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Inteligência artificial tornou-se fato consumado no Brasil

A inteligência artificial está na cabeça e no cotidiano dos brasileiros. De acordo com a pesquisa nacional deste mês de junho do Datafolha, 86% dos entrevistados afirmam conhecer ou ter ouvido falar da tecnologia. Entre eles, a maioria (52%) declara já tê-la utilizado.

As expectativas sobre qual será o efeito líquido da chamada inteligência artificial generativa na vida de cada um estão divididas. Um terço avalia que a inovação trará mais benefícios que prejuízos, outro terço pensa o contrário e os demais que opinaram (26%) preveem impacto neutro.

A opinião pública se divide em duas parcelas equivalentes quanto ao temor de que a sua profissão desapareça pela ação da IA.

As respostas tornam a ficar largamente majoritárias —e negativas— quando os participantes são indagados sobre se os modelos deveriam tomar decisões como as de contratar e demitir profissionais, aprovar empréstimos bancários e definir tratamentos médicos. Humanos são mais confiáveis nessas tarefas para mais de dois terços dos brasileiros.

Uma interpretação plausível dos principais achados da pesquisa é a de que a IA depressa se tornou um fato consumado no Brasil, há relativa incerteza sobre a linha geral de seus benefícios e ampla rejeição a que a responsabilidade por decisões cruciais seja alienada para essas poderosas máquinas computacionais.

Esta Folha vê com otimismo a onda de inovações que cruzou o rubicão com o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022. Ela tem liberado energias transformadoras em praticamente todos os setores da atividade e em escala planetária. Onde quer que haja um padrão, por complexo que seja, as novíssimas ferramentas de IA logram decifrá-lo, automatizando tarefas e reduzindo as falhas e o tempo de sua execução.

Decerto subsistem os riscos inerentes a qualquer revolução tecnológica. Alguns empregos vão se tornar obsoletos, enquanto outros irão surgir ou ganhar proeminência. A transição será tanto mais benéfica quanto mais instruída for a população, mais livre for o ambiente para inovar e competir, mais resistentes forem as defesas contra a cartelização e mais eficiente for o gasto social.

Há que combater o hábito das velhas elites política, empresarial e corporativista brasileiras de impor barreiras à absorção tecnológica, das quais com frequência constam a criação de empresas estatais e privilégios privados.

Não é preciso inventar burocracias, agências ou labirintos regulatórios para enfrentar os comportamentos lesivos dos conglomerados globais que lideram a corrida pela IA, como o seu péssimo costume de roubar conteúdo de terceiros para o treinamento e a operação de seus modelos.

Jamais deveria sair do foco nesse debate o interesse coletivo na prosperidade. É aspiração atemporal da humanidade ter acesso crescente a bens e serviços —e reduzir a necessidade de dedicar esforço pessoal a atividades pouco criativas e compensadoras.

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