Aumento de home office no setor público é retrocesso
Atualizado
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No Brasil, o Ministério da Gestão tem a maior parcela de funcionários em home office (67%). Em seguida, estão o Ministério da Fazenda (56%), a Advocacia-Geral da União (53%) e o INSS (49%). O IBGE tem buscado reduzir drasticamente o percentual, mas enfrenta resistência, com 27% ainda em trabalho remoto. Até o momento, o governo tem se mantido em linha com os sindicatos. Afirma que o trabalho remoto reduz a pressão por expansão de áreas físicas, locação de imóveis e aquisição de equipamentos. Insiste que o Programa de Gestão e Desempenho (PGD), ao substituir o controle de ponto eletrônico pelo monitoramento de entrega de tarefas e cumprimento de metas, garante a qualidade dos serviços. Na ponta receptora, porém, a sensação da população é distinta.
Faltam pesquisas sobre os efeitos do home office no setor público feitas por instituições independentes e com critérios objetivos. A maioria das existentes se baseia em entrevistas com gestores e servidores, muitos deles beneficiados pelo home office ou receosos de criar inimizades com subalternos e colegas. Apesar disso, alguns indícios negativos vêm à tona. Em relatório sobre o PGD publicado em 2025 com a participação de 119 responsáveis por instituições do governo, seis em dez discordaram que os trabalhadores remotos têm um comprometimento maior, disseram não saber ou não quiseram responder à questão. A soma dos que disseram não perceber aumento de produtividade, não saber ou não responderam foi de 49%.
Em todas as áreas de atuação do governo, há demandas não atendidas. Ao ceder à pressão dos sindicatos e permitir o aumento do trabalho remoto entre os servidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou na contramão do que acontece no exterior e perdeu uma oportunidade de elevar a produtividade do setor público.

