seus locais de trabalho quatro dias por semana por decisão do primeiro-ministro Mark Carney, de centro-esquerda. A mesma regra foi adotada no início do mês na Califórnia, seguindo ordem do governador democrata Gavin Newsom. Ao voltar à Casa Branca, o republicano Donald Trump decretou o fim do trabalho remoto.
Não faltam boas razões para retomar o presencial. No regime remoto, chefes de departamento percebem dificuldades de comunicação e gestão de equipes, menor comprometimento organizacional, reuniões menos produtivas, falta de motivação, problemas com tecnologia e barreiras na transmissão de conhecimento entre funcionários mais experientes e novatos. Há resistência à mudança porque uma parte dos servidores se acostumou com as vantagens, como a comodidade de ficar em casa, a possibilidade de atender aos filhos e a redução dos gastos com deslocamentos e alimentação. São eles que exigem de seus sindicatos a manutenção e a expansão do teletrabalho.

No Brasil, o Ministério da Gestão tem a maior parcela de funcionários em home office (67%). Em seguida, estão o Ministério da Fazenda (56%), a Advocacia-Geral da União (53%) e o INSS (49%). O IBGE tem buscado reduzir drasticamente o percentual, mas enfrenta resistência, com 27% ainda em trabalho remoto. Até o momento, o governo tem se mantido em linha com os sindicatos. Afirma que o trabalho remoto reduz a pressão por expansão de áreas físicas, locação de imóveis e aquisição de equipamentos. Insiste que o Programa de Gestão e Desempenho (PGD), ao substituir o controle de ponto eletrônico pelo monitoramento de entrega de tarefas e cumprimento de metas, garante a qualidade dos serviços. Na ponta receptora, porém, a sensação da população é distinta.

Faltam pesquisas sobre os efeitos do home office no setor público feitas por instituições independentes e com critérios objetivos. A maioria das existentes se baseia em entrevistas com gestores e servidores, muitos deles beneficiados pelo home office ou receosos de criar inimizades com subalternos e colegas. Apesar disso, alguns indícios negativos vêm à tona. Em relatório sobre o PGD publicado em 2025 com a participação de 119 responsáveis por instituições do governo, seis em dez discordaram que os trabalhadores remotos têm um comprometimento maior, disseram não saber ou não quiseram responder à questão. A soma dos que disseram não perceber aumento de produtividade, não saber ou não responderam foi de 49%.

 

Em todas as áreas de atuação do governo, há demandas não atendidas. Ao ceder à pressão dos sindicatos e permitir o aumento do trabalho remoto entre os servidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou na contramão do que acontece no exterior e perdeu uma oportunidade de elevar a produtividade do setor público.

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