Projeções anunciam decisões difíceis no próximo governo
As novas projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, prenunciam anos difíceis para o governo a ser eleito em outubro. Longe de qualquer sinal de reversão, a escalada da dívida pública permanece em todos os cenários considerados.
No tido como mais provável, um pouco menos ruim que o apresentado no semestre anterior, as receitas federais atingem 18,9% do PIB em 2026 e recuam gradualmente para 18,3% no médio prazo. Já as despesas não financeiras sobem de 19,2% do PIB neste ano para 19,9% em 2032, antes de uma estabilização parcial em torno de 19,4%.
Estima-se melhora do saldo em 2026 e 2027, devido à maior arrecadação resultante de preços de petróleo elevados —que geraram revisões positivas de cerca de R$ 18 bilhões anuais. Com isso, será mais fácil cumprir formalmente as metas oficiais.
Entretanto o relatório da IFI trabalhou com a hipótese do barril Brent a US$ 85 em 2026. Com o aparente arrefecimento de tensões geopolíticas, as cotações já recuaram para patamares inferiores a US$ 75, o que pode anular boa parte do ganho previsto.
Os parâmetros do cenário-base podem ser considerados otimistas. O crescimento do PIB é projetado em 2% em 2026 e 1,8% em 2027, convergindo para uma média de 2,3% ao ano a partir de 2028 —ritmo superior ao potencial da economia brasileira.
A taxa real de juros esperada cairia de 7,5% em 2026 para 5% no médio prazo, reduzindo o custo de financiamento da dívida. Tal evolução, porém, provavelmente só ocorrerá num contexto de maior confiança com ajuste orçamentário duradouro, algo que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem mesmo se esforçou por conseguir até aqui.
No cenário pessimista, com crescimento médio do PIB de apenas 1,3% ao ano de 2028 em diante e juros reais em torno de 7,5%, a dívida bruta salta de 82,8% do PIB em 2026 para 158,3% em 2036, um patamar insustentável.
Nas hipóteses mais positivas da IFI, a estabilização da dívida em torno de 80% a 85% do PIB depende de crescimento médio de 3,4% ao ano a partir de 2028 e redução dos juros reais para 4%.
A regra legal que limita a expansão dos gastos primários (com pessoal, programas sociais, custeio administrativo e investimentos) a 2,5% acima da inflação ao ano é inconsistente, pois se choca com a dinâmica real de pagamentos obrigatórios, que crescem em ritmo superior.
As razões essenciais são os reajustes reais do salário mínimo, que oneram uma Previdência Social já pressionada pelo envelhecimento populacional, e os pisos constitucionais da saúde e da educação indexados à receita.
A irresponsabilidade de Lula deixará herança inglória, que demandará ajustes difíceis. Infelizmente, até candidaturas de oposição evitam esse debate, com medo de afugentar eleitores. Decepções após o resultado das urnas são cada vez mais prováveis.

