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Renúncia de premiê expõe instabilidade crônica no Reino Unido

Justamente porque aparenta ser um evento corriqueiro, a queda do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, é motivo de preocupação para o Ocidente. Desde o século 17, com sucessivas inovações, o Reino Unido tornou-se modelo para as democracias liberais.

 

Ao renunciar nesta segunda (22), Starmer encerra um período que prometia ajustes no manejo do maior desastre geopolítico para Londres desde a dissolução de seu império após a Segunda Guerra Mundial: o brexit.

 

A retirada gradual e onerosa do país da União Europeia por motivos errados —no caso, o fato de o Partido Conservador ter levado o tema a plebiscito para tentar conter rivais separatistas— completa dez anos neste 2026.

Desde lá, houve seis premiês, cinco deles conservadores. Ao vencer de modo acachapante o pleito de 2024, os trabalhistas selaram a volta à moderação, que parecia adequada para lidar com os efeitos deletérios do brexit sobre emprego, investimentos e PIB. Estudos estimam que a renda per capita deixou de avançar £ 2.000 (R$ 13,6 mil) até 2024.

 

Starmer não reverteu o processo. A economia manteve-se frágil e, desde o fim de 2025, o crescimento está em baixa. O trabalhista passou vexames na relação que buscava ser de paridade com Donald Trump e indicou para embaixador nos EUA um político envolvido no escândalo de Jeffrey Epstein, o que minou sua autoridade e fortaleceu os populistas de cepa trumpista.

Nigel Farage viu sua sigla Reform UK lograr sucessos em pleitos regionais neste ano. O partido lidera pesquisas de intenção de voto, e o líder já pede a antecipação das eleições gerais de 2029.
Isso não deve ocorrer devido ao sistema parlamentarista não individualista tão caro ao país. Restará ao Partido Trabalhista escolher um novo líder.

 

A política tradicional, centrada em trabalhistas e conservadores, não soube lidar com o estrago do brexit e as demandas de fatias expressivas da população que veem na imigração a causa de qualquer problema da nação.

 

Como ocorreu em outros países da Europa, Farage tem buscado se mostrar como candidato a estadista moderado —a estratégia deu resultado positivo na Itália, mas o histórico do britânico não autoriza esperanças.

 

A debacle de Starmer reflete um período de instabilidade crônica da democracia no Reino Unido. O problema, como disse o ex-premiê Winston Churchill, é que mesmo sendo o pior sistema de governo já inventado, a democracia é melhor do que as alternativas cortejadas pelos populistas.

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